24º Domingo do Tempo comum, ano A – 13 de setembro de 2026


Acolhimento. Sinal da cruz. Oração inicial. Invocação do Espírito Santo:

A. Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis
T. E acendei neles o fogo do vosso amor.
A. Enviai o vosso Espírito e tudo será criado
T. E renovareis a face da terra.

A. Oremos. Senhor, nosso Deus, que iluminastes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, tornai-nos dóceis às suas inspirações, para apreciarmos retamente todas as coisas e gozarmos sempre da sua consolação. Por Cristo, nosso Senhor. T. Amen.

1) LEITURA (Que diz o texto? Que verdade eterna, que convite/promessa de Deus traz?)

Leitura do Evangelho segundo S. Mateus (18,21-35)

18,21Então, aproximando-se Pedro de Jesus, disse-lhe: «Senhor, quantas vezes pecará o meu irmão contra mim e lhe perdoarei? Até sete vezes?» 22Diz-lhe Jesus: «Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete. 23Por isso, o reino dos céus é semelhante a um rei que quis acertar contas com os seus servos. 24Ao começar a acertá-las, trouxeram-lhe um que lhe devia dez mil talentos. 25Como ele não tinha com que pagar, o senhor ordenou que fosse vendido, com a mulher, os filhos e tudo quanto tinha para que assim fosse paga a dívida. 26Então o servo, caindo, prostrou-se diante dele, dizendo: ‘Tem paciência comigo e tudo te pagarei’. 27Enchendo-se de compaixão, o senhor daquele servo deixou-o ir e perdoou-lhe a dívida. 28Mas, ao sair, aquele servo encontrou um outro servo, seu companheiro, que lhe devia cem denários. Agarrando-o, começou a estrangulá-lo, dizendo: ‘Paga o que deves’. 29Então o companheiro, caindo, suplicava-lhe, dizendo: ‘Tem paciência comigo e pagar-te-ei’. 30Mas ele não queria; foi antes lançá-lo na prisão, até que pagasse o que devia. 31Ora, os seus companheiros, vendo o que acontecera, ficaram muito contristados e foram contar ao seu senhor tudo o que acontecera. 32Então, o senhor dele, chamando-o a si, diz-lhe: ‘Servo mau, perdoei-te toda aquela dívida, porque me suplicaste. 33Não era necessário também tu teres misericórdia do outro servo, teu companheiro, como eu tive misericórdia de ti?’ 34E, indignado, o senhor dele entregou-o aos verdugos, até que pagasse tudo o que devia. 35Assim também fará convosco o meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar ao seu irmão, dos vossos corações».

     Ler a primeira vez… Em silêncio, deixar a Palavra ecoar no coração… Observações:

  • v. 21. Então, aproximando-se Pedro de Jesus, disse-lhe: «Senhor, quantas vezes pecará o meu irmão contra mim e lhe perdoarei? Até sete vezes?»

    A passagem de hoje, exclusiva de Mateus, é a quinta e última secção do “discurso eclesial” (cap. 18), o quarto discurso de Jesus neste Evangelho, onde se recolhem ensinamentos seus sobre a vida comunitária.

    Como em qualquer grupo humano, também nas comunidades cristãs, surgem conflitos, tensões, mal-entendidos, ofensas pessoais. É neste contexto que Jesus fala da necessidade do perdão (v. 32).

    Achando-se Pedro, como os discípulos então, a distância do Mestre, “aproxima-se de Jesus” e, na sua qualidade de porta-voz da comunidade, interroga-o sobre os limites do perdão.

    O mandamento do perdão não era novo. Os rabinos ensinavam a perdoar as ofensas e a não guardar rancor contra o irmão que tinha cometido alguma falta (Sr 27,33-28,9), pois só assim Deus lhes perdoaria os seus pecados. Mas afirmavam que esta obrigação de perdoar só existia em relação ao “próximo”, ou seja, aos membros do Povo de Deus (mYom 8,9), embora nunca digam que se deva perdoar sempre. “A opinião”, porém, “de que, segundo o ensinamento farisaico, quem foi ofendido só precisava de perdoar o mesmo ofensor três vezes, não encontra fundamento na literatura rabínica… No máximo, poderia concluir-se da afirmação de que Deus perdoa o mesmo pecado a uma pessoa apenas duas ou três vezes que também o homem não está obrigado a ter um comportamento diferente em relação ao seu próximo; mas esta conclusão não aparece, de facto, expressa em nenhuma parte” (Str-B 1,795). Um exemplo desta última afirmação é a opinião do Rabbi José bar Jehuda (ca. 180 d.C.) segundo o qual Deus só perdoava à mesma pessoa três vezes (bYoma 86b.10 bar; cf. Am 1,3.6.9.11.13; 2,1.4.6; bYoma 87b.13).

