Acolhimento. Sinal da cruz. Oração inicial. Invocação do Espírito Santo:
A. Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis
T. E acendei neles o fogo do vosso amor.
A. Enviai o vosso Espírito e tudo será criado
T. E renovareis a face da terra.
A. Oremos. Senhor, nosso Deus, que iluminastes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, tornai-nos dóceis às suas inspirações, para apreciarmos retamente todas as coisas e gozarmos sempre da sua consolação. Por Cristo, nosso Senhor. T. Amen.
1) LEITURA (Que diz o texto? Que verdade eterna, que convite/promessa de Deus traz?)
Leitura do Evangelho segundo S. Mateus (13,44-52)
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 13,44«O reino dos Céus é semelhante a um tesouro escondido no campo. O homem que o encontrou voltou a escondê-lo e, na sua alegria, vai e vende tudo quanto tem e compra aquele campo.
45O reino dos Céus é também semelhante a um comerciante que procura pérolas preciosas. 46Ao encontrar uma de grande valor, foi, vendeu tudo quanto tinha e comprou-a.
47O reino dos Céus é ainda semelhante a uma rede que, lançada ao mar, apanha todo o género de peixes. 48Quando fica cheia, puxam-na para a praia e, sentando-se, escolhem os bons para os cestos e deitam fora o que não presta. 49Assim será na consumação do tempo: os anjos sairão para separar os maus do meio dos justos 50e lançá-los na fornalha ardente; aí haverá choro e ranger de dentes.
51Entendestes tudo isto?» Eles responderam-lhe: «Sim!». 52Então Ele disse-lhes: «Por isso, todo o escriba que se torna discípulo do Reino dos Céus é semelhante a um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e coisas velhas».
Ler a primeira vez… Em silêncio, deixar a Palavra ecoar no coração… Observações:
Conclui-se hoje a leitura do “discurso das parábolas” (13,1-52), o terceiro dos cinco discursos de Jesus no Evangelho de S. Mateus, que nos acompanha já há dois domingos. Nele, Jesus ilustra como se deve acolher o reino dos céus.
O texto de hoje apresenta-nos quatro parábolas, todas elas exclusivas de Mateus, correspondendo à quinta, sexta, sétima e oitava parábolas desse discurso: a) a parábola do tesouro escondido (v. 44); b) a parábola da pérola preciosa (vv. 45s); c) a parábola da rede lançada ao mar (vv. 47-50); d) e a parábola do escriba, discípulo do Reino dos céus (vv. 51s), a oitava do discurso, que remata à guisa de conclusão.
- v. 44. «O reino dos Céus é semelhante a um tesouro escondido no campo. O homem que o encontrou voltou a escondê-lo e, na sua alegria, vai e vende tudo quanto tem e compra aquele campo.
A quinta parábola do "discurso das parábolas" é a do tesouro escondido. O "tesouro escondido" é uma imagem da sabedoria no AT (Pv 2,4 LXX; Sir 20,30; 41,14). Esta sabedoria, no NT, é o reino dos Céus, ou seja, o próprio Jesus Cristo (12,42; 1Cor 1,24.30), "no qual estão ocultos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento" (Cl 2,3).
"Tesouro" (6,21; 19,21) este que, mal é encontrado, logo se volta a “esconder” (gr. krypto). Uma nota que, num primeiro nível de compreensão – o da situação narrada pela parábola – se entende, porque, se aquele que encontrou o tesouro com ele quiser ficar, tem primeiro de comprar o campo onde o tesouro se acha, sendo, por isso, necessário que ninguém saiba o que ele aí encontrou, a começar pelo proprietário "do campo" (no singular, com artigo: "o mundo": v. 38).
Transpondo a narrativa para o tema da “procura” e do “encontro” do Reino dos céus (v. 46; cf. 7,7-18; Jo 1,41.45), Jesus dá a entender que, antes de se alcançar a verdadeira sabedoria, a do Reino, e de a comunicar, há que escutar a Palavra, acolhê-la com fé, escondê-la – ou seja, “guardá-la” no coração (gr. krypto, he. tsaphan, "esconder", “acumular”, “entesourar”: Pv 2,1) – para, meditando aí sobre ela, dela aprender e se imbuir da sua sabedoria, a fim de a pôr em prática (cf. Pv 2,1-4).
