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Lectio Divina
II Domingo da Quaresma - Ano B PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

2º DOMINGO DA QUARESMA (ANO B)

4 de Março de 2012

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos (Mc 9, 2-10)

 2 Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João e levou-os, só a eles, a um monte elevado. E transfigurou-se diante deles. 3 As suas vestes tornaram-se resplandecentes, de tal brancura que lavadeira alguma da terra as poderia branquear assim. 4 Apareceu-lhes Elias, juntamente com Moisés, e ambos falavam com Ele.

5 Tomando a palavra, Pedro disse a Jesus: «Mestre, bom é estarmos aqui; façamos três tendas: uma para ti, uma para Moisés e uma para Elias».

6 Não sabia que dizer, pois estavam assombrados. 7 Formou-se, então, uma nuvem que os cobriu com a sua sombra, e da nuvem fez-se ouvir uma voz: «Este é o meu Filho muito amado. Escutai-o».8 De repente, olhando em redor, já não viram ninguém, a não ser só Jesus, com eles. 9 Ao descerem do monte, ordenou-lhes que a ninguém contassem o que tinham visto, senão depois do Filho do Homem ter ressuscitado dos mortos. 10 Eles guardaram a recomendação, discutindo uns com os outros o que seria ressuscitar de entre os mortos.

Contexto de então e de hoje

O anúncio da paixão submergiu os discípulos numa crise profunda. Eles encontravam-se no meio dos pobres, mas nas suas cabeças tudo era confusão, perdidos como estavam na propaganda do governo e na religião oficial da época (Mc 8, 15). A religião oficial ensinava que o Messias seria glorioso e vitorioso. É por causa disto que Pedro reage com muita força contra a cruz (Mc 8, 32). Um condenado à morte de cruz não podia ser o Messias, mas pelo contrário, segundo a Lei de Deus, devia ser considerado como um “maldito de Deus” (Dt 21, 22-23). Perante isto, a experiência da Transfiguração de Jesus podia ajudar os discípulos a superar o trauma da cruz. Com efeito, na Transfiguração, Jesus aparece na glória, e fala com Moisés e Elias acerca da sua paixão e morte (Lc 9, 31). O caminho da glória passa portanto pela cruz.

Nos anos 70, quando Marcos escreve o seu evangelho, a cruz constituía um grande impedimento para os judeus aceitarem Jesus como Messias. Como podia ser que um crucificado, morto como um marginal, pudesse ser o grande Messias esperado durante séculos pelos povos? A cruz era um impedimento para acreditar em Jesus. “A cruz é um escândalo”, diziam (1Cor 1, 23). As comunidades não sabiam como responder às perguntas críticas dos judeus. Um dos esforços maiores por parte dos primeiros cristãos consistiu em ajudar as pessoas a compreender que a cruz não era um escândalo, nem loucura, mas era antes a expressão do poder e da sabedoria de Deus (1Cor 1, 22-31). O evangelho de Marcos é um contributo para este esforço. Serve-se de textos do Antigo Testamento para descrever a cena da Transfiguração. Ilumina os acontecimentos da vida de Jesus e mostra que em Jesus são realizadas as profecias e que a cruz é o caminho que conduz à glória. E não só a cruz era um problema! Nos anos 70, a cruz da perseguição fazia parte da vida dos cristãos. Com efeito, pouco tempo antes, Nero desencadeara a perseguição e houve muitos mortos. Até hoje, muitas pessoas sofrem porque são cristãs e porque vivem o evangelho. Como abordar a cruz? Que significado tem? Com estas perguntas na mente meditemos e comentemos o texto da Transfiguração.

 

Comentário do texto

Marcos 9, 2-4: Jesus muda de aspecto. Jesus sobe a um alto monte. Lucas acrescenta que ele se dirige aí para rezar (Lc 9, 28). Aí, no cimo da montanha, Jesus aparece na glória diante de Pedro, Tiago e João. Junto a ele aparecem também Moisés e Elias. O alto monte evoca o Monte Sinai, onde, no passado, Deus tinha manifestado ao povo a sua vontade, consignando a lei a Moisés. As vestes brancas de Jesus recordam Moisés envolto na luz quando fala com Deus na montanha e recebe de Deus a Lei (cf. Ex 24, 29-35). Elias e Moisés, as duas maiores autoridades do Antigo Testamento, falam com Jesus. Moisés representa a Lei e Elias a Profecia. Lucas afirma que a conversa se refere à morte de Jesus em Jerusalém (Lc 9, 31). Deste modo ficava claro que o Antigo Testamento, tanto a Lei como os Profetas, ensinavam já que o caminho da glória passa pela cruz (cf Is 53)

Marcos 9, 5-6: Agrada a Pedro o que está a acontecer mas não o entende. Agrada a Pedro tudo o que está a acontecer e quer assegurar aquele momento agradável que ocorre na montanha. Propõe a construção de três tendas. Marcos diz que Pedro tinha medo, sem saber o que estava a dizer, e Lucas acrescenta que os discípulos tinham sono (Lc 9, 32). Eles são como nós, para eles é difícil entender a cruz!A descrição do episódio da Transfiguração começa com uma afirmação: “Seis dias depois”. A que se referem estes seis dias? Alguns estudiosos explicam a frase deste modo: Pedro quer construir tendas porque era o sexto dia da Festa das Tendas. Era uma festa muito popular de seis dias em que se celebrava a Lei de Deus e os quarenta anos passados no deserto. Para recordar estes quarenta anos o povo devia passar uma semana da festa em tendas improvisadas. Esta é a razão porque se lhe dá o nome de Festa das Tendas. Se não era possível a celebração de todos os seis dias, pelo menos que se fizesse no sexto dia. A afirmação “seis dias depois” seria uma alusão à Festa das Tendas. Por isso é que Pedro recorda a obrigação de construir tendas e oferece-se para construi-las, podendo Jesus, Moisés e Elias continuar a conversar.

 

Marcos 9, 7: A voz do céu esclarece os factos. Logo que Jesus fica envolvido na glória, uma voz vinda do céu diz: “Este é o meu Filho muito amado! Escutai-o”. A expressão “Filho muito amado” evoca a figura do Messias Servo, anunciado pelo profeta Isaías (cf. Is 42, 1). A expressão “Escutai-o” evoca a profecia que prometia a chegada do novo Moisés (cf. Dt 18, 15). Em Jesus realizam-se as profecias do Antigo Testamento. Os discípulos não podiam duvidar disso. Os cristãos dos anos 70 não podiam duvidar. Jesus é verdadeiramente o Messias glorioso, mas o caminho da glória passa pela cruz, segundo o anúncio dado na profecia do Servo (Is 53, 3-9). A glória da Transfiguração é a prova. Moisés e Elias confirmam-no. O Pai é o garante. Jesus aceita-a.

Marcos 9, 8: Só Jesus e mais ninguém! Marcos diz que, depois da visão, os discípulos só vêem Jesus e mais ninguém. A insistência em afirmar que só vêem Jesus, sugere que desde agora em diante, Jesus é para nós a única revelação de Deus. Para nós cristãos, Jesus, e somente Ele, é a chave para compreender todo o sentido do Antigo Testamento.

