foto14.jpg
Está aqui:   Início Ano da Fé
Ano da Fé
A agonia e a condenação de Jesus à morte PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

A AGONIA E CONDENAÇÃO DE JESUS À MORTE

Depois da última ceia Jesus entra em agonia, isto é, numa luta interior entre o desejo de não ser entregue ao “domínio das trevas” (Lc 22, 53), de escapar à morte sangrenta que se anuncia, e o de realizar até ao fim a vontade do Pai e a missão recebida. Jesus confessa que “está triste com uma tristeza de morte” (Mt 26, 38). Nesta cena dolorosa de combate e de tentação, nesta hora de angústia, Jesus partilha a aflição que qualquer homem sente diante da morte.

Ao contrário dos discípulos que não conseguem contrariar o sono, Jesus dá exemplo de uma oração incessante, dizendo: “Pai, se este cálice não pode passar sem que eu o beba, faça-se a tua vontade” (Mt 26, 42).

Depois da agonia Jesus foi preso, conforme as indicações de Judas, o traidor. Jesus vai sujeitar-se a um duplo processo: primeiro, o judaico, no decurso do qual o Sinédrio, presidido por Caifás, o acusa formalmente de blasfémia, por ter respondido “Dizeis bem, Eu o sou” à pergunta “Tu és, então, o Filho de Deus?”; depois, o romano, ao comparecer diante de Pilatos, o governador da província; só ele tem direito de condenar à morte e de fazer executar a sentença. Por este duplo processo os evangelistas mostram que a morte de Jesus é da responsabilidade dos homens, de todos os homens, que se uniram na mesma cumplicidade pecadora para levar Jesus à morte. Jesus é o Justo, cuja vida e testemunho se tinham tornado insuportáveis aos olhos deles. Ele é o Inocente condenado. Na condenação de Jesus entram em acção simultâneamente, por um lado, a liberdade dos homens e, por outro, a liberdade soberana de Jesus, que se insere nos frutos amargos do pecado para aí fazer triunfar o amor.

Jesus não somente é julgado e condenado pelas autoridades religiosas e políticas, depois de ter sido traído por Judas, mas é escarnecido e torturado pelos soldados, apupado pela multidão que a ele prefere Barrabás, desamparado dos seus e renegado por Pedro. Abandonado à sua solidão, ele faz a experiência do fracasso e da contradição total. A acção que leva à morte é obra dos homens e a acção que leva à vida é obra de Deus. Só o desígnio de amor de Deus (cf. 1Jo 4, 10) podia fazer servir esta morte à reconciliação e à salvação daqueles que a infligiram.

 Só quem seriamente ponderou quão pesada é a cruz pode conceber quão pesado é o pecado.

(Santo Anselmo de Cantuária)

 
A última ceia PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

A ÚLTIMA CEIA

Jesus sabe bem que caminha para a morte (cf. Mc 10, 32-34). Esta morte, ele não a suporta como uma fatalidade, mas aceita-a em plena liberdade e dá-lhe sentido: faz dela o dom da sua vida (cf. Jo 15, 13).

É no decurso da última ceia, partilhada com os discípulos, que Jesus revela o sentido da sua morte. Toma o pão e o vinho e diz: “isto é o meu corpo, entregue por vós. Fazei isto em memória de mim. (…) Este cálice é a nova aliança estabelecida no meu sangue. Todas as vezes que dele beberdes, fazei isto em memória de mim” (1Cor 11, 24-25). O corpo e o sangue significam a totalidade da pessoa, oferecida aos seus sob uma dupla forma. De um lado, a instituição da Eucaristia; do outro o seu corpo entregue e o seu sangue vertido sobre a cruz pelo perdão dos pecados. Ambos os dons estão ligados um ao outro de modo a fazerem um só. A Eucaristia exprime o sentido que Jesus quis dar à sua morte: ele dá a vida para que nós tenhamos a vida. Mas este dom da vida que Jesus realizou na cruz, este dom pleno do amor divino, é-nos efectivamente comunicado na Eucaristia. Todas as vezes que comemos deste pão e bebemos deste cálice (cf. 1Cor 11, 25), recebemos como alimento de vida aquele que realizou a sua Páscoa, aquele que foi “entregue pelas nossas faltas e que ressuscitou para nossa justificação” (Rom 4, 25). Pela celebração da Eucaristia o mistério da cruz e da ressurreição ficará perpetuamente presente e agindo na vida dos crentes. Na ceia, Jesus sela a identidade entre o seu ensinamento e a sua vida, identidade cuja manifestação suprema será a cruz.

