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Lectio Divina
XIV Domingo do Tempo Comum - Ano A PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

14º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A


9 de Julho de 2017

 

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (Mt 11, 25-30)

 

Naquele tempo, Jesus exclamou: “Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Tudo me foi dado por meu Pai. Sim, Pai, Eu Te bendigo, porque assim foi do teu agrado. Ninguém conhece o Filho senão o Pai e ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar. Vinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e a minha carga é leve”.

 

Mensagem

 

Há quem considere estas breves linhas do capítulo onze do Evangelho de São Mateus (11,25-30), proclamadas neste 14º Domingo do Tempo Comum, como o mais belo e importante dizer de Jesus nos Evangelhos Sinópticos (A. M. Hunter). Na verdade, estas linhas guardam o segredo mais inteiro de Jesus, o seu tesouro mais profundo. Nos lábios de Jesus, chama-se «PAI» (Mateus 11,25).


«Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos. Sim, aos pequeninos, daqueles que não têm nenhuma ciência, nenhum poder, nenhum valor autónomo, que nada podem fazer sozinhos, mas que sabem confiar, e sabem que podem confiar, e sabem em quem confiar. É sobre os pequeninos que recai toda a atenção de Jesus, que, de resto, voluntariamente se confunde com eles, pois diz: «Todas as vezes que fizestes isto (ou o deixastes de fazer) a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a Mim que o fizestes (ou o deixastes de fazer)» (Mateus 25,40 e 45).


Abre-se aqui um dos mais belos fios de ouro da espiritualidade cristã, habitualmente denominado por «infância espiritual», o «pequeno caminho», «o permanecer pequeno», «o estar nos braços de Jesus», que Santa Teresinha do Menino Jesus (1873-1897) exalta na sua «História de uma alma», que tem a sua nascente mais funda naquela maravilha que é o Salmo 131,2, em que o orante se diz assim: «Estou sossegado e tranquilo, como criança saciada ao colo da mãe; a minha alma é como uma criança saciada!».


Os pequeninos, que nada valem de per si, dependem dos seus pais ou de alguém que cuide deles com carinho. Se Jesus os traz desta maneira para a primeira página, temos então de perguntar: o que é que são então cristãos adultos, maduros na sua fé? Serão aqueles que sabem tudo, que estão seguros de si, que chegaram ao fim de um curso ou percurso, que têm tudo na mão, que já não são dependentes porque já não precisam de ninguém que cuide deles? Seguramente não. Cristãos adultos na sua fé são aqueles que sabem que precisam de Deus a todo o momento, e que sabem debruçar-se sobre os pequeninos com amor. Cristãos adultos na fé não somos nós que pensamos que temos as chaves de tudo e de todos, mas somos nós como filhos de Deus, a quem carinhosamente tratamos por PAI, em quem depositamos toda a nossa confiança, somos nós como filhos e irmãos, carinhosamente atentos uns aos outros, até ao ponto sem retorno de já não sabermos viver senão repartindo o pão e o coração.


«Eu Te bendigo, ó PAI, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos» (Mateus 11,25; cf. Lucas 10,21). Esta é uma das muitas vezes em que, nos Evangelhos, Jesus aparece a rezar ao PAI, mas é uma das poucas vezes em que nos é dada a graça de ouvirmos o conteúdo da oração de Jesus [além desta vez, só no Getsémani: «PAI, se é possível, afasta de mim este cálice, mas não se faça a minha vontade, mas sim a tua» (Mateus 26,39 e 42), e na Cruz: «Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?» (Mateus 27,46); «PAI, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem» (Lucas 23,34); «PAI, nas tuas mãos entrego o meu espírito» (Lucas 23,46)]. Note-se que a belíssima oração do «PAI Nosso» (Mateus 6,9-13; cf. Lucas 11,2-4) é-nos ensinada por Jesus, mas não o ouvimos a rezá-la. Um cristão adulto na sua fé, isto é, na sua confiança, tem de se pôr, como Jesus, totalmente nas mãos seguras e carinhosas do PAI, única direcção da sua e da nossa vida.


É assim que o Evangelho entra por nós adentro, cortante como uma espada de dois gumes ou como um bisturi. Vem-me à memória uma velha história que circula na África Oriental, e que fala de uma mulher pobre que andava sempre com uma Bíblia grande debaixo do braço. Dizem que nunca se separava dela. As pessoas que a viam passar todos os dias, faziam chacota dela com dizeres do género: «Porquê sempre a Bíblia, se há tantos livros para ler?». Mas a mulher lá seguia o seu caminho, imperturbável e indiferente às provocações. Um dia, porém, a mulher da Bíblia viu-se cercada por um bando de escarnecedores. Então, levantando bem alto a sua Bíblia, a mulher, abrindo um grande sorriso, disse: «Eu bem sei que há muitos outros livros que posso ler! Mas este é o único livro que me lê a mim!».


