Vincent van Gogh, O semeador, 1888. Otterlo, Kröller-Müller Museum

15º Domingo do Tempo comum, ano A – 12 de julho de 2026

 

Acolhimento. Sinal da cruz. Oração inicial. Invocação do Espírito Santo:

A. Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis
T. E acendei neles o fogo do vosso amor.
A. Enviai o vosso Espírito e tudo será criado
T. E renovareis a face da terra.

A. Oremos. Senhor, nosso Deus, que iluminastes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, tornai-nos dóceis às suas inspirações, para apreciarmos retamente todas as coisas e gozarmos sempre da sua consolação. Por Cristo, nosso Senhor. T. Amen.

1) LEITURA (Que diz o texto? Que verdade eterna, que convite/promessa de Deus traz?)

Leitura do Evangelho segundo S. Mateus (13,1-23)

13,1Naquele dia, Jesus saiu de casa e sentou-se à beira-mar. 2E reuniram-se junto dele muitas multidões, a tal ponto que Ele teve de entrar num barco e sentou-se; e toda a multidão estava de pé, na praia. 3E falou-lhes de muitas coisas em parábolas, dizendo: «Eis que o semeador saiu a semear. 4E enquanto ele semeava, uma parte caiu à beira do caminho: vieram as aves e comeram-na. 5Outra parte caiu em terreno pedregoso, onde não havia muita terra, e logo brotou porque a terra não  era profunda; 6mas quando despontou o sol, queimou-se e, por não ter raiz, secou. 7Outra parte caiu entre os espinhos e os espinhos cresceram e sufocaram-na. 8Outra parte, porém, caiu em terra boa e deu fruto: uma cem, outra sessenta, outra trinta. 9Quem tem ouvidos, ouça». 10E aproximando-se dele, os discípulos disseram-lhe: «Porque lhes falas em parábolas?» 11Jesus, respondendo, disse-lhes: «Porque a vós foi dado conhecer os mistérios do reino dos Céus, mas a eles não foi dado. 12Pois àquele que tem, ser-lhe-á dado e terá em abundância; mas àquele que não tem, até aquilo que tem lhe será tirado. 13Por isso lhes falo em parábolas: porque vendo, não veem, e ouvindo não ouvem nem entendem. 14E assim neles se cumpre a profecia de Isaías, que diz: “Com o ouvido ouvireis, mas sem compreender; e olhando olhareis, mas sem ver. 15Porque o coração deste povo se empederniu: ouviram com ouvidos endurecidos e fecharam os seus olhos, para não acontecer que vissem com os olhos e ouvissem com os ouvidos e compreendessem com o coração e se convertessem e Eu os curasse”. 16Bem-aventurados, porém, os vossos olhos porque veem e os vossos ouvidos porque ouvem! 17Pois, amen vos digo: muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes e não viram, e ouvir o que ouvis e não ouviram. 18Escutai vós, pois, o que significa a parábola do semeador. 19Sempre que alguém ouve a Palavra do Reino e não compreende, vem o Maligno e apodera-se do que foi semeado no seu coração. Esse é a que foi semeada à beira do caminho. 20A que foi semeada em terreno pedregoso é o que ouve a Palavra e logo a recebe com alegria, 21mas como não tem raiz em si mesmo, porque é de pouca duração, mal chega uma tribulação ou uma perseguição por causa da Palavra, logo se escandaliza. 22A que foi semeada entre os espinhos é o que ouve a Palavra, mas as preocupações do mundo e a sedução da riqueza sufocam a Palavra e deixa de produzir fruto. 23A que foi semeada em terra boa é o que ouve a Palavra e compreende. Esse então dá fruto e produz ora cem, ora sessenta, ora trinta».

Ler a primeira vez… Em silêncio, deixar a Palavra ecoar no coração… Observações:

No capítulo 13, Mateus compendia o terceiro dos cinco discursos de Jesus no seu Evangelho: o Discurso das parábolas. Este discurso, que nos vai acompanhar nos próximos dois domingos, é o ponto central do presente evangelho. Nele, Mateus apresenta oito parábolas (cinco das quais são exclusivas dele), através das quais Jesus revela “o mistério do Reino”, ou seja, o plano salvífico de Deus que por meio dele se irá realizar.