Na última ceia Jesus lava os pés aos discípulos. Este gesto de humilde serviço é um anúncio profético do que Jesus vai fazer na cruz. Pelo baptismo da sua paixão e morte, ele vai prestar aos homens o serviço supremo de os lavar, de os purificar pelo seu sangue. Ao realizar este gesto Jesus dá-nos também um exemplo, a fim de que façamos, também nós, como ele fez pelos homens (cf. Jo 13, 15). Aqueles que recebem a Eucaristia são chamados ao amor e ao serviço fraterno, até dar a própria vida pelos irmãos.

Deus ter-nos-ia dado algo maior, se houvesse algo maior que Ele próprio.

(São João Maria Vianney)
 
A comunidade dos discípulos PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

A COMUNIDADE DOS DISCÍPULOS

Ao mesmo tempo que introduz o Reino na história, Jesus inicia a reunião definitiva do povo de Deus. As duas coisas caminham a par, porque o Reino, de acordo com as profecias, deve tornar-se visível num povo.

O Mestre experimenta compaixão pelas multidões, que vagueiam “como ovelhas sem pastor” (Mc 6, 34) e, a fim de reunir Israel, vigia incansavelmente, prega e realiza curas. Bem depressa reúne uma comunidade de discípulos, como primícias e representação dos futuros crentes, como grupo de cooperadores na colheita da seara. Alguns aderem a ele permanecendo nas suas casas e nas suas anteriores condições familiares e sociais, continuado o trabalho habitual. Outros deixam a família, os bens, o trabalho e seguem-no também fisicamente, formando um grupo itinerante, no qual se pratica diária e concretamente a comunhão.

Dentre estes discípulos mais próximos, Jesus escolhe Doze. O número é intencional. Trata-se de uma acção profética simbólica, através da qual o Mestre declara a sua intenção de reunir as doze tribos dispersas, de convocar o Israel dos últimos tempos, aberto também aos pagãos. Escolheu-os para “andarem com ele e para os enviar a pregar, com o poder de expulsar os demónios” (Mc 3, 14-15).

Jesus encontra-se profundamente ligado à comunidade dos discípulos, formada por aqueles que acreditam nele e, especialmente por aqueles que o acompanham fisicamente. Considera-os a sua verdadeira família. Infelizmente, depois de um começo prometedor, o ministério de Jesus depara com uma crise cada vez mais grave. Muitos rejeitam o convite ao banquete do Reino, sob vários pretextos, como se a comunhão com Deus tivesse pouco valor. Com o passar do tempo, Jesus, ao constatar a insensibilidade das multidões curiosas e superficiais, manteve-se cada vez mais à parte, para se dedicar principalmente à formação do grupo dos discípulos. Quer prepará-los em vista ao desenvolvimento seguinte da sua obra e não fazer deles um grupo elitista. Apesar do insucesso momentâneo, encoraja os poucos que ainda o seguem: “Não temas, pequenino rebanho, porque aprouve ao vosso Pai dar-vos o Reino” (Lc 12, 32). Garante que a comunidade por ele reunida, será sólida para sempre “e as portas do inferno nada poderão contra ela” (Mt 16, 18). Confiará a sua orientação a Simão Pedro.

A partir da comunidade dos discípulos, depois da morte e ressurreição do Senhor, desenvolver-se-á a Igreja, realização plena de Israel, sinal visível e instrumento de salvação no meio de todos os povos, semente e profecia da nova humanidade. Não se pode aderir a Cristo sem aderir também à Igreja, parte essencial do seu projecto. O seguimento de Cristo apenas é possível na comunidade.