Nenhum arrogante raciocínio, nenhum orgulho, conduz a Deus. Nenhuma arrogância conduz a Deus. Jesus, Mestre novo, não aponta para coisas nem ensina coisas. Ele diz: «Vinde a Mim» e «aprendei de Mim» (Mateus 11,28 e 29). Com Jesus. Como Jesus. Ele não ensina coisas. Dá-se a si mesmo. Aprendeu do Pai, que tudo lhe deu (Mateus 11,27). Dar e receber. Jugo suave e carga leve (Mateus 11,30). Como os missionários do Evangelho, que devem partir sempre sem ouro, nem prata, nem cobre, nem saco, nem duas túnicas, nem sandálias, nem bastão, dando de graça o que de graça receberam (Mateus 10,8-9). Nenhum acessório nos faz falta. Nenhuma estratégia dá certo. Basta-nos Cristo no coração, e a vida, sim, a nossa vida, para dar.

 

António Couto (Texto adaptado, alterado e revisto de responsabilidade nossa)

 

Três apelos de Jesus

 

O evangelho de Mateus recolheu três apelos de Jesus que os seus seguidores devem escutar com atenção, pois podem transformar o clima de desânimo, cansaço e tédio que, às vezes, se respira em alguns sectores das nossas comunidades.


Vinde a mim todos os que estais cansados ​​e sobrecarregados. Eu vos aliviarei”. Este é o primeiro apelo. É dirigido a todos aqueles que vivem a sua religião como uma carga pesada. Não são poucos os cristãos que vivem sobrecarregados pela sua consciência. Não são grandes pecadores. Simplesmente, foram educados para ter sempre presente o seu pecado e não conhecem a alegria do perdão contínuo de Deus. Se se encontrarem com Jesus, sentir-se-ão aliviados.


Há, também, cristãos cansados de viver a sua religião como uma tradição desgastada. Se se encontrarem com Jesus, aprenderão a viver confortavelmente com Deus. Descobrirão uma alegria interior que hoje não conhecem. Seguirão Jesus, não por obrigação, mas por atracção.


Tomai o meu jugo, porque é suportável e meu fardo é leve”. Este é o segundo apelo. Jesus não sobrecarrega ninguém. Ao contrário, liberta o que de melhor existe em nós, pois nos propõe viver tornando a vida mais humana, digna e saudável. Não é fácil encontrar um modo mais apaixonante de viver.


Jesus liberta dos medos e pressões, não os introduz; faz crescer a nossa liberdade, não as nossas servidões, desperta em nós a confiança, jamais a tristeza; atrai-nos para o amor, não para as leis e preceitos. Convida-nos a viver fazendo o bem.


Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso”. Este é o terceiro apelo. Temos de aprender de Jesus a viver como ele. Jesus não complica a nossa vida. Torna-a mais clara e simples, mais humilde e mais saudável. Oferece descanso. Ele não propõe, jamais, aos seus seguidores algo que não tenha vivido. Convida-nos a segui-lo pelo mesmo caminho que ele percorreu. Por isso, pode entender as nossas dificuldades e os nossos esforços, pode perdoar os nossos enganos e erros, incentivando-nos sempre a levantar-nos.


Devemos concentrar os nossos esforços em promover um contacto mais vital com Jesus em tantos homens e mulheres necessitados de ânimo, descanso e paz. Entristece-me ver que é, precisamente, o seu modo de entender e viver a religião aquilo que leva a não poucos, quase inevitavelmente, a não conhecer a experiência de confiar em Jesus.


Penso em muitas pessoas que, dentro e fora da Igreja, vivem "perdidas", sem saber em que porta bater. Sei que Jesus poderia ser uma grande notícia para elas.

 

José Antonio Pagola

 

Oração a Nossa Senhora

 

Santa Maria, Mãe de Deus, conservai em mim um coração de criança, puro e límpido como água da fonte. Dai-me um coração simples, que não se incline a saborear as próprias tristezas. Um coração magnânimo no doar-se, dócil à compaixão, um coração fiel e generoso que não esqueça nenhum bem, nem guarde rancor de nenhum mal. Criai em mim um coração doce e humilde, que ame sem exigir ser correspondido, contente em esconder-se noutros corações, sacrificando-se diante do Vosso Divino Filho. Um coração grande e indomável, que nenhuma ingratidão possa fechar e nenhuma indiferença possa cansar. Um coração atormentado pela glória de Cristo, ferido pelo Seu amor, com uma ferida que não possa ser cicatrizada senão no Céu. Amen (Pe. Léonce de Grandmaison, SJ).

 
XIII Domingo do Tempo Comum - Ano A PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

13º DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO A

2 de Julho de 2017

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 Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (Mt 10, 37-42)

 Naquele tempo, disse Jesus aos seus apóstolos: “ 37Quem amar o pai ou a mãe mais do que a mim, não é digno de mim. Quem amar o filho ou filha mais do que a mim, não é digno de mim. 38Quem não tomar a sua cruz para me seguir, não é digno de mim. 39Aquele que conservar a vida para si, há-de perdê-la; aquele que perder a sua vida por causa de mim, há-de salvá-la.»

