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Lectio Divina
XXIII Domingo do Tempo Comum - Ano A PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

23º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

10 de Setembro de 2017

 

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (Mt 18,15-20)

 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Se o teu irmão te ofender, vai ter com ele e repreende-o a sós. Se te escutar, terás ganho o teu irmão. Se não te escutar, toma contigo mais uma ou duas pessoas, para que toda a questão fique resolvida pela palavra de duas ou três testemunhas. Mas se ele não lhes der ouvidos, comunica o caso à Igreja; e se também não der ouvidos à Igreja, considera-o como um pagão ou um publicano.


Em verdade vos digo: Tudo o que ligardes na terra será ligado no Céu; e tudo o que desligardes na terra será desligado no Céu. Digo-vos ainda: Se dois de vós se unirem na terra para pedirem qualquer coisa, ser-lhes-á concedida por meu Pai que está nos Céus. Na verdade, onde estão dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles».

 

Ele está no meio de nós

 

Ainda que as palavras de Jesus, recolhidas por Mateus, sejam de grande importância para a vida das comunidades cristãs, poucas vezes atraem a atenção dos comentadores e pregadores. Esta é a promessa de Jesus: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou ali, no meio deles”.


Jesus não está a pensar em celebrações de massas como as da Praça de São Pedro, em Roma. Ainda que sejam, somente, dois ou três, ele está no meio deles. Não é necessário que esteja presente a hierarquia; não é necessário que sejam muitos os reunidos.


O que importa é que “estejam reunidos”, não dispersos, nem em confronto: que não vivam desqualificando-se uns aos outros. O decisivo é que se reúnam “em seu nome”: que escutem o seu chamamento, que vivam identificados com o seu projecto do Reino de Deus. Que Deus seja o centro do seu pequeno grupo.


Esta presença viva e real de Jesus é a que deve animar, guiar e sustentar as pequenas comunidades dos seus seguidores. É Jesus quem há-de alentar a sua oração, as suas celebrações, projectos e actividades.  Esta presença é o “segredo” de toda a comunidade cristã viva.


Nós, cristãos, não podemos reunir-nos nos nossos grupos e comunidades, hoje, de qualquer maneira: por costume, por inércia ou para cumprir umas obrigações religiosas. Sejamos muitos ou poucos, o importante é que nos reunamos em seu nome, atraídos pela sua pessoa e pelo seu projecto de fazer um mundo mais humano.


Devemos reavivar a consciência de que somos comunidades de Jesus. Reunimo-nos para escutar o seu Evangelho, para manter viva a sua recordação, para contagiar-nos com o seu Espírito, para acolher em nós a sua alegria e a sua paz, para anunciar a sua Boa Notícia.


O futuro da fé cristã dependerá, em boa parte, do que fizermos nas nossas comunidades concretas, nas próximas décadas. Não basta aquilo que possa fazer o Papa Francisco no Vaticano. Não podemos, tampouco, depositar a nossa esperança num grupo de sacerdotes que venham a ser ordenados nos próximos anos. A nossa única esperança é Jesus Cristo!


Somos nós que devemos centrar as nossas comunidades cristãs na pessoa de Jesus como a única força capaz de regenerar a nossa fé desgastada e rotineira, o único capaz de atrair os homens e mulheres de hoje, o único capaz de engendrar uma fé nova nestes tempos de incredulidade. A renovação das instâncias centrais da Igreja é urgente. Os decretos de reformas, necessários. Porém, nada é tão decisivo quanto o voltar, com radicalidade, para Jesus Cristo.

 

José Antonio Pagola


Ajudar-nos a sermos melhores

 

Nós, que cremos, deveríamos escutar hoje, mais do que nunca, o chamamento de Jesus para nos corrigirmos e ajudarmos, mutuamente, a ser melhores. Jesus convida-nos, sobretudo, a actuar com paciência e sem precipitação, aproximando-nos de maneira pessoal e amigável daqueles que estão a agir de modo errado. “Se o teu irmão te ofender, vai ter com ele e repreende-o a sós. Se te escutar, terás ganho o teu irmão”.


Quanto bem pode pode fazer uma crítica amiga e leal, uma observação oportuna, um apoio sincero depois de nos termos desorientado. Todo o homem é capaz de sair do pecado e voltar à razão e à bondade. Porém, necessita, com frequência, de encontrar-se com alguém que o ame de verdade, que o convide a interrogar-se e que lhe infunda um desejo novo de verdade e de generosidade.


Talvez, o que mais muda muitas pessoas não são as grandes ideias nem os belos pensamentos, mas o facto de ter-se encontrado na vida com alguém que tenha sabido aproximar-se delas amigavelmente, ajudando-as a renovarem-se.


