Acolhimento. Sinal da cruz. Oração inicial. Invocação do Espírito Santo:
A. Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis
T. E acendei neles o fogo do vosso amor.
A. Enviai o vosso Espírito e tudo será criado
T. E renovareis a face da terra.
A. Oremos. Senhor, nosso Deus, que iluminastes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, tornai-nos dóceis às suas inspirações, para apreciarmos retamente todas as coisas e gozarmos sempre da sua consolação. Por Cristo, nosso Senhor. T. Amen.
1) LEITURA (Que diz o texto? Que verdade eterna, que convite/promessa de Deus traz?)
Leitura do Evangelho segundo S. Mateus (9,9-13)
Naquele tempo, 9,9ao passar, Jesus viu um homem, chamado Mateus, sentado na banca de cobrança dos impostos e diz-lhe: «Segue-me». Ele levantou-se e seguiu-o. 10E aconteceu que estando ele em casa, reclinado à mesa, eis que muitos publicanos e pecadores vieram reclinar-se à mesa com Jesus e com os seus discípulos. 11Ao verem isto, os fariseus diziam aos discípulos dele: «Por que razão come o vosso Mestre com os publicanos e os pecadores?». 12Ele, porém, ouvindo, disse: «Não são os fortes que precisam de médico, mas os que têm algum mal. 13Ide e aprendei o que significa: “Misericórdia quero e não sacrifício”; pois não vim chamar justos, mas pecadores».
Ler a primeira vez… Em silêncio, deixar a Palavra ecoar no coração… Observações:
O presente texto faz parte da terceira secção do Evangelho de Mateus (8-10) onde ele mostra como o reino de Deus se começa a manifestar entre os homens por meio de Jesus. Nela, o autor coloca-nos diante de três conjuntos de “sinais” de Jesus que tornam presente o Reino (8,1-15; 8,23-9,8; 9,18-31). Entre cada um destes conjuntos aparecem notas sobre o significado dos gestos de Jesus e diversos apelos ao seu seguimento. É o caso do texto de hoje. Este segue-se ao episódio da cura do paralítico através do perdão dos pecados (9,1-8) e compõe-se de dois episódios: 1) o chamamento de Mateus (v. 9); 2) e o banquete em casa de Mateus, com uma controvérsia com os fariseus (vv. 10-13).
- v. 9. Ao passar, Jesus viu um homem, chamado Mateus, sentado na banca de cobrança dos impostos e diz-lhe: «Segue-me». E ele levantou-se e seguiu-o.
vv. 9-13: Mc 2,13-17; Lc 5,27-32.
“Ao passar” (v. 27; 20,30; Mc 1,16; 15,21; 1Sm 16,19s): ao invés dos rabinos, que recrutavam os seus discípulos no interior dos círculos religiosos, Jesus “primeira”, toma a iniciativa e vai ao encontro das pessoas onde elas se encontram (v. infra).
“Viu”: Jesus “vê” as pessoas com o olhar de Deus (Gn 1,31; Ex 3,4; 4,31; Jn 3,10; 1Sm 16,6).
“Um homem sentado na banca de cobrança dos impostos”. Cafarnaum era uma “cidade” (Lc 4,31) marítima, fronteiriça (4,13), próxima da Via Maris (4,15), onde havia uma guarnição romana (8,5; Lc 7,2) e trabalhavam diversos funcionários reais (Jo 4,46) e coletores de impostos (17,24), entre os quais os publicanos (gr. telônes), que coletavam as taxas alfandegárias para a administração do tetrarca Herodes Antipas.
Os publicanos alugavam a sua banca de cobrança, pagando uma determinada renda anual e tirando o seu rendimento dos impostos cobrados. Apesar das taxas serem estipuladas pela administração local (Lc 3,13), elas não eram certas, aproveitando-se eles não raro disso para cobrar mais às pessoas. Por isso, eram considerados mentirosos e ladrões (mHag 3,6; mNed 3,4), não podendo testemunhar em tribunal (mBQ 10,1-2; mSanh 3,3; bSanh 25b Bar), sendo considerados impuros, tal como os gentios, que tornavam impura toda a casa onde entrassem (18,17; mToh 7,6). Eram desprezados pelo povo (bem como os membros da sua casa) e tidos por pecadores (v. 11; 5,46; 11,19; 21,31s; Lc 19,7) que praticamente nunca poderiam alcançar a remissão dos seus pecados (cf. Lc 18,10-14), por ser muito difícil poderem reparar o mal que tinham feito, restituindo o que tinham roubado (cf. Lc 19,8), por não ser possível lembrar-se do que tinham roubado a cada pessoa, nem serem capazes de reencontrar todos os que tinham prejudicado. Os fariseus, ciosos da sua própria pureza, cruzavam a rua e passavam para o outro lado quando os viam vir ao seu encontro.