40«Quem vos recebe, a mim recebe; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou. 41Quem recebe um profeta por ele ser profeta, receberá recompensa de profeta; e quem recebe um justo, por ele ser justo, receberá recompensa de justo. 42E quem der de beber a um destes pequeninos, ainda que seja somente um copo de água fresca, por ser meu discípulo, em verdade vos digo: não perderá a sua recompensa.» 

Contexto 

O texto de hoje é a conclusão do “discurso da missão”, o segundo dos cinco discursos de Jesus em Mateus, onde o evangelista recolhe diversos ensinamentos de Jesus sobre a missão e o discipulado.

Na época em que Mateus escreve (± 80 d.C.), a Igreja continuava a expandir-se por todo o Império romano, mas este já tinha começado a reagir com crescente hostilidade, aumentando as perse­guições aos cristãos, sendo frequentes as denúncias de cristãos por parte de conhe­cidos ou de parentes próximos, quer judeus, quer pagãos. Perante isto, muitos cristãos ficavam perplexos e desorien­tados, pergun­tando-se se valeria a pena “remar contra a maré”, mantendo a fé e dando testemunho de Jesus com risco da própria vida.

Mateus reúne então estes ensinamentos de Jesus, a fim de reanimar a fé e revitalizar a opção missionária da Igreja. A missão dos discí­pulos é anunciar o Evangelho, percorrendo o mesmo caminho de Jesus. Apresenta, nesse sentido, um conjunto de valores e atitudes que se destinam a orientar os cristãos no seu relacionamento com as pessoas com quem entram em contacto ou a quem se dirigem. 

Breve comentário 

O presente texto divide-se em duas partes. Na primeira (vv. 37-39), Jesus apresenta um conjunto de exigências radicais para quem O quiser seguir; na segunda (vv. 40-42), sugere que toda a comuni­dade deve testemunhar Jesus, mostrando a recompensa prometida aos que acolhem os seus enviados.

vv. 37-38 (cf. Lc 14,26s). O seguimento de Jesus não é um caminho fácil e consensual, enaltecido pelo mundo, recompensado com afe­tos, incentivado por aplausos, onde a pessoa, em vez de buscar a Deus, se buscaria a si mesma. É antes um caminho radical, que não raro obriga a opções exigentes e ruturas dolorosas, a fim de renas­cer para a verdadeira caridade. Quando se trata de escolher entre Jesus e outros valores, qual é a opção do cristão? Jesus não admite “meias-tintas”: a pri­meira lealdade, não é com os próprios afetos e amiza­des, mas com Ele, por amor e para amar mais (cf. 19,29).

Na época de Jesus a família era a estrutura social fundamental: considerava-se um só corpo, que amparava e dava sentido à vida dos seus membros, garantindo a sua segurança, trabalho, inserção social e mesmo, no caso dos hebreus, as próprias bênçãos divinas. O pri­meiro dever sagrado no judaísmo para com o próximo era, por isso, o amor aos pais (15,4; 19,19; cf. Ex 20,10; Dt 5,16), razão pela qual os rabis judaicos prescreviam aos seus discípulos (hebr. talmidim) o dever de lhes obedecer como a um pai. Jesus, ao invés, exige dos seus discípulos ser Ele o primeiro, a fonte primordial e a refe­rência fundamental da sua vida. Esta é uma exigência que só Deus pode fazer (cf. Gn 22,2). Se a alternativa for, pois, não a de cumprir o próprio dever, mas a de escolher entre Ele e a família, a escolha do discípulo deve recair sempre sobre Jesus. O discípulo tem então necessariamente que cortar as relações com a própria família para seguir Jesus? Não, nem sempre. No entanto, não pode deixar que a família ou outros afetos o impeçam de responder com fidelidade aos apelos do Reino, pondo-O em primeiro lugar.

vv. 38-39 (cf. 16,24-25). Se a alternativa for a de escolher entre Jesus e as segu­ranças pessoais ou a própria vida, a escolha deve ser sempre a de tomar a “sua cruz” (as contrariedades, dificuldades, incompreen­sões, críticas, limites, enfermidades), isto é, o que não estava planeado ou não se pôde escolher e faz sofrer. Porém, Jesus não diz que há que levar a cruz só, mas com Ele, escutando a sua voz. Quem adere a Jesus para assegurar a própria realização pessoal, vida afetiva, familiar, profissional, ou procurar fazê-lo, preservando a todo o custo o que alcançou ou aquilo com que sonhava, acabará por perder a verdadeira vida, mas quem estiver disposto a tudo perder por causa de Cristo, há-de encontrar a verdadeira vida (Mc 8,35; Lc 17,33; Jo 12,25; cf. Est 4,14.16).