Depois desta instrução sobre a correcção fraterna, Mateus acrescenta três “ditos” de Jesus (cf. Mt 18,18-20). O primeiro (vers. 18) refere-se ao poder, conferido à comunidade, de “ligar” e “desligar”. Entre os judeus, a expressão designava o poder para interpretar a Lei com autoridade, para declarar o que era ou não permitido e para excluir ou reintroduzir alguém na comunidade do Povo de Deus; aqui, significa que a comunidade (algum tempo antes – cf. Mt 16,19 – Jesus dissera estas mesmas palavras a Pedro; mas aí Pedro representava a totalidade da comunidade dos discípulos) tem o poder para interpretar as palavras de Jesus, para acolher aqueles que aceitam as suas propostas e para excluir aqueles que não estão dispostos a seguir o caminho que Jesus propôs.


O segundo (vers. 19) sugere que as decisões graves para a vida da comunidade devem ser tomadas em clima de oração. Assegura aos discípulos, reunidos em oração, que o Pai os escutará.


O terceiro (vers. 20) garante aos discípulos a presença de Jesus “no meio” da comunidade. Neste contexto, sugere que as tentativas de correcção e de reconciliação entre irmãos, no seio da comunidade, terão o apoio e a assistência de Jesus.

 

Palavra para o caminho

 

O texto do Evangelho, tirado do capítulo 18 de Mateus, dedicado à vida da comunidade cristã, diz-nos que o amor fraterno exige também um sentido de responsabilidade recíproca, pelo que, se o meu irmão comete uma falta contra mim, devo usar de caridade para com ele e, antes de tudo, falar-lhe pessoalmente, recordando-lhe que quanto disse ou fez não é bom. Este modo de agir chama-se correcção fraterna: ela não é uma reacção à ofensa de que se foi vítima, mas é movida pelo amor ao irmão. Santo Agostinho comenta: «Aquele que te ofendeu, ao ofender-te, causou em si mesmo uma ferida grave, e não te preocupas tu pela ferida de um teu irmão? ... Deves esquecer a ofensa que recebeste, mas não a ferida de um teu irmão» (Discursos 82, 7) (Bento XVI).

 
XXI Domingo do Tempo Comum - Ano A PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

21º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

27 de Agosto de 2017

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 Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (Mt 16, 13-20) 

Naquele tempo, Jesus foi para os lados de Cesareia de Filipe e perguntou aos seus discípulos: “Quem dizem os homens que é o Filho do homem?”. Eles responderam: “Uns dizem que é João Baptista, outros que é Elias, outros que é Jeremias ou algum dos profetas”. Jesus perguntou: “E vós, quem dizeis que Eu sou?”. Então, Simão Pedro tomou a palavra e disse: “Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo”. Jesus respondeu-lhe: “Feliz de ti, Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne e o sangue que to revelaram, mas sim meu Pai que está nos Céus. Também Eu te digo: Tu és Pedro; sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos Céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos Céus”. Então, Jesus ordenou aos discípulos que não dissessem a ninguém que Ele era o Messias. 

Mensagem 

Para esta secção, servimo-nos de dois comentários, um do Papa Francisco e outro do Papa Bento XVI, pronunciados na recitação do Angelus, e que podem ser uma ajuda para entrarmos mais profundamente no texto evangélico e beneficiar mais abundantemente dele.

“O Evangelho deste domingo (Mt16, 13-20) é o célebre trecho, central na narração de Mateus, em que Simão em nome dos Doze professa a sua fé em Jesus como «Cristo, Filho de Deus vivo»; e Jesus chama Simão «bem-aventurado» por esta sua fé, reconhecendo nela uma dádiva especial do Pai, e diz-lhe: «Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja». 

Meditemos um momento precisamente acerca deste ponto, sobre a constatação de que Jesus atribui a Simão este novo nome: «Pedro», que na língua de Jesus se diz «Cefas», uma palavra que significa «rocha». Na Bíblia este termo, «rocha», é referido a Deus. Jesus atribui-o a Simão não pelas suas qualidades, nem pelos seus méritos humanos, mas pela sua fé genuína e sólida, que lhe advém do Alto.

