26º domingo do Tempo comum, ano A – 27 de setembro de 2026


LECTIO DIVINA – Leitura orante da Palavra de Deus

Acolhimento. Sinal da cruz. Oração inicial. Invocação do Espírito Santo:

A. Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis
T. E acendei neles o fogo do vosso amor.
A. Enviai o vosso Espírito e tudo será criado
T. E renovareis a face da terra.

A. Oremos. Senhor, nosso Deus, que iluminastes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, tornai-nos dóceis às suas inspirações, para apreciarmos retamente todas as coisas e gozarmos sempre da sua consolação. Por Cristo, nosso Senhor. T. Amen.

1) LEITURA (Que diz o texto? Que verdade eterna, que convite/promessa de Deus traz?)

Leitura do Evangelho segundo S. Mateus
 (21,28-32)

Naquele tempo, disse Jesus aos chefes dos sacerdotes e aos anciãos do povo: 21,28«Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Foi ter com o primeiro e disse-lhe: ‘Filho, vai hoje trabalhar na vinha’. 29Ele, porém, respondendo, disse: ‘Não quero’; mas depois arrependeu-se e foi. 30Foi ter com o outro e disse-lhe o mesmo. Ele, respondendo, disse: ‘Eu vou, senhor’; mas não foi. 31Qual dos dois fez a vontade do pai?». Dizem: «O primeiro». Diz-lhes Jesus: «Amen vos digo: os publicanos e as prostitutas vão à vossa frente para o Reino de Deus. 32João, com efeito, veio a vós num caminho da justiça e não crestes nele; mas os publicanos e as prostitutas creram nele. Vós, porém, tendo visto isto, nem mesmo assim vos arrependestes, para acreditar nele».

Ler a primeira vez… Em silêncio, deixar a Palavra ecoar no coração… Observações:

Estamos em Jerusalém, no Templo (v. 23), na última semana da vida terrena de Jesus. Na véspera, Ele tinha entrado em Jerusalém, aclamado pela multidão (vv. 1-11), mas a aclamação e o entusiasmo iniciais vão transformar-se na violenta rejeição e condenação de Jesus à morte pelas autoridades judaicas, que não O reconhecem como Messias, nem estão dispostas a aceitar o Seu Reino.

  • v. 28. «Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Foi ter com o primeiro e disse-lhe: ‘Filho, vai hoje trabalhar na vinha’.

    O presente texto vem na sequência da cena anterior. Questionado pelos “chefes dos sacerdotes e os anciãos do povo” (os dirigentes religiosos e políticos de Jerusalém: v. 23), sobre a sua “autoridade” (gr. exousía: “potestade”), Jesus, à boa maneira rabínica, contrapõe uma pergunta à pergunta deles, condicionando a sua resposta à resposta deles: o batismo de João é de Deus ou não? Mas eles não respondem (v. 27), porque se dissessem “não”, como pensavam, o povo, que considerava João como profeta (11,9), reprová-los-ia; e se dissessem “sim”, Jesus perguntar-lhes-ia: “Então porque não crestes nele?” (v. 25). Jesus conta a seguir três parábolas para ilustrar a recusa deles em acolher o Reino, enquanto aproveita para chamar todos à conversão. A “parábola dos dois filhos”, exclusiva de Mateus (vv. 28-31a), é a primeira delas.

    Na figura de “dois filhos” (Lc 15,11; cf. Gn 25,24ss; Rm 9,11ss), Jesus ilustra duas atitudes opostas perante a novidade do Reino de Deus, que Ele não tardará a implantar através da Sua morte e ressurreição.

    O número “dois” simboliza no AT o ser humano. Jesus visa nesta parábola toda a humanidade. Deus é Pai de todos (5,45-48; 6,26.32). Como é normal, o pai convida primeiro o filho mais velho: “Filho, vai hoje trabalhar na vinha”. A vinha na Bíblia é símbolo do Povo de Deus (Mt, 10x: vv. 30.33.39ss.43; 20,1s.8; Is 5,1-7; 27,2; Jr 12,10; Jo 15,1). Jesus não diz “a minha vinha” (Is 5,3ss; Jr 12,10), mas “a vinha” (20,4.7), de modo a abrir o horizonte da parábola às dimensões da missão universal dos seus discípulos neste mundo. “Trabalhar na vinha” é acolher a Palavra de Deus com fé (Jo 6,27ss) e pô-la em prática, dando frutos dignos de arrependimento (3,8s), cooperando na difusão do Reino de Deus entre os homens (5,19), procurando que o seu fruto seja cada vez melhor.

    O pedido é feito “hoje”. É o convite, sempre renovado, que Deus dirige cada dia a cada um (6,11.33s; Sl 95,7; Hb 3,11ss), no “presente” da sua vida, no aqui e agora da oferta de salvação de Deus (2Cor 6,2).

