
Acolhimento. Sinal da cruz. Oração inicial. Invocação do Espírito Santo:
A. Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis
T. E acendei neles o fogo do vosso amor.
A. Enviai o vosso Espírito e tudo será criado
T. E renovareis a face da terra.
A. Oremos. Senhor, nosso Deus, que iluminastes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, tornai-nos dóceis às suas inspirações, para apreciarmos retamente todas as coisas e gozarmos sempre da sua consolação. Por Cristo, nosso Senhor. T. Amen.
1) LEITURA (Que diz o texto? Que verdade eterna, que convite/promessa de Deus traz?)
Leitura do Evangelho segundo S. Mateus (3,13-17)
Naquele tempo 3,13vem Jesus da Galileia para o Jordão ter com João para ser batizado por ele. 14Mas João opunha-se a Ele, dizendo: «Eu é que tenho necessidade de ser batizado por Ti e Tu vens a mim?» 15Jesus, porém, respondendo, disse‑lhe: «Deixa por agora, porque assim nos convém cumprir toda a justiça». Então João deixa-o. 16Depois de ter sido batizado, Jesus subiu logo da água. E eis que os céus se lhe abriram e viu o Espírito de Deus a descer como uma pomba e a vir sobre Ele. 17E eis que uma voz vinda dos céus dizia: «Este é o meu Filho amado, no qual me comprazo».
Ler a primeira vez… Em silêncio, deixar a Palavra ecoar no coração… Observações:
- v. 13. Vem Jesus da Galileia para o Jordão ter com João para ser batizado por ele.
vv. 13-17: Mc 1,9ss; Lc 3,21s; Jo 1,29-34. Com o episódio do batismo de Jesus inaugura-se a vida pública de Cristo. De Nazaré, onde vivia (2,23), Jesus “vem ter” (gr. paragínomai: Is 62,11) com João Batista (v. 1) “ao Jordão” (cf. Jo 1,28: em Bethabara, “casa do vau”, árabe Al-Maghtas, “o batismo”, “a imersão”, o lugar por onde Israel, guiado por Josué tinha entrado na Terra Prometida: Js 3,1-4,18; e Elias tinha sido arrebatado ao céu: 2Rs 2,8).
“Para ser batizado por ele”: batismo (gr.; he. tabal, mikvá) significa “imersão”, “submersão” na água. "O batismo de João" (21,25), era um rito de purificação, diverso dos banhos de purificação dos judeus e dos essénios (feitos pela própria pessoa e se repetiam sempre que era legalmente prescrito), administrado por João Batista no rio Jordão (cf. 2Rs 5,14), mediante o qual as pessoas que o reconheciam como profeta (11,9; 14,5; 21,26), aceitavam a sua pregação e nela acreditavam, se submetiam à vontade de Deus, arrependendo-se dos seus pecados passados e confessando-os (v. 6), deles pediam perdão a Deus e se comprometiam a uma mudança de vida, empenhada em cumprir a vontade de Deus mediante a prática da justiça, qualificando-se assim para ser admitidos no reino de Deus, inaugurado pelo Messias, que em breve seria estabelecido.
- v. 14. Mas João opunha-se a Ele, dizendo: «Eu é que tenho necessidade de ser batizado por Ti e Tu vens a mim?»
Trava-se então um diálogo entre ambos, exclusivo de Mateus. Como profeta, João reconhece logo Jesus como o Messias (cf. Jo 1,33) e percebe as suas intenções (cf. 1Sm 9,15-19), ficando, por isso confuso: ele, João, é que tem necessidade de ser batizado por Jesus (no Espírito Santo: v. 1) e é Jesus que, não tendo pecado, lhe pede para ser batizado na água, “confessando os seus pecados” (v. 6)? Jesus é um Messias que a todos surpreende, inclusive a João, mais que uma vez (cf. 11,3).
- v. 15. Jesus, porém, respondendo, disse‑lhe: «Deixa por agora, porque assim nos convém cumprir toda a justiça». Então João deixa-o.