Jesus sente no seu coração uma profunda alegria, porque reconhece em Simão a mão do Pai, a obra do Espírito Santo. Reconhece que Deus Pai conferiu a Simão uma fé «confiável», sobre a qual Ele, Jesus, poderá construir a sua Igreja, ou seja, a sua comunidade, isto é todos nós. Jesus tem a intenção de dar vida à «sua» Igreja, um povo assente não já na descendência, mas na fé, ou seja, na relação com Ele mesmo, uma relação de amor e de confiança. A nossa relação com Jesus constrói a Igreja. E por conseguinte, para dar início à sua Igreja Jesus tem necessidade de encontrar nos discípulos uma fé sólida, uma fé «confiável». É isto que Ele deve averiguar nesta altura do caminho.

O Senhor tem em mente a imagem do construir, a imagem da comunidade como um edifício. Eis por que motivo, quando ouve a profissão de fé pura de Simão, o designa «rocha» e manifesta a intenção de construir a sua Igreja sobre aquela mesma fé.

Irmãos e irmãs, aquilo que aconteceu de modo singular em são Pedro acontece também em cada cristão que amadurece uma fé sincera em Jesus Cristo, Filho de Deus vivo. O Evangelho de hoje interpela também cada um de nós. Como está a tua fé? Cada um responda no seu próprio coração. Como está a tua fé? Como encontra o Senhor os nossos corações? Um coração sólido como a pedra, ou um coração arenoso, ou seja duvidoso, desconfiado, incrédulo? No dia de hoje far-nos-á bem pensar sobre isto” (Papa Francisco, Angelus, 24 de Agosto de 2014).

A seguir apresentamos um trecho reflexivo do Papa Bento XVI relativo ao Evangelho deste Domingo 20º do Tempo Comum, Ano A.

“A liturgia deste Domingo dirige-nos, a nós cristãos mas ao mesmo tempo a cada homem e mulher, a dúplice pergunta que certo dia Jesus formulou aos seus discípulos. Primeiro, perguntou-lhes: "Quem dizem as pessoas que é o Filho do homem?". Eles responderam que para alguns membros do povo Ele era o novo João Baptista, para outros, Elias, Jeremias ou um dos profetas. Então, o Senhor interpelou directamente os Doze: "E vós, quem dizeis que Eu sou?". Em nome de todos, com impulso e determinação, foi Pedro que tomou a palavra: "Tu és Cristo, o Filho de Deus vivo". Solene profissão de fé, que desde então a Igreja continua a repetir. No dia de hoje, também nós queremos proclamar com íntima convicção: sim, Jesus, Tu és Cristo, o Filho de Deus vivo! Fazemo-lo com a consciência de que Cristo é o verdadeiro "tesouro", pelo qual vale a pena sacrificar tudo; Ele é o amigo que nunca nos abandona, porque conhece as expectativas mais íntimas do nosso coração. Jesus é o "Filho de Deus vivo", o Messias prometido, que veio à terra para oferecer à humanidade a salvação e para satisfazer a sede de vida e de amor que habita em cada ser humano. Como seria grande a vantagem para a humanidade, se acolhesse este anúncio que traz consigo a alegria e a paz!

"Tu és Cristo, Filho de Deus vivo". A esta profissão de fé da parte de Pedro, Jesus responde: "Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno nada poderão contra ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos céus". É a primeira vez que Jesus fala da Igreja, cuja missão é a realização do grandioso desígnio de Deus, de reunir em Cristo toda a humanidade numa única família. A missão de Pedro e dos seus sucessores é precisamente a de servir esta unidade da única Igreja de Deus, formada por judeus e pagãos de todos os povos; o seu ministério indispensável consiste em fazer com que ela nunca se identifique com uma única nação, nem com uma só cultura, mas que seja a Igreja de todos os povos, para tornar presente no meio dos homens, marcados por inúmeras divisões e contrastes, a paz de Deus e a força renovadora do seu amor. Por conseguinte, servir a unidade interior que provém da paz de Deus, a unidade de quantos em Jesus Cristo se tornaram irmãos e irmãs: eis a missão especial do Papa, Bispo de Roma e Sucessor de Pedro” (Bento XVI, Angelus, 24 de Agosto de 2008). 

E nós o que dizemos? 

Também hoje Jesus nos dirige a mesma pergunta que fez um dia aos seus discípulos: «E vós, quem dizeis que Eu sou?». Que podemos responder-lhe?

Esforçamo-nos por conhecer cada vez melhor Jesus? Somos comunidades vivas, interessadas em colocar Jesus no centro da nossa vida e das nossas actividades ou vivemos estancados na rotina e na mediocridade?

Amamos Jesus com paixão ou ele é para nós uma personagem gasta a quem continuamos a invocar enquanto no nosso coração vai crescendo a indiferença e o esquecimento? Sentimo-nos discípulos de Jesus? Temos feito da nossa comunidade uma escola para aprender a viver como Jesus? Estamos a aprender a olhar a vida como ele a olhava?

