Quinto Domingo da Quaresma - Ano C - 06. Abril. 2025

Acolhimento. Sinal da cruz. Oração inicial. Invocação do Espírito Santo:

A. Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis
T. E acendei neles o fogo do vosso amor.
A. Enviai o vosso Espírito e tudo será criado
T. E renovareis a face da terra.

A. Oremos. Senhor, nosso Deus, que iluminastes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, tornai-nos dóceis às suas inspirações, para apreciarmos retamente todas as coisas e gozarmos sempre da sua consolação. Por Cristo, nosso Senhor. T. Amen. 

1) LEITURA (Que diz o texto? Que verdade eterna, que convite/promessa de Deus traz?) 

Leitura do Evangelho segundo S. João (8,1-11)

Naquele tempo, 8,1Jesus foi para o Monte das Oliveiras, 2mas, ao alvorecer, voltou novamente ao Templo. Todo o povo vinha ter com Ele e Ele, sentando-se, ensinava-os. 3Então, os escribas e os fariseus trazem-lhe uma mulher apanhada em adultério, puseram-na no meio 4e dizem-lhe: «Mestre, esta mulher foi apanhada em flagrante adultério. 5Na Lei, Moisés mandou-nos apedrejar tais mulheres. Tu, pois, que dizes?». 6Diziam isto para o porem à prova e para terem com que o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, escrevia com o dedo na terra. 7Como insistissem em interrogá-lo, ergueu-se e disse-lhes: «Quem de entre vós estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra». 8E, inclinando-se de novo, escrevia na terra. 9Eles, porém, ao ouvirem isto, foram saindo, um após outro, a começar pelos mais velhos, deixando-o só com a mulher, que estava no meio. 10Erguendo-se, Jesus disse-lhe: «Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?». 11Ela respondeu: «Ninguém, Senhor». Disse-lhe então Jesus: «Nem Eu te condeno. Vai e a partir de agora não peques mais».

      Ler a primeira vez… Em silêncio, deixar a Palavra ecoar no coração… Observações:

  • v. 1. O episódio da mulher adúltera, exclusivo de João, não pertencia originalmente ao Quarto Evangelho, pois é omisso na maior parte dos manuscritos antigos. Devia pertencer antes ao Evangelho de Lucas, onde se encontra numa série de manuscritos logo a seguir a Lc 21,37-38, passagem paralela aos vv. 1-2 deste trecho. Trata-se, pois, de um texto de uma fonte comum a Lucas e João, que foi intencionalmente inserido neste lugar e é reconhecido pela Igreja como Palavra de Deus.
  • Estamos em Jerusalém, um dia depois da conclusão da Festa das Tendas ou dos Tabernáculos (v. 2; he. sukkôt, “cabanas”: 7,2), uma das três festas anuais de peregrinação a Jerusalém (Ex 23,17; 34,23; Dt 16,16). A festa começa no dia 15 Tishri (he. “início”), o sétimo mês do ano religioso (Ez 25,45; setembro/outubro), e celebra-se até ao dia 22. Durante oito dias, o povo não habita dentro de casa, mas em cabanas, recordando os quarenta anos que Israel passou no deserto depois de ter saído do Egito. A festa tem mais um dia de clausura, o nono (23 Tishri: v. 37; Lv 23,33-36.39-43; 2Ma 10,6; Jos. Ant. 3,10,4), em que se anunciam a alegria e as bênçãos da era messiânica, que deverão estender-se a todos os povos (Zc 14,16). É neste dia que mais tarde se passou a celebrar a festa Simcat Torah (“alegria da Lei”), com a qual se conclui o ciclo anual da leitura pública da Lei e se começa o novo ciclo anual.
  • Quando ia a Jerusalém, Jesus pernoitava com os discípulos no “Monte das Oliveiras” (Lc 21,37; 22,39), na chamada “gruta do ensinamento” ou “gruta do Pai nosso” (Egéria, Peregrinação 33,1s, pp. 191.193) atualmente situada na basílica Eleona, mandada construir por S. Helena em 326 d.C.
  • v. 2. “Ao alvorecer” (Jr 25,3; 44,4), Jesus vai ao Templo, onde, sentando-se como um rabino, ensina o povo que, “vem a Ele” (7,37; 5,40; 6,37.44s.65; 10,41) para o escutar (Lc 21,38; 10,39; At 22,3).
  • v. 3. “Então os escribas e os fariseus trazem-lhe uma mulher apanhada em adultério”… sozinha. Os escribas eram os especialistas da Lei e os fariseus os seus mais zelosos cumpridores (At 26,5; cf. Gl 1,14; Fl 3,5s). Põem a mulher “de pé, no meio” (v. 9)… 
  • v. 4. e apresentam o caso a Jesus, a quem chamam “Mestre”.
  • v. 5. Segundo a Lei, ambos, a mulher e o homem, apanhados em adultério, deviam ser apedrejados até à morte (Lv 20,10; Dt 22,22ss). Mas eles só referem que na Lei, Moisés mandou apedrejar as mulheres. Que diz Jesus?
  • v. 6. Eles procuram apanhar assim Jesus numa cilada: se responder afirmativamente, será acusado pelo povo de falta de misericórdia e será denunciado às autoridades romanas, a quem estava reservada a pena capital; se perdoar, estará a violar a Lei, precisamente no lugar mais sagrado da fé e da religião israelita: o Templo.