Jesus, porém, insiste humildemente que o “deixe” ser batizado (afés: 6,12, verbo donde vem áfesis, “remissão”: 26,28). “Por agora”: é uma referência velada ao martírio de João Batisma, o seu batismo no sangue (cf. 14,10s; 20,22). “Porque assim nos convém. A “justiça” (Mt, 1ª de 7x) é a plena conformidade do homem com a vontade de Deus na prática do amor a Ele e ao próximo. Sendo no AT a obediência o que define a relação de um filho com o seu pai (Gn 28,7), a justiça dum filho consiste em obedecer à vontade do pai, pondo-a em prática, segundo os seus desejos. Neste caso, entende-se por "justiça" a vontade salvífica de Deus, o seu plano de salvação (cf. 6,10; 26,42). Este plano de salvação passa pelo arrependimento e pelo batismo pregados por João, que são a porta, "o caminho de justiça" para entrar no Reino dos céus (cf. 21,32; 28,19).
Jesus diz que lhes "convém" (gr. pretô: Hb 2,10), ou seja, faz parte do plano de Deus. “Cumprir”, indica que é assim, através de João, o mensageiro prometido por Deus (cf. Ml 3,1.23s), e em Jesus, o Filho obediente à vontade do Pai (6,10; 26,42), que se “cumprirão as Escrituras” (Mt, 8x: 1,22; 2,15.23; 4,14; 8,17; 12,17; 13,35; 21,4), ou seja, "toda a justiça".
"Toda a justiça” (Gn 32,11G; 1Sm 12,7): a do Antigo e a do Novo Testamento, a justiça salvífica de Deus, anunciada no Antigo e realizada no Novo Testamento. Pondo-se na fila, entre os pecadores, aguardando para ser batizado por João, Jesus mostra que levará a cabo a sua missão como o Servo de Iavé (12,17-21), anunciado por Isaías (Is 42,6), que “salvará o seu povo dos seus pecados” (1,21). Como? Carregando sobre si “os pecados da multidão” (Is 53,4s), que Ele confessa em nome do seu povo, incorporando e recapitulando em si mesmo a história e o destino deste, a fim de dar em si mesmo a morte ao pecado, dando a sua vida para justificar a muitos (Is 53, 10s), em virtude do seu Sangue, "o sangue da [nova] Aliança derramado por muitos para a remissão (gr. áfesis) dos pecados" (26,28). Só então, depois de ressuscitado, é que poderá batizar o seu povo no Espírito Santo (cf. Jo 7,39). "Por agora", Jesus deve ser batizado por João, entrando assim no âmago do plano salvífico de Deus. Por outro lado, João também deve obedecer, porque só “assim” – com o batismo de Jesus na água, completado pelo batismo no Espírito Santo, que Jesus inaugurará em si nesta ocasião – poderá ser levada a todas as nações a justificação que dá a salvação (cf. 28,18s).
- v. 16. Depois de ter sido batizado, Jesus subiu logo da água. E eis que os céus se lhe abriram e viu o Espírito de Deus a descer como uma pomba e a vir sobre Ele.
Batizado, Jesus “sobe logo das águas”, uma alusão a Js 4,18, quando os sacerdotes, que levavam a Arca, subiram do meio do Jordão e entraram com ela na Terra prometida. Jesus é o novo Josué (gr. Iesous) que leva a cabo o novo êxodo, em que faz entrar o novo Povo de Deus na verdadeira “terra prometida”, o Reino dos céus, ou seja, em Deus. Deus, que aqui Se revela numa teofania (“manifestação divina”) como o Deus-Trindade (cf. 28,19).
Tal como em Marcos, em Mateus é Jesus que “vê” (gr. ‘oráo) numa visão simbólica (o elemento essencial da vocação dum profeta: Is 6; Jr 1,4-19), a missão que o Pai lhe confia e lhe revela através de três elementos muito significativos.
1) a abertura dos “céus” (no plural; o lugar da habitação de Deus: 1Rs 8,39; Pv 30,4; Dt 10,14), significando a união do céu com a terra. É em Jesus que o Reino dos céus se torna presente no meio dos homens (3,2; Jdt 13,11), abrindo para eles as cataratas do céu num dilúvio de graça e de bênçãos divinas (cf. Gn 7,11; Ml 3,10; Dt 28,12; Sl 78,24; 145,16), que darão vida nova à humanidade (Sl 104,28ss). Cumpre-se assim Is 63,19 (“Oh se rasgasses os céus e descesses”), onde o povo, perante a total impossibilidade se converter e salvar por si mesmo, pede a Deus que seja Ele mesmo a vir ao seu encontro para refazer a relação entre ambos que o pecado tinha rompido.