Vivemos o Domingo cristão celebrando a ressurreição de Cristo? Acreditamos em Jesus ressuscitado, que caminha connosco cheio de vida? Acreditamos que Jesus nos ama com um amor que nunca acabará? Acreditamos na sua força ressuscitadora? Sabemos ser testemunhas do mistério da esperança que levamos dentro de nós? 

Palavra para o caminho 

«Ao início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo» (DCE 1; EG 7)

 
XX Domingo do Tempo Comum - Ano A PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

20º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

20 de Agosto de 2017

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (Mt 15, 21-28) 

21Naquele tempo, Jesus partiu dali e retirou-se para os lados de Tiro e de Sídon. 22Então, uma cananeia, que viera daquela região, começou a gritar: «Senhor, Filho de David, tem misericórdia de mim! Minha filha está cruelmente atormentada por um demónio.» 23Mas Ele não lhe respondeu nem uma palavra. Os discípulos aproximaram-se e pediram-lhe com insistência: «Despacha-a, porque ela persegue-nos com os seus gritos.» 24Jesus replicou: «Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel.»

25Mas a mulher veio prostrar-se diante dele, dizendo: «Socorre-me, Senhor.» 26Ele respondeu-lhe: «Não é justo que se tome o pão dos filhos para o lançar aos cachorros.» 27Retorquiu ela: «É verdade, Senhor, mas até os cachorros comem as migalhas que caem da mesa de seus donos.» 28Então, Jesus respondeu-lhe: «Ó mulher, grande é a tua fé! Faça-se como desejas.» E, a partir desse instante, a filha dela achou-se curada. 

Contexto 

Nos finais do século primeiro (o Evangelho segundo Mateus aparece durante a década de oitenta), alguns judeo-cristãos ainda tinham dificuldade em aceitar a entrada dos pagãos na Igreja de Jesus. Mateus recorda-lhes, então, que para Jesus o que é decisivo não é a raça, a história, a eleição, mas a adesão firme e convicta à proposta de salvação que, em Jesus, Deus faz aos homens. O texto mostra que a proposta de Jesus é para todos. A comunidade de Jesus é, verdadeiramente, uma comunidade universal. Aquilo que é decisivo, no acesso à salvação, é a fé, isto é, a capacidade de aderir a Jesus e à sua proposta de vida. 

Mensagem 

O Evangelho deste 20º Domingo do Tempo Comum serve-nos uma página absolutamente desarmante, retirada de Mateus 15,21-28. Jesus abandona Genesaré, na costa ocidental do Mar da Galileia, e vai para a região de Tiro e de Sídon, atual Líbano, terra pagã. 

Uma mulher e mãe «libanesa», carregada com o drama da sua filha doente, situação verdadeira ontem como hoje, e que hoje bem podemos estender à Palestina, à Síria e ao Iraque, vem implorar de Jesus, num grito que lhe sai do fundo das entranhas, que lhe «faça graça» (Mateus 15,22), isto é, que olhe para ela com bondade e ternura como uma mãe que dirige o seu olhar embevecido para o bebé que embala nos braços.

O texto diz que Jesus nem lhe respondeu (Mateus 15,23). Mas a mulher não desiste, mas insiste e vai mais longe, prostrando-se agora diante de Jesus (Mateus 15,25). O gesto significa orientar a sua vida toda para Jesus, pôr-se totalmente na dependência de Jesus. A reacção de Jesus é de uma dureza extrema: afasta a pobre mulher e mãe duramente, catalogando-a na classe dos cachorros [= pagãos] e não dos filhos [= judeus] (Mateus 15,26). Só para estes é que ele veio.

A mulher replica de modo admirável: é verdade, Senhor! Os filhos estão reclinados à mesa, mas os cachorros comem debaixo da mesa as migalhas que caem! (Mateus 15,27). «Mulher da grande fé!», replicou Jesus, «faça-se como queres!» (Mateus 15,28).

Note-se bem que é a única vez que Jesus fala da «grande fé». E atribui-a a uma mulher e mãe «libanesa» cujo amor nunca se vergou perante a dureza e as dificuldades da vida. Em contraponto com esta mulher da «grande fé», note-se bem que Pedro é o homem da «pequena fé» (Mateus 14,31), do mesmo modo que os discípulos são também os homens «da pequena fé» (Mateus 6,30; 8,26; 16,8; 17,20). Admirável ainda que Jesus diga a esta mulher que não desiste, mas insiste e persiste: «faça-se como queres», um paralelo claro da oração do «Pai Nosso»: «Faça-se a tua vontade» (Mateus 6,10)!

