Acolhimento. Sinal da cruz. Oração inicial. Invocação do Espírito Santo:
A. Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis
T. E acendei neles o fogo do vosso amor.
A. Enviai o vosso Espírito e tudo será criado
T. E renovareis a face da terra.
A. Oremos. Senhor, nosso Deus, que iluminastes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, tornai-nos dóceis às suas inspirações, para apreciarmos retamente todas as coisas e gozarmos sempre da sua consolação. Por Cristo, nosso Senhor. T. Amen.
1) LEITURA (Que diz o texto? Que verdade eterna, que convite/promessa de Deus traz?)
Leitura do Evangelho segundo S. Mateus (16,21-27)
16,21 Desde então Jesus começou a fazer ver aos seus discípulos que era necessário Ele ir a Jerusalém; e sofrer muito da parte dos anciãos, dos chefes dos sacerdotes e dos escribas; e ser morto; e ao terceiro dia ser ressuscitado. 22Pedro, tomando-o à parte, começou a increpá-lo, dizendo: «Deus Te livre, Senhor! Isso nunca te há de acontecer!». 23Mas Ele, voltando-se, disse a Pedro: «Vai-te para trás de mim, Satanás. És para mim ocasião de escândalo, porque não tens em mente as coisas de Deus, mas dos homens». 24Jesus disse então aos seus discípulos: «Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. 25Pois aquele que quiser salvar a sua vida, há de perdê-la; mas aquele que perder a sua vida por causa de mim, há de encontrá-la. 26Com efeito, que aproveitará a um homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? Ou que poderá dar um homem em troca da sua vida? 27Porque o Filho do homem há de vir na glória de seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um segundo as suas obras».
Ler a primeira vez… Em silêncio, deixar a Palavra ecoar no coração… Observações:
A passagem de hoje, inserida na secção narrativa (13,53-17,27) da quarta parte do Evangelho de Mateus: “A Igreja, primícias do Reino dos céus” (13,53-18,35), vem na sequência da confissão de fé de Pedro (16,13-20). Logo a seguir a ela, Jesus mostra aos seus discípulos quais são as consequências, para Ele, de ser o Messias; e para eles, de o confessarem como tal.
O texto divide-se em duas partes: Jesus anuncia-lhes a Sua paixão, morte e ressurreição (vv. 21ss); e apresenta-lhes as exigências do discipulado (vv. 24-27).
- v. 21. Desde então Jesus começou a fazer ver aos seus discípulos que era necessário Ele ir a Jerusalém; e sofrer muito da parte dos anciãos, dos chefes dos sacerdotes e dos escribas; e ser morto; e ao terceiro dia ser ressuscitado.
vv. 21-23: Mc 8,31-33; Lc 9,22.
O texto começa com o primeiro dos três anúncios da paixão (17,12.22sp; 20,18sp). Depois de ter sido levantado o primeiro véu de Jesus, o da sua real identidade como Messias e Filho de Deus, Ele passa a apresentar a sua missão.
“Desde então” inicia-se uma nova etapa da vida e missão de Jesus, na qual Ele se dedica mais à formação dos seus discípulos.
Apesar de ser o Messias e o Filho de Deus, Jesus opta pela via da humildade e da obediência. Ele começa por mostrar aos seus discípulos que, segundo a vontade do Pai “é necessário” (gr. deĩ), em conformidade com o desígnio eterno de Deus, expresso nas Escrituras, que a instauração do Reino passe:
1) pela Sua rejeição “em Jerusalém” (Dn 9,25s; Lc 9,53; 13,33; At 13,27);
2) esta rejeição será perpetrada por parte de todas as autoridades do seu povo: os chefes políticos (“anciãos”), os chefes religiosos (“chefes dos sacerdotes”) e a elite intelectual (“escribas”);
3) estes fá-lo-ão sofrer muito (em quantidade, qualidade e tipos de sofrimento: Sl 22; 69; Is 53; Zc 13,7; At 3,18);
4) hão de condená-lo à morte (Is 53,8; Dn 9,26; Zc 12,10);
5) mas ao “terceiro dia será ressuscitado” (por Deus, passivo divino: 12,40; Jo 2,19; Gn 3,11ss; Os 6,2).
Estes cinco elementos são os pontos fundamentais do querigma cristão (1Cor 15,3s; At 10,39-42; 17,2s), o núcleo central do credo (Rm 10,9), a chave de leitura da Sagrada Escritura (Lc 24,25s.46s).
- v. 22. Pedro, tomando-o à parte, começou a increpá-lo, dizendo: «Deus Te livre, Senhor! Isso nunca te há de acontecer!».
Pedro rejeita tal destino e opõe-se a Jesus. Tomando-o a sós (18,15), “increpa-o”, repreendendo-o severamente (gr. epitimáo: 12,16; o verbo usado também nos exorcismos, aquando a expulsão das forças do mal: 8,26; 17,18), e procura afastar dele tão nefastos pensamentos que, a seu ver, nada têm a ver com o Messias, o qual haveria de triunfar sempre sobre os seus inimigos, sendo o seu reino eterno (Sl 110; Dn 7,14), nunca havendo ele, portanto, de morrer (cf. Jo 12,34; Hen 49,2; 62,14), pelo menos segundo a opinião dos rabinos do seu tempo, do séc. I (opinião esta última que mais tarde acabaria por ser deixada).
