30º domingo do Tempo Comum, ano A – 25 de outubro de 2026


LECTIO DIVINA – LEITURA, NO ESPÍRITO, DA PALAVRA DE DEUS

Acolhimento. Sinal da cruz. Oração inicial. Invocação do Espírito Santo:

A. Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis
T. E acendei neles o fogo do vosso amor.
A. Enviai o vosso Espírito e tudo será criado
T. E renovareis a face da terra.

A. Oremos. Senhor, nosso Deus, que iluminastes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, tornai-nos dóceis às suas inspirações, para apreciarmos retamente todas as coisas e gozarmos sempre da sua consolação. Por Cristo, nosso Senhor. T. Amen.

1) LEITURA (Que diz o texto? Que verdade eterna, que convite/promessa de Deus traz?)

Leitura do Evangelho segundo S. Mateus (22,34-40)

22,34Quando os fariseus ouviram dizer que Jesus tinha feito calar os saduceus, reuniram-se em comum 35e um deles, que era doutor da lei, interrogou-o para o pôr à prova: 36«Mestre, qual é grande mandamento na Lei?» 37Ele disse-lhe: «‘Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento’. 38Este é o grande e primeiro mandamento. 39O segundo, porém, é semelhante a este: ‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo’. 40Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas».

Ler a primeira vez… Em silêncio, deixar a Palavra ecoar no coração… Observações:

  • v. 34. Quando os fariseus ouviram dizer que Jesus tinha feito calar os saduceus, reuniram-se em comum.

    vv. 34-40: Mc 12,28-34; Lc 10,25-28.

    Continuamos em Jerusalém, no Templo, a escassos dias da morte e ressurreição de Jesus. Os dirigentes de Israel já decidiram que Jesus não vem de Deus e que deve ser supliciado de forma exemplar. Procuram então apanhá-lo nalguma palavra, para reunir provas a fim de o acusar perante o Sinédrio. Ao ouvir dizer que Jesus “tinha feito calar os saduceus” a respeito da ressurreição dos mortos, os fariseus “reúnem-se” (gr. synagô: 26,3.57; 27,62; Sl 2,2; At 4,26s) “em comum” (lit. “para o mesmo”, “no mesmo lugar”), junto de Jesus para o interrogar sobre três pontos da Lei que então eram muito debatidos e controversos entre os rabinos.

  • v. 35. E um deles, que era doutor da lei, interrogou-o para o pôr à prova.

    A pergunta do texto hodierno é sobre a terceira e última questão controversa que os dirigentes judaicos põem a Jesus: qual é o maior mandamento da Lei? Quem O interroga, em nome de todos, é um “doutor da lei” (gr. nomikós), com o objetivo de o pôr à prova, literalmente “para o tentar” (Mt, 6x, sendo esta a última: 16,1; 19,3; 22,18; Ex 17,2.7; Nm 14,22; Sl 78,41; 95,9), ou seja, “para o experimentar” e ver se caía nalguma heresia.

  • v. 36. «Mestre, qual é grande mandamento na Lei?»

    Como nas duas primeiras perguntas, o interlocutor começa por interpelar Jesus como «Mestre» (vv. 16.24). Neste caso, o que pretendem é mostrar que, embora o chamem “mestre” (10,24; Mt, 12x), Jesus não passa de um impostor, um ignorante que nunca estudou a Lei (Jo 7,15) e que a desconhece, não sendo, por isso, digno de crédito.

    A discussão sobre “o grande mandamento”, o mais importante da Lei, não era pacífica entre os rabinos. Além da Torá, a Lei escrita dada por Deus, eles tinham deduzido um conjunto de 613 mandamentos (365 negativos, proibições, tantas quantos os dias do ano; e 248 positivos, prescrições, tantos quanto os membros do corpo humano: bMak 23b.18-24a.1), a lei oral (bShab 31a), que faziam remontar a Moisés, dando-lhe o mesmo valor que à lei escrita, a Palavra de Deus. Qual destes seria o maior mandamento?

  • v. 37. Ele disse-lhe: «‘Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento’.

    Ultrapassando o horizonte estreito, meramente legalista, da questão e os meandros das elucubrações humanas, Jesus responde a partir da Palavra de Deus, citando a frase inicial da oração mais importante do judaísmo, o Shemá (Dt 6,5; Js 22,5), que os judeus recitam quatro vezes ao dia (duas vezes na oração pessoal, ao levantar e depois do anoitecer; e duas vezes no ofício sinagogal, na oração da manhã e na da tarde). Para Jesus o fundamental não é definir a lei mais importante, mas reconduzir o homem à fonte do seu ser, à plenitude e meta da sua vida: o amor de Deus.