O episódio é de uma crueza e de uma beleza inauditas. Mas há ainda mais: é a insistência desta mulher e mãe «libanesa» que, por assim dizer, obriga Jesus a passar mais uma fronteira: dos hebreus para os pagãos! 

António Couto (Texto adaptado) 

Palavra para o caminho 

Este trecho traz-nos uma grande surpresa: Jesus aprofunda o sentido da sua missão através do contacto com uma mulher pagã, uma pessoa duplamente rejeitada e desprezada nas tradições da religião e cultura dela. Jesus só deseja ouvir a voz do Pai e aqui o Pai fala-lhe através da cananeia! Que lição para nós! O Pai normalmente não nos fala por grandes revelações extraordinárias, mas através dos acontecimentos, das pessoas e dos relacionamentos do nosso dia-a-dia; mas, a surdez de espírito pode torna-nos indiferentes a esta revelação diária!

 
Solenidade da Assunção da Virgem Santa Maria PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

SOLENIDADE DA ASSUNÇÃO DA VIRGEM SANTA MARIA


15 de Agosto de 2017

 

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas (Lc 1, 39-56)

 

Por aqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se à pressa para a montanha, a uma cidade da Judeia. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino saltou-lhe de alegria no seio e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. Então, erguendo a voz, exclamou: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. E donde me é dado que venha ter comigo a mãe do meu Senhor?Pois, logo que chegou aos meus ouvidos a tua saudação, o menino saltou de alegria no meu seio. Feliz de ti que acreditaste, porque se vai cumprir tudo o que te foi dito da parte do Senhor.»


Maria disse, então: «A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador. Porque pôs os olhos na humildade da sua serva. De hoje em diante, me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-poderoso fez em mim maravilhas. Santo é o seu nome. A sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que o temem. Manifestou o poder do seu braço e dispersou os soberbos. Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes. Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência, para sempre.»


Maria ficou com Isabel cerca de três meses. Depois regressou a sua casa.

 

Elevada ao Céu, Maria é sinal de esperança para o povo peregrino

 

A fé da Igreja crê e afirma que a Virgem Maria, uma vez concluída a sua vida terrestre, foi elevada à glória de Deus, assumida na plenitude da vida eterna na totalidade do seu ser corpóreo-espiritual com toda a riqueza da sua humanidade, feminilidade e maternidade.


Alguém escreveu que o mistério da assunção gloriosa de Maria ao Céu é mais para ser cantado do que explicado. É a festa do coroamento da existência da Mãe de Jesus. O nosso povo compreende esta verdade com a intuição da fé e do coração. Aquela que foi a primeira e única a receber Jesus, o Filho de Deus, no seu coração e no seu seio, que O seguiu fielmente toda a vida, é também a primeira dos redimidos a ser recebida pelo Filho ressuscitado, a participar da plenitude da vida eterna, que nós chamamos Céu, Paraíso, Casa do Pai. Assim, Maria indica-nos, de modo luminoso, a beleza da meta definitiva da nossa peregrinação no mundo.


Além disso, continua a exercer a sua maternidade espiritual e universal de modo novo. Unida totalmente a Deus no Céu, ela não se afasta de nós, não vai para uma galáxia ou zona distante e desconhecida do nosso universo. “O Céu de Deus não pertence à geografia cósmica (o céu das estrelas), mas à geografia do coração” (J. Ratzinger), isto é, do amor eterno e santo. Assim, Maria elevada ao Céu participa do amor universal de Deus e da sua presença connosco. Está muito próxima de nós, de cada um de nós, na comunhão dos santos. Tem um coração grande como o amor de mãe que partilha do amor universal de Deus. Pode estar perto, escutar, ajudar, interceder, acompanhar e advertir como mãe do bom conselho.


Como a mulher do Apocalipse (Ap 12, 1-10), não nos deixa sós, mas assiste-nos na constante luta com as forças destruidoras do mal, simbolizadas na figura do dragão sanguinário, no combate entre o bem e o mal, a vida e a morte, a graça de Deus e o pecado. “De facto, depois de elevada aos Céus, não abandonou esta missão salutar… Com o seu amor de mãe, cuida dos irmãos do seu Filho que ainda peregrinam e se debatem entre perigos e angústias, até que sejam conduzidos à Pátria feliz. Por isso, a santíssima Virgem é invocada na Igreja com os títulos de advogada, auxiliadora, amparo e medianeira” (LG 62).


Nesta missão, a Mãe celeste pode visitar-nos com o seu amor materno, para trazer esperança e consolação ao povo peregrino no meio das lutas e tribulações da história. 