Hoje, escutamos a primeira destas parábola, a parábola do semeador (Mc 4,1-20; Lc 8,4-15). Como é habitual, Mateus segue de perto o texto de Marcos, que abrevia, nem sempre da forma esclarecedora. O texto tem três partes: a parábola (vv. 1-9), uns ditos (gr. logía) de Jesus sobre a função das parábolas (vv. 10-17) e a explicação da parábola (vv. 18-23).

  • v. 1Naquele dia, Jesus saiu de casa e sentou-se à beira-mar.

    Na primeira parte da perícope temos a parábola propriamente dita (vv. 1-9). Tal como nos discursos anteriores, Mateus começa este discurso com uma breve introdução.

    Jesus estava “em casa” (a casa para onde Ele se tinha mudado, quando foi habitar em Cafarnaum: 4,13) a pregar ao povo, quando chegaram “sua mãe e os seus irmãos”, que queriam entrar onde Ele estava, mas não conseguiram por causa das “multidões” (12,46) que se comprimiam cá fora por não haver mais espaço lá dentro (cf. Mc 2,4). “A casa” é, em Marcos e em Mateus, um símbolo da comunidade cristã, a Igreja.

    Perante isto, Jesus, que queria anunciar a Palavra a todos, para que todos pudessem fazer parte da sua família (cf. 12,48-49) – inclusive Maria, sua Mãe, e os seus parentes (“irmãos”) – sai de casa e vai para um lugar mais espaçoso, onde todos caibam e o possam ouvir. Vai então para a beira-mar.

    Chegado aí “sentou-se”. É uma nota exclusiva de Mateus, aparentemente sem sentido, mas, neste caso, significativa. “Sentar-se” era a posição que Moisés tomava para atender e julgar os casos pessoais do povo no deserto (Ex 18,14). Era também a posição que os doutores da Lei, os escribas e os rabinos tomavam (23,2; Lc 2,46; 5,17) para “ensinar” os seus discípulos (5,1; 24,3). Neste caso, porém, Jesus “senta-se à beira-mar”. Isso era inédito. Os rabinos ensinavam em casa, no Templo ou na sinagoga, a pessoas instruídas, com 13 ou mais anos, de boa fama, só do sexo masculino, que eles aceitassem como discípulos. Jesus, porém, é uma pessoa sem estudos (Jo 7,15) que, sem ter pedido licença às autoridades religiosas, vai ao encontro das pessoas, no lugar onde elas se acham e trabalham, e ensina-as, dirigindo-se a todos, homens e mulheres, adultos, idosos,  jovens e crianças, judeus e gentios, sãos e doentes, piedosos e pecadores.

  • v. 2. E reuniram-se junto dele muitas multidões, a tal ponto que Ele teve de entrar num barco e sentou-se; e toda a multidão estava de pé na praia.

    O povo, porém, deleitava-se a ouvir Jesus, acorrendo a Ele grande número de pessoas, ou, como Mateus gosta de dizer, “muitas multidões”, no plural (8,1; 12,15; 15,30; 19,2; no singular: 14,14; 20,29; 26,47). Alude assim não apenas ao número de pessoas, mas também à constituição dessas multidões, compostas dos mais variados tipos de pessoas, provindas das mais diversas províncias e lugares (4,25), prefigurando já a Igreja futura. Para Jesus, porém, não se trata de massas anónimas, mas de um povo, composto por pessoas, cada uma com o seu nome e história pessoais, os seus problemas, as suas dores, anseios e expectativas (cf. v. 1).

    As pessoas afluem em tal quantidade, comprimindo-o de tal maneira que Jesus sobe para um barco (Lc 5,3: o de Pedro), senta-se nele e daí fala às pessoas, que permanecem de pé, “na praia” (Jo 21,4), dispondo-se ao longo da encosta, numa espécie de anfiteatro improvisado. Jesus fala-lhes do barco, sentado, não só como rabino, mas também porque sabe que quando se fala junto à água, do mar para terra, todos o podem ouvir, servindo a água de amplificador natural.

  • v. 3. E falou-lhes de muitas coisas em parábolas, dizendo: «Eis que o semeador saiu a semear.