Na segunda parte do texto (vv. 40-42), Jesus mostra a recompensa prometida aos que acolhem os mensageiros do Evangelho. Mateus refere quatro grupos de pessoas que integram a comunidade e têm a responsabilidade do testemunho: os apóstolos (v. 40), os pro­fetas, os justos (v. 41) e os pequeninos (v. 42).

v. 40. Os apóstolos são as primeiras testemunhas de Jesus, que levam o Evangelho a toda a parte: quem os recebe, recebe Jesus (cf. 18,5 p; Lc 10,16; Gl 4,14; 3 Jo 8). E quem acolhe o seu anún­cio, aderindo pela fé a Jesus, recebe o próprio Deus (cf. Jo 12,44; 13,20), em cuja vida divina Jesus, pelo seu Espírito, o introduz.

v. 41. Os profetas são os portadores da Palavra de Deus (itinerantes ou não: cf. Didaké 13) que, impelidos pelo Espírito, interpelam as pessoas e as comu­ni­dades e as ajudam a viver de acordo com o Evan­gelho, segundo a vontade de Deus. Os justos são os cristãos que procuram viver, no seu dia-a-dia, a própria fé: quem os acolhe, receberá a sua própria recompensa (cf. 1Rs 17,9-24; 2 Rs 4,1-37).

v. 42. Os pequeninos (gr. micrói, Mt, 6x: 11,11; 13,32; 18,6.10.14) são os fracos na fé e aqueles que não gozam de direitos: os discí­pulos que ainda não fazem parte de forma plena da comunidade, por se prepararem para o batismo (os catecúmenos); os estrangeiros; os necessitados e socialmente desprotegidos (escra­vos, órfãos, viúvas, prisioneiros, doentes); as crianças e os simples que não têm grande formação cristã: quem os acolher e tratar com amor por causa de Cristo não perderá a sua recompensa (cf. 25,40; Mc 9,41).

A tarefa de anunciar o Evangelho diz, pois, respeito a todos os cristãos, chamados a ser “discípulos missionários”, que dele dão testemunho a todos, não só por palavras, mas também por obras, dando a sua vida por amor aos irmãos ao serviço do Reino. Por isso devem ser acolhidos com alegria, fé, generosidade e amor, não só pelos de fora, mas também pelos da própria Igreja e comunidade. 

Fr. Pedro Bravo, O. Carm. 

Palavra para o caminho 

Jesus defendeu com firmeza a instituição familiar e a estabilidade do matrimónio. E criticou duramente os filhos que se desentendem com os seus pais. Mas a família não é para Jesus algo absoluto e intocável. Não é um ídolo. Há algo que está acima e é anterior: o reino de Deus e a Sua justiça.

 
XII Domingo do Tempo Comum - Ano A PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

12º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A


25 de Junho de 2017


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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (Mt 10,26-33)

 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus apóstolos: “Não tenhais medo dos homens, pois nada há encoberto que não venha a descobrir-se, nada há oculto que não venha a conhecer-se. O que vos digo às escuras, dizei-o à luz do dia; e o que escutais ao ouvido proclamai-o sobre os telhados.


Não temais os que matam o corpo, mas não podem matar a alma. Temei antes Aquele que pode lançar na geena a alma e o corpo. Não se vendem dois passarinhos por uma moeda? E nem um deles cairá por terra sem consentimento do vosso Pai. Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Portanto, não temais: valeis muito mais do que os passarinhos.


A todo aquele que se tiver declarado por Mim diante dos homens também Eu Me declararei por ele diante do meu Pai que está nos Céus. Mas àquele que me negar diante dos homens, também Eu o negarei diante do meu Pai que está nos Céus”.

 

Os nossos medos

 

Quando o nosso coração não está habitado por um amor forte ou uma fé firme, a nossa vida facilmente fica à mercê dos nossos medos. Às vezes é o medo de perder prestígio, segurança, comodidade ou bem-estar, o que nos trava de tomar decisões. Não nos atrevemos a arriscar a nossa posição social, o nosso dinheiro ou a nossa pequena felicidade.


Atemoriza-nos a possibilidade de ficarmos sós, sem a amizade ou o amor das pessoas ter de enfrentarmos a vida diária sem a companhia próxima de ninguém.

Com frequência vivemos preocupados apenas em ficar bem. Mete-nos medo cair no ridículo, confessar as nossas verdadeiras convicções, dar testemunho da nossa fé. Tememos as críticas, os comentários e a rejeição dos outros. Não queremos ser classificados. Outras vezes invade-nos o temor do futuro. Não vemos com clareza o nosso caminho. Não temos segurança em nada. Talvez não confiemos em ninguém. Mete-nos medo enfrentarmos o amanhã.


Sempre foi tentador para os crentes procurar na religião um refúgio seguro que nos liberte dos nossos medos, incertezas e temores. Mas seria um erro ver na fé o refúgio fácil dos pusilânimes, dos cobardes e assustadiços.


A fé confiada em Deus, quando é bem entendida, não conduz o crente a iludir a sua própria responsabilidade diante dos problemas. Não o leva a fugir dos conflitos para encerrar-se comodamente no isolamento. Pelo contrário, é a fé em Deus que enche o seu coração de força para viver com mais generosidade e de forma mais arriscada. É a confiança viva no Pai que ajuda a superar cobardias e medos para defender com mais audácia e liberdade o Reino de Deus e a sua justiça.


A fé não cria homens cobardes, mas pessoas resolutas e audazes. Não fecha os crentes em si mesmos, mas abre-os mais à vida problemática e conflituosa de cada dia. Não os envolve na preguiça e na comodidade, mas anima-os para o compromisso.