António Marto

 

 Palavra para o caminho

 

“A festa da Assunção, tão querida à tradição popular, constitui para todos os crentes uma ocasião útil para meditar acerca do sentido verdadeiro e sobre o valor da existência humana na perspectiva da eternidade. Queridos irmãos e irmãs, é o Céu a nossa habitação definitiva. Dali Maria encoraja-nos com o seu exemplo a aceitar a vontade de Deus, a não nos deixarmos seduzir pelas chamadas falazes de tudo o que é efémero e passageiro, a não ceder às tentações do egoísmo e do mal que apagam no coração a alegria da vida” (Bento XVI, 15 de Agosto 2005).

 

“A tradição cristã colocou no meio do Verão uma das festas marianas mais antigas e sugestivas, a solenidade da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria. Assim como Jesus ressuscitou dos mortos e subiu à direita do Pai, também Maria, depois de concluir o percurso da sua existência na terra, foi levada ao céu. A liturgia de hoje recorda-nos esta consoladora verdade de fé, enquanto canta os louvores daquela que foi coroada de glória incomparável. Lemos no trecho do Apocalipse, hoje proposto à nossa meditação «Apareceu no céu um grande sinal:  uma Mulher vestida de sol, com a Lua debaixo dos pés e com uma coroa de doze estrelas na cabeça» (12, 1).


Nesta mulher resplandecente de luz, os Padres da Igreja reconheceram Maria. No seu triunfo, o povo cristão peregrino na história entrevê o cumprimento das próprias expectativas e o sinal seguro da sua esperança.


Maria é exemplo e sustento para todos os crentes: encoraja-nos a não desanimar diante das dificuldades e dos problemas inevitáveis de todos os dias. Garante-nos a sua ajuda e recorda-nos que o essencial consiste em buscar e aspirar às «coisas do alto, e não às coisas da terra» (cf. Cl 3, 2). Com efeito, arrebatados pelas preocupações diárias, corremos o risco de considerar que se encontra aqui, neste mundo onde só estamos de passagem, a derradeira finalidade da existência humana. Ao contrário, o Paraíso é a verdadeira meta da nossa peregrinação terrena. Como seriam diferentes os nossos dias, se fossem animados por esta perspectiva! Assim foi para os santos. As suas existências testemunham que quando se vive com o coração constantemente orientado para o céu, as realidades terrenas são vividas no seu justo valor porque são iluminadas pela verdade eterna do amor divino” (Bento XVI, 15 de Agosto 2006).

 

“É um mistério grandioso, aquele que hoje celebramos, é sobretudo um mistério de esperança e de alegria para todos nós: em Maria vemos a meta para a qual caminham todos aqueles que sabem vincular a própria vida à vida de Jesus, que O sabem seguir como Maria. Então, esta solenidade fala do nosso futuro, diz-nos que também nós estaremos ao lado de Jesus na alegria de Deus e convida-nos a ter coragem, a acreditar que o poder da Ressurreição de Cristo pode agir também em nós, tornando-nos homens e mulheres que, todos os dias, procuram viver como ressuscitados, levando à obscuridade do mal que existe no mundo, a luz do bem” (Bento XVI, 15 de Agosto de 2011).  

 

 
XIX Domingo do Tempo Comum - Ano A PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

19º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A


13 de Agosto de 2017

 

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (Mt 14, 22-33)

 

Depois de ter saciado a fome à multidão, Jesus obrigou os discípulos a embarcar e a ir adiante para a outra margem, enquanto Ele despedia as multidões. Logo que as despediu, subiu a um monte para orar na solidão. E, chegada a noite, estava ali só. O barco encontrava-se já a várias centenas de metros da terra, açoitado pelas ondas, pois o vento era contrário. De madrugada, Jesus foi ter com eles, caminhando sobre o mar. Ao verem-no caminhar sobre o mar, os discípulos assustaram-se e disseram: «É um fantasma!» E gritaram com medo. No mesmo instante, Jesus falou-lhes, dizendo: «Tranquilizai-vos! Sou Eu! Não temais!» Pedro respondeu-lhe: «Se és Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo sobre as águas.» «Vem» – disse-lhe Jesus. E Pedro, descendo do barco, caminhou sobre as águas para ir ter com Jesus. Mas, sentindo a violência do vento, teve medo e, começando a ir ao fundo, gritou: «Salva-me, Senhor!» Imediatamente Jesus estendeu-lhe a mão, segurou-o e disse-lhe: «Homem de pouca fé, porque duvidaste?» E, quando entraram no barco, o vento amainou. Os que se encontravam no barco prostraram-se diante de Jesus, dizendo: «Tu és, realmente, o Filho de Deus!»

