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Lectio Divina
II Domingo da Quaresma - Ano A PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

2º DOMINGO DA QUARESMA – ANO A

12 de Março de 2017

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (Mt 17, 1-9) 

Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e seu irmão João, e levou-os, só a eles, a um alto monte. Transfigurou-se diante deles: o seu rosto resplandeceu como o Sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz. Nisto, apareceram Moisés e Elias a conversar com Ele. Tomando a palavra, Pedro disse a Jesus: «Senhor, é bom estarmos aqui; se quiseres, farei aqui três tendas: uma para ti, uma para Moisés e outra para Elias.» Ainda ele estava a falar, quando uma nuvem luminosa os cobriu com a sua sombra, e uma voz dizia da nuvem: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus todo o meu agrado. Escutai-o.» Ao ouvirem isto, os discípulos caíram com a face por terra, muito assustados. Aproximando-se deles, Jesus tocou-lhes, dizendo: «Levantai-vos e não tenhais medo.» Erguendo os olhos, os discípulos apenas viram Jesus e mais ninguém. Enquanto desciam do monte, Jesus ordenou-lhes: «Não conteis a ninguém o que acabastes de ver, até que o Filho do Homem ressuscite dos mortos.» 

Mensagem 

Jesus toma consigo os seus discípulos mais íntimos e leva-os a «um alto monte». Não é a montanha a que o tentador o levou para lhe oferecer o poder e a glória de «todos os reinos do mundo». É a montanha em que os seus mais íntimos vão poder descobrir o caminho que leva à glória da ressurreição.

O rosto transfigurado de Jesus «resplandeceu como o sol» e manifestou em que consiste a sua verdadeira glória. Não provém do diabo, mas de Deus, seu Pai. Não se atinge pelos caminhos do poder mundano, mas pelo caminho paciente do serviço oculto, do sofrimento e da crucifixão.

Junto de Jesus aparecem Moisés e Elias, talvez como representante da lei e dos profetas. Não têm o rosto resplandecente, mas apagado. Não se põem a ensinar os discípulos, mas estão a «conversar com ele». A lei e os profetas estão orientados e subordinados a ele.

Pedro, no entanto, não consegue intuir o carácter único de Jesus: «Se quiseres farei aqui três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias». A cada um a sua tenda. Não sabe que Jesus não pode ser equiparado com ninguém.

É o próprio Deus que faz calar Pedro: «Ainda ele estava a falar», quando, entre luzes e sombras, ouvem a sua voz misteriosa: «Este é o meu filho muito amado», o que tem o rosto glorificado pela ressurreição. «Escutai-o». A Ele e mais ninguém. Meu filho é o único legislador, mestre e profeta. Não o confundais com ninguém.

Os discípulos caem por terra «muito assustados». Mete-lhes medo «escutar apenas Jesus» e seguir o seu caminho humilde de serviço ao reino até á cruz. É o próprio Jesus quem os liberta dos seus medos. «Aproximando-se» deles, como só ele sabia fazer «tocou-lhes» como tocava os doentes, e disse-lhes: «Levantai-vos e não tenhais medo» de me escutar e de me seguir só a mim».

Também a nós, cristãos de hoje, nos mete medo escutar somente Jesus. Não ousamos colocá-lo no centro das nossas vidas e comunicades. Não lhes deixamos ser a única e definitiva Palavra. É o próprio Jesus quem nos pode libertar de tantos medos, cobardias e ambiguidades se nos deixarmos transformar por ele. 

“Este é o meu Filho muito amado, escutai-o” 

Entre todos os métodos possíveis de ler a Palavra de Deus, está sendo valorizado cada vez mais em alguns sectores cristãos o método chamado LECTIO DIVINA, muito apreciado noutros tempos, sobretudo nos mosteiros. Consiste numa leitura meditada da Bíblia, orientada directamente para suscitar o encontro com Deus e a escuta da sua Palavra no fundo do coração. Esta forma de ler o texto bíblico exige dar diversos passos.

O primeiro passo é LER O TEXTO tratando de captar o seu sentido original, para evitar qualquer interpretação arbitrária ou subjectiva. Não é legítimo fazer a Bíblia dizer qualquer coisa, deturpando o seu sentido real. Temos de compreender o texto empregando todas as ajudas que tenhamos à mão, ou seja: uma boa tradução do texto bíblico, as notas de rodapé da Bíblia, algum comentário bíblico simples.

Um outro passo é a MEDITAÇÃO. Agora, trata-se de acolher a Palavra de Deus meditando-a no fundo do coração. Para isso, começa-se por repetir devagar as palavras fundamentais do texto, tratando de assimilar a sua mensagem e fazê-la nossa. Os antigos diziam que é necessário «mastigar» ou «ruminar» o texto bíblico para «fazê-lo descer da cabeça ao coração». Este momento pede recolhimento e silêncio interior, fé em Deus, que me fala, abertura dócil à sua voz.