Quando um crente escuta verdadeiramente no seu coração as palavras de Jesus: «Não tenhais medo», não se sente convidado a iludir os seus compromissos, mas animado pela força de Deus, é impelido a enfrentar esses compromissos. 

José Antonio Pagola

 

Palavras do Papa Francisco para o caminho

 

  • O mundanismo espiritual, que se esconde por detrás de aparências de religiosidade e até mesmo de amor à Igreja, é buscar, em vez da glória do Senhor, a glória humana e o bem-estar pessoal.
  • Ser Igreja significa ser povo de Deus, de acordo com o grande projecto de amor do Pai. Isto implica ser o fermento de Deus no meio da humanidade; quer dizer anunciar e levar a salvação de Deus a este nosso mundo, que muitas vezes se sente perdido, necessitado de ter respostas que encorajem, dêem esperança e novo vigor para o caminho. A Igreja deve ser o lugar da misericórdia gratuita, onde todos possam sentir-se acolhidos, amados, perdoados e animados a viverem segundo a vida boa do Evangelho.
  • A primeira motivação para evangelizar é o amor que recebemos de Jesus, aquela experiência de sermos salvos por Ele que nos impele a amá-Lo cada vez mais. Com efeito, um amor que não sentisse a necessidade de falar da pessoa amada, de a apresentar, de a tornar conhecida, que amor seria?
  • Prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças. Não quero uma Igreja preocupada com ser o centro, e que acaba presa num emaranhado de obsessões e procedimentos.
  • Chegamos a ser plenamente humanos, quando somos mais do que humanos, quando permitimos a Deus que nos conduza para além de nós mesmos a fim de alcançarmos o nosso ser mais verdadeiro. Aqui está a fonte da acção evangelizadora. Porque, se alguém acolheu este amor que lhe devolve o sentido da vida, como é que pode conter o desejo de o comunicar aos outros?
 
XI Domingo do Tempo Comum - Ano A PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

11º DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO A

19 de Junho de 2017

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Leitura do Evangelho segundo São Mateus (9, 36-10, 8)

 

Naquele tempo, ao ver as multidões, Jesus compadeceu-se delas, porque andavam fatigadas e abatidas, como ovelhas sem pastor. Diz então aos seus discípulos: «A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi ao Senhor da messe que mande trabalhadores para a sua messe». Depois chamou a Si os seus doze discípulos e deu-lhes autoridade para expulsar os espíritos impuros e para curar todas as doenças e enfermidades. São estes os nomes dos doze apóstolos: primeiro, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; Simão, o Cananeu, e Judas Iscariotes, que foi quem O entregou. Jesus enviou estes Doze, dando-lhes as seguintes instruções: «Não sigais o caminho dos gentios, nem entreis em cidade de samaritanos. Ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel. Pelo caminho, pregai que está próximo o reino dos Céus. Curai enfermos, ressuscitai mortos, purificai leprosos, expulsai demónios. Recebestes de graça, dai de graça». 

Contexto 

Depois de ter apresentado Jesus (1,1-4,22) e O ter mostrado a anunciar o Reino em palavras e obras (4,23-9,35), Mateus introduz o “discurso da missão” (9,36-11,1), o segundo dos cinco discursos de Jesus no seu Evangelho. O texto de hoje recolhe a introdução (9,36-38), o chamamento dos Doze e o seu envio. 

Algumas notas para melhor compreensão do texto 

O olhar de Jesus. Antes de entrar na Terra prometida, Moisés pediu a Deus que suscitasse um chefe como seu sucessor para nela guiar o seu povo, para que este não andasse como ovelhas sem pastor. Deus designou então Josué (Nm 27,16 ss). Mais tarde, porém, houve muitos chefes que não eram bons pastores, porque não cuidavam do rebanho, mas antes se serviam dele para os seus interesses pessoais, oprimindo-o e explorando-o. O povo, abandonado a si mesmo, sem ter ninguém que se interessasse por ele, andava “fatigado” e “abatido”, isto é, desnorteado, disperso e desanimado. Cumprindo a promessa de ser o próprio Deus a reunir e apascentar o seu povo através do novo David, Jesus apresenta-se como o bom pastor, o novo Josué, o Messias prometido.

A messe é grande e os trabalhadores são poucos. Jesus comove-se interiormente, num movimento visceral, incontido, ao mesmo tempo paterno e materno, repleto de compaixão, ternura e afecto. Ao afirmar que a seara é grande e já está madura, Jesus mostra que não há tempo a perder. Há muita gente à espera de receber a Palavra e acolher o Reino de Deus, mas ameaça perder-se, porque não há quem se disponha a evangelizar e a trabalhar no Reino, cooperando na sua difusão e edificação no meio dos homens. Ao mandar pedir ao Senhor da messe que envie trabalhadores para a sua messe, Jesus alerta para a necessidade da oração. Primeiro, porque é preciso pedir trabalhadores, pois é só através dos seus discípulos que Jesus poderá chegar a todos ao longo dos tempos, a todos estendendo o seu múnus de bom pastor. Depois, porque a missão nasce da oração, sendo só assim que pode ser levada a cabo sob a direcção, com o poder e segundo os critérios de Deus.