Marcos 9, 9-10: Saber ficar em silêncio. Jesus pede aos discípulos que não digam nada a ninguém, até que ressuscite de entre os mortos, mas os discípulos não entenderam. Com efeito, não entende o significado da cruz quem não une o sofrimento à ressurreição. A ressurreição de Jesus é a prova de que a vida é mais forte do que a morte.

Marcos, 9, 11-13: O regresso de Elias. O profeta Malaquias tinha anunciado que Elias devia voltar para preparar o caminho do Messias (Ml 3, 23-24). Este mesmo anúncio encontra-se no livro do Eclesiástico (Ecl 48, 10). Então como podia ser Jesus o Messias, se Elias ainda não tinha vindo? Por isso é que os discípulos perguntam: “Por que é que os escribas dizem que primeiro deve vir Elias?” (Mc 9, 11). A resposta de Jesus é clara: “Eu vos digo que Elias já veio mas fizeram dele o que quiseram, como está escrito acerca dele (Mc 9, 13). Jesus falava de João Baptista, assassinado por Herodes (Mt 17, 13).

A Transfiguração: a mudança que se dá no agir de Jesus

No meio dos conflitos com os fariseus e os herodianos (Mc 8, 11-21), Jesus deixa a Galileia e dirige-se para a região de Cesareia de Filipe (Mc 8, 27) onde começa a preparar os discípulos. Pelo caminho dirige-lhes uma pergunta: “Quem dizem os homens que Eu sou?” (Mc 8, 27). Depois de ter escutado a resposta que o considerava o Messias, Jesus começa a falar da sua paixão e da sua morte (Mc 8, 31). Pedro reage: “Deus te livre, Senhor! Isso nunca te há-de acontecer!” (Mt 16, 22). Jesus replica: “Vai-te da minha frente, Satanás, porque os teus pensamentos não são os de Deus, mas os dos homens” (Mc 8, 33). Foi um momento de crise. Os discípulos presos como estavam à ideia de um Messias glorioso (Mc 8, 32-33; 9, 32) não compreendem a proposta de Jesus e procuram conduzi-la por outro caminho. Estava perto a Festa das Tendas (cf, Lc 9, 33) durante a qual geralmente aumentava muito entre o povo a expectativa messiânica. Jesus sobe à montanha para orar (Lc 9, 28). Vence a tentação por meio da oração. A manifestação do Reino seria muito diferente do que as pessoas imaginavam. A vitória do Servo chegaria através da condenação à morte (Is 50, 4-9; 53, 1-12). A cruz aparece no horizonte, já não como uma possibilidade, mas mais como uma certeza. A partir deste momento dá-se uma mudança no agir de Jesus. Eis alguns pontos significativos desta mudança:

Poucos milagres. Antes assistíamos a muitos milagres. Agora, a partir de Mc 8, 27; Mt 16, 13 e Lc 9, 18, os milagres constituem quase uma excepção na actividade de Jesus.

Anúncio da Paixão. Antes falava-se da paixão como de uma possibilidade remota (Mc 3, 6). Agora fala-se constantemente dela (Mc 8, 31; 9, 9.31; 10, 33.38).

Tomar a Cruz. Antes Jesus ensinava a chegada eminente do Reino. Agora insiste na vigilância e nas exigências do seguimento e na necessidade de tomar a cruz (Mt 16, 24-26: 19, 27-30; 24, 42-51; 25, 1-13; Mc 8, 34; 10, 28-31; Lc 9, 23-26.57-62; 12, 8-9.35-48; 14, 25-33; 17, 33; 18, 28-30).

Ensina os discípulos. Primeiro ensina as pessoas. Agora preocupa-se sobretudo com a formação dos discípulos. Pede-lhes que escolham de novo (Jo 6, 67: “Também vós quereis ir embora?”) e começa a prepará-los para a missão que virá imediatamente. Sai da cidade para poder estar com eles e ocupar-se da sua formação (Mc 8, 27; 9, 28.30-35; 10, 10.23. 28-32; 11, 11).

Parábolas diversas. Antes as parábolas revelavam os mistérios do Reino presente na actividade de Jesus. Agora as parábolas orientam para o juízo futuro, para o final dos tempos: os vinhateiros homicidas (Mt 21, 33-46); o servo sem compaixão (Mt 18, 23-35); os trabalhadores da hora décima primeira (Mt 20, 1-16); os dois filhos (Mt 21, 28-32); o banquete de bodas (Mt 22, 1-14); os dez talentos (Mt 25, 14-30). Jesus assume a vontade do Pai que se revela na nova situação e decide dirigir-se para Jerusalém (Lc 9, 51). Assume esta decisão convictamente de tal modo que os discípulos ficam assustados e não conseguem entender estas coisas (Mc 10, 32; Lc 18, 31-34). Naquela sociedade, o anúncio do Reino tal como era anunciado por Jesus não era tolerado: ou mudava ou morreria! Jesus não alterou o anúncio. Continuou fiel ao Pai e aos pobres. Por isso foi condenado à morte!

A Transfiguração e a volta do profeta Elias

No evangelho de Marcos, o episódio da Transfiguração (Mc 9, 2-8) está ligado com a questão da vinda do profeta Elias (Mc 9, 9-13). Naquele tempo, as pessoas esperavam o regresso do profeta Elias e não se davam conta de que Elias já tinha vindo na pessoa de João Baptista (Mc 9, 13). Hoje sucede a mesma coisa. Muitas pessoas vivem esperando a vinda de Jesus, e inclusivamente escrevem nas paredes das cidades: Jesus virá! Eles não se dão conta de que Jesus já está presente na nossa vida. De vez em quando, como um relâmpago inesperado, a presença de Jesus irrompe e ilumina-se, transformando a nossa vida. Devemos perguntar-nos: “A minha fé em Jesus, concedeu-me já algum momento de transfiguração e de intensa alegria?”. “Como me deram força estes momentos de alegria nas dificuldades?”.

Algumas perguntas para ajudar na meditação e na oração

- Qual o ponto deste texto que mais gostaste e mais te chamou a atenção?

- Como acontece a Transfiguração e qual é a reacção dos discípulos perante esta experiência?

- Por que é que o texto apresenta Jesus com vestidos resplandecentes enquanto fala com Moisés e Elias? Que significam para Jesus estas duas personagens? E para os discípulos?

 

- Qual é a mensagem vinda do céu para Jesus? E para os discípulos?

- Como transfigurar hoje a vida pessoal e familiar e a vida comunitária no nosso bairro?

 

 
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1º DOMINGO DA QUARESMA (ANO B - Mc 1, 12-15)

26 de Fevereiro de 2012

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos (Mc 1, 12-15)

12 Em seguida, O Espírito impeliu-o para o deserto. 13 E ficou no deserto quarenta dias. Era tentado por Satanás, estava entre as feras e os anjos serviam-no.14 Depois de João ter sido preso, Jesus foi para a Galileia, e proclamava o Evangelho de Deus, 15 dizendo: «Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo: arrependei-vos e acreditai no Evangelho».