O terceiro momento é a ORAÇÃO. O leitor passa, agora, de uma atitude de escuta a uma postura de resposta. Esta oração é necessária para que se estabeleça o diálogo entre o crente e Deus. Não é o caso de fazer grandes esforços de imaginação nem de inventar bonitos discursos. Basta perguntar-nos com sinceridade: «Senhor, o que me queres dizer através deste texto? Para que me chamas concretamente? Que confiança queres semear no meu coração?».

Pode-se passar a um quarto momento, que costuma ser designado como CONTEMPLAÇÃO ou silêncio diante de Deus. O crente descansa em Deus calando todas as outras vozes internas. É o momento de estar diante d’Ele escutando somente o seu amor e a sua misericórdia, sem nenhuma outra preocupação ou interesse.

Por fim, é necessário recordar que a verdadeira leitura da Bíblia termina na vida concreta, e que o critério para verificar se escutamos Deus é nossa CONVERSÃO. Por isso, é necessário passar da «Palavra escrita» à «Palavra vivida». São Nilo, venerável Padre do deserto, dizia: «Eu interpreto a Escritura com a minha vida».

Segundo o relato da cena no monte Tabor, os discípulos escutam este convite: «Este é meu Filho, o Escolhido; escutai-O». Uma forma de fazer isto é aprender a ler os evangelhos de Jesus com este método. Descobriremos um estilo de vida que pode transformar para sempre a nossa existência. 

Palavra para o caminho 

“Faço-vos uma pergunta: vós leis todos os dias um trecho do Evangelho? Sim, não... sim, não... Metade e metade... Alguns sim e alguns não. Mas é importante! Leis o Evangelho? É bom; é bom ter um pequeno Evangelho, pequeno, e levá-lo connosco, no bolso, na carteira, e ler um pequeno trecho em qualquer momento do dia. Em qualquer momento do dia tiro do bolso o Evangelho e leio algo, um pequeno trecho. Nele é Jesus que fala, no Evangelho! Pensai nisto. Não é difícil, nem sequer necessário que sejam os quatro: um dos Evangelhos, pequeníssimo, connosco. Sempre o Evangelho connosco, porque é a Palavra de Jesus, para a poder ouvir” (Papa Francisco).

“Já te disse tudo na minha Palavra, que é o Meu Filho – e não tenho outra – que mais te posso Eu responder agora ou revelar? Põe os olhos só n’Ele, porque n’Ele tudo disse e revelei, e acharás ainda mais do que pedes e desejas. Tu pedes locuções e revelações às migalhas, mas, se fixares n’Ele o teu olhar, acharás tudo. Ele é toda a minha locução e resposta, toda a minha visão e revelação. Ao dar-vo-l’O por Irmão, Companheiro, Mestre, Preço e Prémio, já vos falei, respondi, manifestei e revelei tudo. Desde o dia que desci com o meu Espírito sobre Ele no monte Tabor, dizendo: Quer dizer: «Este é o meu Filho muito amado, no Qual pus todo o Meu encanto, escutai-O», (Mt 17, 5) abandonei todas essas maneiras de ensinamentos e respostas, e tudo Lhe confiei a Ele. Escutai-O, porque Eu já não tenho mais fé para revelar, nem mais nada a manifestar. Porque, se falava antes, era prometendo a Cristo; e, se Me perguntavam, as perguntas eram orientadas à petição e esperança de Cristo, no qual haviam de encontrar o Bem total” (São João da Cruz).

 
I Domingo da Quaresma - Ano A PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

1º DOMINGO DA QUARESMA – ANO A

5 de Março de 2017

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (Mt 4, 1-11) 

Naquele tempo, o Espírito conduziu Jesus ao deserto, a fim de ser tentado pelo diabo. Jejuou durante quarenta dias e quarenta noites e, por fim, teve fome. O tentador aproximou-se e disse-lhe: «Se Tu és o Filho de Deus, ordena que estas pedras se convertam em pães.» Respondeu-lhe Jesus: «Está escrito: Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus.» Então, o diabo conduziu-o à cidade santa e, colocando-o sobre o pináculo do templo, disse-lhe: «Se Tu és o Filho de Deus, lança-te daqui abaixo, pois está escrito: Dará a teu respeito ordens aos seus anjos; eles suster-te-ão nas suas mãos para que os teus pés não se firam nalguma pedra.» Disse-lhe Jesus: «Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus!»Em seguida, o diabo conduziu-o a um monte muito alto e, mostrando-lhe todos os reinos do mundo com a sua glória, disse-lhe: «Tudo isto te darei, se, prostrado, me adorares.» Respondeu-lhe Jesus: «Vai-te, Satanás, pois está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a Ele prestarás culto.» Então, o diabo deixou-o e chegaram os anjos e serviram-no. 