Começa então o “discurso da missão”, que se abre com o chamamento dos Doze a quem Jesus dá o nome de “apóstolos” (“enviados”). Não se indica o critério que preside à sua escolha, porque a iniciativa é de Deus, que chama quem quer. São doze, número que representa as doze tribos de Israel, isto é, o Povo de Deus. Os Doze são enviados como sinal da compaixão de Jesus e da sua presença junto das pessoas, para delas fazer nascer o novo povo de Deus, que eles representam. Jesus confere-lhes a sua própria autoridade divina sobre o pecado, a morte e o mal, representados pelos “espíritos impuros” (ligados aos cultos idolátricos: Zc 13,2) e por toda a espécie de doenças e enfermidades. A missão dos discípulos é seguir Jesus, formar comunidade.

Lista dos nomes dos doze apóstolos. Estas listas, apresentadas pelos vários evangelistas, apresentam diferenças, seja na ordem dos nomes, seja nos próprios nomes (cf. Mc 3,16; Lc 6,14- 16; At 1,13; Tadeu é, na lista de Lucas, Judas). Em qualquer caso, Pedro encabeça sempre a lista e Judas Iscariotes fecha-a. Grande parte destes nomes vem do Antigo Testamento. Dos doze apóstolos, sete têm nome que vêm do tempo dos patriarcas: dois chamam-se Tiago (ou seja, Jacob), dois têm o nome de Simão (ou Simeão), dois o de Judas (ou Judá) e um de Levi, todos eles filhos de Jacob. Só Filipe tem um nome grego. Os quatro primeiros são dois pares de irmãos. Isto revela o desejo de Jesus: recapitular a história do Povo de Deus desde o começo, instaurando o novo Povo de Deus, onde todos aprendam a ser irmãos e a viver como tal.

O envio ou missão dos doze apóstolos. Jesus começa por definir o âmbito da missão e indicar os seus destinatários: a princípio, não os pagãos, nem os samaritanos, mas apenas as “ovelhas perdidas  da casa de Israel”, isto é, as pessoas mais afastadas e destruídas do povo de Deus. Mais adiante, na conversa de Jesus com a cananeia acontecerá a abertura aos pagãos e após a sua ressurreição o envio dos discípulos a toda a terra. Mas, mesmo então, a Boa Nova será anunciada primeiro aos judeus e só depois aos pagãos.

Em seguida, Jesus enuncia o conteúdo do querigma: “O Reino dos céus está próximo”. É o anúncio da proximidade do Reino de Deus, isto é, do próprio Deus, que quer viver no homem e que o homem n’Ele viva. O Reino já está aí, tornado definitivamente presente na pessoa de Jesus. Esta é a grande novidade, a boa notícia. Para os judeus ainda faltava muito para o Reino de Deus chegar, o que aconteceria graças ao seu esforço. Para os fariseus, o Reino só chegaria quando a observância da Lei fosse perfeita, para os Essénios, quando o país fosse purificado. Jesus vê diversamente: aquilo que todos desejavam e esperavam já está presente no meio dos homens, dado gratuitamente por Deus.

Os sinais da presença do Reino. Como anunciar a presença do Reino? Não só por palavras e obras, mas também através dos sinais da presença de Deus no meio dos homens, gestos concretos que libertam e salvam do pecado, da morte e do mal, os mesmos sinais que Jesus faz e atestam que Ele é o Messias. São realizados não de forma geral, mas para bem das pessoas concretas a quem chega a Palavra. De facto, Jesus não diz “curem os doente, expulsem os demónios”, com o artigo no plural, mas sem o artigo: “curem doentes…, expulsem demónios”. Os “demónios” não são apenas o diabo e os anjos maus, mas também, na medicina de então, as forças que causavam as doenças do foro psiquiátrico ou de âmbito interno que modificam o comportamento e a acção humana sem explicação aparente. “Recebestes de graça, dai de graça”. Para levar o Evangelho é preciso ter sido por ele tocado e salvo. A missão não se destina a ganhar dinheiro, angariar fundos ou a satisfazer necessidades, desejos ou interesse pessoais, mas a acolher os necessitados que nada podem dar em troca. Trata-se, pois, de continuar a missão de Jesus, estendendo-a a toda a gente com o seu mesmo amor e poder, levando-O a todos com o dinamismo do Reino. 

Palavra para o caminho 

É nisto que consiste o trabalho para a messe, no campo de Deus, no campo da história humana: levar aos homens a luz da verdade, libertá-los da pobreza de verdade, que é a verdadeira tristeza e a verdadeira pobreza do homem. Levar-lhes o feliz anúncio que não é apenas uma palavra, mas um acontecimento: Deus, Ele mesmo, veio entre nós. Ele toma-nos pela mão, eleva-nos rumo a Si próprio, e assim o coração ferido é curado (Bento XVI).

