Santa Teresa do Menino Jesus e a Santíssima Virgem

Santa Teresa do Menino Jesus e a Santíssima Virgem

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Quem folheia os escritos de Santa Teresa do Menino Jesus facilmente percebe a grande devoção e amor que ela nutre por Nossa Senhora. Facilmente se constata como Teresa se sente protegida por Maria e como ela se sente filha da Virgem de um modo terno e profundo.

Antes de começar a escrever o Manuscrito A, no ano de 1895, Teresa diz: “Antes de pegar na pena, ajoelhei-me diante da imagem de Maria (aquela que me deu tantas provas das maternais preferências da Rainha do Céu para com a nossa família), supliquei-lhe que guie a minha mão a fim de eu não traçar uma única linha que não lhe agrade” (Ms A 2r).

Esta imagem a que se refere Teresa é muito significativa para ela. Trata-se da “Virgem do sorriso” que a curou de uma doença nervosa que teve lugar na sua infância e que ela conta no Ms A, 29v-31r. Esta mesma imagem acompanhou-a na sua agonia na enfermaria do convento de Lisieux.

No dia 13 de maio de 1883, Nossa Senhora presenteou-a com um sorriso encantador: “Não encontrando na terra nenhum auxílio, a pobre Teresinha voltara-se também para a sua Mãe do Céu; pediu-lhe com todo o coração que tivesse finalmente piedade dela... De repente, a Santíssima Virgem pareceu-me bela, tão bela como nunca vira nada tão belo: o seu rosto irradiava uma bondade e uma ternura inefáveis; mas o que me penetrou até ao fundo da alma foi o «encantador sorriso da Santíssima Virgem»” (Ms 30r).

No dia da sua primeira comunhão, 8 de maio de 1884, Teresa consagra-se a Maria como filha órfã: “De tarde, fui eu que pronunciei o ato de consagração à Santíssima Virgem. Era muito justo que eu falasse em nome das minhas companheiras à minha Mãe do Céu, eu que tinha sido privada tão nova da minha mãe da terra... Pus todo o meu coração em lhe falar, em me consagrar a ela, como uma criança que se lança nos braços da sua mãe e lhe pede para velar por ela. Parece-me que a Santíssima Virgem deve ter olhado a sorrir para a sua Florzinha. Acaso não tinha sido ela que a tinha curado com um sorriso visível?...” (Ms A, 35v).

No dia 4 de novembro de 1887, na Basílica de Nossa Senhora das Vitórias, em Paris, Teresa recebe uma grande graça: “A Santíssima Virgem fez-me sentir que tinha sido verdadeiramente ela que me tinha sorrido e me tinha curado. Compreendi que ela velava por mim, que eu era sua filha, e sendo assim, já não podia dar-lhe outro nome senão o de «Mamã», pois me parecia mais terno ainda que o de «mãe»...” (Ms A, 56v e s).

Já no Carmelo, é Nossa Senhora que a prepara para a entrega a Jesus como esposa no dia da sua Profissão Religiosa a 8 de setembro de 1890. Tratava-se da festa da Natividade de Nossa Senhora: “Que bela festa a da Natividade de Maria para me tornar Esposa de Jesus! Era a pequena Santíssima Virgem, de um dia, que apresentava a sua pequena Flor ao pequeno Jesus...” (Ms A, 77r).

Tanto na sua missão de ajudante de mestra de noviças como nos momentos mais difíceis da sua vida, Teresa sente a proximidade de Maria e a sua ajuda: “A Santíssima Virgem [...] nunca deixa de me proteger logo que a invoco. Se tenho qualquer inquietação, uma dificuldade, volto-me depressa para ela, e como a mais terna das mães, encarrega-se sempre dos meus interesses. Quantas vezes me aconteceu, ao falar às noviças, invocá-la e sentir os benefícios da sua maternal proteção!...” (Ms c, 26r).

Uns dias antes de fazer a sua Oferenda ao Amor Misericordioso lê o texto diante duma imagem de Nossa Senhora das Vitórias. Com este gesto Teresa quer manifestar que o seu oferecimento é todo ele feito a Deus por mediação de Maria, como aparece na oração: “Ofereço-Vos, ó Bem-aventurada Trindade, o Amor e os méritos da Santíssima Virgem, minha querida Mãe: é a ela que entrego o meu oferecimento, pedindo-lhe que Vo-lo apresente” (Oração 6). E ao aproximar-se a hora da sua morte, em agonia, Teresa dirige-se com filial confiança a Maria em agonia: “Querida Santíssima Virgem, vinde em meu auxílio” (Últimas conversas 39.9.1897).

É a própria Teresa a dizer que desde o seu nascimento até à sua morte, amava Maria: “Desde a primavera da minha vida, à Virgem Maria e a S. José eu amava” (Poesia 18).

Estas são as últimas palavras escritas por Teresa: “Ó, Maria, se eu fosse a Rainha do céu e vós fosseis Teresa, quisera ser Teresa a fim de que vós fosseis a Rainha do céu”.

“Oh! quisera cantar, Maria, porque te amo. Porque é que o teu doce nome me comove o coração, e porque é que o pensamento da tua grandeza suprema não é capaz de inspirar-me medo. Se te contemplasse na tua sublime glória, muito mais brilhante do que todos os bem-aventurados, não podia acreditar que sou tua filha. Ó Maria, diante de ti, eu baixava os olhos!... Meditando a tua vida escrita no Evangelho atrevo-me a olhar para ti. Não me custa acreditar que sou tua filha, pois vejo que morres e sofres, como eu”. (Santa Teresa do Menino Jesus)

“Como me teria gostado ser sacerdote para pregar sobre a Virgem Maria! Penso que seria suficiente fazê-lo uma só vez para dar a entender o que penso dela. Antes demais nada, faria ver quão pouco se conhece a vida da Santíssima Virgem. Não devemos dizer dela coisas inverosímeis ou que não se sabem... Adivinha-se perfeitamente que a sua vida real, em Nazaré, e mais tarde, teve de ser completamente ordinária... Era-lhes submisso (Lc 2,51). Que simples! Apresenta-se a Virgem inacessível. Haveria que apresentá-la imitável, praticando as virtudes ocultas. Haveria que dizer que vivia de fé, como nós, e dar as provas que se lêem no Evangelho, onde se diz: Não compreenderam o que lhes dizia. E esta outra passagem: Seu pai e sua mãe estavam admirados das coisas que se diziam d’Ele (Lc 2,33)”. (Santa Teresa do Menino Jesus)

Pe. Jeremias Carlos Vechina, OCD

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