Uma chave de leitura 

Jesus foi tentado. Mateus apresenta-nos as tentações: tentação do pão, tentação do prestígio, tentação do poder. Trata-se de várias formas de esperança messiânica que naquele tempo existiam no povo de Israel. O messias glorioso que, como um novo Moisés, daria de comer ao povo no deserto: “ordena que estas pedras se convertam em pães”. O messias desconhecido que de repente se imporia a todos por meio de gestos espectaculares no Templo: “lança-te daqui abaixo”. O messias nacionalista que quer dominar o mundo: “tudo isto te darei”.

No Antigo Testamento tentações idênticas fazem cair o povo no deserto, depois da saída do Egipto (Dt 8, 3; 6, 16; Dt 6, 13). Jesus repetirá a história mas resistirá à tentação de perverter o plano de Deus para o adaptar aos seus interesses humanos de momento. Tentador ou Satanás é tudo o que desvia do plano de Deus. Pedro foi Satanás para Jesus (Mt 16, 23).

A tentação foi uma constante na vida de Jesus. Ela acompanhou-o do princípio até ao fim, desde o baptismo até à morte de cruz, porque na medida em que se alargava entre o povo o anúncio da Boa Nova do Reino crescia a pressão sobre Jesus para se adaptar às perspectivas messiânicas do povo e ser o messias que os outros desejavam e queriam: “messias glorioso e nacionalista”, “messias rei”, “messias sumo sacerdote”, “messias juiz”, “messias guerrilheiro”, “messias doutor da lei”. A Carta aos Hebreus diz: “Ele foi provado em tudo à semelhança de nós, menos no pecado” (Heb 4, 15).

Mas a tentação jamais conseguiu desviar Jesus da sua missão. Ele continuava firme no caminho do “Messias Servo”, anunciado pelo profeta Isaías e esperado sobretudo pelos pobres do povo, os anawim. Jesus não teve medo de provocar conflitos, nem com as autoridades, nem com as pessoas mais queridas. Todos os que tentavam desviá-lo do caminho recebiam respostas duras e reacções inesperadas:

. Pedro tenta afastar Jesus do caminho da Cruz: “Não será assim, Senhor; isto não acontecerá jamais!” (Mt 16, 22). Jesus repreendeu-o duramente: “Afasta-te de mim, Satanás!” (Mc 8, 33).

. Os parentes, primeiramente, queriam levá-lo de volta para casa. Pensavam que estava louco (Mc 3, 21), mas escutaram palavras duras que pareciam uma ruptura (Mc 3, 33). Depois, quando Jesus gozava de certa fama, queriam que se mostrasse mais em público e permanecesse em Jerusalém, a capital (Jo 7, 3-4). Uma vez mais Jesus responde mostrando que há uma diferença radical entre a sua proposta e a deles (Jo 7, 6-7).

. Os seus pais lamentavam-se: “Filho, porque procedeste assim para connosco?” (Lc 2, 48). Receberam a resposta: “Porque me procuráveis? Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas que são do serviço de meu Pai?” (Lc 2, 49).

. Os apóstolos, contentes e entusiasmados com a fama que Jesus tinha no meio do povo queriam que voltasse para o povo: “Todos te procuram!” (Mc 1, 37). Mas receberam a recusa: “Vamos a outra parte, pelas aldeias e cidades vizinhas, a fim de que pregue também aí, porque foi para isto que eu vim!” (Mc 1, 38).

. João Baptista queria forçar Jesus a ser um “messias juiz severo” (Lc 3, 9; Mt 3, 7-12; Mt 11, 3). Jesus remete João para as profecias para que as confronte com os factos: “Ide e dizei a João o que vistes e ouvistes!” (Mt 11, 46; Is 29, 18-19; 35, 5-6; 61, 1).

. O povo vendo o sinal da multiplicação dos pães no deserto conclui: “Este certamente é o profeta que devia vir ao mundo!” (Jo 6, 14). As pessoas procuraram forçar Jesus a ser o “messias rei” (Jo 6, 15) mas Jesus retirou-se para a montanha para estar na solidão com o seu Pai.

. Na hora da prisão, a hora das trevas (Lc 22, 53), aparece a tentação de ser o “messias guerreiro”. Mas Jesus diz: “Mete a espada no seu lugar!” (Mt 26, 52) e “Orai para não caírdes em tentação!” (Lc 22, 40-46).