    Jesus fala ao povo em parábolas. Esta nota prepara os vv. 10-15. 34-35. A parábola é uma comparação em estilo narrativo, através da qual se ilustra uma determinada mensagem, que fica em aberto, de forma a interpelar os ouvintes, deixando suspensa uma interrogação, à qual cada um é chamado a responder de forma pessoal. Aqui Jesus conta aos discípulos e às multidões a parábola do semeador (v. 18). Tal como nas outras parábolas, Jesus introduz nesta algo de exagerado, de surpreendente, de desconcertante, em termos da lógica humana.

  • v. 4E enquanto ele semeava, uma parte caiu à beira do caminho: vieram as aves e comeram-na.

    Neste caso, o semeador começa a fazer algo bem familiar na vida do povo: “saiu o semeador a semear”. Mas logo no início (!) faz algo de desconcertante. Antes de se semear, todos sabiam que era preciso preparar a terra: tirar as pedras para o lado, aproveitando para com elas fazer um muro em volta do terreno; arrancar as ervas daninhas e tudo o pudesse prejudicar a sementeira; depois, havia que “arar e abrir regos na terra” e “depois de ter aplanado a terra”, é que se semeava na terra boa. Isto era o que Deus tinha ensinado (Is 28,24ss).

    O semeador desta parábola, porém, ignora-o e parece muito trapalhão, desatento, pois não semeia em primeiro lugar e apenas onde devia, na terra boa, mas começa logo mal: enquanto semeia, deixa cair “uma parte” da semente “à beira do caminho”. Que acontece? O que era lógico e todos sabiam: “vieram as aves e comeram-na”.

  • v. 5. Outra parte caiu em terreno pedregoso, onde não havia muita terra, e logo brotou porque a terra não era profunda.

    A seguir, é pior: ele deixa “cair” outra parte da semente “em terreno pedregoso, onde não havia muita terra”. Em geral, semeava-se de manhãzinha, antes do nascer do sol, quando a terra ainda estava coberta de orvalho (cf. Jb 8,16). A semente logo germina: sucesso enganador (cf. Jb 8,17)!

  • v. 6. Mas quando despontou o sol, queimou-se e, por não ter raiz, secou.

    Entretanto, nasce o sol e não tarda a queimar a planta, que mal tinha despontado logo seca, por ainda não ter raiz.

  • v. 7. Outra parte caiu entre os espinhos e os espinhos cresceram e sufocaram-na.

    A ação seguinte é ainda mais desastrada: semeia entre espinhos! Não tinha Deus advertido: “Lavrai para vós um campo novo e não semeeis entre espinhos” (Jr 4,3; 12,13)? Resultado: tudo parece estar a correr bem, até que os espinhos, que continuaram a crescer enquanto a planta se ia formando, acabam por a sufocar.

  • v. 8. Outra parte, porém, caiu em terra boa e deu fruto: uma cem, outra sessenta, outra trinta.

    Por último, quando três partes da semente já se tinham perdido, é que o semeador faz o que devia ter feito logo desde o início: semear em terra boa (he., gr. “boa”, “bela”). E, no seu devido tempo (cf. Mc 4,28), a semente que tinha sido bem semeada produziu fruto. “Cem”, “sessenta”, “trinta”: cf. infra, v. 23.

  • v. 9. Quem tem ouvidos, ouça».

    Jesus conclui a parábola com uma advertência: “Quem tem ouvidos ouça”. Isso significa: “É isto. Vós ouvistes. Isto é para cada um de vós, não para o vizinho. Agora tratem de o entender e de o pôr em prática!”

    Que significa este semeador tão desatento, esbanjador e trapalhão? É que os quatro tipos de terreno simbolizam diferentes situações pessoais e diferentes tipos de pessoas e, por conseguinte, diferentes modos de acolher a Palavra. Jesus conta uma parábola do Reino: ao invés dum semeador que só devia deitar a semente onde sabia que dela algo poderia colher, o pregador do Evangelho deve anunciar a Boa nova a todos, mesmo aos escravos do vício, aos empedernidos, aos ignorantes e aos que estão presos aos bens terrenos (cf. 9,9; 16,19; Lc 8,2; Jo 4,18; At 9,4).

