Encontro da Família Carmelita de 2025

“Com Maria, Peregrinos da Esperança, rumo ao Monte da Salvação” 

O trigésimo oitavo Encontro da Família Carmelita em Portugal decorreu em Fátima nos dias 15 e 16 de março de 2025.

Inspirado no Jubileu de 2025, o tema do Encontro foi “Com Maria, Peregrinos de Esperança, rumo ao Monte da Salvação”.  Maria, a Senhora do Carmo, é a mulher da Esperança que nos conduz para o seu Filho Jesus. Subir o “monte da Salvação” é uma imagem da conversão permanente que nos transforma em Cristo. O monte é símbolo da proximidade com Deus e Jesus é o Caminho que nos conduz por esse monte para a comunhão do Mistério Trinitário. O monte é, também, invocação do “Monte Carmelo” na Terra Santa, local onde surge a Ordem do Carmo e que, no sentido espiritual, atualiza o carisma original da Ordem: “Ser uma Fraternidade Contemplativa ao Serviço do Povo”.

Estiverem presentes cento e noventa irmãs e irmãos da Ordem do Carmo, representantes dos vários ramos da Família Carmelita (frades, monjas, irmãs de congregações afiliadas, membros de ordens terceiras e confrarias do Carmo e simpatizantes do Carisma Carmelita) e de diversas proveniências, a saber: Moncorvo, Felgueiras, Viseu, Lisboa-Penha de França, Lisboa-Carmo, Santo António dos Cavaleiros, Setúbal, Beja, Moura e Faro.

Esta diversidade de localizações mostra a vitalidade e a implementação da tradição e  da espiritualidade carmelita em Portugal.

Depois de todos rumarem a Fátima e à Casa São Nuno, local de estadia e originalmente Centro Internacional da Família Carmelita, o Encontro começou formalmente às 15.15hs de sábado, dia 15 de março. Os participantes concentraram-se na esplanada do Santuário de Fátima, junto ao Pórtico Jubilar que recorda a primeira sinalização do espaço das Aparições em 1917.  Revestidos das insígnias próprias do seu vínculo á Ordem – escapulários, hábitos e capas brancas – as irmãs e irmãos carmelitas desfilaram solenemente pelo santuário, passando pelo referido pórtico jubilar e caminhando em direção á Capelinha das Aparições. Este desfile foi abrilhantando pelos belos estandartes que cada comunidade trouxe e que jubilosamente transportaram até à Capelinha.

Na Capelinha, recitaram-se os mistérios gozosos do Rosário, sendo as meditações e a recitação de cada mistério da responsabilidade dos participantes no Encontro.

Pelas 17.00hs, celebrou-se a Eucaristia votiva de Nossa Senhora, Discípula de Jesus, recordando que todos nós somos chamados a ser discípulos de Jesus. Presidiu o Frei Agostinho Castro, Comissario-Geral da Ordem do Carmo em Portugal e concelebrou o Frei Severino Castro.

Após a celebração, todos os carmelitas e também os muitos fiéis que se encontravam na Capelinha rezaram a Oração Jubilar de Consagração proposta pelo Santuário. Foi um momento muito belo e intenso.

Pelas 18.30hs, todos se concentraram no auditório S. Tito Brandsma da Casa São Nuno, onde houve um momento mais informal de partilha de testemunhos e da história de cada comunidade.

Após o jantar, houve um momento de reflexão e formação animado por uma conferência proferida pelo Padre João Rego, da Ordem dos Carmelitas Descalços e com o tema “A Esperança em Sta Teresinha do Menino Jesus”. Com uma linguagem muito próxima, o padre João partilhou a experiência de crescimento de Sta Teresinha de Lisieux, mostrando as suas crises e a sua purificação – algo que ela própria assume em si – e como Teresa percebeu que a sua “fragilidade ferida” e a sua “pequenez” eram lugares de santidade pela ação da graça de Deus. “Só pode ser salvo o que é assumido”: essa intuição de Sta Teresinha, que assume a sua limitação como espaço de salvação, foi para ela e é para todos nós fonte de Esperança! É a confiança em Deus que nos redime pelo amor. Essa confiança brota da consciência de que não podemos fundamentar em nós o sentido e a força da nossa própria existência. Damos lugar a Deus quando aprendemos a amar a nossa fragilidade, a nossa pobreza e a nossa pequenez, porque é aí que acolhemos a ação de Deus com autenticidade e verdade.

Dentro da celebração do Jubileu de 2025, esta reflexão foi um notório impulso para vivermos como Peregrinos da Esperança.

O dia 16 de março começou com a celebração da Via Sacra. Uma parte do grupo celebrou a Via sacra na Via Crucis preparada pelo santuário, no caminho dos Valinhos e outro celebrou na Capela da Casa São Nuno.

Os textos bíblicos para a meditação e oração em cada estação, foram enriquecidos por uma seleção de reflexões do Papa Francisco que nos introduziram e guiaram pelo espírito do caminho da Paixão de Jesus. Este foi, sem dúvida, um momento celebrativo muito participado – em que as leituras e cânticos foram assumidos por cada uma das diversas comunidades – e vivido com muita dignidade e Fé.

A meteorologia também ajudou já que, embora o tempo estivesse nublado, não choveu durante o percurso.

Pelas 12.00hs deste Domingo, os participantes concentraram-se na Capela da Casa São Nuno para a celebração da Eucaristia do II Domingo da Quaresma.

A capela ficou repleta de fiéis em todos os seus cantos e espaços. Presidiu à celebração o Frei Severino de Castro, concelebrando o Frei Ricardo Rainho e o Frei Agostinho Castro.

No Evangelho da Transfiguração, todos foram convidados a subir ao Monte Tabor com Jesus e deixarmo-nos transfigurar pela sua Ressurreição. Acompanhando os discípulos que “estavam com sono”, somos convidados a sair do sono do desânimo e do cansaço espiritual para um “despertar” de confiança e esperança em Deus, com a intercessão de Maria. Para isso, temos de deixar ecoar em nós a voz do Pai que nos diz: “Este é o meu Filho muito amado: Escutai-O”.

A celebração terminou com a entoação, repleta de emoção e sentimento, do hino “Nossa Senhora do Carmo”.

Seguiu-se o almoço, após o qual todos regressaram às suas terras, certamente saboreando a experiência de “como foi bom estarmos em Fátima” e levando para o seu quotidiano esta experiência de Fé, de Oração e de Fraternidade. 

Todos agradeceram a Deus e a Maria, Mãe de Jesus e Senhora do Carmo, o bom acolhimento na Casa São Nuno e no Santuário de Fátima, assim como o trabalho do Secretariado da Família Carmelita que organizou o Encontro e a todos os que deram o seu contributo para o bom sucesso do Encontro.