    Pedro, no entanto, sabe que Jesus neste ponto assume uma posição radical (cf. 6,14s) e pergunta-lhe se se deve perdoar “até sete vezes” (Lc 17,4) “o meu irmão”, sendo sete o número da perfeição (“tudo”).

  • v. 22. Diz-lhe Jesus: «Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete.

    Jesus responde a Pedro que não basta perdoar sempre (“sete vezes”), mas há que o fazer sempre, de forma plena: “setenta vezes sete” (gr. hebdomekontákis heptá). Embora o número pareça exagerado, a ponto de alguns lerem “setenta e sete vezes”, o texto é claro (Str-B 1,797): ao invés de Lamek, que não deixava passar a mínima ofensa e prometia a máxima vingança (“setenta e sete vezes”: Gn 4,23s), o perdão cristão vai muito além, cobrindo todas as ofensas e superando toda a vingança.

    Jesus é realista. O perdão é um dom, um ato livre da vontade (cf. v. 30: “não queria”), mas tem uma dimensão emocional muito forte, o que faz que, embora muitas vezes se perdoe, não raro a ofensa deixa marcas que não são fáceis de esquecer, acabando a pessoa por guardar "re-sentimento" e a “re-cordar” (reviver na mente e no coração) inúmeras vezes. Sinal de que a ferida não foi curada pela graça e a pessoa ainda não perdoou "do coração" (v. 35). Daí a importância da paciência e da oração (v. 26): há que renovar o ato de perdão até ser capaz de olhar para o outro e o ver e amar como “meu irmão” (v. 35), perdoando-o, assim, tal como Jesus nos perdoou (cf. Lc 23,34.43). Um meio muito eficaz para o conseguir é, por exemplo, a chamada “oração de amorização”, do P. Alírio José Pedrini, scj.

  • v. 23. Por isso, o reino dos céus é semelhante a um rei que quis acertar contas com os seus servos.

    É neste contexto que Jesus conta a parábola do devedor implacável (vv. 23-35). Compara o “reino dos céus” (Deus), “a um homem rei” (lit. 22,2; Jr 38,24), ou seja, a um rei “de carne e sangue” (para o distinguir de Deus, o Rei dos reis: Sl 84,4; Is 44,6; Dn 2,47; Ap 19,16). Este vai “acertar contas” com os seus servos, uma imagem do juízo particular (25,19; Rm 14,12; Hb 4,13; 1Pd 4,5).

    O rei é “o senhor dele” (3x: vv. 32.34) e de todos (gr. kyrios, 7x aqui; cf. Rm 14,8), sendo todos os homens, em relação a ele, “servos” (gr. doulos, 5x: vv. 26.27.28.32) e, em relação uns aos outros, “companheiros de servidão” (gr. syndoulos, “conservo”, 4x: vv. 28.29.31.33; cf. Cl 1,7; 4,7; Ap 6,11; 19,10; 22,9), ou seja, “irmãos” (vv. 21.35; 23,8).

  • v. 24. Ao começar a acertá-las, trouxeram-lhe um que lhe devia dez mil talentos.

    Logo no início trazem-lhe um servo com uma dívida astronómica: 10.000 talentos. Um talento (he. kikkar) pesava cerca de 35 kg, equivalendo um talento de prata a 6.000 denários. Sendo um denário o valor da jorna diária (20,2), dez mil talentos de prata (350 toneladas: 1Cr 29,7.4; 22,14) equivaliam a 60 milhões de jornas, uns 204 mil anos de trabalho. Sendo a época em que Jesus fala entre os anos 3787-3790 após a criação do mundo, segundo a contagem judaica (27-30 d.C.), a quantia representa uma dívida cujo valor se estendia por um período 53 vezes superior ao da criação do ser humano sobre a terra.