“Chamado Mateus” (he. “presente de Deus”). Marcos e Lucas designam-no “Levi, filho de Alfeu” (Mc 2,14) ,”o publicano” (10,3; Lc 5,27), embora seja Mateus o nome que incluem nas listas dos apóstolos (Mc 3,18; Lc 6,15; At 1,13). Por isso, deve ser o próprio evangelista a indicar aqui o seu nome.
“E diz-lhe: ‘Segue-me’“ (8,22; Lc 9,9). Ao invés dos judeus, entre os quais, até hoje, é o discípulo que escolhe o rabino, aqui é Jesus quem chama os seus discípulos, tal como Elias chamou Eliseu por mandato divino, no meio do seu trabalho, no seio da própria vida (1Rs 19,19s). Mas, ao invés dos rabinos, que só aceitavam por discípulos pessoas virtuosas, que gozassem de boa fama, Jesus escolhe e chama também pecadores (v.11).
“E [ele] levantando-se”. “Levantando-se” (gr. anastás) é uma forma verbal que evoca a ressurreição (Mc 16,9) e indica a prontidão para deixar a vida anterior, a que se tinha acomodado, para iniciar uma vida nova, percorrendo o caminho que Deus lhe indica (cf. Gn 22,3; 24,54; 32,23; Js 1,2 LXX; 2Rs 1,3; At 10,20).
“Seguiu-o”: o verbo “seguir” (gr. akolouthéô, Mt: 24x) traduz a ação de “ir atrás” (4,19s. 22). Define a atitude do discípulo que aceita ligar-se pessoalmente ao seu “mestre”, a fim de escutar o seu ensino e de lhe obedecer (8,22s; Jt 2,3), caminhando atrás dele e imitando os seus gestos e estilo de vida.
Mateus responde logo, sem objeções, nem pedidos de esclarecimento, e “levantando-se”, larga a coletoria de impostos, a sua fonte de rendimentos, e segue Jesus, deixando tudo para viver numa adesão plena, total e radical ao Mestre. O seguimento de Jesus exige rutura.
- v. 10. E aconteceu que estando ele em casa, reclinado à mesa, eis que muitos publicanos e pecadores vieram reclinar-se à mesa com Jesus e com os seus discípulos.
Mateus celebra o encontro com Jesus, que transformou a sua vida, com um banquete em “casa” (a sua: Lc 5,29), ou seja, no seio da sua própria família. Convida para ele Jesus e os seus discípulos, bem como os colegas e amigos seus, “publicanos e pecadores” (11,19), ou seja, pecadores notórios que não podiam ser chamados como juízes ou testemunhas (mSanh 3,3; bSanh 25b: pastores, jogadores, usurários, ladrões, violentos, cobradores de impostos) e eram tidos como impuros ou idólatras (Midr GnR 41). Mateus, mal é chamado por Jesus, logo se torna seu mensageiro, indo em primeiro lugar aos que, como ele, andavam perdidos (cf. 10,6).
O banquete era para os judeus o lugar do encontro, da fraternidade e da amizade. Nos banquetes, os convivas comiam à boa maneira romana, reclinados sobre poltronas dispostas à volta da mesa. Reclinar-se à mesa com alguém significava estabelecer laços profundos, íntimos e familiares de comunhão com ele. Por isso, o “banquete” é, para Jesus, o símbolo por excelência do Reino dos céus (8,11; 22,1-14). Ao reclinar-se à mesa com os publicanos e pecadores, Jesus mostra que veio trazer a salvação a todos, sem exceção, e que todos têm lugar no Reino de Deus. A única condição para se sentar à mesa nele é aceitar com fé a palavra e aderir à oferta de salvação de Jesus.
- v. 11. Ao verem isto, os fariseus diziam aos discípulos dele: «Por que razão come o vosso Mestre com os publicanos e os pecadores?».
Os fariseus (he. perushim, “separados”), descendentes dos hassidim (he. “piedosos”: 1Ma 2,42; 2Ma 14,6), viviam separados dos gentios, tendo proibido a comunhão de mesa com eles, pois isso significava para eles contaminar-se, tornando-se impuros (cf. Lv 10,10; Ez 22,26; 44,23). Tinham elaborado mais de 500 preceitos de pureza legal, que eram rigorosamente observados pelos judeus, quer de Israel (At 10,28), quer na Diáspora (At 15,20s).
Por isso, “ao verem” Jesus comer com os pecadores – porque não estavam à mesa, mas observavam o que Jesus fazia, notando que isso era interdito aos discípulos (bBer 43b Bar: Str-B 1,498s) –, com medo de enfrentar Jesus, que desdenham (11,19p), perguntam aos discípulos, em tom de censura, porque é que o seu Mestre come com eles. Trata-se dum problema que persistiu mais tarde em certos grupos judeo-cristãos que não queriam comer à mesa com os cristãos provindos da gentilidade (Gl 2,12). Mateus recorda-lhes que Jesus comia com todos na mesma casa e na mesma mesa.
- v. 12. Ele, porém, ouvindo, disse: «Não são os fortes que precisam de médico, mas os que têm algum mal.