    “Amarás o Senhor”: Deus amou-nos primeiro. O nosso amor a Ele decorre do Seu amor por nós. Por isso o verbo está no futuro: para amar a Deus, há que “O conhecer”, experimentar o seu amor por nós e “acreditar nele” (1Jo 4,16).

    “Teu Deus”: para isso há que descobrir a Deus, encontrar-se com Ele, de forma a relacionar pessoalmente com Ele, tendo-o como único Senhor da própria vida e existência.

    O amor de Deus deve encher, permear e impelir toda a nossa vida, como diz a Mishná: “de todo o coração, isto é, com as tuas duas inclinações, a boa e a má; de toda a tua alma, quer dizer, também quando te tiram a vida” (mBer 9,5).

    Em vez do termo original “forças”, Mateus diz: “de todo o teu entendimento” (gr. dianóia: Js 22,5; cf. Lc 10,27), ou seja, com a tua mente e as suas faculdades (pensar, raciocinar, planear e criar: cf. Gn 8,21).

  • v. 38. Este é o grande e primeiro mandamento.

    “Este é o grande mandamento”. O amor a Deus é “o grande” mandamento (com artigo; 1Cor 13,13) porque: a) tem por objeto Deus, que é absoluto, eterno, infinito, sendo Ele a fonte, a razão e meta do ser, vida e existência do homem, desde a sua origem até à sua plenitude, na eternidade; b) deve imbuir toda a existência e atos humanos; c) pode levar a deixar tudo por Deus (8,19-22; 10,37s; 19,21.29; Lc 14,33); d) e exigir o sacrifício da própria vida (10,39; 16,24s).

    Além disso, é o “primeiro mandamento” porque: e) é do amor de Deus que nos amou primeiro que “nasce” o nosso amor a Ele e ao próximo (1Jo 4,7.19); f) é o fundamento de todos os outros mandamentos, que engloba, informa, impele e ultrapassa, dando-lhes sentido, valor e razão de ser.

  • v. 39. O segundo, porém, é semelhante a este: ‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo’.

    Ao primeiro mandamento, Jesus junta, como inseparável complemento, um segundo mandamento, que não fazia parte do Shemá, mas vinha na Lei e que Ele, pela terceira e última vez neste Evangelho (5,43; 19,19), volta a citar: “O segundo, porém, é semelhante a este: Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Lv 19,18; Rm 13,9; Gl 5,14; Tg 2,8; cf. 1Jo 4,21).

    O amor ao próximo é “o segundo” mandamento, porque é fruto do “primeiro”, o amor a Deus, que tem sempre a iniciativa.

    “É semelhante” ao amor a Deus, porque: a) o amor de Deus por nós é eterno (Sl 103,17; Jr 31,3); b) é no amor ao próximo que se comprova o amor a Deus (25,40.45s; 1Jo 4,20; 3,17); c) se o amor a Deus é o primeiro na ordem da intenção, o amor ao próximo é o primeiro na ordem da execução (5,24); d) o amor ao próximo que Jesus quer encontrar nos seus discípulos é um amor à imagem do seu, à semelhança do amor do Pai (5,48).

    Assim, embora este mandamento já viesse na Lei, Jesus dá-lhe um novo conteúdo, dizendo que “é semelhante” ao amor a Deus. Por isso, para Jesus, “o próximo” não são apenas os parentes, os membros do povo de Israel (Lv 19,18) ou os semelhantes (Sr 13,15), como no AT, mas todos aqueles com quem nos relacionamos no nosso dia-a-dia, independentemente da sua origem, etnia, aspeto e condição social; todos aqueles a quem o Pai ama, em particular, os que sofrem e os necessitados (25,31-46; Lc 10,25-37), e também os nossos perseguidores e aqueles que se fazem nossos inimigos (5,43-48; Dt 10,16-19).

    A estes próximos há que amar “como a si mesmo”: não apenas como cada um se ama a si mesmo (Sir 14,6; Ef 5,28), mas como um outro eu (Rm 12,5; Ef 4,25), com alguém a quem Deus ama tanto como me ama a mim.

    Jesus resume, desta forma, toda a vontade de Deus no duplo mandamento do amor. Ao fazê-lo, revela uma grande originalidade: esta não reside tanto nos preceitos do amor a Deus e ao próximo (já conhecidos do AT) mas no facto de Ele os unir, equiparando-os e fazendo deles as duas faces da mesma moeda, a do amor, que é a natureza de Deus (1Jo 4,8.16) que se “tra-duz” na Sua vontade, expressa na Escritura.