Jesus orientava-se pela Palavra de Deus e encontrava nela a luz e o alimento. É sobretudo a profecia do Servo, anunciada por Isaías (Is 42, 1-9; 49, 1-6; 50, 3-9; 52, 13-53, 12), que o anima e lhe dá coragem para continuar. No Baptismo e na Transfiguração, recebe do Pai a confirmação do seu caminho, da sua missão. A voz vinda do céu repete as palavras com que a profecia de Isaías apresenta o Servo de Jahvé ao povo: “Este é o meu Filho muito amado. Escutai-o!” (Mc 1, 11; 9, 6).

Jesus define a sua missão com estas palavras: “O Filho do Homem não veio para ser servido mas para servir e dar a sua vida pela redenção de muitos!” (Mt 20, 28; Mc 10, 45). É a lição que aprendeu de sua Mãe, que respondeu ao anjo: “Eis aqui a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!” (Lc 1, 38). Orientando-se pela Palavra de Deus para aprofundar a consciência da sua missão e procurando força na oração, Jesus enfrentava as tentações. Inserido no meio dos pobres, os anwim, e unido ao Pai, sendo fiel a ambos, Jesus seguia o caminho do Messias Servo, o caminho do serviço ao povo (Mt 20, 28). 

Palavra para o caminho 

Este é o primeiro Domingo da Quaresma, o Tempo litúrgico de quarenta dias que constitui na Igreja um itinerário espiritual de preparação para a Páscoa. Em síntese, trata-se de seguir Jesus que se dirige decididamente rumo à Cruz, auge da sua missão de salvação. Se nos interrogamos: qual o motivo da Quaresma? e da Cruz?; a resposta em termos radicais é a seguinte: porque existe o mal, aliás o pecado, que segundo as Escrituras é a causa profunda de todo o mal. Mas esta afirmação não é de modo algum evidente, e muitos não aceitam a própria palavra «pecado», porque ela pressupõe uma visão religiosa do mundo e do homem. Com efeito, é verdade: se se elimina Deus do horizonte do mundo, não se pode falar de pecado. Como quando o sol se esconde, desaparecem as sombras; a sombra só aparece quando há o sol; assim, o eclipse de Deus comporta necessariamente o eclipse do pecado. Por isso, o sentido do pecado — que é diverso do «sentido de culpa», como o entende a psicologia — adquire-se, redescobrindo o sentido de Deus. Manifesta-o o Salmo Miserere, atribuído ao rei David, por ocasião do seu dúplice pecado, de adultério e de homicídio: «Só contra Vós pequei» — afirma David, dirigindo-se a Deus (Sl 51 [50], 6).

Perante o mal moral, a atitude de Deus consiste em opor-se ao pecado e salvar o pecador. Deus não tolera o mal, porque é Amor, Justiça e Fidelidade; e precisamente por isso não deseja a morte do pecador, mas que ele se converta e viva. Deus intervém para salvar a humanidade: vemo-lo em toda a história do povo judeu, a partir da libertação do Egipto. Deus está determinado a libertar os seus filhos da escravidão, para os conduzir à liberdade. E a escravidão mais grave e mais profunda é precisamente a do pecado. Foi por isso que Deus enviou o seu Filho ao mundo: para libertar os homens do domínio de Satanás, «origem e causa de todo o pecado». Enviou-o à nossa carne mortal, para que se tornasse vítima de expiação, morrendo por nós na cruz. Contra este plano de salvação definitivo e universal, o Diabo opôs-se com todas as forças, como demonstra de modo particular o Evangelho das tentações de Jesus no deserto, que é proclamado todos os anos no primeiro Domingo da Quaresma. Com efeito, entrar neste Tempo litúrgico significa aliar-se sempre com Cristo, contra o pecado, enfrentar — quer como indivíduo, quer como Igreja — o combate espiritual contra o espírito do mal (Quarta-Feira de Cinzas, Oração da Colecta) (Bento XVI, Angelus de 13 de Março de 2011).

 
VIII Domingo do Tempoi Comum - Ano A PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

8º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A


26 de Fevereiro de 2017

 

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (6, 24-34)

 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Ninguém pode servir a dois senhores: ou não gostará de um deles e estimará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro.» «Por isso vos digo: Não vos inquieteis quanto à vossa vida, com o que haveis de comer ou beber, nem quanto ao vosso corpo, com o que haveis de vestir. Porventura não é a vida mais do que o alimento, e o corpo mais do que o vestido? Olhai as aves do céu: não semeiam nem ceifam nem recolhem em celeiros; e o vosso Pai celeste alimenta-as. Não valeis vós mais do que elas? Qual de vós, por mais que se preocupe, pode acrescentar um só côvado à duração de sua vida? Porque vos preocupais com o vestuário? Olhai como crescem os lírios do campo: não trabalham nem fiam! Pois Eu vos digo: Nem Salomão, em toda a sua magnificência, se vestiu como qualquer deles. Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã será lançada ao fogo, como não fará muito mais por vós, homens de pouca fé? Não vos preocupeis, dizendo: ‘Que comeremos, que beberemos, ou que vestiremos?’ Os pagãos, esses sim, afadigam-se com tais coisas; porém, o vosso Pai celeste bem sabe que tendes necessidade de tudo isso. Procurai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais se vos dará por acréscimo. Não vos preocupeis, portanto, com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã já terá as suas preocupações. Basta a cada dia o seu problema.»