O contexto em que aparece o texto no Evangelho de Marcos

A Boa Nova de Deus, preparada através da história (Mc 1, 1-8), foi proclamada solenemente pelo Pai no momento do Baptismo de Jesus (Mc 1, 9-11). Agora, aqui, no nosso texto, é provada no deserto (Mc 1, 12-13) e, de imediato, aparece o resultado da longa preparação. Jesus anuncia publicamente ao povo a Boa Nova (Mc 1, 14-15).Nos anos setenta, época em que Marcos escreve, os cristãos, lendo esta descrição do começo da Boa Nova, viam num espelho a própria vida. Deserto, tentação, prisão não faltavam. Eram o pão de cada dia. E contudo, como Jesus, anunciavam a Boa Nova de Deus.

Comentário

Marcos 1, 12-13: A Boa Nova é testemunhada e provada no deserto. Depois do Baptismo, o Espírito de Deus toma posse de Jesus e leva-o ao deserto, onde se prepara para a missão (Mc 1, 12s). Marcos diz que Jesus esteve no deserto durante quarenta dias e que foi tentado por Satanás. Em Mt 4, 1-11 aparece mais explicitamente o tipo de tentação: tentação do pão, tentação do prestígio, tentação do poder. Foram as três tentações que o povo israelita encontrou no deserto, depois da saída do Egipto (Dt 8, 3; 6, 13.16). Tentação é tudo o que nos afasta do caminho de Deus. A Carta aos Hebreus diz: “Jesus foi tentado em tudo como nós, excepto no pecado” (Heb 4, 15). Inserido no meio do povo e unido ao Pai com a oração e fiel a ambos, Ele resistiu, e continuou o caminho do Messias-Servidor, o caminho do serviço a Deus e ao povo (Mt 20, 28).

Marcos 1, 14: Jesus começa o anúncio da Boa Nova. Enquanto Jesus se preparava no deserto, João Baptista foi preso por Herodes. Diz o texto: “Depois de João ter sido preso, Jesus foi para a Galileia, e proclamava o Evangelho de Deus”. A prisão de João Baptista não assustou Jesus, bem pelo contrário. A experiência do Baptismo abriu-lhe os olhos. Ele viu na prisão de João o sinal da chegada do Reino. O encarceramento de João estava relacionado com a política do país. Também hoje os factos da política influem no anúncio que fazemos da Boa Nova ao povo. Marcos diz que Jesus proclamava o Evangelho de Deus. Jesus faz-nos saber que Deus é uma Boa Nova para a vida humana. Diz Santo Agostinho: “Fizeste-nos para ti e o nosso coração está inquieto enquanto não descanse em Ti”. O anúncio de Jesus respondia às ânsias mais profundas do coração humano.

Marcos 1, 15: O anúncio da Boa Nova de Deus. O anúncio da Boa Nova de Deus tem quatro pontos: 1) - A espera terminou. 2) - O Reino de Deus chegou. 3) - Mudar de vida. 4) - Acreditar na Boa Nova.

1- A espera terminou! Para alguns judeus o tempo para a chegada do Reino não tinha terminado. Para os fariseus, por exemplo, o Reino chegaria quando a observância da lei fosse perfeita. Para os essénios, quando o país estivesse purificado. Para os herodianos, quando eles tivessem o domínio do mundo. Jesus pensa de forma diferente. Ele tem uma maneira distinta de ler os acontecimentos. Diz que a espera terminou.

2- O Reino de Deus chegou. Para os fariseus e essénios a chegada do Reino dependia do esforço de cada um. Só chegaria quando tivessem feito a sua parte, isto é, observar toda a lei, purificar todo o país. Jesus diz o contrário: “O Reino de Deus chegou”. Já estava ali, entre eles, independentemente do esforço realizado. Quando Jesus diz “O Reino chegou”, não quer dizer que está para chegar somente naquele momento, mas que ele está já ali. O que todos esperavam estava já presente, no meio do povo, e eles não o sabiam nem percebiam (Lc 17, 21). Jesus percebeu porque lia a realidade com outros olhos. É esta presença escondida do Reino no meio do povo que Jesus revela e anuncia aos pobres do seu povo. É esta semente do Reino que receberá a chuva da sua Palavra e o calor do seu Amor.

3- Mudar de vida! Alguns traduzem “fazei penitência”, outros: “convertei-vos” ou “arrependei-vos”. O sentido exacto é mudar o modo de pensar e de viver. Para perceber esta presença do Reino a pessoa deve começar a pensar, viver e agir de um modo diferente. Deve mudar a vida e encontrar outro modo de convivência. Deve deixar de lado o legalismo do ensinamento dos fariseus e deixar que a nova experiência de Deus invada a a sua vida e e lhe dê olhos novos para ler e entender os factos.

4- Crede na Boa Nova! Não é fácil aceitar a mensagem. Não é fácil começar a pensar de um modo diferente daquele que se aprendeu desde pequenino. Isto é possível através de um acto de fé. Quando alguém traz uma notícia inesperada, difícil de aceitar, aceita-se somente se a pessoa que a anuncia é digna de confiança. Sendo assim dirá aos outros: “Pode-se aceitar! Conheço a pessoa, ela não engana. É de confiança, fala com verdade”. Jesus é digno de confiança!

O começo da pregação da Boa Nova de Deus feita por Jesus na Galileia

A prisão de João faz regressar Jesus e faz com que comece a anunciar a Boa Nova. Foi um começo explosivo e criativo. Jesus percorre toda a Galileia: aldeias, povoações, cidades (Mc 1, 39). Visita as comunidades. Muda inclusivamente de residência e vai habitar em Cafarnaum (Mc 1, 21; 2, 1), cidade que se encontra na encruzilhada de caminhos, o que facilita a divulgação da mensagem. Quase que não pára, move-se sempre. Os discípulos, eles e elas, de todas as partes, acompanham-no com muito entusiasmo: ao longo das praias, pelos caminhos, à montanha, no deserto, sobre a barca, nas sinagogas, nas casas.

 

 

Jesus ajuda o povo, oferecendo-lhe diversos tipos de serviço: expulsa muitos espíritos (Mc 1, 39), cura os enfermos e aflitos (Mc 1, 34), purifica os marginalizados pela lei da pureza (Mc 1, 40-45), acolhe os marginalizados e trata-os com familiaridade (Mc 2, 15). Anuncia, chama, convoca, atrai, consola, ajuda. É uma paixão que se revela. Paixão pelo Pai e pelo povo pobre e abandonado da sua terra. Onde encontra pessoas que o escutam, seja onde for, fala e transmite a Boa Nova de Deus.

 

 

Em Jesus tudo é revelado a partir do que o anima por dentro. Não somente anuncia a Boa Nova do Reino mas ele próprio é uma figura, um testemunho do Reino. Nele aparece o que sucede quando uma pessoa humana deixa que Deus reine, que tome posse da sua vida. Com o seu modo de viver e agir, Jesus revela o que Deus tinha em mente quando chamou o povo no tempo de Abraão e de Moisés. Jesus dissolve uma nostalgia e converte-a em esperança. De repente aparece de forma clara para o povo: “Isto era o que Deus queria quando nos chamou a ser seu povo!”. O povo alegrava-se  ao escutar Jesus.

 

 

Este foi o começo do anúncio da Boa Nova do Reino que se divulgava rapidamente pelas aldeias da Galileia. Começou como uma pequena semente, mas continuou a crescer até se tornar numa grande árvore, onde o povo podia encontrar descanso (Mc 4, 31-32). O mesmo povo convertia-se em divulgador da notícia.