    O Evangelho é uma semente “todo-o-terreno”! que tem o poder de realizar aquilo que anuncia na vida daquele que nela crê e lhe obedece (cf. Is 55,10s). Cada um é diferente dos outras e cada pessoa pode ter em si, nalgumas áreas ou em diferentes momentos da sua vida, os quatro ou algum dos quatro tipos de terreno de que Jesus fala. Entretanto, a Palavra deve ser anunciada a todos, a tempo e a contratempo, para que possa produzir o fruto que Deus quer na vida daqueles que a escutam. Se na natureza só a terra boa dá fruto, entre as pessoas não é assim. Aquele que parece ser exemplar, pode acabar por cair, se corromper e enveredar pelo caminho da perdição; ao passo que o viciado e o pecador, que pareciam não ter saída, ao escutar a Palavra, acabam por se arrepender, ser libertados e se converter, tornando-se fiéis e zelosos discípulos de Jesus.

  • v. 10. E aproximando-se dele, os discípulos disseram-lhe: «Porque lhes falas em parábolas?»

    Na segunda parte do texto (vv. 10-17) temos diversos ditos de Jesus sobre a função das parábolas. A versão de Mateus, embora se baseie em Marcos, é mais confusa. Primeiro, dá a entender, mas (ao invés de Mc 4,10) não diz, que Jesus e os apóstolos já não estão com as multidões, mas sozinhos, em casa (cf. v. 36). Depois, Jesus parte aqui da questão que lhe foi posta pelos discípulos: “Porque lhes falas em parábolas?” Já Mc 4,13, mais plausível, mostra que a explicação de Jesus se deve ao facto deles não terem entendido a parábola, o que fez com que Jesus reagisse com estranheza: “Se não entendeis esta parábola, como podereis compreender todas as parábolas?”

  • v. 11. Jesus, respondendo, disse-lhes: «Porque a vós foi dado conhecer os mistérios do reino dos Céus, mas a eles não foi dado.

    A resposta de Jesus dá-lhes a entender que é porque Ele nelas transmite “a Palavra” (vv. 20-23; 6x aqui, com artigo), ou seja, “a palavra do Reino” (v. 19; que é “a sua palavra”: 8,16), de uma forma concreta, sugestiva e interpeladora. Quem se faz pequeno diante de Deus e a acolhe com fé e humildade, entende-a e é-lhe dado a conhecer, ou seja, a comprovar (passivo divino: por Deus) no coração e na própria vida, “os mistérios do Reino dos Céus”, a revelação que Jesus lhes faz do Pai e de si mesmo e que nada mais é do que a revelação de Deus que se revela e se lhes dá (11,25-27).

    “Mas a eles não foi dado”. Há quem seja autossuficiente, egoísta, centrado em si mesmo, não querendo ir além do que já sabe, faz, pode, acha bem, gosta, compreende ou lhe convém. Por isso, fecha-se e rejeita tudo o que lhe vem dos outros, inclusive de Deus. E não se abre, porque não quer mudar nem ceder o comando da sua vida a Deus,

  • v. 12. Pois àquele que tem, ser-lhe-á dado e terá em abundância; mas àquele que não tem, até aquilo que tem lhe será tirado.

    Por esta razão, “àquele que tem, ser-lhe-á dado e terá em abundância”, pois ao abrir o coração a Deus e à fé, vendo em Jesus o Messias, Servo de Iavé, começa a caminhar e a viver com Deus e em Deus, por meio de Jesus, graças ao Espírito Santo, que o vai ajudando a produzir fruto e lhe vai distribuindo os seus dons e carismas para que possa também ele semear. “Mas àquele que não tem, até aquilo que tem lhe será tirado". Quem não recebe a Palavra de Deus em Jesus Cristo com fé, rejeita-o e acaba por perder tudo.

  • v. 13. Por isso lhes falo em parábolas: porque vendo, não veem, e ouvindo não ouvem nem entendem.

    Esse recusa-se a ouvir e, por isso, não tem fé, não acredita no Evangelho e tudo o que Jesus diz lhe soa como uma “parábola”, um conto irrealista, uma utopia irrealizável – quem sabe, até mesmo perigosa e subversiva –, impossível de pôr em prática. Apesar de ver pessoas cuja vida foi transformada por Cristo. E assim “vendo, não veem, e ouvindo, não ouvem nem entendem”, não se voltando para Deus, que fica impossibilitado de os curar da sua cegueira e obstinação, surdez e dureza coração, do seu pecado como profetizara Isaías, aqui citado por Jesus (Is 6,9s).