 

Mensagem

 

Em 2 de Março de 2014. o Papa Francisco, pronunciou as palavras que se seguem referentes a este mesmo evangelho, do 8º Domingo do tempo Comum – Ano A. Propomo-las como mensagem (comentário) ao evangelho deste Domingo.


“No centro da liturgia deste domingo encontramos uma das verdades mais confortadoras: a Providência divina. O profeta Isaías apresenta-a com a imagem do amor materno cheio de ternura, e diz assim: «Porventura pode uma mulher esquecer-se tanto de seu filho que cria, que não se compadeça dele, do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse dele, contudo eu não me esquecerei de ti» (49, 15). Como isto é bonito! Deus não se esquece de nós, de cada um de nós! De cada um de nós com nome e sobrenome. Ama-nos e não nos esquece. Que lindo pensamento... Este convite à confiança em Deus encontra um paralelo na página do Evangelho de Mateus: «Olhai para as aves do céu — diz Jesus: não semeiam, nem ceifam, nem recolhem em celeiros; e o vosso Pai do céu alimenta-as... Observai como crescem os lírios do campo! Não trabalham nem fiam. Pois Eu vos digo: nem Salomão, em toda a sua magnificência, se vestiu como qualquer deles» (Mt 6, 26.28-29).


Mas pensando em tantas pessoas que vivem em condições precárias, ou até na miséria que ofende a sua dignidade, estas palavras de Jesus poderiam parecer abstractas, ou até ilusórias. Mas na realidade são actuais como nunca! Recordam-nos que não se pode servir a dois senhores: a Deus e à riqueza. Enquanto cada um procurar acumular para si, nunca haverá justiça. Devemos ouvir bem isto! Enquanto cada um procurar acumular para si, nunca haverá justiça. Se ao contrário, confiando na Providência de Deus, procurarmos juntos o seu Reino, então não faltará a ninguém o necessário para viver dignamente.


Um coração ocupado pela cupidez de possuir é um coração cheio desta cobiça de possuir, mas vazio de Deus. Por isso Jesus admoestou várias vezes os ricos, porque para eles é alto o risco de ancorar a própria segurança nos bens deste mundo, e a segurança, a segurança definitiva, está em Deus. Num coração possuído pelas riquezas, não há lugar para a fé. Se ao contrário se deixa a Deus o lugar que lhe compete, isto é, o primeiro, então o seu amor leva a partilhar também as riquezas, a pô-las ao serviço de projectos de solidariedade e de progresso, como demonstram tantos exemplos, até recentes, na história da Igreja. E assim a Providência de Deus passa através do nosso serviço aos outros, do nosso partilhar com os outros. Se cada um de nós não acumular riquezas só para si mas as puser ao serviço dos outros, neste caso a Providência de Deus torna-se visível neste gesto de solidariedade. Se ao contrário cada um acumular só para si, o que lhe acontecerá quando for chamado por Deus? Não poderá levar as riquezas consigo, porque — sabeis — o sudário não tem bolsos! É melhor partilhar, porque nós só levamos para o Céu aquilo que partilhamos com os outros.


O caminho que Jesus indica pode parecer pouco realista em relação à mentalidade comum e aos problemas da crise económica; mas, se pensarmos bem, reconduz-nos à justa escala de valores. Ele diz: «Porventura não é o corpo mais do que o vestido e a vida mais do que o alimento?» (Mt 6, 25). Para fazer de maneira que a ninguém falte o pão, a água, o vestuário, a casa, o trabalho, a saúde, é preciso que todos nos reconheçamos filhos do Pai que está nos céus e por conseguinte irmãos entre nós, e que nos comportemos de modo consequente. Recordei isto na Mensagem para a Paz de 1 de Janeiro: o caminho para a paz é a fraternidade: este andar juntos, partilhar as coisas juntos”.