 

Mensagem

 

O Evangelho de hoje apresenta-nos o episódio de Jesus que caminha sobre as águas do lago (cf. Mt 14, 22-33). Depois da multiplicação dos pães e dos peixes, Ele convida os discípulos a entrar no barco e a precedê-lo na outra margem, enquanto Ele despede a multidão, retirando-se depois em completa solidão para rezar na montanha até de madrugada. Entretanto, no lago levanta-se uma forte tempestade, e precisamente no meio da tempestade Jesus chega ao barco dos discípulos, caminhando sobre as águas do lago. Quando o vêem, os discípulos ficam apavorados e pensam que é um fantasma, mas Ele tranquiliza-os: «Coragem, sou eu. Não tenhais medo!» (v. 27). Com o seu típico impulso, Pedro pede-lhe praticamente uma prova: «Senhor, se és Tu, manda-me vir sobre as águas até junto de ti!»; então, Jesus diz-lhe: «Vem!» (vv. 28-29). Pedro desce do barco e começa a caminhar sobre as águas; no entanto, o vento impetuoso investe-o e ele começa a afundar. Então, clama: «Senhor, salva-me!» (v. 30), e Jesus estende-lhe a mão e segura-o.


Esta narração é um bonito ícone da fé do apóstolo Pedro. Na voz de Jesus que lhe diz: «Vem!», ele reconhece o eco do primeiro encontro na margem daquele mesmo lago e imediatamente, mais uma vez, deixa o barco e começa a caminhar ao encontro do Mestre. Ele caminha sobre as águas! A resposta confiante e imediata à invocação do Senhor faz-nos realizar sempre coisas extraordinárias. Mas o próprio Jesus nos disse que somos capazes de fazer milagres mediante a nossa fé, a nossa fé nele, a fé na sua palavra, a fé na sua voz. Ao contrário, Pedro começa a afundar no momento em que desvia o seu olhar de Jesus, deixando-se abalar pelas adversidades que o circundam. Mas o Senhor está sempre presente, e quando Pedro o invoca, Jesus salva-o do perigo. Na figura de Pedro, com os seus impulsos e as suas debilidades, está descrita a nossa própria fé: sempre frágil e pobre, inquieta e contudo vitoriosa, a fé do cristão caminha ao encontro do Senhor ressuscitado, no meio das tempestades e dos perigos do mundo.


Também a cena final é muito importante. «Assim que entraram no barco, o vento cessou. Então, aqueles que estavam no barco prostraram-se diante dele e disseram: “Tu és verdadeiramente o Filho de Deus!”» (vv. 32-33). No barco encontram-se todos os discípulos, irmanados pela experiência da debilidade, da dúvida, do medo e da «pouca fé». No entanto, quando Jesus volta àquele barco, o clima muda imediatamente: todos se sentem unidos na fé que têm nele. Todos, pequenos e medrosos, tornam-se grandes no momento em que se põem de joelhos, reconhecendo no seu Mestre o Filho de Deus. Quantas vezes também connosco acontece a mesma coisa! Sem Jesus, longe de Jesus, sentimo-nos amedrontados e inadequados, e chegamos a pensar que não aguentaremos. Falta a fé! Mas Jesus está sempre ao nosso lado, talvez escondido, mas sempre presente e pronto para nos segurar.


Eis uma imagem eficaz da Igreja: um barco que deve enfrentar as tempestades e às vezes parece que está prestes a sucumbir. Aquilo que a salva não são as qualidades nem a coragem dos seus homens, mas a fé, que permite caminhar até no meio da escuridão, entre as dificuldades. A fé confere-nos a segurança da presença de Jesus sempre ao nosso lado, da sua mão que nos segura para nos proteger do perigo. Todos nós estamos neste barco, e aqui sentimo-nos seguros, não obstante os nossos limites e as nossas debilidades. Estamos seguros sobretudo quando sabemos ajoelhar-nos e adorar Jesus, o único Senhor da nossa vida. Para isto nos convida sempre a nossa Mãe, Nossa Senhora. Dirijamo-nos a Ela com confiança (Papa Francisco).

 

No meio da crise

 

Não é difícil ver na barca dos discípulos de Jesus, sacudida pelas ondas e a transbordar pelo forte vento contra, a figura da Igreja actual, ameaçada desde fora por todo o tipo de forças adversas e tentada desde dentro pelo medo e a mediocridade. Esta crise não é o fim da fé cristã. É a purificação que necessitamos para nos liberarmos de interesses mundanos, triunfalismos enganosos e deformações que nos foram afastando de Jesus ao longo dos séculos. Ele está a actuar nesta crise. Ele está a conduzir-nos para uma Igreja mais evangélica. Nesta linha apresentamos uma belíssima e significativa reflexão do carmelita escocês Pe. Joseph Chalmers, que foi Prior Geral da Ordem do Carmo.