    Mas o filho mais velho responde negativamente. Para a mentalidade judaica, tal resposta, vinda do filho mais velho (em geral, o mais obediente) era inesperada e decididamente reprovável, indo contra todas as convenções sociais, pois não só enchia de vergonha o pai, mas também punha em causa a sua legítima autoridade paterna.

  • v. 29. Ele, porém, respondendo, disse: ‘Não quero’; mas depois arrependeu-se e foi.

    Entretanto, o filho mais velho sente remorsos, reconsidera, arrepende-se (gr. metaméllomai) e vai trabalhar na vinha. Ao começar por um “não”, Jesus mostra que: a) não se pode etiquetar uma pessoa, porque ninguém pode prever o comportamento dela; b) até ao fim é sempre possível arrepender-se e mudar de atitude; c) nem sempre se diz ou é fácil dizer “sim” a Deus e à sua vontade. O próprio Jesus experimentou a contradição da natureza humana (26,42p; Rm 7,18.21ss) e “aprendeu pelo sofrimento o que custa obedecer” (Hb 5,8) “até à morte e morte de cruz” (Fl 2,8).

  • v. 30. Foi ter com o outro e disse-lhe o mesmo. Ele, respondendo, disse: ‘Eu vou, senhor’; mas não foi.

    O pai dirige-se então ao outro filho e faz-lhe o mesmo convite. O filho acede logo, respondendo com reverência: “Eu vou, senhor”. Diz ao pai o que ele espera, não põe em causa a autoridade dele e fica bem visto, aparecendo como filho exemplar. Mas, de facto, não vai.

  • v. 31. Qual dos dois fez a vontade do pai?». Dizem: «O primeiro». Diz-lhes Jesus: «Amen vos digo: os publicanos e as prostitutas vão à vossa frente para o Reino de Deus.

    Jesus pergunta então qual dos dois filhos “fez a vontade” do pai (6,10; 26,42). A resposta é óbvia: “O primeiro”. Não basta, pois, dizer: “Sim, senhor” para entrar no Reino dos céus, mas é preciso “fazer a vontade do… Pai que está nos céus” (7,21; 12,50).

    Jesus aplica a parábola, argumentando do maior para o menor e invertendo propositadamente a forma convencional de falar (20,8). Para os judeus o filho mais velho era Israel, o primogénito de Deus (Ex 4,22; Jr 31,9); mas Jesus identifica-o com os que eram considerados os maiores pecadores do “povo da terra” e tidos quase como sem remissão: os publicanos (entre os homens) e as prostitutas (entre as mulheres).

    Para os judeus, o publicano era a figura do pecador (9,10s; Lc 18,1). Segundo os rabinos, os publicanos estavam permanentemente afetados de impureza, sendo-lhes impossível fazer penitência e alcançar o perdão, por não poderem saber quantas pessoas tinham prejudicado e a quem deviam reparação (cf. Lc 19,8; bDerErRab 2.11; mBQ 10,1-2; bBQ 113a.12; mHag 3,6; mNed 3,4; bNed 27b.9; mSanh 3,3; bSanh 25b.11 Bar; mToh 7,6). Já as prostitutas eram consideradas mulheres sem vergonha, símbolo da infidelidade e da perdição, que seduziam os homens, procurando apoderar-se dos seus bens, lançando-os na ruína (Lc 15,30) e fazendo-os perder a sua herança (Pv 29,3; Sr 9,6; Os 4,14; Jr 3,3; Ez 16,30; 1Cor 6,15s).

    São estes, em verdade, assegura Jesus solenemente, introduzindo a frase por um “Amen vos digo”, ou seja, "em verdade vos digo", que precedem os chefes religiosos e políticos de Israel (que “dizem e não fazem”: 23,3), na entrada no Reino de Deus (v. 43; 9,9!).

  • v. 32. João, com efeito, veio a vós num caminho da justiça e não crestes nele; mas os publicanos e as prostitutas creram nele. Vós, porém, tendo visto isto, nem mesmo assim vos arrependestes, para acreditar nele».

    v. 32: Lc 7,29s; Jo 7,48.

    Jesus aponta a razão desta precedência. Porque os publicados e as prostitutas acreditaram na pregação de João, convertendo-se e mudando de vida (Lc 3,12; 7,36-50; 18,14; 19,8), ao passo que os chefes dos sacerdotes e os anciãos, que se gloriavam de ser “filhos de Abraão” (3,9), “guardando os mandamentos, preceitos, estatutos e leis” de Deus (Gn 26,5), e de serem eles o verdadeiro Povo de Deus, não acreditaram na palavra que Deus “hoje” lhes fazia chegar através da pregação de João Batista que anunciava o advento do Reino dos céus e apelava ao arrependimento (3,2; 4,17), vindo a eles “num caminho de justiça” – diverso do de Jesus (11,18s) – que ele praticou (Pv 8,20; 12,28; 16,31; 21,16.21 LXX), fazendo a vontade de Deus e ensinando-a (5,19) a muitos (Dn 12,3!).