De facto, a sabedoria do Reino é loucura aos olhos do mundo (1Cor 1,17-25), permanecendo “escondida” “aos sábios e entendidos”, sendo só revelada aos “pequeninos” (11,25) e dada aos “pobres em espírito” (5,3). Por isso, quem encontra este "tesouro", “na sua alegria” (gr. khará) – a alegria da bem-aventurança eterna (cf. 5,3-12), ou seja, a alegria escatológica do Reino dos céus (25,21.33; Rm 14,17; Gl 5,22 cf. Lc 15,10) –, “vai e vende tudo quanto tem” (v. 46; 19,21), para a adquirir.
Jesus aponta assim qual é o bem maior, que está acima de todos os outros; qual é a prioridade fundamental, à qual se deve subordinar toda a nossa existência; qual é a fonte primordial e a verdadeira meta da nossa vida, que lhe dá sentido e a enche de plenitude: Jesus Cristo, o reino dos Céus (6,33). Ele é que deve ser o centro da nossa existência, ao qual há que subordinar todas as outras coisas e pelo qual vale a pena sacrificar tudo o resto. - v. 45. O reino dos Céus é também semelhante a um comerciante que procura pérolas preciosas.
Semelhante à parábola anterior, é a sexta parábola, a “parábola da pérola preciosa”, à “procura” da qual anda um comerciante de pérolas. - v. 46. Ao encontrar uma de grande valor, foi, vendeu tudo quanto tinha e comprou-a.
O comerciante vai procurando até que “encontra” uma pérola preciosa de grande valor. Faz então o mesmo que o homem da parábola anterior fez: “foi, vendeu tudo quanto tinha” (cf. v. 44; Lc 14,33; cf. Fl 3,7) “e comprou-a”.
Quer a parábola anterior, quer esta, dizem o mesmo: realçam que a única riqueza, o que realmente conta e tem valor na vida de um ser humano é o Reino dos céus, que o homem deve preferir e eleger como sendo o seu bem mais precioso, o fim último da própria existência, o valor fundamental pelo qual se rege toda a sua vida e em favor do qual renuncia a tudo o que possui e com ele é incompatível, estando disposto a “vendê-lo” (para depois dar o que ganhou aos pobres: 19,21), a fim de o possuir, pois só o Reino pode dar sabor e sentido definitivo à vida, enchendo-a da verdadeira e imperecível alegria (cf. 1Pd 1,6-9).
- v. 47. O reino dos Céus é ainda semelhante a uma rede que, lançada ao mar, apanha todo o género [de peixes].
Na sétima parábola (vv. 47-50), o Reino é comparado a “uma rede que, lançada ao mar, apanha todo o género”. “De peixes” é um acrescento das traduções; mas é incompleto, pois Jesus fala da sagena (gr. sagéne: Hab 1,15s; no NT, só aqui), uma rede de pesca que tanto pode ser usada em águas pouco profundas, como na pesca de arrasto. Nela podem cair peixes de “todo o género”, mas também ser arrastadas todo o tipo de coisas, incluindo lixo e outras coisas que não prestam.
A “rede”, em sentido lato (no NT, só nos Evangelhos) é imagem da atividade evangelizadora da Igreja (cf. 4,19sp; Mc 1,16, Lc 5,5s; Jo 21,6.8.11). Tal como a semente da Palavra é semeada em todo o tipo de terreno (vv. 4-8.18-22), também a “rede” da pregação do Evangelho se estende a todo o tipo de pessoas, acolhendo no Reino dos céus bons e maus, um tema que também é ilustrado na parábola do trigo e do joio (vv. 25-30).
- v. 48. Quando fica cheia, puxam-na para a praia e, sentando-se, escolhem os bons para os cestos e deitam fora o que não presta.
A rede (sagena) do Reino “fica cheia” quando “se cumprirem os tempos das nações” (Lc 21,24) e chegar “a plenitude dos gentios. Então todo o Israel será salvo” (Rm 11,25s). Isto acontecerá “na consumação do tempo” (v. 49). Só nessa ocasião é que a rede será puxada para a “praia” (gr. aigialós: “margem” arenosa de um rio, lago ou mar: v. 2; Jo 21,4s; At 27,39s), onde "os bons" – sem ulterior explicitação, também aqui, tal como no versículo anterior, de modo a poder subentender, não apenas "os peixes", mas também "os justos" – serão “escolhidos” e juntados nos “cestos”, separando-os do “que não presta”, seja ele gente, peixe ou lixo.