2) a descida do Espírito Santo, o dom messiânico por excelência (Nm 11,29; Pv 1,23; Is 32,15; 59,21; Ez 36,26s; 37,6.14; Jl 3,1; Ag 2,5; Zc 12,10). O Espírito “vem sobre”, Jesus, para O consagrar como Messias (cf. Is 11,2; 61,1) e n’Ele habitar (gr. ep’ autón: 12,18; Is 42,1; cf. Nm 11,25; 1Sm 10,10; Jz 3,10; 14,6.19; 15,14; 1Sm 16,13), a fim de através d’Ele operar a salvação. Jesus recebe na Sua humanidade a plenitude do Espírito Santo, para depois dar em plenitude o Espírito Santo àqueles que n’Ele forem incorporados e a Ele forem unirem através do batismo, participando assim da Sua plenitude (Sua: de Jesus e do Espírito Santo)..
O Espírito desce “como uma pomba”. É uma alusão: a) ao Espírito criador de Deus que no princípio da criação adejava sobra as águas (Gn 1,2), simbolizado nalgumas tradições judaicas por uma pomba (bHag 15a). Em Jesus inaugura-se a nova criação (cf. Is 65,17; 66,22s); b) à pomba que no dilúvio voltou à arca, para vir ter com Noé, trazendo no bico um ramo de oliveira, anunciando o fim do dilúvio (cf. Gn 8,11). Jesus é o primogénito da nova humanidade, regenerada e salva pelas águas do batismo (cf. 1Pd 3,20s); c) ao Povo de Israel, desposado por Deus no Sinai (Ct 2,14; 5,2; 6,9; Sl 68,14; Os 11,11), simbolizado na tradição judaica pela pomba (Midr Ct 1,15; 2,14; 4,1; bSahn 95a; bBer 53b); d) à simplicidade (10,16). Jesus é o Messias, simples e humilde (11,29; 21,5), à roda do qual Deus reunirá o seu novo Povo, selando com ele uma nova Aliança, destinada a toda a humanidade, dando-lhe a paz (cf. Gn 9,11-17; Jr 31,31ss).
- v. 17. E eis que uma voz vinda dos céus dizia: «Este é o meu Filho amado, no qual me comprazo».
3) A voz vinda do céu. É a “voz de Deus” (bat kol, “a filha da voz”: Dt 4,12) que, segundo a tradição rabínica, ressoava sempre em momentos extraordinários, quando se tinha de tomar decisões muito importantes. Ao invés de Mc 1,11 e de Lc 3,22, onde Deus se dirige a Jesus (“Tu és”), aqui Deus dirige-se a todos, apresentando Jesus como o Messias, dizendo: “Este é...”. De facto, o Messias deveria ser sacerdote, profeta e rei (Sl 110,4; Lv 21,12; Dt 18,18; Is 45,1; 1QS 9,11). Mas desde a morte de Jeconias, o último rei de Judá, no cativeiro da Babilónia (d. 561 a.C.: 2Rs 25,30), nunca mais houve um rei da casa de David em Israel. Desde a nomeação de Jónatas Macabeu para Sumo-sacerdote pelo rei Alexandre Balas (1Ma 10,18-21), em 152 a.C., tinha acabado a sucessão hereditária legítima do Sumo-sacerdote, que vinha desde Sadoc (c. 1023 a.C.; 2Sm 18,24-29). E depois de Malaquias (c. 520 ou 420 a.C.) tinha deixado de haver profetas. Assim, só Deus poderia dar a conhecer, ungir e investir o Messias. É o que aqui acontece: Deus revela-se como Pai (Mt, 39x) e investe Jesus como o Messias com a fórmula do Sl 2,7 (“Tu és meu Filho…”), apresentando-o como “o seu Filho” (11,27; 26,63; Mt, 9x), cumprindo assim à letra a promessa feita a David de que da sua descendência viria o Messias (2 Sm 7,14; Sl 89,27), mas agora de uma forma que ninguém poderia imaginar, enviando o seu próprio Filho.