 

 O povo da Galileia ficava impressionado com a maneira como Jesus ensinava: “Uma nova doutrina ensinada com autoridade e não como os escribas” (Mc 1, 22.27). Ensinar era o que Jesus mais fazia (Mc 2, 13; 4, 1-2; 6, 34). Era seu costume (Mc 10, 1). Mais de quinze vezes o evangelho de Marcos diz que Jesus ensinava. Mas Marcos quase nunca diz o que Jesus ensinava. Talvez não interessasse o conteúdo? Depende do que entendemos por conteúdo. Ensinar não é só questão de ensinar verdades ao povo. O conteúdo que Jesus transmitia transparecia não somente nas suas palavras mas também nos seus gestos e no modo como se relacionava com as pessoas. O conteúdo nunca está desligado da pessoa que o comunica. Jesus era uma pessoa acolhedora que queria bem ao povo. A bondade e o amor que envolviam as suas palavras fazem parte do conteúdo. Conteúdo bom sem bondade é como leite derramado.

Marcos define o conteúdo do ensino de Jesus como “Boa Nova de Deus” (Mc 1, 14). A Boa Nova que Jesus proclama vem de Deus. Faz ver a experiência que o próprio Jesus tem de Deus como Pai. Revelar Deus como Pai é a fonte, o conteúdo e o destino da Boa Nova de Jesus.

 
VII Domingo do Tempo Comum - Ano B PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

7º DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO B - Mc 2, 1-12)

19 de Fevereiro de 2012

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos (Mc 2, 1-12)

1 Dias depois, tendo Jesus voltado a Cafarnaum, ouviu-se dizer que estava em casa. 2 Juntou-se tanta gente que nem mesmo à volta da porta havia lugar, e anunciava-lhes a Palavra. 3 Vieram então trazer-lhe um paralítico, transportado por quatro homens. 4 Como não podiam aproximar-se por causa da multidão, descobriram o tecto no sítio onde Ele estava. Fizeram uma abertura e desceram o catre em que jazia o paralítico. 5 Vendo Jesus a fé daqueles homens, disse ao paralítico: «Filho, os teus pecados estão perdoados». 6 Ora estavam lá sentados alguns doutores da Lei que discorriam em seus corações: 7 «Porque fala este assim? Blasfema! Quem pode perdoar pecados senão Deus?». 8 Jesus percebeu logo, em seu íntimo, que eles assim discorriam; e disse-lhes: «Porque discorreis assim em vossos corações? 9 Que é mais fácil? Dizer ao paralítico 'Os teus pecados estão perdoados', ou dizer 'Levanta-te, pega no teu catre e anda'? 10 Pois bem, para que saibais que o Filho do Homem tem na terra poder para perdoar os pecados, 11 Eu te ordeno -  disse ao paralítico - levanta-te, pega no teu catre e vai para tua casa». 12 Ele levantou-se e, pegando logo no catre, saiu à vista de todos, de sorte que todos se maravilhavam e glorificavam a Deus, dizendo: «Nunca vimos coisa assim!».

Algumas questões para nos ajudar na nossa reflexão pessoal

a.      O que é que mais gostaste neste texto e o que é que te chamou a atenção?

b.      Qual é o conflito entre Jesus e os escribas? Onde é que teve lugar e quem começou a discussão? Porquê?

c.       O que é que este texto revela sobre Jesus e sobre Deus Pai?

d.      Pensas que existe uma ligação entre doença e pecado?

e.      Que mensagem é que este texto envia às comunidades do tempo de Marcos e do nosso próprio tempo? 

O contexto

Em Mc 1,1-15, Marcos mostrou como o Evangelho deve ser preparado e espalhado. Imediatamente a seguir, em Mc 1,16-45, encontramos o ensinamento sobre o objectivo da Boa Nova e a missão das comunidades. Agora, no capítulo 2, vemos que a proclamação do Evangelho, quando levada fielmente, é fonte de conflito. Em Mc 2,1-3,6, deparamo-nos com cinco conflitos contra Jesus, surgindo da proclamação da Boa Nova de Deus.Nos anos 70, o tempo em que Marcos escreve, a proclamação do Evangelho fez surgir vários conflitos contra as comunidades. Elas nem sempre souberam como lidar com estes conflitos e como responder às acusações levantadas contra si, quer pelos romanos quer pelos judeus. A história dos 5 conflitos servia como um manual de instruções.

 

Comentário

 Mc 2,1-2: As pessoas procuram Jesus e querem escutar a Palavra de Deus

Jesus está quase a ir para casa. As pessoas procuram-no. Muitas pessoas reúnem-se do lado de fora da porta. Jesus acolhe todos e Marcos diz que ele proclama a Palavra às pessoas. Frequentemente, Marcos informa-nos que Jesus proclama a Palavra de Deus às pessoas (Mc 1,21.22.27.39; 2,2.13; 4,1;6,2.6.34; etc.) Contudo, somente em algumas ocasiões nos diz o que Jesus disse. O que é que Jesus ensinou às pessoas? Ele falou de Deus e para o fazer usou exemplos da vida (parábolas) e histórias populares (Bíblia). Ele falou da sua própria experiência de Deus. Jesus vive em Deus. As pessoas escutam-no com vontade (Mc 1,22.27). As suas palavras tocaram os seus corações. Pelo que Jesus disse, Deus, em vez de ser um Juiz implacável que ameaçava castigo e inferno, tornou-se uma presença amiga, Boa Nova para as pessoas.

 

Mc 2,3-5: A fé do paralítico e dos seus amigos obtém o perdão dos pecados

 

Enquanto Jesus está a falar, um paralítico aparece carregado por quatro pessoas. Jesus é a sua única esperança. Eles subiram ao tecto, abriram-no e desceram o paralítico à frente de Jesus. Este é um sinal de grande solidariedade. Jesus, vendo a fé daqueles homens, disse ao paralítico: «Filho, os teus pecados estão perdoados». Naquele tempo, as pessoas pensavam que as deficiências físicas, como a paralisia, eram uma punição de Deus por algum pecado cometido. Os doutores ensinavam que tais pessoas eram impuras, incapazes de se aproximar de Deus. É por isto que as pessoas doentes, os pobres, os paralíticos e muitos outros se sentiam rejeitados por Deus. Mas Jesus ensinava de maneira diferente. Ele ensinava o contrário. A grande fé do paralítico e dos amigos era o sinal de que o homem estava em paz com Deus, acolhido por Deus. Então Jesus diz: os teus pecados estão perdoados. Ou seja “Tu não estás longe de Deus”. Através desta afirmação, Jesus negou que a doença fosse um castigo pelos pecados daquele homem.

 

Mc 2,6-7: Jesus é acusado de blasfémia pelos doutores

 

O que Jesus disse não está de acordo com o que os doutores da Lei ensinavam sobre Deus. Eles, então, reagiram e acusaram Jesus: Ele está a blasfemar! De acordo com a sua doutrina, apenas Deus pode perdoar os pecados. E apenas um sacerdote podia pronunciar que as pessoas estavam perdoadas e purificadas. Como é que, então, aquele Jesus de Nazaré, um homem sem instrução, um trabalhador, um carpinteiro, podia pronunciar que as pessoas estavam perdoadas e purificadas dos pecados? Para além disso, eles devem ter pensado: “Se o que Jesus está a dizer é verdade, corremos o risco de perder o nosso poder e a nossa razão de ser! Podemos até perder a nossa fonte de rendimentos”.

