
Acolhimento. Sinal da cruz. Oração inicial. Invocação do Espírito Santo:
A. Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis
T. E acendei neles o fogo do vosso amor.
A. Enviai o vosso Espírito e tudo será criado
T. E renovareis a face da terra.
A. Oremos. Senhor, nosso Deus, que iluminastes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, tornai-nos dóceis às suas inspirações, para apreciarmos retamente todas as coisas e gozarmos sempre da sua consolação. Por Cristo, nosso Senhor. T. Amen.
1) LEITURA (Que diz o texto? Que verdade eterna, que convite/promessa de Deus traz?)
Leitura do Evangelho segundo S. João (1,29-34)
1,29No dia seguinte, João Batista vê Jesus a vir ter com Ele e diz: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. 30Este é Aquele de quem eu disse: ‘Após mim vem um homem que passou adiante de mim, porque era primeiro que eu’. 31E eu não O conhecia, mas foi para que fosse manifestado a Israel que eu vim batizar na água». 32E João deu testemunho, dizendo: «Vi o Espírito descer do Céu como uma pomba e permanecer sobre Ele. 33E eu não O conhecia, mas foi Aquele que me enviou a batizar na água que me disse: ‘Aquele sobre quem vires o Espírito descer e permanecer, é Ele que batiza no Espírito Santo’. 34E eu vi e dou testemunho que Ele é o Filho de Deus».
Ler a primeira vez… Em silêncio, deixar a Palavra ecoar no coração… Observações:
O texto de hoje faz parte da secção introdutória do Quarto Evangelho (1,19-3,36), onde o evangelista, através de diversas personagens, apresenta e diz quem é Jesus. Nele, João narra o batismo de Jesus, não a partir do acontecimento (como os Sinópticos), mas do testemunho de João Batista.
- v. 29. No dia seguinte, João Batista vê Jesus a vir ter com Ele e diz: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.
(vv. 29-34: Mt 3,13-17; Mc 1,9-11; Lc 3,21s). Estamos em Betânia (v. 28, Bethabara, “casa do vau” de passagem, árabe Al-Maghtas, “o batismo”, o lugar por onde Israel tinha entrado na Terra Prometida, guiado por Josué: Js 3,1-4,18). O “dia seguinte” é o segundo da oitava inaugural de Jesus (1,19-2,12). João Batista “vê” profeticamente Jesus (9,39.41; cf. Is 6,9; Jr 5,21) “vir ao seu encontro” (vv. 9.47; 1Sm 9,16s) e apresenta-o como o Messias, dando testemunho dele (completado em 3,22-36) com quatro afirmações profundamente teológicas: 1) Jesus é o Cordeiro de Deus 2) que tira o pecado do mundo, 3) batiza no Espírito Santo: 4) e é o Filho de Deus.
1) João descreve a missão de Jesus à luz de uma imagem surpreendente. Não o apresenta como um Messias guerreiro (11,49ss), um “leão” que extermina os inimigos e os pecadores (4Esd 12,31-34; cf. Gn 49,9; Nm 24,9; Mq 5,8; Is 11,6; 35,9; 65,25), nem à luz de algum personagem ou tema tradicionalmente aplicado ao Messias no AT, mas como “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”.
Esta expressão refere-se: a) ao cordeiro pascal, sem mancha, que se imolava ao fim da tarde, na véspera da páscoa judaica (Ex 12,5ss), uma imagem que aponta já para a morte de Jesus, que é crucificado na hora em que os cordeiros pascais começavam a ser imolados no templo de Jerusalém (19,14.36) e cujo sangue salvará o homem da escravidão, não do Egito, mas do pecado e da morte. b) Ao Servo Sofredor de Iavé (Is 53,7), que é levado à morte como manso cordeiro (Jr 11,19), carregando sobre si os pecados “de muitos”, oferecendo a sua vida em sacrifício pelo pecado e intercedendo pelos transgressores (Is 53,10-12).
A afirmação de Joachim Jeremias, art. “amnós”, in: ThWNT 1, Stuttgart 1933, 343.8-25, que a imagem usada por João Batista dever-se-ia ao facto de “cordeiro” em aramaico se dizer talya’, palavra que também significaria “servo”, não foi aceite pela exegese. Antes de mais, Talya’ é um nome hebraico feminino que significa “orvalho de Deus”. Depois, a afirmação carece de fundamento, a começar pelo próprio autor, que não indica donde tirou essa informação, em que passagem se encontra ou em que texto pode ser comprovada. Por último, ao invés de talya’, que nunca aparece no texto bíblico, esses dois termos aparecem em aramaico no texto bíblico, nada tendo a ver com talya’: “cordeiro” diz-se ‘immar (Esd 6,9) e “servo” ‘abad (Esd 4,11). Talya’ também não é sinónimo, como alguns pretendem, sem apresentar comprovação, de “filho” (aram. bar: Sl 2,12; Pv 31,2), nem de “pão” (aram. lechem: Dn 5,1; 10,3).
