Tema: “O puríssimo Coração de Maria, caminho de santidade”
9º dia 9º dia – “Bem-aventurados os que são perseguidos por causa justiça, porque deles é o reino dos Céus” (Mt 5,10).
Estamos a procurar conhecer melhor a Puríssima Virgem Maria a partir do seu Imaculado Coração, à luz das Bem-aventuranças, de modo a encontrar nele um caminho de santidade que nos conduza até Deus.
O paradoxo das bem-aventuranças, como dom de Deus, que, por Cristo, torna os discípulos participantes da vida futura, atinge o seu ápice na oitava e na nona bem-aventuranças, onde não só os pobres e os oprimidos são declarados bem-aventurados, mas também muito concretamente aqueles que estão efetivamente a sofrer perseguição, precisamente por causa da sua retidão, da justiça que praticam e que defendem, da paz que constroem, da misericórdia que usam.
“Bem-aventurados os que são perseguidos por causa justiça, porque deles é o reino dos Céus” (Mt 5,10). Diversamente da quarta bem-aventurança, onde proclama bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, referindo-se mais à justiça no sentido bíblico de vontade de Deus, Jesus fala aqui sobretudo da justiça entendida como retidão nas relações do homem com Deus e do homem com os seus semelhantes, embora não exclua aqui os que são perseguidos por causa da justiça que se alcança de Deus por meio da fé em Jesus Cristo, ou seja, os que são perseguidos por causa do seu nome de cristãos. A este tipo de perseguições refere-se, porém, Jesus de forma mais explícita e direta na última bem-aventurança.
Tal como as restantes bem-aventuranças, também esta bem-aventurança se prende à anterior. Jesus não ilude ninguém. Ele diz claramente que quem alinha do lado da justiça social, se empenha em favor da promoção da dignidade humana, se esforça no restabelecimento da paz entre os homens, sofrerá perseguições, podendo vir a pagar com a própria vida o preço do bem e da felicidade dos outros.
Santo Alberto de Jerusalém lembra-nos na fórmula de vida que escreveu para nós, a Regra do Carmo, cujo oitavo centenário da sua primeira aprovação pela Santa Sé estamos a celebrar, que “todos os que querem viver piedosamente em Cristo sofrem perseguição” (R 18). É uma citação duma passagem da segunda carta de S. Paulo a Timóteo (2Tm 3,12). As perseguições são uma constante da vida cristã. Elas podem rebentar a qualquer momento, vindas não só da parte daqueles que se opõem a Jesus Cristo e à sua Igreja, mas também, muitas vezes, daquele que fazem parte da Igreja, parecem levar uma vida cristã exemplar e até exercem cargos de autoridade na mesma. Perseguições sofrem não apenas os cristãos que se esforçam por caminhar com fidelidade no seguimento de Jesus Cristo, mas também aqueles que lutam em favor da justiça, da paz, da defesa da vida e da integridade da criação.
O mesmo aconteceu a Maria. Pelo simples facto de ser a Mãe de Jesus ela sofreu o exílio, sofreu as críticas, o desprezo e a rejeição do seu Filho. Isto mesmo lhe foi anunciado e ela já começou a experimentar a partir do momento em que apresentou o seu Filho A Deus no templo. Contemplando este episódio, diz-lhe S. Teresinha: “Amo-te, Maria, quando apresentas o Salvador das nossas almas ao ditoso ancião que o aperta nos braços. A princípio sorrindo escuto o seu cântico, mas depressa o seu tom me faz derramar lágrimas. Mergulhando no futuro um olhar profético, Simeão apresenta-te uma espada de dores. Ó Rainha dos Mártires, até ao fim da vida, esta espada dolorosa trespassará o teu coração. Tens já de deixar o solo da tua pátria para evitares de um rei o furor invejoso” (P 54,11s: Obras 823).
A profecia cumpriu-se e Maria participou da perseguição sofrida por Jesus, como mostra o João ao apresentá-la junto à cruz. Mas, apesar dos sofrimentos por que passou, Maria permaneceu sempre unida a Jesus. A sua fidelidade não dependia das circunstâncias. Mesmo sem compreender plenamente as palavras, as situações e os acontecimentos, Maria continuou a acreditar, a esperar e a amar. Experimentando como Deus permanecia junto dela, inundando-a com a Sua paz e fortalecendo-a com a sua presença. Comprovando, assim, como é verdadeira a promessa de Jesus: “Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus”.
Revisão de vida. Como reajo eu perante as adversidades, as incompreensões, as críticas dos outros? Volto-me mais para Deus ou revolto-me contra ele e riposto contra o próximo?
Ação. Rezar pelos cristãos perseguidos. Escutar e amparar alguém que se sente incompreendido, abandonado ou rejeitado pelos outros.
Oração. Pai, fiel e misericordioso, que sustentaste Maria na hora da provação e da adversidade, fortalece a nossa fé no meio das incompreensões e dificuldades da vida. Por Cristo, nosso Senhor.
Maria, fiel discípula do Senhor, tu seguiste o teu Filho até ao fim. Alcança-nos o dom da fortaleza para nunca abandonarmos, nem desistirmos, do caminho do Evangelho, na promoção da verdadeira justiça e paz entre os homens, na defesa da integridade da vida e da criação. Amen.
℣. Maria, Mãe do coração puro, mulher das Bem-aventuranças,
℟. Roga por nós, ajuda-nos a seguir fielmente o teu Filho.