 

Mc 2,8-11: Jesus cura para provar que ele tem poder de perdoar os pecados

 

Jesus compreendeu que eles estavam a condená-lo. É por isso que ele pergunta: Que é mais fácil? Dizer ao paralítico: 'Os teus pecados estão perdoados', ou dizer: 'Levanta-te, pega no teu catre e anda'? Claramente é mais fácil dizer: “Os teus pecados estão perdoados”, porque ninguém pode verificar, de facto, se os pecados foram perdoados ou não. Mas se digo: “Levanta-te e anda”, então todos poderão verificar se tenho o poder de curar ou não. Assim, para mostrar que tinha o poder de perdoar os pecados em nome de Deus, Jesus disse ao paralítico: Levanta-te, pega no teu catre e anda! Ele curou aquela pessoa. Ele provou que a paralisia não é um castigo de Deus e que a fé do pobre é um sinal de que Deus já o acolheu no amor.

 

Mc 2,12: A reacção das pessoas: “nunca vimos nada assim!”

 

O paralítico levanta-se, pega no seu catre e sai, e todos exclamam: “nunca vimos coisa assim!”. O significado é claro: 1) as pessoas doentes não devem pensar que Deus as castiga por algum pecado. 2) Jesus abriu um novo caminho para Deus. O que a religião daquele tempo chamava impureza não seria jamais um impedimento para uma pessoa se aproximar de Deus. 3) A face de Deus, revelada na atitude de Jesus, era muito diferente da face implacável de deus, revelada pela atitude dos doutores.

 

Informação adicional

Os cinco conflitos relatados por Marcos (Mc 2,1-3,6)

A razão dos conflitos: Os conflitos andam à volta dos temas fundamentais religiosos daquele tempo: perdão dos pecados, comer à mesa com os pecadores, prática do jejum, observância do Sábado, prática da cura ou cuidado de pessoas ao Sábado.

 

Adversários de Jesus: Os Escribas representam a doutrina religiosa, a catequese. Os Fariseus representam as leis e a prática religiosa, especialmente as que concernem à observância da pureza/impureza. Os discípulos de João Baptista representam outras tendências messiânicas. Os Herodianos representam o governo da Galileia. Herodes Antipas governou durante mais de 30 anos (de 4 a.C. a 39 d.C.). Ele era, se se pode dizer, o dono da Galileia.

 

Os motivos do conflito: O primeiro conflito tem que ver com o relacionamento com Deus: perdão dos pecados. O segundo, tem que ver com o relacionamento com as pessoas: comer com os pecadores. O terceiro, com os costumes religiosos: observância do jejum. O quarto, com a observância da Lei de Deus: o Sábado. Foram os outros que provocaram estes quatro conflitos contra Jesus. O quinto, provocado pelo próprio Jesus, mostra a seriedade do conflito entre ele e a religião do seu tempo.

 

Doença e pecado

 

Naqueles dias, ensinava-se que cada sofrimento era o resultado de um pecado. Quando se deparou com um homem que nasceu cego, Pedro perguntou: “Quem pecou, ele ou os seus pais, para que nascesse cego?” (Jo 9,1-3). Jesus respondeu: nem ele nem os seus pais. Jesus distancia o pecado da pessoa doente. Ele não permite que a religião seja usada para dizer ao paralítico: “Tu és um pecador!”. Jesus diz o contrário: “Tu não és um pecador! Deus acolhe-te mesmo que sejas um paralítico. A tua doença não é o resultado do teu pecado!”. Ter coragem de dizer tais coisas em frente às autoridades era revolucionário! Uma mudança gigantesca. As pessoas estavam entusiasmadas com Jesus porque as libertou. Esta é uma face da moeda. Mas também há outro lado. No passado, tal como no presente, muito sofrimento é o resultado do pecado. Por exemplo, o sofrimento de uma mãe que chora a morte infligida ao seu filho. Jesus também tem algo a dizer sobre isto. Uma vez, em Jerusalém, uma torre caiu e matou 18 pessoas (Lc 13,4). Noutro lugar, Pilatos massacrou um grupo de galileus e misturou o seu sangue com o dos sacrifícios (Lc 13,1). Jesus perguntou: “Julgais que esses galileus eram mais pecadores que todos os outros galileus, por terem assim sofrido? Não, Eu vo-lo digo; mas, se não vos converterdes, perecereis todos igualmente. E aqueles dezoito sobre os quais caiu a torre de Siloé, matando-os, eram mais culpados que todos os outros habitantes de Jerusalém?” (Lc 13,2-4). Jesus transformou os males, apelando à conversão e à mudança. Mas não houve arrependimento ou mudança, e quarenta anos depois, no ano 70, Jerusalém foi destruída, muitas torres caíram e muito sangue foi derramado! Também hoje muitos males são o resultado da cultura. Outros continuam a ser o resultado de um sistema neo-liberal que nos foi imposto e que nos oprime. Assim, os males que sofremos são uma chamada à conversão, um apelo à nossa responsabilidade. O que vem ao mundo como resultado das acções livres para causar o mal, pode ser transformado, por acções livres, em bem.

 

 

 
VI Domingo do Tempo Comum - Ano B PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

6º DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO B - Mc 1, 40-45)

12 de Fevereiro de 2012

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos (Mc 1, 40-45)

40 Um leproso veio ter com Ele, caiu de joelhos e suplicou: «Se quiseres, podes purificar-me». 41 Compadecido, Jesus estendeu a mão, tocou-o e disse: «Quero, fica purificado». 42 Imediatamente a lepra deixou-o, e ficou purificado. 43 E logo o despediu, dizendo-lhe em tom severo: 44 «Livra-te de falar disto a alguém; vai, antes, mostrar-te ao sacerdote e oferece pela tua purificação o que foi estabelecido por Moisés, a fim de lhes servir de testemunho». 45 Ele, porém, assim que se retirou, começou a proclamar e a divulgar o sucedido, a ponto de Jesus não poder entrar abertamente numa cidade; ficava fora, em lugares despovoados. E de todas as partes iam ter com Ele.

Chave de leitura

O evangelho deste sexto Domingo do Tempo Comum mostra-nos como Jesus acolhe um leproso. Naquele tempo, os leprosos eram as pessoas mais excluídas da sociedade, e eram evitadas por todos. Não podiam participar em nada, porque antigamente a falta de remédios eficazes, o medo do contágio e a necessidade de defender a vida da comunidade obrigava as pessoas a afastarem-se e a excluírem os leprosos. Além do mais, entre o povo de Deus, onde a defesa do dom da vida era um dos deveres mais sagrados, chegou a pensar-se que era uma obrigação divina a exclusão dos leprosos, porque era a única maneira de defender a comunidade contra o contágio da morte. Por isso, em Israel, o leproso sentia-se impuro e excluído não só da sociedade mas também de Deus (Lv 14, 1-32). De qualquer modo, pouco a pouco, na medida em que eram descobertos melhores remédios e sobretudo graças à experiência profunda comunicada por Jesus relativamente a Deus nosso Pai, os leprosos começaram a ser acolhidos e reintegrados, em nome do mesmo Deus, como irmãos, na convivência humana.