Ao mesmo tempo apresenta a missão do Messias, seu Filho, a partir da figura do Servo de Iavé: “Eis o meu servo, o meu eleito, a quem sustenho, em quem se compraz a minha alma. Sobre Ele pus o meu Espírito; ele levará o direito às nações” (Is 42,1-7). Nos LXX, a palavra “servo” (he. ‘ebed) é traduzida por pais, que em grego significa também “filho”. Jesus é o Filho de Deus, o Messias, que consumará a missão que o Pai lhe deu como servo de Iavé, levando a salvação a todos os povos.
O Pai chama ainda Jesus “o Amado” (gr. agapétos, “amado”, “único”), título que evoca: a) o Rei-Ungido do Sl 45,1 e Zc 12,10; b) Isaac no sacrifício de Abraão (Gn 22,2.12.16). Jesus é o novo Isaac, filho de Abraão” (1,1) em quem o Pai cumpriu a promessa de, na sua descendência (Gl 3,16: Cristo), abençoar todas as nações (Gn 26,4; 28,14). Mas ao invés de Isaac, Jesus, o Filho único do Pai, será imolado no monte Moriá (Jerusalém: 2Cr 3,1) para “ao terceiro dia” ressuscitar (Gn 22,4; Mt 16,21; 17,23; 20,19; 27,64), cumprindo “assim toda a justiça”. c) “Filho amado” designa também Israel (Jr 31,20), bem como o Servo de Iavé (Is 49,3), Jesus é o novo Israel que recapitula em si toda a história do seu povo, inaugurando em si o novo êxodo do novo Povo de Deus, que congrega, conduz e faz entrar no Reino dos céus, a verdadeira pátria prometida, dando-lha como herança eterna (5,5; 25,34; Fl 3,20; Hb 11,14.16).
Ler o texto outra vez... Em silêncio, escutar o que Deus diz no segredo...
2) MEDITAÇÃO… PARTILHA… (Que me diz Deus nesta Palavra?)
a) Que frase me toca mais? b) Que diz à minha vida? c) Oração em silêncio…
d) Partilha e) Que frase reter? f) Como a vou / vamos pôr em prática?
- O que é mais importante para mim: o projeto de Deus ou a minha vontade? Confio no Pai, abandonando-me à sua vontade?
- Tenho vivido consciente e coerentemente o meu batismo, como discípulo-missionário de Jesus? Que ainda poderei fazer?
3) ORAÇÃO PESSOAL… (Que me faz esta Palavra dizer a Deus?)
4) CONTEMPLAÇÃO… (Saborear a Palavra em Deus, deixando que ela inflame o coração)
Salmo responsorial Sl 123, 1-4 (R. 2cd)
Refrão: O Senhor abençoará o seu povo na paz.
Tributai ao Senhor, filhos de Deus,
tributai ao Senhor glória e poder.
Tributai ao Senhor a glória do seu nome,
adorai o Senhor com ornamentos sagrados. R.
A voz do Senhor ressoa sobre as nuvens,
o Senhor está sobre a vastidão das águas.
A voz do Senhor é poderosa,
a voz do Senhor é majestosa. R.
A majestade de Deus faz ecoar o seu trovão
e no seu templo todos clamam: Glória!
Sobre as águas do dilúvio senta-Se o Senhor,
o Senhor senta-Se como Rei eterno. R.
Pai-nosso…
Oração conclusiva:
Deus todo-poderoso e eterno, que proclamastes solenemente a Cristo como vosso amado Filho quando era batizado nas águas do rio Jordão e o Espírito Santo descia sobre Ele, concedei aos vossos filhos adotivos, renascidos pela água e pelo Espírito Santo, a graça de permanecerem sempre no vosso amor. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. T. Amen.
Ave-Maria...
Bênção final. Despedida.
5) AÇÃO... (Caminhar à luz da Palavra, encarnando-a e testemunhando-a na nossa vida)
Fr. Pedro Bravo, O.Carm.