Ouvida a acusação, Jesus não procura branquear o pecado, nem desculpar a mulher (Lv 19,15s). Ele sabe que o pecado escraviza, gera infelicidade, suscita ódios, provoca divisões, causa guerras, destrói relações, leva à morte. Mas Jesus não pactua com uma trama que só procura condenar a mulher, porque o quer condenar a Ele. Porquê? Porque eles hipocritamente fizeram desaparecer o homem com quem ela cometeu adultério. É o habitual: são sempre os fracos que pagam pelos seus erros, enquanto os grandes escapam. Depois, porque Jesus não pactua com uma Lei que, em nome de Deus, não tem outra solução para o pecado grave, a não ser a morte do pecador. Como se Deus fosse um médico que só fosse capaz de tratar uma doença mortal, matando o doente. Não perdoou Deus a David e a Betsabé (cf. 2Sm 11s)?

  • Jesus replica de uma forma nova, surpreendente: a) fica em silêncio, recusando-se a julgar (v. 11; 3,17; 12,47); b) “inclina-se”, numa atitude de respeito, misericórdia e compaixão, que evoca a prostração do pecado (Is 2,9; Br 2,18); e c) põe-se a escrever “com o dedo” (Ex 31,18; Dt 9,10) “na terra” (v. 8), símbolo do registo de algo que logo desaparece (Jr 17,13; cf. Cl 2,14). Ora o átrio do Templo era de pedra, estando “pavimentado com toda a espécie de pedras multicolores” (Fl.Jos., 5,5,2; 2Cr 7,3; Ez 40,17s). Portanto, a “terra” onde Jesus escreve é o pó acumulado sobre a pedra. É como se estivesse a convidar cada um a entrar em si próprio e a reconhecer a dureza do seu coração de pedra (Ez 11,19; 36,26; 2Cor 3,3.7), lembrando-se que é pó da terra (Gn 3,19; Sl 103,14), para assim se abrir à misericórdia para com o próximo e lhe perdoar como Deus fez com ele (Sl 103,3s.10; Cl 3,13; Ef 4,32). O que os acusadores, aliás, já tinham feito em relação ao cúmplice, o homem, usando, pois, de duas medidas.
  • v. 7. Jesus põe a descoberto a hipocrisia deles e fá-los cair na armadilha que prepararam (cf. Sl 141,10), convidando que quem entre eles não tivesse pecado atirasse a primeira pedra (v. 59; 10,31; 11,8). Segundo a Lei, as testemunhas eram as primeiras a atirar as pedras (Dt 17,7).
  • v. 8. Depois, Jesus inclina-se de novo e continua a escrever “na terra”, dando-lhes tempo para refletir e se arrependerem (cf. Lc 6,37).
  • v. 9. Todos eles se retiram, um após o outro, a começar pelos mais velhos, conscientes de terem mais pecados (Sl 25,7.11; Jb 13,26; Jr 3,35), mostrando assim que o Templo e os seus sacrifícios de expiação (o Yom Kippûr, “o dia da expiação”, tinha sido celebrado duas semanas antes, no dia 10: Lv 23,27-32) eram incapazes de perdoar o homem e de o regenerar.
  • v. 10. Jesus “endireita-se” num gesto interpelativo de reabilitação (v. 7; cf. Jb 10,15; Lc 21,28) e, sem inquirir sequer a mulher se está arrependida, pergunta-lhe onde estão os seus acusadores. Ela diz-lhe que ninguém a condenou, chamando-o “Senhor” (cf. v. 4). É a chave do episódio: “Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (Jl 3,5; At 2,21; Rm 10,13).
  • v. 11. Em consonância com a prece de Salomão no Templo de Jerusalém (1Rs 8,33s.46-50), Jesus também não a condena e indica-lhe o caminho da verdadeira paz e liberdade: “Vai e a partir de agora não peques mais” (cf. 5,14). Não lhe aponta o dedo, não a etiqueta, nem desclassifica, mas perdoa-a, libertando-a da imagem negativa que ela tinha de si mesma e abrindo-lhe a porta para caminhar numa vida nova.
  • O presente episódio mostra, por um lado, a intransigência do ser humano que julga, critica e condena os outros de forma inapelável, segundo as suas próprias conveniências e interesses. Ao mesmo tempo, denuncia a hipocrisia dos que se apresentam como intocáveis, esquecendo-se de que todos nós somos pecadores. Por outro lado, revela a misericórdia de Deus, que prefere o perdão porque ama a vida: “Eu não quero a morte do pecador, mas antes que se converta e viva” (Ez 33,11; 18,23). É preciso reconhecer que todos nós somos fracos, pecadores, necessitados do amor, da misericórdia e do perdão de Deus, do mesmo amor, misericórdia e perdão que somos chamados a ter em relação ao próximo. Sem deixar de chamar pecado ao que o é, não se pode confundir com ele o pecador: “O Senhor condena o pecado, mas não o homem” ( Agostinho, Io.Ev. tr. 33,6), “odeia o pecado, mas ama o pecador” (Id., En. Ps. 128,28). “Deus é… amor: se odeia o pecado, é porque ama infinitamente cada pessoa humana” (Bento XVI, Hom. 25.03.2007).