Apesar de dois mil anos de Cristianismo, a exclusão e a marginalização de certas categorias de pessoas continuam até hoje, tanto na sociedade como na Igreja. Por exemplo, os doentes com Sida, os emigrantes, os homossexuais, os divorciados, etc. Quais são hoje, onde vives, as categorias de pessoas que são excluídas e evitadas?

Algumas perguntas para ajuda na meditação e oração

- No texto, o que mais gostaste e mais te chamou a atenção? Porquê?

- Como se expressa neste texto a marginalização dos leprosos?

 

- Como é que Jesus acolhe, cura e reintegra o leproso?- Como imitar hoje a conduta de Jesus relativamente aos excluídos?

 

Comentário do texto Marcos

1, 40: A situação de abandono e de exclusão de um leproso

Um leproso aproxima-se de Jesus. Era um excluído, um impuro. Devia ser afastado da convivência humana. Quem se aproximasse dele ficava também impuro. Mas aquele leproso tinha muita coragem. Esquece as normas da religião para se aproximar de Jesus. Diz-lhe: “Se quiseres podes curar-me!”.Ou seja, não há necessidade que me toques. Basta quereres, para que eu fique curado. A frase revela dois males: 1) - o mal da enfermidade da lepra que o convertia em impuro; 2) - o mal da solidão a que estava condenado pela sociedade e pela religião. Revela também a grande fé dos homens no poder de Jesus.

Marcos 1, 41-42: Acolhendo e curando o leproso Jesus revela o novo rosto de Deus

Profundamente compadecido, Jesus cura os dois males. Em primeiro lugar, para curar o mal da solidão, toca o leproso. É como se lhe dissesse: “Para mim, tu não és um excluído. Acolho-te como irmão!”. Em segundo lugar, cura a enfermidade da lepra dizendo: “Quero! Fica limpo!”. Para poder entrar em contacto com Jesus, o leproso transgrediu as normas da lei. Jesus, para poder ajudar o excluído e assim revelar o novo rosto de Deus, transgrediu as normas da sua religião e toca no leproso. Naquele tempo quem tocasse num leproso convertia-se em impuro aos olhos das autoridades religiosas e perante a lei da época.

 

Marcos 1, 43-44: Reintegrar os excluídos na convivência fraterna

Jesus não só cura como quer também que a pessoa curada possa novamente conviver com os outros. Reintegra a pessoa na convivência. Naquele tempo, para que um leproso fosse de novo acolhido na comunidade, tinha necessidade de um certificado dado por um sacerdote de que estava curado. Assim estava escrito na lei relativamente à purificação de um leproso (Lv 14, 1-32). O mesmo acontece hoje. O doente sai do hospital com um certificado médico assinado pelo respectivo médico. Jesus obriga o leproso a entregar o documento às autoridades competentes de modo que possa reinserir-se com normalidade na sociedade, obrigando assim as autoridades a reconhecer que o homem estava curado.

 

Marcos 1, 45: O leproso proclama o bem que Jesus lhe fez e Jesus converte-se em excluído

 Jesus proibira o leproso de falar da cura. Mas este não o faz. O leproso começou a proclamar e a divulgar o sucedido, a ponto de Jesus não poder entrar abertamente numa cidade; ficava fora, em lugares despovoados. Qual a razão de Jesus ficar fora em lugares desertos? Jesus tocou o leproso. Portanto, segundo a opinião da religião daquele tempo, é Jesus que agora está impuro e deve viver afastado de todos. Não podia entrar nas cidades. Mas Marcos indica que as pessoas pouco se importam destas normas oficiais e de todas as partes iam ter com Ele. Subversão total!

Ampliando os conhecimentos

Oito critérios para avaliar a Missão da Comunidade

Uma dupla escravidão marcava as pessoas da época de Jesus: a escravidão da religião oficial, mantida pelas autoridades oficiais da época, e a escravidão da política de Herodes, apoiada pelo Império Romano e sustentada por um sistema organizado de violência e repressão. Por causa de tudo isto uma grande parte das pessoas era excluída da religião e da sociedade, ao contrário da fraternidade que Deus sonhou para todos! É precisamente neste contexto que Jesus começa a desenvolver a sua missão de anunciar a Boa Nova de Deus. O evangelho deste Domingo faz parte de uma unidade literária mais ampla (Mc 1, 16-45). Além da descrição da preparação da Boa Nova (Mc 1, 1-13) e da sua proclamação (Mc 1, 14-15), Marcos reúne oito actividades de Jesus para descrever como foi a sua actividade de anunciar a Boa Nova e como deve ser a missão das comunidades (Mc 1, 16-45). É a mesma missão que Jesus recebeu do Pai (Jo 20, 21). Marcos recolhe estes episódios, que se transmitiam nas comunidades oralmente, e une-os entre si como velhos ladrilhos de uma nova parede. Estes oito episódios são oito critérios que servem as comunidades para rever e verificar se estão a desenvolver bem a sua missão. Vejamos:

1. Mc 1, 16-20: Criar comunidade. A primeira coisa que Jesus faz é chamar as pessoas para que o sigam. Uma tarefa fundamental da missão é congregar as pessoas em torno de Jesus e criar comunidade.

2. Mc 1, 21-22: Suscitar uma consciência crítica. A primeira coisa que as pessoas percebem é a diferença entre o ensinamento de Jesus e o dos escribas. Faz parte da missão agir para que as pessoas tenham uma consciência crítica, inclusivamente em relação à religião oficial.

3. Mc 1, 23-28: Combater o poder do mal. O primeiro milagre de Jesus é a expulsão de um espírito impuro. Faz parte da missão combater o poder do mal que destrói a vida e aliena as pessoas de si mesmas.

4. Mc 1, 29-31: Restaurar a vida mediante o serviço. Jesus cura a sogra de Pedro e esta levanta-se e começa a servir. Faz parte da missão preocupar-se pelos enfermos de modo que possam levantarem-se e de novo oferecerem os seus serviços aos outros.

5. Mc 1, 32-34: Acolher os marginalizados. Depois que passou o sábado as pessoas levavam a Jesus todos os enfermos e endemoninhados para serem curados por Jesus, que os cura a todos, impondo-lhes as mãos. Faz parte da missão acolher os marginalizados.

6. Mc 1, 35: Permanecer unidos ao Pai mediante a oração. Depois de um dia de trabalho que se prolonga até ao entardecer, Jesus levanta-se, pronto para poder orar num lugar deserto. Faz parte da missão permanecer unidos à fonte da Boa Nova, que é o Pai, mediante a oração.

7. Mc 1, 36-37: Manter a consciência da missão. Os discípulos estavam contentes com os resultados e queriam que Jesus voltasse. Porém ele continuou o seu caminho. Faz parte da missão não se contentar com o resultado obtido mas manter viva a consciência da missão.

8. Mc 1, 40-45: Reinserir os marginalizados na convivência. Jesus cura um leproso e pede-lhe que se apresente ao sacerdote para ser declarado curado e poder deste modo voltar a viver com os outros. Faz parte da missão reinserir os excluídos na convivência humana.