Tendo tudo isto presente e imbuído dos mais piedosos sentimentos, Pedro procura chamar Jesus à razão, argumentando com a própria misericórdia divina, como literalmente diz: “[Deus tenha] misericórdia de ti” (Is 54,10; cf. 2Sm 20,20; 27,17; 1Cr 11,19). Para ele (tal como para os seus companheiros, de quem é o porta-voz) a vitória de Jesus é certa e ela nunca poderá passar pelo seu próprio fracasso e morte. Mas ao opor-se a que isso aconteça, Pedro está também a tentar impedir que Jesus possa vir a triunfar definitivamente sobre Satanás e sobre a morte e que, através da sua morte e mediante a sua ressurreição venha a surgir a nova criação.
- v. 23. Mas Ele, voltando-se, disse a Pedro: «Vai-te para trás de mim, Satanás. És para mim ocasião de escândalo, porque não tens em mente as coisas de Deus, mas dos homens».
A reação de Jesus é pronta, imediata e enérgica. Ele replica a Pedro, increpando-o também, com dureza, diante de todos, pois é preciso que os discípulos corrijam a perspetiva que têm dele e da missão que o Pai lhe confiou. O plano de Deus não passa por esquemas de glória, domínio e triunfo humanos (4,6.8), mas pelo dom da própria vida por amor até às últimas consequências (do qual a morte na cruz será a suprema expressão).
Ao pôr-se na dianteira, Pedro atravessa-se no caminho de Jesus para ser ele a apontar-lhe o rumo, afastando-o do desígnio do Pai. Retoma assim as tentações de Satanás no início da missão de Jesus (4,3-10). Jesus chama-o, pois, “Satanás” (he. “adversário”: 1Rs 11,14 LXX), avisando-o que está a ser para Ele escândalo (18,7; cf. 1Cor 1,23), literalmente “pedra de tropeço” (Lv 19,14), pois, tentando desviá-lo da vontade do Pai, o quer impedir de alcançar a vitória (Jdt 5,20) sobre a morte.
Mas, logo depois de ter repetido o que dissera a Satanás (“Vai-te”: 4,10), renova o chamamento ao discipulado, que no início tinha feito a Pedro, dizendo-lhe: “vai” para trás de mim, para de novo vires “após mim” (v. 24; 4,19) como meu discípulo, que escuta a minha palavra, para assim assimilar a minha forma de pensar e Me imitar. Para tal, Pedro tem de criar espaço em si e rejeitar o seu modo de pensar meramente humano, carnal (1Cor 3,3; Tg 3,15; Rm 12,2; Ef 4,23s).
- v. 24. Jesus disse então aos seus discípulos: «Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.
vv. 24-27: Mc 8,34-38; Lc 9,23-26.
Em seguida, Jesus mostra que a fé nele não se reduz a palavras (5,19; 7,24), mas traduz-se em obras que comprometem a própria vida. A fé nele passa por O imitar, seguir o Seu mesmo caminho de rejeição e de sofrimento e estar disposto a, como Ele, dar a própria vida. Este é um apelo que nenhum rabino podia fazer, mas apenas Deus. Jesus tradu-lo em quatro pontos: “ir atrás dele”, “renunciar a si mesmo”, “tomar a cruz” e “segui-lo”.
“Se alguém quer”: Jesus não se refere à cruz que dalgum modo está presente na vida de todos, mas interpela a liberdade de cada um, pois ser discípulo dele implica a fé nele e requer o amor, como entrega pessoal e dádiva total.
“Vir atrás” (v. 23) era a atitude do discípulo que seguia atrás do mestre, a uns 9 m de distância com os outros discípulos. Significa caminhar com Jesus e os irmãos em dinâmica pascal, seguindo-o na sua entrega pessoal e no dom da própria vida por amor. Este é o sinal do verdadeiro discípulo, a marca do verdadeiro amor, que vai até ao fim: tanto mais o fará quanto mais o amar (cf. Jr 20,9; Jo 15,13).
Como se concretiza isso? Jesus explicita-o num tríplice movimento.
Primeiro há que “renunciar a si mesmo”, ao seu egoísmo, autossuficiência, projetos, comodidades, posses, gostos, seguranças e maneiras de ver pessoais. O cristão não vive fechado em si mesmo, agarrado à sua própria imagem, estilo e personalidade, na busca do bem-estar, do êxito e da realização pessoal, mas esquece-se de si mesmo e faz da sua vida um dom de amor a Deus e aos outros, a quem põe em primeiro lugar.