Ler o texto segunda vez... Em silêncio, escutar o que Deus diz no segredo... 

2) MEDITAÇÃO… PARTILHA… (Que me diz Deus nesta Palavra?)

      a) Que frase me toca mais? b) Que diz à minha vida? c) Oração em silêncio… d) Partilha e) Que frase reter? f) Como a vou/vamos pôr em prática?

  • O mundo não exalta, senão para humilhar, nem aclama, senão para condenar. Nas minhas conversas sobre os outros, deixo-me levar pela suspeita e pela crítica, o juízo malévolo, a má-língua, a condenação fácil e generalizada, ou procuro antes compreender e perdoar?
  • Apontei a alguém o estigma da culpa, queimando-o num julgamento sumário, à frente dos outros, sem defesa nem direito a apelo? Que me interessa: a emenda do próximo ou a sua condenação? 

3) ORAÇÃO PESSOAL… (Que me faz esta Palavra dizer a Deus?

4) CONTEMPLAÇÃO… (Saborear a Palavra em Deus, deixando que inflame o coração)

Salmo responsorial                                                                          Sl 126,1-6 (R. 3)

Refrão: O Senhor fez maravilhas em favor do seu povo.

Quando o Senhor fez regressar os cativos de Sião,
parecia-nos viver um sonho.
Da nossa boca brotavam expressões de alegria
e de nossos lábios cânticos de júbilo.     R.

Diziam então os pagãos:
«O Senhor fez por eles grandes coisas».
Sim, grandes coisas fez por nós o Senhor,
estamos exultantes de alegria.     R.

Fazei regressar, Senhor, os nossos cativos,
como as torrentes do deserto.
Os que semeiam em lágrimas
recolhem com alegria.     R.

À ida, vão a chorar,
levando as sementes;
à volta, vêm a cantar,
trazendo os molhos de espigas.    R. 

Pai-nosso… 

Oração conclusiva:

Senhor nosso Deus, concedei-nos a graça de viver com alegria o mesmo espírito de caridade que levou o vosso Filho a entregar-se à morte pela salvação dos homens. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. T. Amen. 

Ave-Maria...

Bênção final. Despedida. 

5) AÇÃO... (Caminhar à luz da Palavra, encarnando-a e testemunhando-a na própria vida)

Fr. Pedro Bravo, oc