
Acolhimento. Sinal da cruz. Oração inicial. Invocação do Espírito Santo:
A. Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis
T. E acendei neles o fogo do vosso amor.
A. Enviai o vosso Espírito e tudo será criado
T. E renovareis a face da terra.
A. Oremos. Ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, concedei-nos que, no mesmo Espírito, apreciemos retamente todas as coisas e gozemos sempre da sua consolação. Por Cristo, nosso Senhor. T. Amen.
1) LEITURA (Que diz o texto? Que verdade eterna, que convite/promessa de Deus traz?)
Leitura do Evangelho segundo S. Mateus (2,13-15.19-23)
2, 13Depois de os magos se terem retirado, eis que um anjo do Senhor apareceu num sonho a José, e disse-lhe: «Levanta-te, toma o Menino e a sua Mãe e foge para o Egito; fica por lá até que eu te diga, pois Herodes está à procura do Menino para O matar». 14Então ele levantou-se, tomou o Menino e a sua Mãe durante a noite e retirou-se para o Egito, 15e ali esteve até à morte de Herodes, para que se cumprisse o que foi dito pelo Senhor por meio do profeta: Do Egito chamei o meu filho. 19Quando Herodes morreu eis que um anjo do Senhor apareceu num sonho a José no Egito, 20dizendo: «Levanta-te, toma o Menino e a sua Mãe e vai para a terra de Israel, pois morreram os que procuravam tirar a vida ao Menino». 21Ele levantou-se, tomou o Menino e a sua Mãe, e foi para a terra de Israel. 22Mas, ao ouvir dizer que Arquelau reinava na Judeia em lugar de seu pai Herodes, teve medo de ir para lá. Avisado num sonho, retirou-se para as regiões da Galileia 23e foi morar numa cidade chamada Nazaré. Assim se cumpriu o que foi dito por meio dos profetas: Será chamado Nazareno.
Ler a primeira vez… Em silêncio, deixar a Palavra ecoar no coração… Observações:
O presente texto, do qual se omitem os vv. 15-19 (o massacre dos meninos inocentes em Belém, episódio narrado na festa dos Santos Inocentes, que se celebra na liturgia da oitava de Natal a 28 de dezembro) são a antepenúltima e última das “narrativas da infância de Jesus” em Mateus. O texto consta de dois episódios: a fuga da Sagrada Família para o Egito (vv. 13-15); b) o regresso da Sagrada Família a Israel e sua ida para Nazaré, onde ficará a residir (vv. 19-23).
Depois de nos episódios anteriores Mateus nos ter apresentado Jesus como o Messias, descendente de David, através do qual Deus vai cumprir as promessas feitas a Abraão e à sua descendência (1,1-17), afirmando depois que Ele é o Filho de Deus, concebido pelo Espírito Santo e nascido de Maria para ser o “Deus connosco” (1,18-25), Ele, que é o “rei dos judeus”, nascido em Belém, a terra de David, e que recebe a homenagem dos gentios, que vêm de longe para O adorar (2,1-12). Para o quadro ficar completo, faltam alguns dados mais. O presente relato fornece-os.
- v. 13. Depois de os magos se terem retirado, eis que um anjo do Senhor apareceu num sonho a José, e disse-lhe: «Levanta-te, toma o Menino e a sua Mãe e foge para o Egito; fica por lá até que eu te diga, pois Herodes está à procura do Menino para O matar».
O primeiro episódio, que se desenrola logo após a visita dos magos (vv. 1-12) – texto que leremos na solenidade da Epifania do Senhor –, leva-nos até ao ano 7/6 a.C., dois a três anos antes da morte do rei Herodes. Herodes, o rei cruel que não suportava rivais e que, por isso, manda matar dois dos seus filhos, Alexandre e Aristóbolo, e pretende matar os jovens nobres da Judeia pouco antes de morrer (cf. Fl.Jos., Ant. 17,4,1; 17,6,5; 17,7,1; Bell. 1,27,6; 1,33,8; cf. Ass. Mos. 6,2-6), vê em Jesus uma ameaça e pretende eliminá-lo. No entanto, Deus vela por Ele e um anjo avisa José, em sonhos, do perigo que o Menino corre.