Uma abundante seara e tão poucos trabalhadores! O desemprego não existe no campo missionário, são os trabalhadores que faltam! Porém, Jesus não se cansa de chamar! Então? E se este convite te disser pessoalmente respeito? Que respondes?

 
Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo - Ano A PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

SOLENIDADE DO SANTÍSSIMO CORPO E SANGUE DE CRISTO – ANO A


15 de Junho de 2017

 

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João (Jo 6, 51-58)

 

Naquele tempo, disse Jesus à multidão: «Eu sou o pão vivo, o que desceu do Céu: se alguém comer deste pão, viverá eternamente; e o pão que Eu hei-de dar é a minha carne, pela vida do mundo.» Então, os judeus, exaltados, puseram-se a discutir entre si, dizendo: «Como pode Ele dar-nos a sua carne a comer?!» Disse-lhes Jesus: «Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes mesmo a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. Quem realmente come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e Eu hei-de ressuscitá-lo no último dia, porque a minha carne é uma verdadeira comida e o meu sangue, uma verdadeira bebida. Quem realmente come a minha carne e bebe o meu sangue fica a morar em mim e Eu nele. Assim como o Pai que me enviou vive e Eu vivo pelo Pai, também quem de verdade me come viverá por mim. Este é o pão que desceu do Céu; não é como aquele que os antepassados comeram, pois eles morreram; quem come mesmo deste pão viverá eternamente.»

 

Catequeses do Papa Francisco sobre a Eucaristia

 

Prezados irmãos e irmãs, bom dia!

 

Hoje, falar-vos-ei da Eucaristia. A Eucaristia insere-se no âmago da «iniciação cristã», juntamente com o Baptismo e a Confirmação, constituindo a nascente da própria vida da Igreja. Com efeito, é deste Sacramento do Amor que derivam todos os caminhos autênticos de fé, de comunhão e de testemunho.


O que vemos quando nos congregamos para celebrar a Eucaristia, a Missa, já nos faz intuir o que estamos prestes a viver. No centro do espaço destinado à celebração encontra-se o altar, que é uma mesa coberta com uma toalha, e isto faz-nos pensar num banquete. Sobre a mesa há uma cruz, a qual indica que naquele altar se oferece o sacrifício de Cristo: é Ele o alimento espiritual que ali recebemos, sob as espécies do pão e do vinho. Ao lado da mesa encontra-se o ambão, ou seja o lugar de onde se proclama a Palavra de Deus: e ele indica que ali nos reunimos para ouvir o Senhor que fala mediante as Sagradas Escrituras, e portanto o alimento que recebemos é também a sua Palavra.


Na Missa, Palavra e Pão tornam-se uma coisa só, como na Última Ceia, quando todas as palavras de Jesus, todos os sinais que Ele tinha realizado, se condensaram no gesto de partir o pão e de oferecer o cálice, antecipação do sacrifício da cruz, e naquelas palavras: «Tomai e comei, isto é o meu corpo… Tomai e bebei, isto é o meu sangue».


O gesto levado a cabo por Jesus na Última Ceia é a extrema acção de graças ao Pai pelo seu amor, pela sua misericórdia. Em grego, «acção de graças» diz-se «eucaristia». É por isso que o Sacramento se chama Eucaristia: é a suprema acção de graças ao Pai, o qual nos amou a tal ponto que nos ofereceu o seu Filho por amor. Eis por que motivo o termo Eucaristia resume todo aquele gesto, que é de Deus e ao mesmo tempo do homem, gesto de Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem.


Por conseguinte, a celebração eucarística é muito mais do que um simples banquete: é precisamente o memorial da Páscoa de Jesus, o mistério fulcral da salvação. «Memorial» não significa apenas uma recordação, uma simples lembrança, mas quer dizer que cada vez que nós celebramos este Sacramento participamos no mistério da paixão, morte e ressurreição de Cristo. A Eucaristia constitui o apogeu da obra de salvação de Deus: com efeito, fazendo-se pão partido para nós, o Senhor Jesus derrama sobre nós toda a sua misericórdia e todo o seu amor, a ponto de renovar o nosso coração, a nossa existência e o nosso próprio modo de nos relacionarmos com Ele e com os irmãos. É por isso que geralmente, quando nos aproximamos deste Sacramento, dizemos que «recebemos a Comunhão», que «fazemos a Comunhão»: isto significa que, no poder do Espírito Santo, a participação na mesa eucarística nos conforma com Cristo de modo singular e profundo, levando-nos a prelibar desde já a plena comunhão com o Pai, que caracterizará o banquete celestial, onde juntamente com todos os Santos teremos a felicidade de contemplar Deus face a face.