    Claro que Jesus fala de “dívidas” (6,12), ou seja, não só pecados, mas também de faltas. A quantia simboliza assim a “dívida” da humanidade pecadora para com Deus, “dívida” que nenhum ser humano por si só é capaz de pagar (cf. Sl 49,7s) e da qual só Deus o pode resgatar (cf. Sl 130,7s; Is 41,14).

  • v. 25. Como ele não tinha com que pagar, o senhor ordenou que fosse vendido, com a mulher, os filhos e tudo quanto tinha para que assim fosse paga a dívida.

    “Não tendo com que pagar”, “o senhor”, que era rei (v. 23), sentenciou que aquele servo fosse vendido com toda a sua família e todos os seus bens “para que assim fosse paga a dívida”. Na Antiguidade as dívidas pagavam-se através da venda dos bens e da escravidão (cf. Ex 22,2; Lv 25,10.39; Jz 10,7; Is 50,1; Fl.Jos. Ant. 16,1,1). Mas o valor recebido, apesar de incluir o servo, toda a sua família e bens, fica ainda muito aquém da dívida.

  • v. 26. Então o servo, caindo, prostrou-se diante dele, dizendo: ‘Tem paciência comigo e tudo te pagarei’.

    O servo, então, prostrado (como que em oração: 2,2.8.11; 8,2; 9,13; 14,33; 15,25; 20,20; 28,9.17), implora ao “seu senhor” que tenha paciência e promete-lhe fazer o que todos logo sabem ser impossível: “pagar tudo”.

  • v. 27. Enchendo-se de compaixão, o senhor daquele servo deixou-o ir e perdoou-lhe a dívida.

    Surpreendentemente, “o senhor daquele servo” (24,50) “encheu-se de compaixão” (gr. splanknízômai: 9,36; 14,14; 15,32; 20,34; Lc 15,20) e sem nada exigir, nem nada ter recebido do servo (cf. Is 45,13), além da sua súplica mal alinhavada, perdoa-lhe tudo e deixa-o ir em liberdade (Sl 103,3; Sb 12,16.; Lc 7,42). O exagero da dívida serve para pôr em relevo a imensidão da misericórdia deste rei “humano” e “senhor”, imagem de Deus (Sb 12,18-19), que quer perdoar à humanidade o seu pecado, perdão este que se traduz no perdão a cada um dos homens.

  • v. 28. Mas, ao sair, aquele servo encontrou um outro servo, seu companheiro, que lhe devia cem denários. Agarrando-o, começou a estrangulá-lo, dizendo: ‘Paga o que deves’.

    Ao ato do senhor, contrapõe-se a atitude do servo, que, tendo experimentado a infinita misericórdia daquele, se recusa, mal sai em liberdade, a perdoar “a um outro servo, seu companheiro” (gr. syndoulos: “conservo”: 24,49; Rm 13,7) que lhe devia 100 denários (uns três meses e meio de ordenado), quantia 600.000 vezes inferior à sua dívida. Agarra-o e começa a esganá-lo, exigindo o pagamento imediato da dívida (cf. Rm 13,7).

  • v. 29. Então o companheiro, caindo, suplicava-lhe, dizendo: ‘Tem paciência comigo e pagar-te-ei’.

    Apesar do pedido do seu colega, semelhante ao seu, mas muito mais verdadeiro e realista (v. 26), de ter paciência e aguardar um pouco, pois logo lhe pagará (não diz “tudo” de uma vez)…

  • v. 30. Mas ele não queria; foi antes lançá-lo na prisão, até que pagasse o que devia.

    …o servo não acede e quase lhe tira a hipótese de o fazer, mandando-o prender.

  • v. 31. Ora, os seus companheiros, vendo o que acontecera, ficaram muito contristados e foram contar ao seu senhor tudo o que acontecera.

    Perante isto, os seus companheiros ficam profundamente contristados (gr. lypéô, Mt, 6x: cf. Rm 14,15; 2Cor 7,9; Ef 4,30) e vão contar “ao seu senhor”.