“Anjo do Senhor” (v. 19; 1,20) designa no AT o próprio Deus que intervém na história para transmitir ao homem a Sua Palavra e lhe assegurar a Sua presença e (Gn 16,11; 22,11.15; Ex 3,2), realçando o seu cuidado e proteção.
“Num sonho”: o termo “sonho” (gr. onár) só ocorre nas Escrituras em Mateus (6x: 1,20; 2,12.13.19.22.19). Era através de sonhos que Deus no AT falava aos homens (cf. Gn 20,3; 31,11; 37,6; 40,5; 41,1; Nm 12,6; 1Rs 3,5; Dn 4,13). O próprio Deus sugere o lugar onde a família de Jesus deve buscar segurança: a província romana do Egito, território fora da jurisdição de Herodes, asilo bem conhecido para muitos que fugiam da perseguição do tirano que governava a Palestina.
Na apresentação mateana de Jesus como o novo Moisés e figura do novo Israel os acontecimentos decorrem de forma oposta aos de Moisés: no caso do profeta e dos israelitas foram eles que fugiram do Egito para escapar à morte e dirigem-se para a terra prometida; no caso de Jesus, José tem de fugir com Ele da terra de Israel para o Egito, a fim de ter a vida salva. O lugar da vida e da liberdade, tornou-se lugar da morte e da opressão. Jesus aparece assim como o tipo do justo perseguido e do profeta rejeitado pelo seu povo.
- v. 14. Então ele levantou-se, tomou o Menino e a sua Mãe durante a noite e retirou-se para o Egito.
Correspondendo às indicações de Deus, José “levantou-se de noite, tomou o Menino e sua mãe e partiu para o Egito”. José obedece-lhe em silêncio à voz de Deus, tal como Abraão, na maturidade da sua fé, e em vez de partir de madrugada, como o patriarca (cf. Gn 22,3), sai de noite com a sua família, rumo ao Egito, para escapar à perseguição (cf. 1Sm 19,10).
- v. 15. E ali esteve até à morte de Herodes, para que se cumprisse o que foi dito pelo Senhor por meio do profeta: “Do Egito chamei o meu filho”.
A permanência da Sagrada Família no Egito durou até à “morte de Herodes”. Esta ocorreu no ano 4 a.C. (cf. Fl.Jos. Ant. 14.14.4; 17.7.1). A estada no Egito é apresentada por Mateus à luz da prova escriturística do cumprimento das Escrituras em Jesus segundo o esquema promessa-cumprimento, típico do seu Evangelho: “para que se cumprisse o que foi dito” (plêrôthê tó rêthen, 10x: 1,22; 2,15.17.23; 4,14; 8,17; 12,17; 13,35; 21,4; 27,9). Mateus cita Os 11,1 a partir do hebraico: “quando Israel era um menino, amei-o; e do Egito chamei o meu filho”. A passagem refere-se originalmente ao êxodo de Israel do Egito, mas Mateus, aplicando-a a Jesus, indica assim que nele se recapitula a história de Israel e se inaugura o novo Israel.
- v. 19. Quando Herodes morreu eis que um anjo do Senhor apareceu num sonho a José no Egito.
Omitindo o episódio do massacre dos meninos inocentes em Belém (vv. 16-18), a segunda cena leva-nos até ao ano 4 a.C., a altura da morte do rei Herodes. Jesus teria, por essa altura, dois ou três anos. Entra novamente em cena o anjo do Senhor que, em sonhos, avisa José.
- v. 20. Dizendo: «Levanta-te, toma o Menino e a sua Mãe e vai para a terra de Israel, pois morreram os que procuravam tirar a vida ao Menino».
O anjo avisa José da morte de Herodes, dizendo-lhe para regressar a Israel.
- v. 21. Ele levantou-se, tomou o Menino e a sua Mãe, e foi para a terra de Israel.
Uma vez mais, José procede conforme as indicações de Deus, obedecendo-lhe em silêncio, tal como Abraão, na maturidade da sua fé (vv. 14.22; 1,24).
- v. 22. Mas, ao ouvir dizer que Arquelau reinava na Judeia em lugar de seu pai Herodes, teve medo de ir para lá. Avisado num sonho, retirou-se para as regiões da Galileia.
