Acolhimento. Sinal da cruz. Oração inicial. Invocação do Espírito Santo:
A. Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis
T. E acendei neles o fogo do vosso amor.
A. Enviai o vosso Espírito e tudo será criado
T. E renovareis a face da terra.
A. Oremos. Senhor, nosso Deus, que iluminastes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, tornai-nos dóceis às suas inspirações, para apreciarmos retamente todas as coisas e gozarmos sempre da sua consolação. Por Cristo, nosso Senhor. T. Amen.
1) LEITURA (Que diz o texto? Que verdade eterna, que convite/promessa de Deus traz?)
Leitura do Evangelho segundo S. Mateus (10,26-33)
Naquele tempo, disse Jesus aos seus apóstolos: 10,26«Não tenhais medo dos homens, pois nada há encoberto que não venha a ser revelado, nem secreto que não venha a ser conhecido. 27O que vos digo às escuras, dizei-o na luz; e o que escutais ao ouvido, pregai-o sobre os terraços. 28Não tenhais medo dos que matam o corpo, mas não podem matar a alma. Temei antes Aquele que tem o poder de fazer perecer a alma e o corpo na Geena. 29Não se vendem dois pardais por um asse? E nem um deles cairá por terra sem o consentimento do vosso Pai. 30Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. 31Portanto, não temais: vós valeis mais do que muitos pardais. 32Todo aquele que me confessar diante dos homens, também Eu o confessarei diante de meu Pai que está nos Céus. 33Mas aquele que me negar diante dos homens, também Eu o negarei diante de meu Pai que está nos Céus».
Ler a primeira vez… Em silêncio, deixar a Palavra ecoar no coração… Observações:
O texto de hoje faz parte do “discurso da missão” – o segundo dos cinco discursos de Jesus em Mateus –, que reúne diversos ensinamentos de Jesus sobre a atitude e o comportamento dos apóstolos no exercício da sua missão. Segue-se aos vv. 9-25, onde Jesus chama os seus discípulos ao desapego e os previne do ódio, da rejeição e das perseguições que terão de suportar da parte do mundo por causa do Evangelho (vv. 16-25).
- v. 26. «Não tenhais medo dos homens, pois nada há encoberto que não venha a ser revelado, nem secreto que não venha a ser conhecido
vv. 26-33: Lc 12,2-9.
v. 26: Mc 4,22; Lc 8,17; cf. Sl 40,10; 78,4; Targ Qoh 12,13s.
Às ameaças e perseguições do mundo, para as quais adverte os seus discípulos nos vv. 17-25, Jesus contrapõe uma tríplice exortação a não ter medo de dar testemunho do Evangelho, mesmo em circunstâncias adversas: “não temais” (vv. 26.28.31; Dt 1,29; Js 10,25; Is 8,12; Jr 42,11; 1Pd 3,14; Ap 2,10). Três simboliza a confirmação perante Deus de uma palavra, selada de modo irrevogável, definitivo.
A primeira (v. 26) e a última exortação (v. 31) formam uma inclusão.
Na primeira exortação (vv. 25-26), Jesus avisa que dar testemunho dele num mundo adverso pode ser intimador (5,11s; 1Cor 2,3; 2Cor 7,5; 1Pd 3,16), mas os discípulos, tal como os profetas, não devem ter medo (cf. Jr 1,8.17) de anunciar a Boa-nova, dando testemunho da verdade (Is 40,9; 41,10.13; 51,12s; Rm 8,15). O mundo tudo fará para desvirtuar e perverter o sentido das palavras e fatos de Jesus, difundindo calúnias, levantando suspeitas, espalhando boatos, chamando verdade à mentira e mentira à verdade, pecado à virtude e virtude ao pecado; mas a verdade acabará por triunfar.
- v. 27. O que vos digo às escuras, dizei-o na luz; e o que escutais ao ouvido, pregai-o sobre os terraços.