 

Palavra para o caminho

 

O dinheiro, os bens, os negócios, comer, beber, vestir, eis o que muitas vezes enche o nosso espírito e o nosso tempo. Enche e preenche, governando a nossa mente e os passos que damos. É a Mamona de Mateus 6,24, os ídolos do dinheiro e do poder, projecção dos nossos próprios egoísmos e das nossas próprias ilusões, diante dos quais nos ajoelhamos e a que prestamos o culto devido. A Mamona não ama. Motor imóvel, não se mexe, não se debruça sobre nós, não ama, não liberta, nenhum sentimento a habita. Somos nós que nos deixamos fascinar, sugar e subjugar por ela. Nesse dia, tornamo-nos escravos, invadidos, neutralizados e esterelizados. Como é diferente o Deus vivo que nos ama, e, amando-nos, nos liberta de todas as amarras. O serviço ao Deus que liberta é irreconciliável com o serviço aos ídolos que escravizam. O maior pecado que o ser humano pode cometer é o de se esquecer de que é um príncipe, deixando-se reduzir à escravidão (António Couto).

 
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7º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

19 de Fevereiro de 2017 

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (Mt 5, 38-48) 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Ouvistes que foi dito aos antigos: ‘Olho por olho e dente por dente’. Eu, porém, digo-vos: Não resistais ao homem mau. Mas se alguém te bater na face direita, oferece-lhe também a esquerda. Se alguém quiser levar-te ao tribunal, para ficar com a tua túnica, deixa-lhe também o manto. Se alguém te obrigar a acompanhá-lo durante uma milha, acompanha-o durante duas. Dá a quem te pedir e não voltes as costas a quem te pede emprestado.

Ouvistes que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo’. Eu, porém, digo-vos: Amai os vossos inimigos e orai por aqueles que vos perseguem, para serdes filhos do vosso Pai que está nos Céus; pois Ele faz nascer o sol sobre bons e maus e chover sobre justos e injustos.

Se amardes aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem a mesma coisa os publicanos? E se saudardes apenas os vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não o fazem também os pagãos? Portanto, sede perfeitos, como o vosso Pai celeste é perfeito». 

Mensagem 

Neste 7º Domingo do Tempo Comum, continuamos a escutar as duas últimas das “seis antíteses” proferidas por Jesus no SERMÃO DA MONTANHA e referentes à lei de talião e ao amor ao próximo (Mt 5, 38-48).

Diz a conhecida “lei de talião”, assim formulada no Livro do Êxodo: “vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferida por ferida, contusão por contusão” (Ex 21, 24-25). Formulação semelhante desta lei já se encontra, de resto, nos parágrafos 196 e 197 do famoso código de Hammurabi, que remonta mais ou menos a 1700 anos antes de Cristo. E, ao contrário do que se diz habitualmente, esta lei não representa a barbaridade, mas um avanço civilizacional, pois assenta, não na multiplicação desenfreada da vingança e da violência, mas na sua contenção, pois condena o agressor a receber apenas a sanção igual àquela que ele provocou à vítima.

Bem diferente é a chamada Lei da vingança desenfreada, traduzida, por exemplo, no famoso “Cântico da espada” de Lamec, que se expressa assim no Livro do Génesis: “Eu matei um homem por uma ferida, uma criança por uma contusão. Sim, Caim é vingado sete vezes, mas Lamec setenta e sete vezes!” (Gn 4, 23-24). O que se vê aqui é que Lamec respira uma violência irracional, um ódio irracional. O que ouvimos nas alturas da Montanha é que Jesus respira e ensina um amor que dissolve completamente os ódios, vinganças e violências do “Cântico de Lamec”, e ultrapassa   também a fria simetria da “lei de talião”: “Ouvistes o que foi dito: ‘Olho por olho, dente por dente’. Porém, Eu digo-vos: ‘Não resistais ao homem mau. Se alguém te bater na face direita, oferece-lhe também a esquerda; se alguém te levar ao tribunal para ficar com a tua túnica, oferece-lhe também o manto; se alguém te forçar a acompanhá-lo durante 5 km, acompanha-o durante 10km’” (Mt 5, 38-41).

E Jesus estende o amor para além dos círculos restritos das nossas simpatias, até aos próprios inimigos! Amor assimétrico, que Jesus ensina agora nas alturas, mas que praticará e ensinará até à Cruz! Ele leva até ao alto do monte das Bem-Aventuranças e até ao alto do Calvário os nossos ódios desenfreados e a nossa fria justiça distributiva, e restitui-nos em troca o perdão excessivo e o amor transbordante.