2) Como Cordeiro de Deus, Jesus “tira o pecado do mundo”. “Tirar” vem do verbo grego aírô que significa “levantar”, “tomar sobre si”, “carregar”, “levar embora”, “remover”, neste caso o fardo do pecado que oprime a humanidade. Jesus não vem libertar o homem de um jugo exterior, mas do pecado, perdoando-o (20,23), algo que só Deus podia fazer. “Pecado” não está no plural (gr. anomía; he. avon, “iniquidade”), referindo-se às faltas, pecados, cometidos, mas no singular (gr. hamartía; he. hattah, lit. “desviar-se”, “errar o alvo”: Ex 34,7; Sl 51,4).
"O pecado", no singular, é a raiz do mal. Nasce do juízo, alimenta-se do orgulho (Gn 3,5ss; Rm 2,1; 7,8s; 1Cor 15,56), traduz-se na incredulidade e leva à desobediência a Deus (16,9). "O pecado" é a autossuficiência do homem, que quer realizar-se e ser feliz mas por si mesmo, à margem dos outros, acreditando mais em si do que em Deus, satisfazendo os seus gostos e fazendo a sua própria vontade, conforme as suas maneiras de ver, usando os seus métodos e seguindo os seus caminhos. Mas engana-se, acabando por experimentar a morte, cair nas trevas e ficar escravo do mal. “Do mundo”: o pecado que Jesus toma de cima do homem, carrega sobre si, perdoa, redime e liberta, bem como das suas consequências é o do mundo (gr. kósmos: 16,8; 1Jo 2,2), ou seja, de toda a humanidade. João proclama a universalidade da salvação que Jesus levará a cabo pela sua morte na cruz, redimindo o homem da escravidão de Satanás, do pecado e da morte, com o seu próprio Sangue (1Pd 1,19; Ap 5,6.12s).
- v. 30. Este é Aquele de quem eu disse: ‘Após mim vem um homem que passou adiante de mim, porque era primeiro que eu’.
João Batista reitera o seu testemunho (v. 15), apontando Jesus como continuador da sua missão (3,22ss; 4,1s; Mt 4,12.17; Mc 1,14; ): o “que vem após mim” (gr. opíso mou: Mt 4,19; Mc 1,17; Lc 9,23). Mas “passou adiante de mim” (3,25s; Gn 45,5.7), enquanto Messias, porque “era primeiro que eu”, pois é, desde toda a eternidade, o Logos divino que estava com o Pai e que se fez carne (vv. 1-18), sendo, por isso, “o Primeiro” (gr. prótos, com artigo), designação que é um título divino (Is 44,6; 48,12; Ap 1,17; 2,8; 23,13). - v. 31. E eu não O conhecia, mas foi para que fosse manifestado a Israel que eu vim batizar na água».
Como todos os cristãos, João não conhecia pessoalmente Jesus. De facto, segundo a tradição, o Messias deveria permanecer oculto até ao dia em que fosse manifestado por Deus aos homens (v. 26; 7,27). Jesus, aliás, não pode ser conhecido a partir de critérios humanos, mas só à luz da fé, pelo Espírito Santo (2Cor 5,16; 1Cor 1,21). Ele é o Filho unigénito cujo mistério radica no Pai (1,18; 14,9). Só o Pai O conhece (10,15; Mt 11,27) e dá a conhecer (5,37; 6,44). Além disso, nunca se acabará de conhecer Jesus, nem na terra, nem no céu (17,26; Jr 16,21; Sr 24,28; Rm 11,33-36; Ef 3,19). - v. 32. E João deu testemunho, dizendo: «Vi o Espírito descer do Céu como uma pomba e permanecer sobre Ele.
João Batista conheceu Jesus a partir da teofania (“manifestação divina”) trinitária que lhe foi dado ver no batismo de Jesus e que testemunha.
“Viu” (gr. theáomai: Ex 3,8; 24,16; 33,9; 34,5; Nm 11,17.25; Jz 14,19) está no perfeito do indicativo, indicando que se prolonga no tempo.
“O Espírito (Santo) descer do céu”, ungindo Jesus como Messias (At 10,37s).
“Em forma de pomba”. É uma alusão: a) ao Espírito criador de Deus que no princípio da criação adejava sobra as águas (Gn 1,2), simbolizado nalgumas tradições judaicas por uma pomba (bHag 15a). Em Jesus inaugura-se a nova criação (cf. Is 65,17; 66,22s); b) à pomba que no dilúvio voltou à arca, para vir ter com Noé, trazendo no bico um ramo de oliveira, anunciando o fim do dilúvio (cf. Gn 8,11). Jesus é o primogénito da nova humanidade, regenerada e salva pelas águas do batismo (cf. 1Pd 3,20s); c) ao Povo de Israel, desposado por Deus no Sinai (Ct 2,14; 5,2; 6,9; Sl 68,14; Os 11,11), simbolizado na tradição judaica pela pomba (Midr Ct 1,15; 2,14; 4,1; bSahn 95a; bBer 53b); d) à simplicidade (10,16).