Estimados amigos, nunca daremos suficientemente graças ao Senhor pela dádiva que nos concedeu através da Eucaristia! Trata-se de um dom deveras grandioso e por isso é tão importante ir à Missa aos Domingos. Ir à Missa não só para rezar, mas para receber a Comunhão, o pão que é o corpo de Jesus Cristo que nos salva, nos perdoa e nos une ao Pai. É bom fazer isto! E todos os Domingos vamos à Missa, porque é precisamente o dia da Ressurreição do Senhor. É por isso que o Domingo é tão importante para nós! E com a Eucaristia sentimos esta pertença precisamente à Igreja, ao Povo de Deus, ao Corpo de Deus, a Jesus Cristo. Nunca compreenderemos todo o seu valor e toda a sua riqueza. Então, peçamos-lhe que este Sacramento possa continuar a manter viva na Igreja a sua presença e a plasmar as nossas comunidades na caridade e na comunhão, segundo o Coração do Pai. E fazemos isto durante a vida inteira, mas começamos a fazê-lo no dia da nossa primeira Comunhão. É importante que as crianças se preparem bem para a primeira Comunhão e que cada criança a faça, pois trata-se do primeiro passo desta pertença forte a Jesus Cristo, depois do Baptismo e do Crisma.

 

Pensamentos sobre a Eucaristia

 

  • Santo Agostinho ajuda-nos a compreender a dinâmica da comunhão eucarística, quando faz referência a uma espécie de visão que teve, na qual Jesus lhe disse: «Eu sou o alimento dos fortes. Cresce e receber-me-ás. Tu não me transformarás em ti, como o alimento do corpo, mas és tu que serás transformado em mim» (Confissões VII, 10, 18). Portanto, enquanto o alimento corporal é assimilado pelo nosso organismo e contribui para o seu sustento, no caso da Eucaristia trata-se de um Pão diferente: não somos nós que o assimilamos, mas é ele que nos assimila a si, de tal modo que nos tornamos conformes com Jesus Cristo, membros do seu corpo, um só com Ele. Esta passagem é decisiva. Com efeito, precisamente porque é Cristo que, na comunhão eucarística, nos transforma em si, neste encontro a nossa individualidade é aberta, libertada do seu egocentrismo e inserida na Pessoa de Jesus, que por sua vez está imersa na comunhão trinitária. Assim a Eucaristia, enquanto nos une a Cristo, abre-nos também aos outros, tornando-nos membros uns dos outros: já não estamos divididos, mas somos um só nele. A comunhão eucarística une-me à pessoa que está ao meu lado e com a qual, talvez, eu nem sequer tenho um bom relacionamento, mas também aos irmãos distantes, em todas as regiões do mundo (Bento XVI).
  • Eucaristia, amor dos amores (São Bernardo).
  • A Eucaristia não é só garantia do amor de Jesus Cristo, mas é também garantia do paraíso que Ele nos quer dar (Santo Afonso de Ligório).
  • Jesus Cristo quer de tal modo unir-se connosco, pelo amor ardente que nos tem, que nos tornemos uma só coisa com Ele na Eucaristia (São João Crisóstomo).
  • Remédio pelo qual somos livres das falhas quotidianas e preservados dos pecados mortais (Concílio de Trento).
  • Por meio deste sacramento, o homem é estimulado a fazer actos de amor e por eles se apagam os pecados veniais. Somos preservados dos pecados mortais, porque a comunhão confere o aumento da graça que nos preserva das culpas graves (São Tomás de Aquino).
  • Jesus Cristo com a sua Paixão livrou-nos do poder do pecado, mas com a Eucaristia livra-nos do poder de pecar (Inocêncio III).
  • Duas espécies de pessoas devem comungar com frequência: os perfeitos, para se conservarem na perfeição, e os imperfeitos, para chegarem à perfeição (São Francisco de Sales).
  • Depois de morrer consumido de dores sobre um madeiro destinado aos maiores criminosos, Vos colocastes sob as aparências do pão, para Vos fazerdes nosso alimento e assim, unir-vos todo a cada um de nós. Dizei-me: que mais podíeis inventar para Vos fazer amar? (Santo Afonso de Ligório).
  • Neste dom da Eucaristia, Cristo quis derramar todas as riquezas do amor que reservava para os homens (Concílio de Trento).
  • A Eucaristia não é coisa que se possa descobrir com os sentidos, mas só com a fé, baseada na autoridade de Deus (São Tomás de Aquino).
  • Não ponhas em dúvida se é ou não verdade, mas aceita com fé as palavras do Salvador; sendo Ele a Verdade, não mente (São Cirilo).
  • Vós, Jesus, partindo deste mundo, o que nos deixastes em memória de vosso amor? Não uma veste, um anel, mas o vosso corpo, o vosso sangue, a vossa alma, a vossa divindade, vós mesmo, todo, sem reservas (Santo Afonso de Ligório).
  • Este pão é Jesus. Alimentar-nos dele significa receber a própria vida de Deus, abrindo-nos à lógica do amor e da partilha (São João Paulo II).
  • A Eucaristia é o nosso tesouro mais precioso. Ela é o sacramento por excelência; introduz-nos antecipadamente na vida eterna; contém em si todo o mistério da nossa salvação; é a fonte e o ápice da acção e da vida da Igreja (Bento XVI).
  • Esse mesmo pão eucarístico, oferecido um dia por nós, é entregue sem interrupção para que os homens, separados uns dos outros outrora mas chamados de novo muitas vezes à unidade, em si descubram novo amor para com Deus e entre si novo vínculo de fraternal amizade (São João Paulo II).

 

 
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