Tema: “O puríssimo Coração de Maria, caminho de santidade”
Dia 8 – “Bem-aventurados os artífices da paz, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5,9)
Continuamos a contemplar o puríssimo e Imaculado Coração de Maria à luz das bem-aventuranças, a fim de o conhecer melhor, amar mais e imitar mais fielmente, para dele aprendermos a seguir mais de perto a Jesus, caminho de santidade.
A sexta bem-aventurança parte da anterior, pois é só de um coração puro que brota a verdadeira paz.
Na Bíblia, “paz” não é a mera ausência de guerra; indica a harmonia com Deus, com os outros, consigo mesmo e com a própria criação. Ela é o conjunto de todas as graças, bênçãos e dons que Deus prometeu no Antigo Testamento para os tempos messiânicos, dons com Ele nos abençoou em Cristo, seu Filho, e que só alcançamos quando O acolhemos no nosso coração como nosso único Senhor e lhe correspondemos com a nossa vida, caminhando na luz do seu amor, como disseram os anjos em Belém: “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade” (Lc 2,14).
A paz de que Jesus aqui no fala é a paz que nasce da reconciliação com Deus, com o próximo e consigo mesmos, a paz que brota do coração puro e da boa consciência, daquele que conhece a Deus e vive em comunhão com Ele e com os irmãos em Cristo, como diz a Regra carmelita (R 2).
“Artífices da paz” são os que, reconciliados, vivem em paz com todos, empenhando-se e contribuindo para que a paz seja uma realidade no seu coração, em sua casa, na comunidade, no seu país, na terra, em cada ser humano, bem como em toda a criação.
“Bem-aventurados” são os que o fazem sem recorrer à violência, à coação ou ao uso da força, esforçando-se por pôr fim às guerras e aos conflitos; são os que procuram levar os contendedores ao diálogo, os inimigos à reconciliação; são os que perdoam de coração, os que fazem bem a quem lhes fez mal, os que, sem buscar o próprio interesse, fomentam a concórdia e constroem a comunhão fraterna; são os que amam os inimigos e oram pelos que os perseguem.
Os justos vivem em paz, porque põem em Deus toda a sua confiança, como nos diz Isaías na leitura de hoje: “Tem cuidado, não temas. Não desanimes, nem te assustes… Se não tiverdes fé, não vos mantereis firmes” (Is 7,4.9). Nesse mesmo sentido, nos exorta S. Teresa de Jesus naquele seu tão conhecido poema: “Nada te perturbe, nada te espante, Tudo passa, Deus não muda, A paciência tudo alcança. Quem a Deus tem, nada lhe falta. Só Deus basta” (P 9: Obras, 969).
A promessa de Jesus, é que estes – e só estes – artífices da paz “serão chamados filhos de Deus”.
Maria, porque pôs toda a sua confiança em Deus, viveu e permaneceu sempre em paz. “Paz” foi a primeira palavra que escutou do Arcanjo Gabriel quando este a saudou: “Shalom”. E é com esta mesma palavra que saúda Isabel, sua parenta, quando entra em casa dela. Diz-nos S. Lucas que “quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou no ventre, Isabel ficou repleta do Espírito Santo” e profetizou (Lc 1,41). “Paz” é o outro nome do Espírito Santo. Em Nazaré, Maria fica em paz quando todos veem que ficou grávida antes do casamento e José – o único a saber que a criança não era dele– pensa em deixá-la. Em Belém, fica em paz mesmo quando não encontra pousada que a queira receber, apesar de estar prestes a dar à luz. Ao pé da cruz, Maria, por mandato do seu Filho, recebe João como filho, nele acolhendo toda a humanidade. Toda a humanidade que estava a ser a causa da morte do seu Filho e pela qual o seu Filho estava a morrer. E em Fátima, Maria, a Rainha da paz, vem pedir penitência e oração para que o mundo tenha a paz. Por isso mesmo quis instaurar o culto ao seu Imaculado Coração. Para que vendo-o, o imitemos, e imitando-o sigamos a Jesus, o Príncipe da Paz.
Tal como Jesus, nossa paz (Ef 2,14), Maria une, não divide. Na Igreja nascente, ela reúne e sustenta a oração, num só coração e numa só alma, dos apóstolos e dos discípulos, que pedem e aguardam a descida do Espírito Santo sobre eles. E prossegue na Igreja nascente com esta obra de paz, que agora, já assunta aos céus, ajuda a levar a cabo na Igreja e quer promover e instaurar em toda a humanidade.
Por isso, a obra de Maria prospera sempre. Porque só se mantém e prospera o que se planta e edifica na paz.
Revisão de vida. Perguntemo-nos: estou reconciliado com Deus, comigo mesmo e com os irmãos e irmãs? Tenho sido instrumento de paz e de reconciliação na família, no trabalho e na comunidade?
Ação. Reconciliar-se com Deus ou com os outros, se ainda o não estou. Promover um gesto concreto de paz e de reconciliação.
Oração. Senhor, nosso Deus, fonte da verdadeira paz, fazei de nós instrumentos de reconciliação e de paz. Libertai-nos de tudo o que semeia divisão, violência e ressentimento. Que, seguindo os passos de Jesus Cristo, Príncipe da Paz, saibamos construir a comunhão nas nossas famílias, comunidades e lugares onde vivemos, para que o mundo reconheça em nós vossos filhos. Por Cristo, nosso Senhor. Amen.
Maria, Mãe pura e imaculada, Rainha da Paz, ajuda-nos a ser artífices da paz. Ensina-nos a vencer o mal com o bem, a ofensa com o perdão, discórdia com a união, o ódio com o amor. Faz que reconciliados com Deus, connosco mesmos e com os irmãos, sejamos no mundo testemunhas da paz que jorra do Coração de Cristo, teu Filho. Amen.
℣. Maria, Mãe do coração puro, mulher das Bem-aventuranças.
℟. Roga por nós, ajuda-nos a seguir fielmente o teu Filho.