    O termo “justiça” (gr. dikaiosýne) aparece aqui pela sétima e última vez em Mateus. “Sete” simboliza a perfeição. Em Mateus, “justiça” é sinónimo da “vontade de Deus” (3,15), que consiste sobretudo em pôr em prática “a justiça, a misericórdia e a fé” (23,23). “Justiça” não significa, pois, aqui apenas amar a Deus e ao próximo (5,20; Pv 8,20; 12,28; Sl 1,6; 23,3), mas também “crer em Deus”, ou seja, na sua Palavra. Tal é a aceção que justiça tem a primeira vez que é usada na Lei (a Torá, os cinco primeiros livros do AT), referindo-se à fé de Abraão nas promessas de Deus (a fé que justifica: Rm 3,26.28; 5,1): “Abrão creu em Deus e isso foi-lhe creditado como justiça” (Gn 15,6). Foi neste “caminho da justiça” que João Batista e Jesus, enviados por Deus, “vieram” anunciar a Sua Palavra, cumprir as Suas promessas, revelar o seu desígnio e dar a conhecer a Sua vontade, apelando à fé e chamando à conversão (18,12sp), quer pelo seu exemplo, quer pela sua palavra.

    Ao não escutar os apelos de Deus e não acreditar na sua Palavra, transmitida por João Batista e por Jesus, os dirigentes de Jerusalém desobedeceram a Deus e rejeitaram a Sua vontade, excluindo-se assim a si mesmos do Reino de Deus. A Deus não basta ter dito “sim” e parecer bem: é preciso fazer a sua vontade aqui e agora, estando atentos aos apelos que Ele nos lança através da sua Palavra, transmitida pelos seus enviados e discernida através dos acontecimentos.

    Ler o texto outra vez... Em silêncio, escutar o que Deus diz no segredo...

 

2) MEDITAÇÃO… PARTILHA… (Que me diz Deus nesta Palavra?)

    a) Que frase me toca mais? b) Que diz à minha vida? c) Oração em silêncio…
    d) Partilha… e) Que frase reter? f) Como a vou / vamos pôr em prática?

  • Sinto-me interpelado por Deus na minha vida pessoal? Como procuro responder à sua vontade? O meu “sim” é fiel e consequente?

  • Na minha vida, basta-me ter dito uma vez “sim” a Deus, indo, por exemplo, à Eucaristia, ou isso implica que eu mude em algo as minhas atitudes e projetos pessoais?

  • Tenho consciência de que também eu sou chamado a trabalhar “hoje” na vinha do Senhor? Como tenho respondido até agora? Que posso fazer?

3) ORAÇÃO PESSOAL… (Que me faz esta Palavra dizer a Deus?)

4) CONTEMPLAÇÃO… (Saborear a Palavra em Deus, deixando que ela me inflame o coração)

Salmo responsorial                                                        Sl 25,4-9 (R. 6a)

Refrão: Lembrai-Vos, Senhor, da vossa misericórdia e do Vosso amor.

Mostrai-me, Senhor, os vossos caminhos,
ensinai-me as vossas veredas.
Guiai-me na vossa verdade e ensinai-me,
porque Vós sois Deus, meu Salvador: em vós espero sempre.   R.

Lembrai-Vos, Senhor, das vossas misericórdias
e das vossas graças que são eternas.
Não recordeis as minhas faltas e os pecados da minha juventude.
Lembrai-Vos de mim segundo a vossa clemência,
               \ por causa da vossa bondade, Senhor.     R.

O Senhor é bom e reto,
ensina o caminho aos pecadores.
Orienta os humildes na justiça
e dá-lhes a conhecer os seus caminhos.     R.

Pai-nosso…

Oração conclusiva:

Senhor, nosso Deus, que dais a maior prova do vosso poder quando perdoais e Vos compadeceis, derramai sobre nós a vossa graça, para que, correndo prontamente para os bens prometidos, nos tornemos um dia participantes da felicidade celeste. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. T. Amen.

Ave-Maria...

Bênção final. Despedida.

5) AÇÃO... (Caminhar à luz da Palavra, encarnando-a e testemunhando-a na nossa vida, unidos a Cristo e em Cristo)

PB (para sugestões, perguntas ou correções, contactar p.f.: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ter o JavaScript autorizado para o visualizar.)

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Liturgia do dia

  • Segunda-feira da semana XXV
    S. Mateus, apóstolo e evangelista – FESTA Vermelho – Ofício da festa. Te Deum. Missa própria, Glória, pf. dos apóstolos. L 1: Ef 4, 1-7. 11-13; Sl 18 A, 2-3. 4-5 Ev: Mt 9, 9-13 * Proibidas as Missas de defuntos, exceto a exequial.