Mateus corrige aqui Lc 12,3 (onde se visa sobretudo a hipocrisia), para realçar o contraste entre o ministério oculto de Jesus e o ministério público dos seus discípulos, após a ressurreição de Jesus. Ao contrário da hipocrisia dos fariseus, das aparências do mundo e do segredo iniciático e falacioso das seitas, o que os discípulos escutaram com os seus ouvidos da boca de Jesus (cf. 13,16; Ez 3,10; 1Jo 1,1.3; 40,4s; Dt 5,1; Sl 44,2; Pv 5,13; Jr 6,10), “às escuras” (4,16) – ou seja, ainda sem o entender (13,13s; 15,16) –, deverão anunciá-lo abertamente a todos, na sua totalidade (At 20,20.27; Rm 16,25s), na língua de cada um (cf. Is 36,11; 2Rs 18,26s), “na luz” da Páscoa de Jesus, acesa pelo Espírito Santo, sendo então capazes de compreender o Seu mistério, entender as Escrituras, ler os acontecimentos, reconhecer os sinais dos tempos, discernir a vontade de Deus à luz do Evangelho, e descobrir a presença de Cristo no seio da história e da própria vida.
Eles deverão pregar o Evangelho, sem medo, “sobre os terraços”. As casas israelitas raramente tinham telhado. Normalmente tinham um terraço, que era usado para muitas atividades. O que acontecia no terraço podia facilmente ser visto por muitos, mesmo ao longe (cf. 2Sm 16,22). E fazer um anúncio de um terraço era uma forma de transmitir rapidamente uma mensagem aos vizinhos e aos que estivessem a passar pela rua, pois todos a conseguiam ouvir (cf. Is 15,3).
- v. 28. Não tenhais medo dos que matam o corpo, mas não podem matar a alma. Temei antes Aquele que tem o poder de fazer perecer a alma e o corpo na Geena.
A segunda exortação é o ponto central destas três exortações de Jesus a não ter medo. Jesus adverte que a confissão de fé nele (v. 32) pode levar ao martírio (v. 18). Mas os seus discípulos não devem ter medo daqueles que torturam e matam o corpo, que esmagam e fazem sofrer, porque ninguém poderá matar a alma, que é imortal (Sb 3,1; 1Tm 6,16).
A seguir, Jesus passa da formulação negativa à positiva: “Temei antes Aquele que tem o poder de fazer perecer a alma e o corpo na Geena”. Em vez de ter medo das pessoas, os discípulos devem temer que a indiferença, o mundanismo, o arrefecimento da fé, o medo das críticas e do sofrimento, a apostasia silenciosa e acomodada, se instile neles e os leve a esconder, esquecer ou renegar a fé, ofendendo a Deus (Is 8,13; Hb 10,31; Tg 4,12; Ap 14,7.10s). Porque quem renega Deus perde-se para sempre.
A “Geena” (5,22.29s; 18,9; 23,15.33: Gué Ben-Hinom, “vale do filho de Hinom”) era o vale a sul de Jerusalém onde tinham sido imoladas pessoas a Moloc (1Rs 11,7; 2Rs 23,10; Jr 32,35). Mais tarde foi convertido em lixeira da cidade, onde ardia continuamente o lixo e restos de animais mortos, sendo, por isso, no judaísmo, símbolo da condenação eterna, o inferno (25,45).
- v. 29. Não se vendem dois pardais por um asse? E nem um deles cairá por terra sem o consentimento do vosso Pai.
Jesus passa agora do temor à confiança, ao convite a abandonar-se a Deus, Pai e Senhor de tudo, que tudo governa com sabedoria e amor (6,8; 7,11; Sir 23,1). Os discípulos de nada devem ter medo, pois estão nas mãos do Pai, cuja providência e amor podem diariamente experimentar (6,26.32).
Para inculcar tal confiança, Jesus recorre a um exemplo da atividade humana, o preço mais baixo a que uma vida era vendida no mercado: o dos pardais, custando um casal um asse (Lc 12,6), 1/16 da jorna diária, o denário. No entanto, nem um só deles morre sem a permissão do Pai, que ama a vida e dela cuida, não sendo nenhuma vida para Ele indiferente (Sb 11,26-12,1; Sl 145,9).
- v. 30. Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados.
Incomparavelmente mais valiosos do que dois pardais, são para o Pai os seus filhos, que conhece pessoalmente a tal ponto e por quem vela singularmente de tal maneira que até sabe quantos são os pelos da sua cabeça (“os cabelos”), não deixando cair um só deles sequer sem o seu consentimento (Lc 21,18; cf. 1Sm 14,45; 2Sm 14,11; Dn 3,27; At 27,34).
- v. 31. Portanto, não temais: vós valeis mais do que muitos pardais.
Jesus remata então, com o terceiro apelo a não temer, argumentando à maneira rabínica do menos para o mais (qal wá-hómer): “Não temais, pois vós valeis mais do que muitos pardais” (cf. 6,26; 12,12; Sl 49,8s; 72,14; 116,15).