    Para Jesus, cada um destes mandamentos, considerado em si mesmo, é incompleto, precisando do outro para que se possa pôr em prática: sem o amor ao próximo, o amor a Deus não é verdadeiro; mas sem o amor a Deus, o amor ao próximo pode reduzir-se a um egoísmo coletivo, de grupo ou de classe, que não se estende a todos, mas apenas a alguns.

  • v. 40. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas».

    Jesus conclui dizendo que é destes dois mandamentos que “dependem toda a Lei e os profetas” (Rm 13,9s; Gl 5,14).

    “A Lei e os profetas” (Mt, 4x: 7,12) é uma expressão que designa toda a Sagrada Escritura (5,17; 11,13). São as duas leituras que se fazem na Sinagoga e que o povo iletrado conhecia, porque as ouvia ler no culto: a primeira, da Lei (a Torá, os cinco primeiros livros da Bíblia); e a segunda, dos “profetas”, designação que na Bíblia hebraica (Tanak) incluiu os “profetas anteriores”, os livros históricos, de Josué a 2 Crónicas, e os “profetas posteriores” os livros proféticos, de Isaías a Malaquias.

    Tudo o que Deus fez e revelou ao longo da história da salvação tem a sua origem e meta no seu amor, que se manifesta no seu amor ao homem, de quem Ele se aproximou e aproxima de si. Este duplo amor é a razão, a meta e a finalidade do AT, o seu critério de interpretação: tudo o que estiver de acordo com ele, permanece; o restante, cai. E é neste duplo mandamento que o homem, criado à imagem e semelhança de Deus, se realiza e alcança a sua plenitude e verdadeira felicidade, não apenas sobre a terra, mas também na eternidade.

    Ler o texto outra vez... Em silêncio, escutar o que Deus diz no segredo...

2) MEDITAÇÃO… PARTILHA… (Que me diz Deus nesta Palavra?)

     a) Que frase me toca mais? b) Que diz à minha vida? c) Oração em silêncio…
     d) Partilha… e) Que frase reter? f) Como a vou / vamos pôr em prática?

  • Esforço-me por escutar a vontade de Deus? Tenho o coração aberto à voz de Deus ou fecho-me no meu egoísmo e preconceitos?

  • Procuro ser uma testemunha profética do amor de Deus no meio do mundo ou fico no meu cantinho e instalo-me no meu comodismo?

  • O que é, para mim, amar os irmãos? A minha vida é posta ao seu serviço, sem distinção de etnia, aspeto, estatuto ou condição social?

  • Há alguma pessoa, que me é próxima e que eu, entretanto, “risquei da lista” das minhas conversas e relações pessoais?

3) ORAÇÃO PESSOAL… (Que me faz esta Palavra dizer a Deus?)

4) CONTEMPLAÇÃO… (Saborear a Palavra em Deus, deixando que ela me inflame o coração)

Salmo responsorial                                             Sl 18,2-3.7.47.51 (R. 2)

Refrão: Eu Vos amo, Senhor: Vós sois a minha força.

Eu Vos amo, Senhor, minha força,
minha fortaleza, meu refúgio e meu libertador.
Meu Deus, auxílio em que ponho a minha confiança,
meu protetor, minha defesa e meu salvador.    R.

Na minha aflição invoquei o Senhor
e clamei pelo meu Deus.
Do seu templo Ele ouviu a minha voz
e o meu clamor chegou aos seus ouvidos.     R.

Viva o Senhor, bendito seja o meu protetor;
exaltado seja Deus, meu salvador.
O Senhor dá ao Rei grandes vitórias
e usa de bondade para com o seu Ungido.     R.

Pai-nosso…

Oração conclusiva:

Senhor nosso Deus, que dais a maior prova do vosso poder quando perdoais e Vos compadeceis, derramai sobre nós a vossa graça, para que, correndo prontamente para os bens prometidos, nos tornemos um dia participantes da felicidade celeste. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. T. Amen.

Ave-Maria (ou outra prece ou cântico marianos)

Bênção final. Despedida.

5) AÇÃO... (Caminhar à luz da Palavra, encarnando-a e testemunhando-a na nossa vida, unidos a Cristo e unidos em Cristo)

PB (para sugestões, perguntas ou correções, contactar, p.f. Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ter o JavaScript autorizado para o visualizar.)

Fonte das imagens: Public domain

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