Ao tempo de Jesus, o panorama do judaísmo palestiniano era dominado por duas escolas: a escola conservadora e rigorista de Shammai e a escola liberal de Hillel. Conta-se que, um dia, um homem se terá apresentado na escola de Shammai e fez ao mestre um estranho pedido: “Quero que, enquanto eu me mantiver apenas com um pé no chão, tu me expliques toda a Lei”. Diz-se que Shammai se limitou a pegar na sua vara de mestre e a correr o homem pela porta fora, pois era óbvio que o homem fazia um pedido impossível de cumprir, tal era a vastidão da Lei. Mas o homem não desanimou e dirigiu-se à escola de Hillel, a quem formulou o mesmo pedido. E Hillel terá respondido de pronto: “Nada mais fácil: ‘Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti’”.

A esta sentença de Hillel, na sua formulação negativa deu-se o nome de “regra de ouro”. Em boa verdade, ela já aparece no Livro de Tobias 4, 15. É, todavia, fácil de verificar que esta sentença é de fácil cumprimento. Dado que o seu teor é negativo, para a cumprir basta a alguém cruzar os braços e nada fazer. Procedendo assim, nada fará de inconveniente a ninguém, cumprindo assim escrupulosamente a sentença formulada.

Tentando talvez evitar a inação acoitada na formulação negativa anterior, os evangelhos apresentam desta máxima uma formulação positiva: “Faz aos outros o que queres que te façam a ti!” (Mt 7, 12; Lc 6, 31). Levando a sério esta formulação, já não é suficiente jogar à defesa e nada fazer, mas é, de facto, requerido o fazer. Seja como for, as duas formulações apresentadas, quer a negativa, quer a positiva, padecem do mesmo vício: sou eu o centro, é à minha volta que tudo roda, e o que eu faço ou deixo de fazer é com o objectivo claro de que me seja retribuído outro tanto!

O tom positivo da referida “regra de ouro” recebe ainda outra bem conhecida formulação: “Ama o teu próximo como a ti mesmo!”, que atravessa a inteira Escritura: Lv 19, 18; Mt 22, 39; Rm 13, 9; Gl 5, 14; Tg 2, 8. Mas também esta formulação é perigosa: primeiro, porque eu continuo a ser o centro, sendo eu a medida do amor devido aos outros; segundo, porque, se alguém não se ama a si mesmo (e são, infelizmente, cada vez mais os casos!), como poderá cumprir devidamente esta máxima?

É aqui que cai, como uma lâmina, a força do Evangelho que sai dos lábios de Jesus: “Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei” (Jo 13, 34). Aqui, a medida não sou eu. Aqui, a medida é Jesus. Aqui, a medida é sem medida! Aqui, o amor não é interesseiro. Aqui, o amor é puro, radical, incondicional. Aqui, o amor é até ao fim! 

Palavra para o caminho 

Não é o exemplo da sociedade e do mundo, que é o critério último e definitivo para os cristãos mas o exemplo do nosso Pai do céu. Jesus não deixa por menos: “sede perfeitos, como o vosso Pai celeste é perfeito”. A frase de Jesus faz lembrar Dt 18,13 onde a Lei recomenda ao povo de Israel que seja perfeito na sua adesão ao Senhor.  O Evangelho de Lucas explicita melhor ainda o sentido dessa frase quando ensina “Sede misericordiosos, como o vosso Pai celeste é misericordioso” (Lc 6,36). 

 
VI Domingo do Tempo Comum - Ano A PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

6º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

12 de Fevereiro de 2017

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (Mt 5, 17-37) 

«Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas. Não vim revogá-los, mas levá-los à perfeição. Porque em verdade vos digo: Até que passem o céu e a terra, não passará um só jota ou um só ápice da Lei, sem que tudo se cumpra. Portanto, se alguém violar um destes preceitos mais pequenos, e ensinar assim aos homens, será o menor no Reino do Céu. Mas aquele que os praticar e ensinar, esse será grande no Reino do Céu. Porque Eu vos digo: Se a vossa justiça não superar a dos doutores da Lei e dos fariseus, não entrareis no Reino do Céu.»

«Ouvistes o que foi dito aos antigos: Não matarás. Aquele que matar terá de responder em juízo. Eu, porém, digo-vos: Quem se irritar contra o seu irmão será réu perante o tribunal; quem lhe chamar ‘imbecil’ será réu diante do Conselho; e quem lhe chamar ‘louco’ será réu da Geena do fogo.

Se fores, portanto, apresentar uma oferta sobre o altar e ali te recordares de que o teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá a tua oferta diante do altar, e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão; depois, volta para apresentar a tua oferta. Com o teu adversário mostra-te conciliador, enquanto caminhardes juntos, para não acontecer que ele te entregue ao juiz e este à guarda e te mandem para a prisão. Em verdade te digo: Não sairás de lá até que pagues o último centavo.»