Depois há que “tomar a cruz” (10,38)? A cruz é expressão dum amor total, radical, que se dá até à morte. “Tomar a cruz” significa dar a vida por amor, apesar e também no meio das críticas, da rejeição dos outros, das dificuldades, dos fracassos e incompreensões, do desânimo e falta de correspondência; das enfermidades, sofrimentos, contratempos, e erros; dos compromissos e obrigações comunitárias; dos ritmos e estilos dos outros, das quedas e limitações pessoais.
Por último, há que “seguir a Jesus”. "Seguir Jesus" (gr. akoloutheo, "seguir"/"vir atrás de" alguém "escutando") significa caminhar com Ele, certo que Ele está consigo, pondo-o em primeiro lugar, tendo-o como referência fundamental, “caminho, verdade e vida” (Jo 14,6), para seguir os Seus passos, imitar os seus gestos e reproduzir as suas obras, estando sempre atento à Sua voz, para fazer a Sua vontade, obedecendo à Sua Palavra.
- v. 25. Pois aquele que quiser salvar a sua vida, há de perdê-la; mas aquele que perder a sua vida por causa de mim, há de encontrá-la.
v. 25: 10,39, Lc 17,33; Jo 12,25; Ap 12,11.
No final, Jesus explica as razões pelas quais vale a pena fazê-lo. Em primeiro lugar, promete e diz que quem der a sua vida por amor não a vai perder, mas ganhá-la.
- v. 26. Com efeito, que aproveitará a um homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? Ou que poderá dar um homem em troca da sua vida?
v. 26: Lc 12,20; Tg 4,13; Sl 49,8s.
Em seguida, recorda aos discípulos que a vida neste mundo não é a definitiva. Por isso, não devem preocupar-se em preservá-la a qualquer custo: há antes que procurar, já nesta terra, a vida verdadeira, definitiva, a vida eterna, que Ele é e que só tem quem O segue. - v. 27. Porque o Filho do homem há de vir na glória de seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um segundo as suas obras».
Em terceiro lugar, ensina os discípulos a viver na esperança do encontro final com Ele e com o Pai. Declara que é “o Filho do Homem” (Dn 7,13) que “vem” (gr. erkhestai: 3,11; 21,5.9.39; 24,42) nos acontecimentos da história (26,64) e na pessoa dos necessitados (25,40), e que “há-de vir (gr. mellei) na glória” (24,30p; 25,31) “de Seu Pai” (cf. 5,16; Jo 8,54; 17,5; Fl 2,11) “com os seus anjos” (24,31; 2Ts 1,7) para “retribuir a cada um segundo as suas obras” (Sl 62,13; Pv 24,12; Sir 35,22; Rm 2,6; 2Cor 5,10; Ap 20,12; 22,12).
Ler o texto outra vez... Em silêncio, escutar o que Deus diz no segredo...
2) MEDITAÇÃO… PARTILHA… (Que me diz Deus nesta Palavra?)
a) Que frase me toca mais? b) Que diz à minha vida? c) Oração em silêncio…
d) Partilha… e) Que frase reter? f) Como a vou / vamos pôr em prática?
- Esforço-me por descobrir a vontade de Deus a meu respeito em casa, no trabalho, no seio da comunidade crente?
- As minhas opções e escolhas pessoais são motivadas por Jesus Cristo?
- Como reajo perante as dificuldades: procuro ver e escutar a Cristo?
- “Quem perde a vida, ganha-a”. Qual é a minha experiência neste ponto?
3) ORAÇÃO PESSOAL… (Que me faz esta Palavra dizer a Deus?)
4) CONTEMPLAÇÃO… (Saborear a Palavra em Deus, deixando que ela me inflame o coração)
Salmo responsorial Sl 63,2-6.8-9 (R. 2b)
Refrão: A minha alma tem sede de Vós, meu Deus.
Senhor, sois o meu Deus, desde a aurora Vos procuro.
A minha alma tem sede de Vós.
Por Vós suspiro,
como terra árida, sequiosa, sem água. R.
Quero contemplar-Vos no santuário,
para ver o vosso poder e a vossa glória.
A vossa graça vale mais do que a vida;
por isso, os meus lábios hão-de cantar-Vos louvores. R.
Assim Vos bendirei toda a minha vida
e em vosso louvor levantarei as mãos.
Serei saciado com saborosos manjares,
e com vozes de júbilo Vos louvarei. R.
Porque Vos tornastes o meu refúgio,
exulto à sombra das vossas asas.
Unido a Vós estou, Senhor,
a vossa mão me serve de amparo. R.
Pai-nosso…
Oração conclusiva:
Deus todo-poderoso, de quem procede todo o dom perfeito, infundi em nossos corações o amor do vosso nome e, estreitando a nossa união convosco, dai vida ao que em nós é bom e protegei com solicitude esta vida nova. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. T. Amen.
Ave-Maria...
Bênção final. Despedida.
5) AÇÃO... (Caminhar à luz da Palavra, encarnando-a e testemunhando-a na nossa vida, unidos a Cristo e unidos em Cristo)
Fr. Pedro Bravo, O.Carm.