 

Estes oito pontos, tão bem escolhidos por Marcos, indicam a finalidade da missão de Jesus: “Vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 19, 19). Estes mesmos oito pontos podem servir para avaliar a nossa comunidade. Assim se vê como Marcos construiu o seu evangelho. Uma bela construção que levou em conta duas coisas ao mesmo tempo: 1) - informar as pessoas acerca do que Jesus fez e ensinou; 2) - formar as comunidades e as pessoas na missão de anunciadores da Boa Nova de Deus.
 
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4º DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO B - Mc 1, 21-28)

29 de Janeiro de 2012

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos (Mc 1, 21-28)

21 Entraram em Cafarnaum. Chegado o sábado, veio à sinagoga e começou a ensinar. 22 E maravilhavam-se com o seu ensinamento, pois os ensinava como quem tem autoridade e não como os doutores da Lei. 23 Na sinagoga deles encontrava-se um homem com um espírito maligno, que começou a gritar: 24 «Que tens a ver connosco, Jesus de Nazaré? Vieste para nos arruinar? Sei quem tu és: o Santo de Deus». 25 Jesus repreendeu-o, dizendo: «Cala-te e sai desse homem». 26 Então, o espírito maligno, depois de o sacudir com força, saiu dele dando um grande grito. 27 Tão assombrados ficaram que perguntavam uns aos outros: «Que é isto? Eis um novo ensinamento, e feito com tal autoridade que até manda aos espíritos malignos e eles obedecem-lhe!». 28 E a sua fama se espalhou por toda a parte, em toda a região da Galileia.

Chave de leitura

O texto do Evangelho deste quarto Domingo do Tempo Comum fala da admiração das pessoas ao ver como Jesus transmite a sua mensagem (Mc 1,21-22); depois apresenta o primeiro milagre em que se refere a expulsão de um demónio (Mc 1,23-26); finalmente, fala de novo da admiração das pessoas perante o ensinamento de Jesus e do seu poder de expulsar espíritos imundos (Mc 1,27-28).

Na década de 70, época em que escreve Marcos, as Comunidades da Itália tinham necessidade de orientação para saber como anunciar a Boa Nova de Deus ao povo que vivia oprimido pelo medo dos demónios, pela imposição de normas religiosas por parte do Império romano. Ao descrever as actividades de Jesus, Marcos indicava como as comunidades deviam anunciar a Boa Nova. Os evangelistas catequizavam contando os actos e acontecimentos da vida de Jesus.

O texto que agora meditaremos indica o impacto que a Boa Nova de Jesus teve sobre o povo do seu tempo. Durante a sua leitura procuremos ter em atenção o seguinte: Qual é a acção de Jesus que causava mais admiração às pessoas?

Algumas perguntas para nos ajudar a meditar e a orar

a) Qual é a parte de que mais gostaste?

b) O que é que terá causado maior admiração às pessoas do tempo de Jesus?

c) O que é que impelia as pessoas a perceber qual a diferença entre Jesus e os doutores da época?

d) O espírito do mal não tem poder nenhum diante de Jesus. Que impacto isto produz sobre as pessoas? 

e) Será que as acções da nossa comunidade produzem admiração entre as pessoas? Que acções?

 Contexto de ontem e de hoje

Neste domingo meditamos a descrição que o Evangelho de Marcos faz do primeiro milagre de Jesus. Nem todos os evangelistas contam os actos da vida de Jesus da mesma maneira. Face às necessidades das comunidades para quem se escrevia, cada um deles acentuava alguns pontos e aspectos da vida, actos e ensinamentos de Jesus que mais pudessem ajudar os seus leitores. Os leitores de Mateus viviam no norte da Palestina e na Síria; os de Lucas, na Grécia; os de João, na Ásia Menor; os de Marcos, provavelmente em Itália. Um exemplo concreto desta diversidade é o modo como cada um apresenta o primeiro milagre de Jesus. No Evangelho de João, o primeiro milagre sucede numas Bodas de Caná da Galileia, onde Jesus transformou água em vinho (Jo 2,1-11). Para Lucas o primeiro milagre é a tranquilidade com que Jesus se livra da ameaça de morte por parte do povo de Nazaré (Lc 4,29-39). Para Mateus, é a cura de um grande número de doentes e endemoniados (Mt 4,23), ou, mais especificamente, a cura de um leproso (Mt 8,1-4). Para Marcos, o primeiro milagre é a expulsão de um demónio (Mc 1,23-26).

Assim, cada Evangelista, na sua maneira de narrar as coisas, revela quais são, segundo ele, os pontos mais importantes nos actos e ensinamentos de Jesus. Cada um tem uma preocupação diferente que trata de transmitir aos seus leitores e às comunidades: hoje vivemos num lugar e numa época bem diversas dos tempos de Jesus e dos evangelistas. Qual é para nós a maior preocupação relativamente ao que acontece no Evangelho? Vale a pena que cada um se pergunte: Qual é, para mim, a maior preocupação?

Comentário do texto

Marcos 1,21-22: Admiradas pelos ensinamentos de Jesus, as pessoas desenvolvem uma consciência crítica. A primeira coisa que Jesus fez no começo da sua actividade missionária foi chamar quatro pessoas para formar uma comunidade com Ele (Mc 1,16-20). A primeira coisa que as pessoas percebem em Jesus é a sua forma diferente de ensinar e falar do Reino de Deus. Não é tanto o conteúdo mas sim o seu modo de ensinar que desperta a atenção. O efeito deste ensinamento diferente era uma consciência crítica nas pessoas em relação às autoridades religiosas da época. As pessoas percebiam, comparavam diziam: Ele ensina com autoridade, diferente dos escribas. Os escribas ensinavam as pessoas citando doutores, as autoridades. Jesus não citava nenhum doutor mas falava partindo da sua experiência de Deus e da vida. A sua autoridade nascia de dentro. A sua palavra tinha raízes no coração e no testemunho da sua vida.

Marcos 1,23-26: Jesus combate o poder do mal. Em Marcos, o primeiro milagre é a expulsão do demónio. O poder do mal lançava raízes nas pessoas e alienava-as de si mesmas. As pessoas viviam destroçadas pelo medo dos demónios e da acção dos espíritos impuros. Basta ver o interesse causado pelo “espectáculo” sobre o exorcismo dos demónios, mas não somente. Como nos tempos do Império romano, também hoje muitas são as pessoas que vivem alienadas de si mesmas por causa do poder dos meios de comunicação, da propaganda, do comércio. As pessoas vivem escravas do consumismo, oprimidas pelas facturas que têm que pagar numa data determinada pelos credores. Muitos pensam que não vivem como pessoas dignas de respeito se não compram o que a publicidade anuncia na televisão. Em Marcos, o primeiro gesto de Jesus é precisamente o de expulsar e combater o poder do mal. Jesus restitui as pessoas a si mesmas. Restitui a sua consciência e a sua liberdade. Será que a nossa fé em Jesus consegue combater contra estes demónios que nos tornam estranhos a nós próprios, da realidade e de Deus?

