Fonte: Agência Ecclesia/MC

Faleceu D. Fr. António Vitalino Fernandes Dantas, O.Carm., Bispo Emérito de Beja, aos 84 anos

Faleceu D. Fr. António Vitalino, O.Carm., Bispo Emérito de Beja, aos 84 anos. 

No dia 8 de outubro de 2026, faleceu, pouco antes da meia-noite, no Hospital de Braga, Dom Frei António Vitalino Fernandes Dantas, O.Carm., Bispo Emérito de Beja. Contava 84 anos de vida, 65 dos quais como religioso da Ordem Carmelita, 58 como padre e 30 como bispo, 17 dos quais como Bispo Diocesano de Beja. As exéquias estão marcadas para sábado, dia 10 de outubro, às 16 h, na Igreja Matriz de Parada de Gatim (EM 540, 263), concelho de Vila Verde, Arquidiocese de Braga, devendo ser presididas pelo atual bispo titular da diocese de Beja, D. Fernando Paiva. O funeral segue depois para o cemitério local.


D. António Vitalino Fernandes Dantas nasceu a 3 de novembro de 1941, em Oleiros, Vila Verde (Braga), tendo como primeiras experiências na linha de uma vocação de especial consagração os Franciscanos Capuchinhos, seguindo-se o Seminário Carmelita da Falperra, em Braga, onde entrou em 1957.

Fez o noviciado na Ordem dos Irmãos da Bem-aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo (Ordem do Carmo), na Quinta da Mata, em Lordelo (Felgueiras), em 1960-1961, tendo emitido a sua profissão simples a 8 de setembro de 1961 e a profissão solene em 10 de julho de 1965.

Após a profissão simples foi para Fátima, Casa Beato Nuno, tendo realizado os seus estudos de Filosofia e de Teologia no Instituto “Sedes Sapientiae” dos Padres Dominicanos, de 1961 a 1966.

Nesse ocasião, pediu ao Comissário de então para ir para a Alemanha completar os seus estudos teológicos, explicando que “no Concílio Vaticano II os teólogos alemães se tinham distinguido muito”.

Foi neste país que terminou os estudos nas Universidades de Mogúncia (Mainz) e de Friburgo da Brisgóvia, que frequentou a partir de 1966, tendo como diretor de tese, primeiro em Mainz e depois em Freiburg i.Br. o Prof. Dr. Karl Lehmann, mais tarde Bispo de Mainz (1983), Cardeal (2001) e Presidente da Conferência Episcopal Alemã (1987-2008).

Enquanto estudava Teologia, encontrava-se com os migrantes, assistiu “às primeiras grandes levas” de portugueses para as “grandes fábricas alemãs”, e isso foi “providencial” para descobrir que a sua vocação “era mais entre o povo, era pastoral”.

Durante estes estudos foi ordenado sacerdote a 3 de agosto de 1968, no Santuário do Sameiro, por D. António Ribeiro, então Bispo Auxiliar de Braga.

O trabalho pastoral com os migrantes na Alemanha, onde esteve durante 10 anos, levou-o a fundar e depois a exercer o cargo de diretor e chefe de redação do jornal "Diálogo do Emigrante", que ainda hoje se publica, após a entrada de Portugal na UE, com o título "Diálogo Europeu".

Fr. António Vitalino regressou a Portugal em 1976 e foi para a Paróquia de Santo António dos Cavaleiros, em Loures, onde exerceu o ofício de pároco. A partir de então exerceu diversos cargos na Ordem do Carmo e por três vezes foi eleito Comissário da Ordem em Portugal. Entretanto, levou a cabo a construção da Igreja Paroquial de Santo António dos Cavaleiros e do seu respetivo Centro Cultural e Social, a funcionar desde 6 de Novembro de 1982 e inaugurado a 10 de Outubro de 1988. Já residente na comunidade de Lisboa, empreendeu as obras de remodelação da casa e a construção da residência universitária e do Centro de Estudos a ela adjacentes, inaugurados em Maio de 1993. 

Além da pastoral, interessou-se de forma particular pelos meios de comunicação social, tendo sido, juntamente com Jesué Pinharanda Gomes, o restaurador da revista “Carmelo Lusitano”, II série, contando-se também entre os fundadores da cooperativa Logomédia – Centro de Produção e Difusão Audiovisual, da Igreja, em 1986, tendo colaborado com Francisco Perestrello, Carlos Capucho e Manuel Vilas Boas na organização e realização do primeiro Fórum Mundial de Vídeo Educativo, realizado em Lisboa, no Fórum Picoas, em Outubro de 1988[1].