 
A festa dos pecadores reconciliados PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

A FESTA DOS PECADORES RECONCILIADOS 

O Reino de Deus manifesta-se, ainda mais do que nos milagres, no perdão concedido aos pecadores, na sua regeneração como homens novos, reconduzidos à comunhão com o Pai e com os irmãos. Jesus indica do seguinte modo a sua missão: “O Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido” (Lc 19, 10). As pessoas devotas escandalizam-se com o comportamento de Jesus e dizem d'Ele: “Aí está um glutão e bebedor, amigo de publicanos e pecadores” (Mt 11, 19). Jesus detém-se junto dos pecadores para que sintam que são amados por Deus, reconheçam os seus pecados, readiquiram confiança e aprendam a amar. Jesus sabe que está em total sintonia com a misericórdia do Pai, atribuindo-se até o poder divino de perdoar os pecados, embora se levante à sua volta um murmúrio de reprovação e a acusação de blasfémia.

Deus é o primeiro a amar e fá-lo de forma apaixonada. Vai procurar os pecadores e, quando se convertem, faz grande festa. Na parábola do pai misericordioso (ou do filho pródigo), a alegria do pai pelo reencontro do filho perdido exprime-se num banquete. Também Jesus, apesar do escândalo dos bem-pensantes, senta-se frequentemente com os pecadores. Na cultura e na religião hebraica, o banquete era, desde sempre, a expressão fundamental da amizade, da festa e da paz. Através do gesto de aceitar os convites que lhe faziam, Jesus pretende celebrar a festa do Reino que chega ao mundo, como oferta de perdão, de amizade e de alegria. É o triunfo da graça e da misericórdia.

Há a fome do pão ordinário, mas há também a fome de amor, de bondade e de atenção mútua - e esta é a grande pobreza que as pessoas hoje sofrem muito.

(Beata Madre Teresa)
 
Os Milagres de Jesus II PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

OS MILAGRES DE JESUS - II

Muitos dos nossos contemporâneos consideram que os milagres são incompatíveis com o conhecimento científico da natureza. No máximo estão dispostos a admitir alguns fenómenos excepcionais, como efeito de sugestão ou de outras forças psíquicas e físicas ainda desconhecidas.

Uma desconfiança tão radical não parece justificada. O mundo apresenta-se como um processo evolutivo, sempre aberto a muitas possibilidades, caracterizado pela continuidade e, ao mesmo tempo, pela novidade. Nesta perspectiva, é possível conhecer o milagre como superação criativa de uma dada situação, por virtude divina, valorizando as próprias causas naturais. Não se trata, portanto de uma subversão, mas de uma recomposição da ordem das coisas, quase que uma antecipação da realização definitiva. Quanto à sugestão, não é difícil apercebermo-nos de que se trata de uma explicação insustentável. Nenhuma confiança, por muito grande que seja, pode causar curas instantâneas de graves doenças orgânicas, como a lepra, o cancro ou fracturas ósseas. Sem contar que, por vezes, são curadas pessoas que não estão conscientes ou em estado de coma, são revitalizados mortos ou é transformada a natureza inanimada.

Os milagres ajudam a acreditar de modo racional. Isso mesmo sugeriu o próprio Jesus: “se não credes em Mim, crede nas minhas obras; para que conheçais e acrediteis que o Pai está em Mim e Eu n'Ele” (Jo 10, 38). Contudo, os milagres não bastam para produzir a fé. É a atracção interior do Pai que a suscita. Nem são só os milagres os eventos salvíficos principais. O verdadeiro pão não é o que foi multiplicado, mas o eucarístico; a verdadeira luz não é a que foi restituída ao cego de nascença, mas a fé baptismal. Os sacramentos prefigurados pelos milagres, são uma comunicação de salvação mais importante.

Um milagre não ocorre contra a Natureza, mas contra o nosso conhecimento da Natureza.

(Santo Agostinho)
 
<< Início < Anterior 1 2 3 4 5 6 7 8 Seguinte > Final >>

Pág. 4 de 8

Calendário Carmelita

Fevereiro 2019
D S
27 28 29 30 31 1 2
3 4 5 6 7 8 9
10 11 12 13 14 15 16
17 18 19 20 21 22 23
24 25 26 27 28 1 2

Estatísticas

Visualizações de conteúdos : 1999283

Utilizadores Online

Temos 45 visitantes em linha