Marcos 1,27-28: A reacção das pessoas: o primeiro impacto. Os dois primeiros sinais da Boa Nova de Deus que as pessoas percebem em Jesus são estas: o seu modo diverso de ensinar as coisas de Deus e o seu poder sobre os espíritos imundos. Jesus abre um novo caminho de pureza para as pessoas. Naquele tempo, quem era declarado impuro não podia pôr-se diante de Deus para rezar ou receber a bênção prometida por Deus a Abraão. Primeiro devia purificar-se. Quanto à purificação das pessoas, existiam muitas leis e normas rituais que tornavam difícil a vida das pessoas e afastavam-nas, considerando-as impuras. Por exemplo, lavar o braço até ao cotovelo, lavar o rosto, lavar as taças de metal, jarros, vasilhas e bandejas, etc. (cfr. Mc 7,1-5). Agora purificadas pela fé em Jesus, as pessoas impuras podiam de novo prostrar-se na presença de Deus e não tinham necessidade observar todas as normas rituais. A Boa Nova do Reino, anunciada por Jesus, seria para aquela gente um suspiro de alívio e um motivo de grande alegria e tranquilidade.

Aumentando conhecimentos: a expulsão dos demónios e o medo das pessoas

*A explicação mágica dos males da vida

No tempo de Jesus, muita gente falava de Satanás e da expulsão de demónios. Havia muito medo entre as pessoas e muita gente se aproveitava do medo dos outros. O poder do mal tinha muitos nomes: demónio, diabo, Belzebu, príncipe dos demónios, Satanás, Dragão, Dominações, Potestades, Poderes, Soberania, etc. (Cf. Mc 3,22-23; Mt 4,1; Ap 12,9; Rom 8,38; Ef 1,21).

Hoje, quando as pessoas não sabem explicar um fenómeno, um problema ou uma dor, recorrem, por vezes, a explicações e remédios que vêm das tradições e culturas antigas e dizem: “é um mau olhado, é o castigo de Deus, é algum mau espírito”. E há pessoas que tratam de calar estes maus espíritos através da magia e de orações em voz alta. Outros buscam um exorcista para expulsar o espírito impuro. Outros, combatem a força do mal de outro modo: procuram entender as causas do mal. Procuram um médico, uma medicina alternativa, ajudam-se reciprocamente, fazem reuniões comunitárias, combatem a alienação das pessoas, organizam clubes de mães, sindicatos, partidos e muitas outras formas de associação para expulsar o mal e melhorar as condições de vida das pessoas.

No tempo de Jesus, o modo de explicar e resolver os males da vida era semelhante à explicação das nossas antigas tradições e culturas. Naquele tempo, como aparece na Bíblica, a palavra demónio ou Satanás indicava muitas vezes o poder do mal que desviava as pessoas do bom caminho. Por exemplo, nos quarenta dias no deserto, Jesus foi tentado por Satanás que queria conduzi-lo por outro caminho (Mc 1,12; cfr. Lc 4,1-13). Outras vezes, a mesma palavra indicava a pessoa que levava a outra por um caminho falso. Assim, quando Pedro tentou desviar Jesus do seu caminho, ele foi Satanás para Jesus: “Vai-te da minha frente, Satanás, porque os teus pensamentos não são os de Deus, mas os dos homens” (Mc 8,33). Outras vezes estas mesma palavras eram usadas para indicar o poder político do Império romano que oprimia e explorava o povo. Por exemplo, no Apocalipse, o Império romano era identificado com “o grande Dragão, a Serpente antiga - a que chamam também Diabo e Satanás - o sedutor de toda a humanidade” (Ap 12,9). No Evangelho de Marcos, este mesmo Império romano é recordado com o nome de Legião, dado ao demónio que maltratava um homem (Mc 5,9). Outras vezes, as pessoas usavam a palavra demónio ou espírito para indicar as doenças e as dores. Assim se falava do demónio como de um espírito mudo (Mc 9,17), de um espírito surdo (Mc 9,25), do demónio ou espírito impuro (Mc 1,23; 3,11), etc. E havia pessoas exorcistas que expulsavam estes demónios (cfr. Mc 9,38; Mt 12,27).

Tudo isto indicava o grande medo que as pessoas tinham face ao poder do mal, a quem chamavam demónio ou Satanás. Na época em que Marcos escrevia o seu evangelho, este medo continuava a aumentar. Algumas religiões chegadas do Oriente divulgavam o culto aos espíritos que intercediam entre Deus e a humanidade, considerados demónios, demiurgos ou semideuses. Nestes cultos ensinava-se que alguns dos nossos gestos podiam irritar estes espíritos e que eles, para se vingar de nós, podiam impedir o acesso a Deus e privar-nos, assim, dos benefícios divinos. Por isto, através de ritos mágicos, orações em alta voz e cerimónias complicadas, as pessoas esforçavam-se por invocar e acalmar estes espíritos ou demónios, para que não sucedesse nenhum mal à vida humana. Esta era a forma que tinham encontrado para se defender dos influxos dos espíritos do mal. Este modo de viver a relação com Deus, em vez de libertar as pessoas, alimentava nelas o medo e a angústia.

* A fé na ressurreição e a vitória sobre o medo

Um dos objectivos da Boa Nova de Jesus era ajudar as pessoas a libertar-se deste medo. A chegada do Reino de Deus significava a chegada de um poder mais forte. Diz o evangelho de Marcos: “Ninguém consegue entrar em casa de um homem forte e roubar-lhe os bens sem primeiro o amarrar; só depois poderá saquear-lhe a casa” (Mc 3,27). O homem forte é a imagem que indica o poder do mal que mantém as pessoas prisioneiras no medo. Jesus é o homem mais forte que vem para amarrar Satanás, o poder do mal, libertando a humanidade prisioneira do medo. “Mas se Eu expulso os demónios pela mão de Deus, então o Reino de Deus já chegou até vós” (Lc 11, 20). Eis aqui a insistência dos escritos do Novo Testamento, sobretudo do evangelho de Marcos, na vitória de Jesus sobre o poder do mal, sobre o demónio, sobre Satanás, sobre o pecado e sobre a morte.

Como temos visto na leitura deste Domingo, no evangelho de Marcos, o primeiro milagre de Jesus é a expulsão de um demónio: “Cala-te e sai desse homem!” (Mc 1,25). O primeiro impacto que Jesus causa nas pessoas é produzido pela expulsão dos demónios: “manda aos espíritos malignos e eles obedecem-lhe!” (Mc 1,27). Uma das principais causas da discussão de Jesus com os escribas é a expulsão dos demónios. Eles caluniavam-no dizendo: «Ele tem Belzebu!». E ainda: «É pelo chefe dos demónios que expulsa os demónios» (Mc 3,22). O primeiro poder que os Apóstolos recebem quando são enviados em missão é o poder de expulsar demónio: “deu-lhes poder sobre os espíritos malignos” (Mc 16,17). Era como se fosse um refrão que não termina. Hoje em dia, em vez de usar sempre as mesmas palavras, usamos palavras diversas para transmitir a mesma mensagem e diríamos: “O poder do mal, o Satanás que tanto medo nos dá, foi vencido por Jesus que o amarrou, dominou, destruiu, abateu, eliminou, exterminou, aniquilou, matou!”. O que Marcos nos quer dizer é isto: “Aos cristãos é proibido ter medo de Satanás!”. Pela sua ressurreição e pela sua acção libertadora, presente no meio de nós, Jesus amarra o medo de Satanás, faz nascer a liberdade no coração, firmeza na acção e esperança no horizonte! Devemos caminhar pelo Caminho de Jesus com sabor de vitória sobre o poder do mal.

 
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