  • v. 14. E assim neles se cumpre a profecia de Isaías, que diz: “Com o ouvido ouvireis, mas sem compreender; e olhando olhareis, mas sem ver.

  • v. 15. Porque o coração deste povo se endureceu: ouviram com ouvidos duros e fecharam os seus olhos, para não acontecer que vissem com os olhos e ouvissem com os ouvidos e compreendessem com o coração e se convertessem e Eu os curasse”.

    Como em 12,18-21, Mateus vê nesta reação das pessoas contra a Palavra do Reino o cumprimento do que Deus tinha dito a Isaías quando o chamou a ser profeta (Is 6,9-10), palavras que Jesus cita por extenso, deixando-as falar por si. A mesma incredulidade e endurecimento do coração que o povo de Deus teve perante Isaías, tem-nos em relação a Jesus, acabando, por isso, o destino deste povo a ser o mesmo, desencadeando a queda de Jerusalém e a ruína de Israel.

  • v. 16. Bem-aventurados, porém, os vossos olhos porque veem e os vossos ouvidos porque ouvem!

    Isso explica a frase final: “Bem-aventurados, porém, os vossos olhos porque veem e os vossos ouvidos porque ouvem”. Os discípulos, porém, ao invés da sua geração incrédula, são bem-aventurados, porque, ao acreditarem em Jesus e na Sua Palavra, lhes foi concedida a graça de o reconhecerem e confessarem como Messias, vendo nele a presença e a ação de Deus, e de escutar a sua Palavra, que é a revelação plena e definitiva do Reino de Deus.

  • v. 17. Pois, amen vos digo: muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes e não viram e ouvir o que ouvis e não ouviram.

    Ao comparar os discípulos que nele creem e o seguem, com os profetas e os justos do AT, Jesus proclama os primeiros mais ditosos, porque vêm em Jesus o Messias no qual e por meio do qual se realizam as promessas de Deus, inaugurando os tempos novos da salvação, entrando assim no Reino de Deus.

  • v. 18. Escutai vós, pois, o que significa a parábola do semeador.

    Na terceira parte, Jesus explana a parábola (vv. 18-23): “Escutai vós, pois, o que significa a parábola do semeador”. “O que significa” é um acrescento da nossa tradução. As parábolas que Jesus conta só se escutam realmente quando se entende o seu significado e por meio da mensagem nelas contida, se entra na dinâmica do Reino e se começa a participar da vida divina.

  • v. 19. Sempre que alguém ouve a Palavra do Reino e não compreende, vem o Maligno e apodera-se do que foi semeado no seu coração. Essa é a que foi semeada à beira do caminho.

    Jesus explica então a parábola, fazendo corresponder a cada uma das quatro situações em que foi semeada e caiu a Palavra de Deus  as diversas atitudes com que se acolhe a sua Palavra. É uma exortação aos cristãos no sentido de aderirem à sua Palavra, estando atentos…

  • v. 20, A que foi semeada em terreno pedregoso é o que ouve a Palavra e logo a recebe com alegria,

    … a não se deixarem enredar pelo Maligno,…

  • v. 21. Mas como não tem raiz em si mesmo, porque é de pouca duração, mal chega uma tribulação ou uma perseguição por causa da Palavra, logo se escandaliza.

    … a não desanimar perante as dificuldades, nem se escandalizar com as tribulações e perseguições que estão ou podem ter sofrido ou vir a sofrer,…

  • v. 22. A que foi semeada entre os espinhos é o que ouve a Palavra, mas as preocupações do mundo e a sedução da riqueza sufocam a Palavra e deixa de produzir fruto.

    … a não se deixar aprisionar pelas preocupações terrenas nem seduzir pelas ilusões mundanas que acabam por arrancar a Palavra do seu coração, ou sufocá-la, de modo que “deixa de produzir fruto”, literalmente: “se torna infrutífero/a”, aplicando-se o adjetivo simultaneamente à pessoa e à Palavra.

  • v. 23. A que foi semeada em terra boa é o que ouve a Palavra e compreende. Esse então dá fruto e produz ora cem, ora sessenta, ora trinta».