«Ouvistes o que foi dito: Não cometerás adultério. Eu, porém, digo-vos que todo aquele que olhar para uma mulher, desejando-a, já cometeu adultério com ela no seu coração. Portanto, se a tua vista direita for para ti origem de pecado, arranca-a e lança-a fora, pois é melhor perder-se um dos teus órgãos do que todo o teu corpo ser lançado à Geena. E se a tua mão direita for para ti origem de pecado, corta-a e lança-a fora, porque é melhor perder-se um só dos teus membros do que todo o teu corpo ser lançado à Geena.» «Também foi dito: Aquele que se divorciar da sua mulher, dê-lhe documento de divórcio. Eu, porém, digo-vos: Aquele que se divorciar da sua mulher – excepto em caso de união ilegal – expõe-na a adultério, e quem casar com a divorciada comete adultério.»

«Do mesmo modo, ouvistes o que foi dito aos antigos: Não perjurarás, mas cumprirás diante do Senhor os teus juramentos. Eu, porém, digo-vos: Não jureis de maneira nenhuma: nem pelo Céu, que é o trono de Deus, nem pela Terra, que é o estrado dos seus pés, nem por Jerusalém, que é a cidade do grande Rei. Não jures pela tua cabeça, porque não tens poder de tornar um só dos teus cabelos branco ou preto. Seja este o vosso modo de falar: Sim, sim; não, não. Tudo o que for além disto procede do espírito do mal.» 

Mensagem 

Continuamos a escutar, neste Domingo VI do Tempo Comum, o sublime Discurso da Montanha, hoje as quatro primeiras das famosas “seis antíteses” (Mt 5, 17-48), cujos temas são: o homicídio, o adultério, o divórcio, o perjúrio, a lei de talião, o amor ao próximo. Ouviremos então, neste VI Domingo do Tempo Comum, o sublime dizer de Jesus sobre os primeiros quatro temas: homicídio, adultério, divórcio e perjúrio (Mt 5, 17-37), enquanto nos preparamos para ouvir no próximo Domingo, VII do Tempo Comum, os dois importantes temas: a lei de talião e o amor que a todos devemos (Mt 5, 38-48).

Não nos esqueçamos que continuamos na Montanha, nas alturas, pois há certas maneiras de viver e de sentir que só podem ter o seu habitat nas alturas. O Papa João Paulo II escreveu na Carta Apostólica Novo millennio ineunte (2001), nº 31, que perguntar a um catecúmeno se ele quer receber o baptismo é o mesmo que perguntar-lhe se ele quer ser santo, e fazer-lhe esta última pergunta é colocá-lo no caminho do Sermão da Montanha. E logo a seguir, na mesma Carta e no mesmo número, João Paulo II define a santidade como a “medida alta” da vida cristã ordinária. É, portanto, imperioso que o cristão aprenda a ganhar altura, não para se separar dos caminhos lamacentos do quotidiano, mas para os encher de amor maior.

Cada uma das “seis antíteses” abre com as palavras de Jesus: «Ouvistes o que foi dito»; «porém, Eu digo-vos». Com esta técnica de contraponto, Jesus não quer que se desperdice nada do Antigo Testamento; quer antes enchê-lo, levar quanto aí é dito, que é Palavra de Deus, ao seu ponto mais fundo e mais alto. Por exemplo, quando ouvimos o que foi dito: «Não matarás!», não basta determo-nos no limiar do assassínio, como manda a letra, de acordo com uma leitura literalista e legalista da Palavra de Deus. É preciso ir mais fundo e mais alto: mondar todas as raízes da ira, do ciúme, da inveja, do ódio, desprezo e desamor, e encher todos os regos e cicatrizes de mais amor, mais amor, mais amor, só amor. Não se trata apenas de travar a fundo no último momento, evitando o acidente; trata-se de viver permanentemente a nova cultura do amor. Neste sentido, escreve São João, com ponta fina de diamante, não na pedra ou no papiro, mas no nosso coração meio embotado e engessado: «Quem não ama o seu irmão, é homicida» (1Jo 3, 15).

E assim também o adultério, o divórcio, o perjúrio. Qualquer destes pontos representa o fim de um amor, que é sempre um acontecimento dramático. Veja-se atentamente, neste mundo cinzento e insonso, sem sol e sem sal, em que vivemos, o drama imenso que cada divórcio comporta. Mas para encher de sentido o «porém, Eu digo-vos» de Jesus sobre estes pontos precisos, também não basta viver uma vida cinzenta e mentirosa e evitar em cima da linha chegar ao adultério, ao divórcio ou ao perjúrio. É necessário encher a vida inteira de amor, de mais amor e só amor.

É preciso levantar a vida, o coração, até ao cimo do monte das Bem-Aventuranças. E deixar-se deslumbrar, como a multidão, com este novíssimo, em conteúdo e método, ensinamento de Jesus (Mt 7, 28-29).

António Couto

 
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