Ao ouvir os fariseus, Jesus intervém em defesa dos seus discípulos. Responde com dois argumentos. O primeiro é um provérbio da sabedoria popular: “Não são os fortes que precisam de médico, mas os que têm algum mal”. “Os fortes” são “os sãos” (Lc 5,31), “que estão cheios de vigor” (cf. Ez 34,16); ao invés, “os que têm algum mal” são os doentes (4,24; 8,16; 14,35; Ez 34,4!). Jesus apresenta-se como médico divino, que não tem medo de tocar a impureza dos seus doentes, introduzindo aqui uma oposição que esclarecerá no final do próximo versículo.
- v. 13. Ide e aprendei o que significa: “Misericórdia quero e não sacrifício”; pois não vim chamar justos, mas pecadores».
O segundo argumento é uma frase bíblica, retirada do profeta Oseias: “Misericórdia quero e não sacrifício” (12,7; Os 6,6). Mateus escreve para cristãos provindos do judaísmo que conheciam a Bíblia e sabiam que a menção de uma frase evocava toda a passagem. Os fariseus presumiam conhecer “o caminho” (he. Halakhá, “o caminho que há que seguir”) de Deus e a sua vontade, pretendendo ser justos por se aterem às regras da pureza legal. Mas Jesus replica-lhes: “Ide” (11,4; 28,19) “e aprendei” (11,29; Is 1,17; 26,9), apontando-lhes o caminho da verdadeira justiça e do real conhecimento de Deus, a misericórdia (Mq 6,8 LXX), mostrando que só é puro diante de Deus quem a põe em prática.
“Não vim chamar justos, mas pecadores” (Lc 15,2; 19,7). Os fariseus consideravam-se justos, puros e bons, os únicos que realmente cumpriam a Lei. Mas Jesus, apelando à tradição profética, diz que “justos” não são os que estão satisfeitos consigo mesmos, mas os que praticam a misericórdia (23,23.26). Esta é mais importante do que a pureza legal e vale mais que todos os sacrifícios (cf. Os 6,6; Is 1,10-17). Por isso, Jesus, como bom pastor, vem em primeiro lugar para “as ovelhas perdidas” (10,6; Ez 34,4), porque, tal como Deus, não quer “a morte do ímpio, mas antes que se converta e viva” (Ez 18,23).
Ler o texto outra vez... Em silêncio, escutar o que Deus diz, no segredo...
2) MEDITAÇÃO… PARTILHA… (Que me diz Deus nesta Palavra?)
a) Que frase me toca mais? b) Que diz à minha vida? c) Oração em silêncio…
d) Partilha… e) Que frase reter? f) Como a vou/vamos pôr em prática?
- Respondo a Deus de forma pronta, decidida, radical e plena? O Reino é, para mim, a opção fundamental? Ou é um projeto secundário?
- Na sociedade e nas nossas comunidades, quem é o marginalizado e excluído? Que desafio nos lança hoje Jesus?
- Jesus manda o povo ler e entender o AT que diz: "Misericórdia quero e não sacrifício". Que quer Ele dizer com isto, a nós, hoje?
3) ORAÇÃO PESSOAL… (Que me faz esta Palavra dizer a Deus?)
4) CONTEMPLAÇÃO… (Saborear a Palavra em Deus, deixando que ela me inflame o coração)
Salmo responsorial Sl 50,1.8.12-13.14-15 (R. 23b)
Refrão: A quem procede retamente, farei ver a salvação de Deus.
Falou o Senhor, Deus soberano,
e convocou a terra, do Oriente ao Ocidente:
«Não é pelos sacrifícios que Eu te repreendo:
os teus holocaustos estão sempre na minha presença. R.
Se tivesse fome, não to diria,
porque meu é o mundo e tudo o que nele existe.
Comerei porventura as carnes dos touros
ou beberei o sangue dos cabritos? R.
Oferece a Deus sacrifícios de louvor
e cumpre os votos feitos ao Altíssimo.
Invoca-Me no dia da tribulação:
Eu te livrarei e tu Me darás glória». R.
Pai-nosso…
Oração conclusiva:
Senhor nosso Deus, fonte de todo o bem, ensinai-nos com a vossa inspiração a pensar o que é reto e ajudai-nos com a vossa providência a pô-lo em prática. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. T. Amen.
Ave-Maria...
Bênção final. Despedida.
5) AÇÃO... (Caminhar à luz da Palavra, encarnando-a e testemunhando-a na nossa vida, unidos a Cristo e unidos em Cristo)
Fr. Pedro Bravo, O.Carm.
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Fonte da imagem: https://s3.amazonaws.com/production.mediajoint.prx.org/public/piece_images/706240/mark-2-16-why-does-he-eat-with-tax-collectors-and-sinners_medium.jpg. Original: Palestrina/Roma, Pontificium Collegium Germanicum et Hungaricum, Villa San Pastores, Refeitório.