Repete-se aqui o que já tinha sido dito na parábola do trigo e do joio: o Reino dos céus não é um condomínio fechado, onde só há gente boa e santa, mas é uma realidade onde o mal e o bem crescem simultaneamente e convivem juntos (cf. 22,10). Uma visão completamente distinta da doutrina elaborada pelos rabinos, segundo a qual, no "tempo do fim", a era messiânica, seriam exterminados todos os ímpios, vivendo apenas os justos no Reino de Deus.
- v. 49. Assim será na consumação do tempo: os anjos sairão para separar os maus do meio dos justos.
Jesus passa, então, a referir quando chegará o momento da “separação” definitiva entre os justos e os injustos: isso só ocorrerá na “consumação do tempo” (gr. syntéleia tõy aiônos, “consumação do século”). Esta expressão, no singular, exclusiva de Mateus (vv. 39s; 24,3; 28,20; cf. Hb 9,26, no plural), designa o último dia do “fim dos tempos” (a era messiânica em que se cumprem as Escrituras: Dn 8,19; 9,25; 11,35; 12,4; Hb 1,2; 9,26; Gl 4,4; Ef 1,10). Nessa ocasião, Jesus, “o Filho do Homem,” virá na sua glória (25,31), os mortos serão ressuscitados e todos, bons e maus, serão julgados por Ele (13,49; 24,3; 25,32), como Ele também o afirma na parábola do trigo e do joio sob a imagem da “ceifa” (v. 39). Esta imagem é substituída aqui por outra: “Ele enviará os seus anjos” (v. 41; 24,31), que “sairão para separar os maus do meio dos justos”. Então o universo será consumido pelo fogo (daí a palavra “consumação”) e desaparecerá (13,40; 2Pd 3,12), dando lugar aos novos céus e à nova terra (2Pd 3,13), a eternidade prometida (13,43; 25,46).
A referência ao envio dos “anjos” a “separar” (25,32; 2Cor 6,17) “os maus do meio dos justos” (cf. Sl 1,5), é uma forma de exortar as pessoas a acolher a palavra anunciada pelos “anjos” (gr. “mensageiro”: 11,10), ou seja, pelos “enviados” (gr. apóstolos) de Jesus Cristo, os “mensageiros” de Evangelho. O juízo final já começa agora, aqui, sobre a terra, dependendo a salvação e a condenação de cada ser humano da sua própria decisão de acolher o Evangelho e de o pôr em prática pelas obras de misericórdia (5,7; 9,13; 12,7; 23,23; 25,35s) ou não.
- v. 50. E lançá-los na fornalha ardente; aí haverá choro e ranger de dentes.
É o que Jesus explicita logo em seguida, repetindo aqui à letra o que já tinha dito no v. 42, na conclusão da parábola do trigo e do joio.
“A fornalha ardente” (cf. 3,12; 25,31) é uma imagem retirada de Dn 3,6, referida à fornalha de fogo onde eram castigados os que não adorassem a estátua de Nabucodonosor. Esta indicação passou no judaísmo para a imagem da "fornalha de fogo" e da "Geena" (5,22.29s; 10,28; 23,15.33), tornando-se estas figuras do suplício eterno do inferno, expresso na forma popular do pranto e do ranger de dentes: o “choro”, imagem de sofrimento e de luto irremediáveis; e “o ranger de dentes”, símbolo da inveja e do desespero dos réprobos ao ver a felicidade eterna dos justos (cf. 8,12; 22,13;24,51;25,30; Lc 13,28), enquanto comprovam a sua própria e definitiva condenação.
Em suma: Jesus dá a entender que Deus não tem pressa de condenar e destruir ninguém, porque não quer a morte do pecador, mas antes que este se converta e vida (Ez 18,23.32); por isso, dá ao homem o tempo necessário e suficiente para que tome consciência do que faz, se arrependa das suas más obras e opte pelo caminho da verdadeira vida.
- v. 51. «Entendestes tudo isto?» Eles responderam-lhe: «Sim!»
Na terceira parte, conclui-se o discurso das parábolas com um breve diálogo entre Jesus e os discípulos (vv. 51-52). Jesus certifica-se que os seus discípulos “compreenderam” (gr. syníemi, 6x em Mt 13: vv. 13-15.19.23; Is 6,9) o que Ele lhes disse, pois esta é a condição fundamental para acolher a Sua palavra e a pôr em prática, dando muito fruto (v. 23). Os discípulos respondem afirmativamente.