Ao aproximar-se da Judeia, ao saber que Herodes Arquelau, um dos filhos de Herodes Magno, reinava na Judeia, teve medo de ir para lá e, novamente avisado (passivo divino: por Deus) num sonho, retirou-se para a região da Galileia (4,12-16), no norte da Palestina. O “receio” de José era fundado: Arquelau revelou-se um governador impiedoso e despótico, que governou a Judeia e a Samaria durante oito anos (4 a.C.-6 d.C.) até ser deposto por causa da crueldade com que tratava os seus súbditos (cf. Fl.Jos. Bell. 2,7,3).
- v. 23. E foi morar numa cidade chamada Nazaré. Assim se cumpriu o que foi dito por meio dos profetas: “Será chamado Nazareno”.
José foi então viver numa cidade chamada Nazaré, uma povoação completamente desconhecida quer no AT, quer das autoridades judaicas e romanas, com um reduzido número de habitantes, situada no meio das montanhas do norte do país. Desta forma Mateus explica como é Jesus, o Messias, natural de Belém, foi antes chamado “o Nazareno” (26,71), facto que ele novamente aduz a partir da prova escriturística, afirmando que “assim se cumpriu o que foi dito por meio dos profetas: ‘Será chamado Nazareno’”.
Ora não existe nenhuma passagem bíblica onde esta frase ocorra. Alguns pensam que isto evoca que Jesus seria um nazireu (um consagrado) na linha de Sansão (cf. Nm 6,1-21; Jz 13,5.7; 16,17) e de João Batista (Lc 1,15), mas esta tese não vinga, porque estava interdito aos nazireus tomar bebidas alcoólicas e Jesus bebia (11,19). Trata-se antes de uma referência a Is 11,1, onde se diz que “um rebento (netzer) brotará das suas raízes”, sendo este rebento o Messias: “e repousará sobre ele o Espírito do Senhor” (Is 11,2). É desta passagem que vem o nome de Nazaré e daí o nome de Jesus. Portanto, Mateus dá a entender que se Jesus é chamado “o Nazareno” não é para negar que Ele nasceu em Belém, não podendo por isso ser o Messias, mas precisamente para afirmar que Ele é o Messias que vem trazer a verdadeira justiça e paz (Is 11,4-9).
Ler o texto segunda vez... Em silêncio, escutar o que Deus diz no segredo...
2) MEDITAÇÃO… PARTILHA… (Que me diz Deus nesta Palavra?)
a) Que frase me toca mais? b) Que diz à minha vida? c) Oração em silêncio…
d) Partilha… e) Que frase reter? f) Como a vou/vamos pôr em prática?
- Estou atento à voz de Deus? Sou dócil às moções do Espírito Santo?
- Procuro construir a minha vida sobre a Palavra de Deus? Que passagens me têm norteado mais?
- Ao contemplar a Sagrada Família de Jesus, Maria e José que exemplos mais úteis retiro para a minha própria vida e relação com os outros, em particular na minha família e comunidade?
3) ORAÇÃO PESSOAL… (Que me faz esta Palavra dizer a Deus?)
4) CONTEMPLAÇÃO… (Saborear a Palavra em Deus, deixando que inflame o coração)
Salmo responsorial Sl 128,1-5 (R. cf. 1)
Refrão: Ditosos os que temem o Senhor, ditosos os que seguem os seus caminhos.
Feliz de ti, que temes o Senhor
e andas nos seus caminhos.
Comerás do trabalho das tuas mãos,
serás feliz e tudo te correrá bem. R.
Tua esposa será como videira fecunda,
no íntimo do teu lar;
teus filhos serão como ramos de oliveira,
ao redor da tua mesa. R.
Assim será abençoado o homem que teme o Senhor.
De Sião te abençoe o Senhor:
vejas a prosperidade de Jerusalém,
todos os dias da tua vida. R.
Pai-nosso…
Oração conclusiva
Senhor, Pai santo, que na Sagrada Família nos destes um modelo de vida, concedei que, imitando as suas virtudes familiares e o seu espírito de caridade, possamos um dia reunir-nos na vossa casa para gozarmos as alegrias eternas. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. T. Amen.
Avé Maria...
Bênção final. Despedida.
5) AÇÃO... (Caminhar à luz da Palavra, encarnando-a e testemunhando-a na própria vida)
Fr. Pedro Bravo, O.Carm.