Novena de Nossa Senhora do Carmo 2026 – 6º dia, 12 de julho


Tema: “O puríssimo Coração de Maria, caminho de santidade”

Dia 6 – "Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia” (Mt 5,7)

Hoje, domingo, sexto-dia da novena de Nossa Senhora do Carmo, continuamos a contemplar a pureza da Virgem Maria, através do seu Imaculado Coração, descobrindo nele, à luz das bem-aventuranças, o caminho que nos conduz até Deus.

A quinta bem-aventurança nasce da bem-aventurança anterior: a justiça que nós somos chamados a praticar é a justiça à semelhança da de Deus, ou seja, a sua misericórdia. Se remontarmos ao princípio, veremos que ela é a consequência de todas as bem-aventuranças precedentes. De facto, a bem-aventurança “Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia", constitui o núcleo, è o coração das bem-aventuranças. Com ela, Jesus passa do âmbito das disposições interiores daquele que, batizado em seu Nome e regenerado pelo Espírito Santo, recebeu um coração novo, para o campo das ações que ele pratica em relação ao próximo.

Na Bíblia, a misericórdia não é apenas um sentimento de compaixão e de piedade; ela é sobretudo uma ação em favor de quem precisa de ajuda. Ela “tem dois aspetos: dar, ajudar e servir os outros, mas também perdoar, compreender” (AE 80).

A misericórdia começa quando vemos as necessidades dos outros e traduz-se na prática das obras de misericórdia com as quais vamos ao encontro delas e as socorremos: “Tive fome e destes-me de comer. Tive sede e destes-me de beber. Era peregrino e me recolhestes. Estive nu e me vestistes, doente e me visitastes, preso e viestes ver-me”. Então os justos perguntar-lhe-ão: “Senhor, quando é que te vimos…?” (Mt 25,35-37).

A misericórdia estende-se também à prática das chamadas obras de misericórdia espirituais, tais como: não julgar, perdoar, praticar o amor fraterno. “Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso. Não julgueis, para não serdes julgados; não condeneis, para não serdes condenados; perdoai, e ser-vos-á perdoado. Dai, e dar-se-vos-á” (Lc 6,36ss). “Tudo aquilo, portanto, que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho vós também, porque esta é a lei e os profetas” (Mt 7,12).

Se para nós, a misericórdia é fruto do amor, em Deus ela é a raíz, a fonte de tudo quanto Ele faz.

“Deus é amor”, diz-nos João, o discípulo amado (1Jo 4,8.16). S. Teresinha do Menino Jesus acrescenta “misericordioso”: Deus é amor misericordioso. De facto, só a misericórdia permite conhecer a Deus como Ele é. Confidencia S. Teresinha: “A mim, Deus deu-me a sua infinita misericórdia e é através dela que contemplo e adoro as demais perfeições divinas!... Assim, todas elas me aparecem resplandecentes de amor. A própria justiça (talvez mais ainda que qualquer outra) parece-me revestida de amor. Que doce alegria pensar que Deus é justo, isto é, que leva em conta as nossas fraquezas, que conhece perfeitamente a fragilidade da nossa natureza. De que terei medo?” (MA 83v: Obras, 214).

A misericórdia foi a virtude que Jesus mais praticou e mais desejou que nós dele aprendêssemos, dizendo: “Ide e aprendei o que significa: ‘Misericórdia quero e não sacrifício’” (Mt 9,13; Os 6,6).

Na realidade, é a misericórdia que nos torna semelhantes a Deus, como diz Maria: “a Sua misericórdia estende-se de geração em geração sobre aqueles que O temem” (Lc 1,50).

É a misericórdia que mais distingue Maria e o seu puríssimo e Imaculado Coração e a assemelha a Deus, ao Pai, como Jesus nos exorta: “Sede misericordiosos como o vosso Pai celeste é misericordioso” (Lc 6,36). Maria, ao dar o seu consentimento ao anjo, para que nela encarnasse e dela nascesse o Filho de Deus, Salvador do mundo, usou da maior misericórdia que se podia usar, pois permitiu que Jesus Cristo, através dela viesse ao mundo, para resgatar o homem, o salvar e, ressuscitando e subindo aos céus, reconduzir ao Pai todas as criaturas. A ela deve toda a criação a vida e nós, o perdão dos nossos pecados e a salvação.

Maria usa também de misericórdia acorrendo a Isabel, para a ajudar na sua gravidez; acolhendo os pastores na gruta de Belém; intercedendo junto de seu Filho pelos esposos nas bodas de Caná; intercedendo por todos nós junto à cruz, unindo-se ao pedido do seu Divino Filho: “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem” (Lc 23,34). Por isso, é chamada por todos nós, “Mãe de misericórdia”.

Ela olha para nós, conhece a nossa dor, imperfeição e pecado. E, enchendo-se de ternura e de compaixão, intercede por nós, cheia de misericórdia, junto do seu Filho. E isso mesmo que também nós somos chamados: com, primeiro a olhar para Deus e reconhecer a infinita misericórdia que usou para connosco, ao enviar-nos o seu Filho, chamar-nos a Ele, nos perdoar, regenerar e fazer parte da sua família, tornando-nos participantes da sua natureza divina.

Deixando-nos tocar pelo olhar de Deus e iluminar pela sua misericórdia, somos depois convidados a olhar para os nossos irmãos e agir com misericórdia em relação a eles.

“Olhar e agir com misericórdia: isto é santidade” (AE 82). A promessa de Jesus é que os que o fizerem, “alcançarão misericórdia”.


Revisão de vida. Perguntemo-nos: olho para os outros com misericórdia ou julgo-os e critico-os em tudo aquilo que não me agrada? Estou aberto à partilha? Sou capaz de perdoar?

Ação. Perdoemos a alguém e pratiquemos hoje uma obra de misericórdia corporal e uma obra de misericórdia espiritual em relação a uma pessoa que passe necessidade, fazendo-o de tal modo, porém, que ninguém disso se aperceba.

Oração. Pai, inclina o ouvido da tua piedade aos teus filhos e filhas e concede-nos o teu perdão. Ajuda-nos a amar como tu amas, a ser misericordiosos, como Tu és misericordioso. Por Cristo, nosso Senhor.

Mãe e Esplendor do Carmelo, nunca ninguém como tu compreendeu, escutou e acolheu o coração de Deus, o amor do Pai e as entranhas de misericórdia do teu Filho, como tu, no teu puríssimo e Imaculado Coração. Ajuda-nos a confiar nele e a imitá-lo usando de misericórdia para com os nossos irmãos e irmãs, compreendendo-os, amando-os, perdoando-os, ajudando-os e partilhando com eles o que temos. Amen.


℣. Maria, Mãe do coração puro, mulher das Bem-aventuranças.
℟. Roga por nós, ajuda-nos a seguir fielmente o teu Filho.