Jesus anima assim os seus discípulos a não temer e ensina-os a superar o medo da morte (cf. Hb 2,15). Mesmo se os seus discípulos forem perseguidos – o que já estava a acontecer, enquanto Mateus redigia estas palavras –, o Pai (Sb 2,16) não estará ausente, tendo até a morte de cada um deles valor (cf. Sb 3,1-9): se forem poupados, é porque Deus assim o quer; se forem martirizados, é porque essa é a vontade do Pai (26,42; Ap 13,10), que só quer o seu bem e sabe o que é o melhor para cada um. Trata-se de uma atitude inédita, surpreendente, verdadeiramente revolucionária, de Jesus.
- v. 32. Todo aquele que me confessar diante dos homens, também Eu o confessarei diante de meu Pai que está nos Céus.
v. 32: Lc 12,9.
Jesus conclui com um apelo ao testemunho (vv. 32-33). A confissão pública da fé (gr. homologuia: Rm 10,9; 1Jo 4,2s.15; 2Ma 7,37) é necessária à salvação. Sabendo que estão nas mãos de Deus, que está sempre com eles, os seus discípulos terão a liberdade, a coragem, a paz e o amor necessários para dar testemunho dele até ao fim (cf. Ap 2,13; 3,8), derramando por Ele, se necessário for, o seu próprio sangue (v. 28). Esta união radical com Jesus será reconhecida por Ele diante do Pai no último dia, o do juízo final (25,34; Ap 3,5; Ml 3,16ss).
- v. 33. Mas aquele que me negar diante dos homens, também Eu o negarei diante de meu Pai que está nos Céus».
v. 33: Mc 8,38; Lc 9,26.
Mas quem O “negar” (26,70.72; cf. 26,74s), será também negado por Ele diante do Pai, no juízo final (7,23; 25,12; 1Sm 2,30; 2Tm 2,12; 1Jo 2,23; Jd 1,4). A sorte eterna dos discípulos decide-se já aqui, sobre a terra, dependendo da sua atitude e comportamento em relação a Cristo e ao Evangelho.
Ler o texto outra vez... Em silêncio, escutar o que Deus diz no segredo...
2) MEDITAÇÃO… PARTILHA… (Que me diz Deus nesta Palavra?)
a) Que frase me toca mais? b) Que diz à minha vida? c) Oração em silêncio…
d) Partilha... e) Que frase reter? f) Como a vou / vamos pôr em prática?
- Tenho medo? De quê? Porquê?
- Já sofri, fui ridicularizado, hostilizado ou perseguido por causa do meu compromisso com Jesus e com a verdade? Como reagi?
- Onde e a quem vou dar testemunho de Jesus esta semana?
3) ORAÇÃO PESSOAL… (Que me faz esta Palavra dizer a Deus?)
4) CONTEMPLAÇÃO… (Saborear a Palavra em Deus, deixando que ela inflame o coração)
Salmo responsorial Sl 69,8-10.14.17.33-35 (R. 14c)
Refrão: Pela vossa grande misericórdia, atendei-me, Senhor.
Por Vós tenho suportado afrontas,
cobrindo-se meu rosto de confusão.
Tornei-me um estranho para os meus irmãos,
um desconhecido para a minha família.
Devorou-me o zelo pela vossa casa
e recaíram sobre mim os insultos contra Vós. R.
A Vós, Senhor, elevo a minha súplica,
no momento propício, meu Deus.
Pela vossa grande bondade, respondei-me,
em prova da vossa salvação.
Tirai-me do lamaçal, para que não me afunde,
livrai-me dos que me odeiam e do abismo das águas. R.
Vós, humildes, olhai e alegrai-vos,
buscai o Senhor e o vosso coração se reanimará.
O Senhor ouve os pobres
e não despreza os cativos.
Louvem-no o céu e a terra,
os mares e quanto neles se move. R.
Pai-nosso…
Oração conclusiva:
Senhor, fazei-nos viver a cada instante no temor e no amor do vosso santo nome, porque nunca a vossa providência abandona aqueles que formais solidamente no vosso amor. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. T. Amen.
Ave-Maria...
Bênção final. Despedida.
5) AÇÃO... (Caminhar à luz da Palavra, encarnando-a e testemunhando-a na nossa vida, unidos a Cristo e em Cristo)
Fr. Pedro Bravo, O.Carm.
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Folheto para fazer a LD em grupo
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