  • v. 32, Então, o senhor dele, chamando-o a si, diz-lhe: ‘Servo mau, perdoei-te toda aquela dívida, porque me suplicaste.

    “O senhor” manda chamar aquele servo e repreende-o.

  • v. 33. Não era necessário também tu teres misericórdia do outro servo, teu companheiro, como eu tive misericórdia de ti?’

    "O senhor" dá então a chave da parábola: “não era necessário também tu teres misericórdia do teu companheiro, como eu tive misericórdia de ti?” “Ser necessário” (gr. deî, Mt, 8x) é um verbo que noutros contextos aponta uma necessidade teológica, a vontade de Deus expressa na Escritura (16,21; 26,54) ou seja, ter misericórdia do irmão e perdoar sempre, como Deus o faz (5,7; 1Jo 4,11).

  • v. 34. E, indignado, o senhor dele entregou-o aos verdugos, até que pagasse tudo o que devia.

    “Indignado” (22,7), “o senhor” mostra que quem não perdoar como o primeiro “servo mau” (v. 32), ficará na prisão (do não-perdão), atormentado por “verdugos” (sofrimentos), até ter pago (perdoado) tudo (5,25s).

  • v. 35. Assim também fará convosco o meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar ao seu irmão, dos vossos corações».

    v. 35: cf. 6,14s; 7,2p; Mc 11,26.

    A parábola desperta-nos para a misericórdia de Deus que, embora seja infinita, depende de quem a recebe. O perdão de Deus é gratuito, infinito, total; mas para o receber, aquele que recebeu a remissão dos pecados, deve por sua vez perdoar o próximo tal como Deus o perdoou (6,12; Cl 3,13). Existe uma relação entre o perdão que se dá e o perdão que se recebe: Deus perdoa sempre, mas só recebe o seu perdão quem se dispõe a perdoar ao seu próximo como Ele o faz.

    Ler o texto outra vez... Em silêncio, escutar o que Deus diz no segredo...

2) MEDITAÇÃO… PARTILHA… (Que me diz Deus nesta Palavra?)

    a) Que frase me toca mais? b) Que diz à minha vida? c) Oração em silêncio…
    d) Partilha… e) Que frase reter? f) Como a vou / vamos pôr em prática?

  • Perante uma falha dum irmão (por pouco importante que seja), sinto-me ofendido e indignada, assumo a postura da vítima injustiçada, lesada e magoada? Ganho-lhe ódio, tomo atitudes de vingança ou de desforra para com ele? Julgo-o, falo mal dele e difamo-o? Ou perdoo-o como Cristo?

3) ORAÇÃO PESSOAL… (Que me faz esta Palavra dizer a Deus?)

4) CONTEMPLAÇÃO… (Saborear a Palavra em Deus, deixando que ela me inflame o coração)

Salmo responsorial                                          Sl 103,1-4.9-12 (R. cf. 8)

Refrão: O Senhor é clemente e compassivo, cheio de misericórdia para com todos.

Bendiz, ó minha alma, o Senhor
e todo o meu ser bendiga o seu nome santo.
Bendiz, ó minha alma, o Senhor
e não esqueças nenhum dos seus benefícios.                R.

Ele perdoa todos os teus pecados
e cura as tuas enfermidades.
Salva da morte a tua vida
e coroa-te de graça e misericórdia.          R.

Não está sempre a repreender
nem guarda ressentimento.
Não nos tratou segundo os nossos pecados
nem nos castigou segundo as nossas culpas.                R.

Como a distância da terra aos céus,
assim e grande a sua misericórdia para os que O temem.
Como o oriente dista do Ocidente,
assim Ele afasta de nós os nossos pecados.       R.

Pai-nosso…

Oração conclusiva:

Deus, Criador e guia de todas as coisas, lançai sobre nós o vosso olhar; e para sentirmos em nós os efeitos do vosso amor, dai-nos a graça de Vos servirmos com todo o coração. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. T. Amen.

Ave-Maria...

Bênção final. Despedida.

5) AÇÃO... (Caminhar à luz da Palavra, encarnando-a e testemunhando-a na nossa vida, unidos a Cristo e unidos em Cristo)

PB (para sugestões, perguntas ou correções, p.f. contactar: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ter o JavaScript autorizado para o visualizar.)

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