“E permanecer sobre Ele” (gr. ep’autón): é uma alusão a Is 11,2; 42,1. A expressão ep’autón significa construir/pôr a sua morada sobre alguém. Jesus é o Messias que possui a plenitude do Espírito Santo, que nele estabelece a sua morada definitiva e permanente.
- v. 33. E eu não O conhecia, mas foi Aquele que me enviou a batizar na água que me disse: ‘Aquele sobre quem vires o Espírito descer e permanecer, é Ele que batiza no Espírito Santo’.
3) A revelação do Pai (cf. Mt 3,17; Mc 1,11; Lc 3,22) completa o testemunho de João (vv. 33s). O Pai mostra-lhe que Jesus é o Messias que não apenas aspergirá com água pura o seu povo e infundirá nele o Espírito (Ez 36,25s), mas que “batiza no Espírito Santo” (3,11; 28,19; Mc 1,8; Lc 3,16; At 1,5; 11,16; cf. At 10,47; 1Cor 12,13; Tt 3,5), cumprindo as promessas de Deus no AT (Jl 3,1s; Ez 39,29; Zc 12,10; Nm 11,29). “Ver” indica uma revelação divina (At 2,3). “Batizar” significa “mergulhar” na água até ficar encharcado (2Rs 5,14). O objetivo da missão de Jesus é “batizar no Espírito Santo”: dar o Espírito sem medida (3,34) a quem n’Ele crê (7,37s), mergulhando-o no amor de Deus, fazendo-o renascer como filho de Deus (1,12s) para a vida eterna (3,5-8), para que como tal viva (1Jo 3,1s; 4,16s), sendo um em Cristo com o Pai e os irmãos (17,20-23). Nisso consiste a salvação. - v. 34. E eu vi e dou testemunho que Ele é o Filho de Deus».
4) João conclui o seu testemunho declarando que “viu” e “testemunha” (gr. oráô; martyréô). Ambos os verbos estão no perfeito do indicativo, indicando uma ação que se prolonga no tempo. Ambas as ações estão ligadas (3,11.32s; 19,35; cf. 21,24; At 4,20; 1Jo 1,2): o “ver” da fé, nascido do encontro com Jesus e da descoberta dele como Messias, leva a “testemunhá-lo”. “Que Ele é o Filho de Deus”. No batismo, Deus investe Jesus como o Messias e revela-o não só para que Ele seja reconhecido como tal, mas também como Deus (cf. Is 43,10.12) feito homem, não apenas em sentido metafórico (como o Rei‑Messias: v. 49; Sl 2,7; 2Sm 7,14; Sl 89,27), mas, em sentido absoluto, como “o Filho” (com artigo), gerado pelo Pai e por Ele consagrado e enviado ao mundo (3,16ss.35s; 5,19.21ss.25.26; 6,40; 8,36; 10,36; 1,4.27; 14,13; 17,1; 19,7; 20,31).
Ler o texto outra vez... Em silêncio, escutar o que Deus diz no segredo...
2) MEDITAÇÃO… PARTILHA… (Que me diz Deus nesta Palavra?)
a) Que frase me toca mais? b) Que diz à minha vida? c) Oração em silêncio…
d) Partilha... e) Que frase reter? f) Como a vou / vamos pôr em prática?
- Onde procuro a felicidade: em Jesus, em pseudo-messias, ideologias, miragens de poder ou no amor, no gozo e no prazer egoístas?
- A vida cristã é uma vida no Espírito. Abro-me a Cristo, vivo em comunhão com Ele, reservo tempo para escutar a Sua Palavra e falar com Ele? Já experimentei a sua vida? Isso leva-me a testemunhá-lo aos outros?
3) ORAÇÃO PESSOAL… (Que me faz esta Palavra dizer a Deus?)
4) CONTEMPLAÇÃO… (Saborear a Palavra em Deus, deixando que ela inflame o coração)
Salmo responsorial Sl 40,2.4ab.7-11 (R. 8a.9a)
Refrão: Eu venho, Senhor, para fazer a vossa vontade.
Esperei no Senhor com toda a confiança
e Ele atendeu-me.
Pôs em meus lábios um cântico novo,
um hino de louvor ao nosso Deus. R.
Não Vos agradaram sacrifícios nem oblações,
mas abristes-me os ouvidos;
não pedistes holocaustos nem expiações,
então clamei: «Aqui estou». R.
«De mim está escrito no livro da Lei
que faça a vossa vontade.
Assim o quero, ó meu Deus,
a vossa lei está no meu coração». R.
Proclamei a justiça na grande assembleia,
não fechei os meus lábios, Senhor, bem o sabeis.
Não escondi a vossa justiça no fundo do coração,
proclamei a vossa fidelidade e salvação. R.
Pai-nosso…
Oração conclusiva:
Deus todo-poderoso e eterno, que governais o céu e a terra, escutai misericordiosamente as súplicas do vosso povo e concedei a paz aos nossos dias. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. T. Amen.
Ave-Maria...
Bênção final. Despedida.
5) AÇÃO... (Caminhar à luz da Palavra, encarnando-a e testemunhando-a na nossa vida)
Fr. Pedro Bravo, O.Carm.