Passados 20 anos do seu regresso a Portugal, foi nomeado bispo auxiliar de Lisboa, com o título de Tlos (Turquia), a 3 de julho de 1996, tendo recebido a ordenação episcopal, fez há pouco 30 anos, com a idade de 54 anos, a 29 de setembro de 1996, na Igreja do Mosteiro dos Jerónimos, pelas mãos de D. António Ribeiro, Cardeal-Patriarca de Lisboa, de D. Eurico Dias Nogueira, Arcebispo de Braga, e de D. João Alves, bispo de Coimbra. No Patriarcado de Lisboa, entre outros ministérios, foi-lhe confiada a região do Oeste.

A 25 de janeiro de 1999, o Papa São João Paulo II nomeou-o bispo de Beja, uma região onde a Ordem Carmelita já estava presente desde o século XIII. A entrada solene como 15º bispo nomeado para a Diocese de Beja, ocorreu no dia 11 de abril de 1999.

Como Bispo, destacou-se pelo seu dinamismo, alegria, simplicidade no trato e proximidade junto das pessoas de todas as idades, condições, profissão, nível cultural e ideologias. Homem incansável, superiormente dotado a nível intelectual, capaz de trabalhar no gabinete, mas sabendo também pegar numa enxada ou sendo capaz de usar uma colher de pedreiro.

A sua vivência enquanto religioso carmelita, transpareceu também na sua forma de viver como bispo, em casa, não isolado, mas comunitariamente, tendo aceite que vivesse junto de si o seu antecessor, D. Manuel Falcão, a quem muito apreciava e venerava e que com ele residiu no Paço episcopal desde a tomada de D. António Vitalino até ao dia em que D. Manuel Falcão, partiu para a casa do Pai, a 21 de fevereiro de 2012.

Empenhou-se de forma particular na área do levantamento, restauro e difusão do património artístico e cultural da Diocese. Apaixonado pela fotografia, o vídeo e as novas tecnologias, foi um entusiasta implementador da informatização dos serviços eclesiais quer na Cúria, quer nas paróquias..

Foi também este ilustre prelado que convocou, presidiu e encerrou o primeiro Sínodo Diocesano de Beja (1.12.2012 – 4.06.2016) ao fim de quase quinze séculos de história que decorreram desde a primeira menção da Diocese, a partir do seu primeiro bispo conhecido, Santo Apringio, em 531.

A 10 de outubro de 2014, o Papa Francisco nomeou D. João Marcos como bispo coadjutor da Diocese de Beja, a pedido de D. António Vitalino que manifestou a necessidade de ter um bispo coadjutor a quem confiar essa missão quando atingisse os 75 anos. O que aconteceu no dia 3 de novembro de 2016, deixando então de ser Bispo Titular, para passar a ser Bispo Emérito de Beja, sendo imediatamente substituído pelo seu coadjutor, D. João Marcos.

Entretanto, tinha levado a cabo as obras de restauro e renovação da Sé de Beja, começadas em novembro de 2014 e concluídas em 13 de dezembro de 2015, com a cerimónia de abertura da Porta Santa do Ano Jubilar da Misericórdia e a sagração do novo altar.

No seio da Conferência Episcopal Portuguesa “foi presidente da Comissão Episcopal da Mobilidade Humana, entre 2005 e 2011”, tendo-se dedicado, neste âmbito, “de forma próxima aos migrantes, refugiados e pessoas em situação de maior vulnerabilidade, contribuindo para a reflexão e para a concretização de respostas pastorais assentes no acolhimento e na defesa da dignidade humana. Foi ainda membro das Comissões Episcopais da Doutrina da Fé, das Comunicações Sociais e da Pastoral Social e Mobilidade Humana, integrando esta Comissão até 2020”[2], como indica a nota de pesar da CEP pelo falecimento de D. António Vitalino.

Após a sua resignação, residiu alguns anos na Casa São Nuno em Fátima, em comunidade com os seus Irmãos Carmelitas, tendo estado nestes últimos anos com a sua família em Parada de Gatim, concelho de Vila Verde, arquidiocese de Braga. Faleceu na noite de 8 de outubro de 2026, no Hospital de Braga, vítima de doença degenerativa prolongada.

Peçamos a Deus, Pai de misericórdias, que, por intercessão de Nossa Senhora do Carmo, por quem D. António Vitalino sempre nutriu um profundo amor e genuína confiança filial, que o receba nos seus braços e lhe conceda o eterno descanso, em companhia de todos os santos, na posse da Sua infinita glória.

_______________________________

[1] Portal do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, “Francisco Perestrello (1938-2024): Uma força motriz da imprensa cinematográfica de raiz cristã em Portugal”, publ. 29.02.2024; atual. 01.03.2024 (acesso 09.10.2026).

[2] CEP, Nota de pesar pelo falecimento de D. António Vitalino (09.10.2026).

Fonte da imagem: Agencia Ecclesia/MC: https://agencia.ecclesia.pt/portal/beja-bispo-comunicou-com-profundo-pesar-falecimento-de-d-antonio-vitalino-e-convida-a-oracao/

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