- v. 52. Então Ele disse-lhes: «Por isso, todo o escriba que se torna discípulo do Reino dos Céus é semelhante a um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e coisas velhas».
Jesus termina o “discurso das parábolas”, na realidade, com mais uma parábola em sentido bíblico: a oitava, a do escriba que “se torna discípulo do Reino dos céus”. Ao invés do judaísmo, o "escriba" do Reino nunca deixa de ser discípulo, não se impondo aos outros como seu instrutor e juiz (cf. 23,2-10), mas é alguém que continua sempre a aprender de Jesus (cf. 11,29), esforçando-se por compreender o que Ele diz e o pôr em prática (5,19), a fim de dar muito fruto (v. 23).
A referência ao fato do “escriba” (23,34) “tirar do seu tesouro” (v. 44; 12,35) – o tesouro do coração, onde guarda aquilo que viu e ouviu (12,35) –, “coisas novas e velhas”, dirige-se antes de mais aos discípulos de Jesus provindos do judaísmo, profundos conhecedores do AT (o “velho”). No entanto, pode referir-se também a todos os cristãos provindos da gentilidade que encontraram o tesouro escondido da fé cristã e que agora são convidados a conhecer e a refletir sobre os ensinamentos e as promessas do AT à luz do Evangelho, vendo-as realizadas e levadas à perfeição por Jesus (o “novo”). De facto, se, por um lado, o AT só se compreende à luz da paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo, por outro lado, todo o valor, alcance, sentido e novidade do Evangelho só podem ser descobertos e percebidos à luz do AT, tendo presentes as suas instituições e as tradições judaicas.
Ler o texto outra vez... Em silêncio, escutar o que Deus diz no segredo...
2) MEDITAÇÃO… PARTILHA… (Que me diz Deus nesta Palavra?)
a) Que frase me toca mais? b) Que diz à minha vida? c) Oração em silêncio…
d) Partilha… e) Que frase reter? f) Como a vou / vamos pôr em prática?
- O que é que comanda a minha vida? Quais são os valores que ponho em primeiro lugar? Que significado têm para mim as propostas de Jesus?
- O Reino é para mim fonte de paz, alegria e generosidade? A minha opção por ele é sincera ou pactua com desvios, hipocrisias e incoerências?
3) ORAÇÃO PESSOAL… (Que me faz esta Palavra dizer a Deus?)
4) CONTEMPLAÇÃO… (Saborear a Palavra em Deus, deixando que ela me inflame o coração)
Salmo responsorial Sl 119,57.72.76s.127s.129s (R. 97a)
Refrão: Quanto amo, Senhor, a vossa lei!
Senhor, eu disse: A minha herança
é cumprir as vossas palavras.
Para mim vale mais a lei da vossa boca
do que milhões em ouro e prata. R.
Console-me a vossa bondade,
segundo a promessa feita ao vosso servo.
Desçam sobre mim as vossas misericórdias e viverei,
porque a vossa lei faz as minhas delícias. R.
Por isso, eu amo os vossos mandamentos,
mais que o ouro, o ouro mais fino.
Por isso, eu sigo todos os vossos preceitos
e detesto todo o caminho da mentira. R.
São admiráveis as vossas ordens,
por isso, a minha alma as observa.
A manifestação das vossas palavras ilumina
e dá inteligência aos simples. R.
Pai-nosso…
Oração conclusiva:
Senhor, nosso Deus, protetor dos que em Vós esperam, sem Vós nada tem valor, nada é santo. Multiplicai sobre nós a vossa misericórdia, para que, conduzidos por Vós, usemos de tal modo os bens temporais que possamos aderir desde já aos bens eternos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. T – Amen.
Ave-Maria...
Bênção final. Despedida.
5) AÇÃO... (Caminhar à luz da Palavra, encarnando-a e testemunhando-a na nossa vida, unidos a Cristo e unidos em Cristo)
Fr. Pedro Bravo, O.Carm.
Folheto para fazer a LD em grupo
Fonte da imagem: https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcSySgyWIfdZOT63xv_0KgPPfTC9_6IkzfVoT5fJ1E9ILA&s=10