    Por fim, Jesus fala daquele que recebe a Palavra na terra “boa”, “bela”, do seu coração. Muito significativa é a quantidade de fruto que ele produz. Sabendo que na época uma colheita de sete por um já era considerada farta (cf. Gn 41,5.22), cem (cf. porém Gn 26,12!), sessenta ou trinta por um era algo de surpreendente, exagerado ou até mesmo milagroso. No entanto, tal é a força da Palavra (cf. Cl 1,6) que, plantada num coração bom, tal como uma boa semente plantada em terra fértil, pode dar origem não apenas a um pé, mas a outros ainda, cada qual produzindo a sua própria espiga, farta. Os “trinta” ainda indicam o fruto num crente, ao passo que os “sessenta” e o “cem” já contabilizam o fruto que dão outros que pelo primeiro foram atraídos a Jesus Cristo.

    Quem vive a Palavra com generosidade e a testemunha com autenticidade, não só dá fruto na própria vida, como atrai outros a Jesus, que, uma vez regenerados, também darão fruto na sua vida. Fruto, avaliado não tanto, ou só, pela sua abundância, mas sobretudo pela sua qualidade.

    Ler o texto outra vez... Em silêncio, escutar o que Deus diz no segredo...

2) MEDITAÇÃO… PARTILHA… (Que me diz Deus nesta Palavra?)

     a) Que frase me toca mais? b) Que diz à minha vida? c) Oração em silêncio…
     d) Partilha… e) Que frase reter? f) Como a vou / vamos pôr em prática?

  • A Palavra de Jesus é a referência fundamental da minha vida e da vida da nossa comunidade? Como é aí anunciada, acolhida, meditada, partilhada, celebrada e testemunhada no dia-a-dia?

  • Que tipo de terreno sou eu? Que devo pôr de lado, que faço ou devo fazer para que a Palavra dê ainda mais fruto na minha vida?

3) ORAÇÃO PESSOAL… (Que me faz esta Palavra dizer a Deus?)

4) CONTEMPLAÇÃO… (Saborear a Palavra em Deus, deixando que ela me inflame o coração)

Salmo responsorial                                             Sl 65, 10-14 (R. Lc 8,8)

Refrão:  A semente caiu em boa terra e deu muito fruto.

Visitastes a terra e a regastes,
enchendo-a de fertilidade.
As fontes do céu transbordam em água
e fazeis brotar o trigo.     R.

Assim preparais a terra;
regais os seus sulcos e aplanais as leivas,
Vós a inundais de chuva
e abençoais as sementes.     R.

Coroastes o ano com os vossos benefícios,
por onde passastes brotou a abundância.
Vicejam as pastagens do deserto
e os outeiros vestem-se de festa.      R.

Os prados cobrem-se de rebanhos
e os vales enchem-se de trigo.
Tudo canta / e grita de alegria.     R.

Pai-nosso…

Oração conclusiva:

Senhor, nosso Deus, que mostrais aos errantes a luz da vossa verdade para poderem voltar ao bom caminho, concedei a quantos se declaram cristãos que, rejeitando tudo o que é indigno deste nome, sigam fielmente as exigências da sua fé. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. T. Amen.

Ave-Maria...

Bênção final. Despedida.

5) AÇÃO... (Caminhar à luz da Palavra, encarnando-a e testemunhando-a na nossa vida, unidos a Cristo e unidos em Cristo)

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 Folheto para fazer a LD em grupo

Fonte da imagemhttps://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:The_Sower.jpg

 

Liturgia do dia

  • DOMINGO XV DO TEMPO COMUM
    Verde – Ofício do domingo (Semana III do Saltério). Te Deum. † Missa própria, Glória, Credo, pf. dominical. L 1: Is 55, 10-11; Sl 64 (65), 10abcd. 10e-11. 12-13. 14 L 2: Rm 8, 18-23 Ev: Mt 13, 1-23 ou Mt 13, 1-9 * Proibidas as Missas de defuntos, exceto a exequial. * Na Congregação das Irmãs Servas de Maria Reparadoras – Aniversário da fundação (1900). * Na Diocese de Leiria-Fátima (Sé) – I Vésp. do aniversário da Dedicação da Igreja Catedral. * II Vésp. do domingo – Compl. dep. II Vésp. dom.