 

A noite escura

 

Na nossa jornada de fé, há momentos em que somos conduzidos ao deserto. Algumas vezes caminhamos pelo deserto seguindo o chamamento de Deus ou encontramo-nos lá por força das circunstâncias. O deserto é árido e pode ser um lugar assustador. O que significa tudo isto? Podemos ser tentados a não caminhar para a frente porque sentimos que não vale a pena. Então Deus envia-nos um mensageiro (cf. 1Rs 19,4-7). Este mensageiro pode vir de todas as formas e tamanhos. Ele, ou ela, encoraja-nos a comer e a beber, pois a jornada é longa. Somos encorajados a comer o pão da vida e a beber da fonte do Carmelo, que é a tradição carmelita, que deu vida a muitas gerações antes de nós. Mas talvez estejamos muito deprimidos para nos darmos conta disto. Então o mensageiro de Deus toca-nos novamente e encoraja-nos a comer e a beber. É um grande desafio reconhecer o que Deus nos diz através da nossa vida diária bem como reconhecer a voz de Deus na voz, ou através da voz, de pessoas insignificantes.


A fé, esperança e amor, três virtudes cristãs essenciais, estão na origem da nossa jornada, sustentadas no que aprendemos com os outros. Ao continuarmos a jornada, as nossas razões humanas para acreditar, para esperar em Deus e para amar como Cristo mandou, começam a esgotar-se. Já não são suficientes. Podemos jogar tudo para o alto, porque a jornada é precária e o fim é incerto ou podemos também rejeitar o mensageiro e ficar exactamente onde estamos. Podemos ainda continuar a jornada dentro da noite (1Rs 19,4-7). Um elemento essencial na nossa jornada em direcção à transformação é a noite escura. Esta noite não é algo de sombrio ou impossível, mas é um convite para que nos libertemos do nosso modo humano e limitado de pensar, amar e agir para que possamos pensar, amar e agir de acordo com os desígnios de Deus (cf. Constituições dos Frades, 17).


S. João da Cruz oferece-nos descrições magistrais acerca dos diversos elementos que acontecem durante a noite e a compõem, e que não é igual para todos. A noite é experimentada pelas pessoas de modos diferentes e é realizada precisamente para ajudar a purificar cada um em particular. A noite escura não é uma punição pelo pecado ou pela infidelidade, mas é um sinal da proximidade de Deus. A noite escura é o trabalho de Deus e leva à completa libertação da pessoa humana. Por isso, ela deve ser acolhida apesar da dor e da confusão que envolve. A noite escura pode ser experimentada não apenas por indivíduos mas também por grupos e sociedades (cf. Lm 3,1-24).


A jornada de transformação geralmente dura muito tempo porque a purificação e a mudança que acontecem no ser humano são profundas. Não se trata apenas de uma mudança de ideias ou de opiniões. Trata-se de uma completa transformação do modo de nos relacionarmos com o mundo que nos rodeia, com as outras pessoas e com Deus. Os índios americanos têm um ditado que diz que temos de caminhar uma milha no sapato do outro antes de compreendê-lo. Jesus advertiu os seus seguidores para não julgarem (Lc 6,37; Rm 14,3-4) e a razão é muito simples: não podemos ver as coisas a partir do ponto de vista de outra pessoa e, portanto, não conhecemos os motivos que estão por trás das suas acções. Contudo, o processo de transformação cristã leva o ser humano em direcção a uma profunda mudança de perspectiva, do seu próprio modo de ver as coisas para o modo de Deus as ver. Isto envolve uma profunda purificação e esvaziamento de tudo o que nos prende para que possamos ser preenchidos por Deus.


Esta jornada contemplativa, tanto ao nível pessoal como comunitário, purifica os nossos corações de modo que tenhamos dentro do coração um espaço real para os outros e possamos ouvir o clamor dos pobres, sem traduzi-lo pelo filtro das nossas próprias necessidades. Então seremos capazes de realizar o desafio formulado pelo Papa João Paulo II: “Homens e mulheres consagrados são enviados a proclamar, através do testemunho das suas vidas, o valor da fraternidade cristã e do poder transformador da Boa Nova, que torna possível ver todas as pessoas como filhos e filhas de Deus e inspira um amor auto-oblativo para todos, especialmente os menores dos nossos irmãos e irmãs” (VC 51).

 
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