O Mistério da Redenção

O MISTÉRIO DA REDENÇÃO

Quem provocou a morte de Jesus? Do ponto de vista histórico, a morte de Jesus foi desejada pelas autoridades hebraicas e romanas do tempo, e pela multidão de Jerusalém habilmente manipulada. Não por todos os hebreus de então e muito menos pelos das gerações seguintes.

 Mas as causas históricas não explicam adequadamente a cruz de Cristo. A nível diferente, todos os homens são responsáveis por ela. Aqueles poucos que, em grau variável, a provocaram directamente são apenas os representantes do pecado, radicado em todos os homens, em todos os povos e em todas as épocas: “Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras” (1Cor 15, 3). “Segundo as Escrituras” significa segundo o projecto de Deus escondido no Antigo Testamento. Por trás da morte de Jesus está, pois, um desígnio de Deus, um desígnio de amor, a que a fé da Igreja chama mistério da redenção. Tal como o antigo Israel foi liberto da escravidão do Egipto para receber o dom da aliança e da Terra prometida, assim toda a humanidade é redimida, isto é, liberta da escravidão do pecado e introduzida no Reino de Deus. Surpreendendo todas as expectativas humanas, Deus revela-se na fraqueza e na loucura da cruz como amor sem medida; abraça, por meio do Crucificado, aqueles que se encontram longe d'Ele; e, por fim, subordina a morte de Jesus à salvação dos pecadores, por meio da gloriosa ressurreição.

O mistério da redenção, segundo o Novo Testamento, é mistério de amor. Deus é em si mesmo perfeitíssimo, feliz e imutável. Não pode diminuir, nem crescer, nem perder, nem adquirir. É por amor completamente livre e gratuito que chama à vida as criaturas e que concede a sua Aliança. O homem, criado livre, fecha-se, com o pecado, ao amor e aos dons de Deus. O pecado ofende a Deus e provoca-lhe um misterioso “sofrimento”, que, segundo a Bíblia, é amargura e desilusão, ciúme, ira e, sobretudo, compaixão. No seu amor sempre fiel, na sua misericórdia sem limites, “Deus amou de tal modo o mundo que lhe deu o seu Filho único, para que todo o que n'Ele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3, 16). Cristo acolhe livremente a iniciativa do Pai. Partilha a atitude misericordiosa do Pai, a sua vontade, e o seu projecto. Entregou-se aos homens sem reservas, confiou-se às suas mãos, sem recuar perante a sua hostilidade, tomando sobre si o peso do seu pecado. Assim viveu e testemunhou na sua carne a fidelidade incondicional do amor de Deus à humanidade pecadora.

 

Os demónios não são os que O crucificaram, mas tu, que, juntamente com eles, O crucificaste e continuamente crucificas, quando te comprazes nos vícios e no pecado.
(São Francisco de Assis)

Liturgia do dia

  • Quarta-feira da semana X
    S. Anjo da Guarda de Portugal – MO Branco – Ofício da memória. Missa da memória. L 1: Dn 10,2a.5-6.12-14ab ou Ex 23,20-23a; Sl 90 (91), 1 e 3. 5b-6. 10-11. 14-15 Ev: Lc 2, 8-14 * Na Ordem Hospitaleira de S. João de Deus – B. Eustáquio Kugler, religioso – MO * Nas Dioceses de Cabo Verde – Ofício e Missa da féria.

Notícias do Vaticano

  • O Papa: abramo-nos ao Senhor e deixemos-nos agitar pelo vento do seu Espírito

    Abramo-nos ao dom do Espírito, buscando o Senhor e acolhendo a luz do seu Evangelho, com a certeza de que experimentaremos em nós uma vida nova, uma presença que abençoa, um amor gratuito que nos ajudará a passar da noite para a luz. Porque Deus não quer que nada se perca e desde já deseja dar-nos a vida eterna, para nos conduzir à felicidade que não tem fim: foi a exortação de Leão XIV na Vigília de Oração na noite desta terça-feira no Estádio Olímpico “Lluís Companys”, em Barcelona, na Espanha

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  • À espera do Papa na prisão de Brians, o capelão: que a Igreja siga caminho da misericórdia

    Entre as etapas de Leão na Catalunha, está a visita ao centro de detenção cautelar, onde duas detentas darão um breve testemunho. O padre mercedário Jesús Bel, há 40 anos empenhado na pastoral carcerária em diversas instituições penitenciárias, destaca o valor da visita: “Certa vez, enquanto celebrava em uma prisão na Venezuela, houve um tiroteio e foram justamente dois detentos que me salvaram. Se não se recupera o homem, é muito difícil que a pessoa consiga seguir em frente”

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  • Visita da Ir. Simona Brambilla e da Ir. Tiziana Merletti à Terra Santa

    Irmã Simona Brambilla, Prefeita do Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica e da Irmã Tiziana Merletti, secretária do mesmo Dicastério, visitaram a Terra Santa no início de junho: foram muitos os encontros.

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Santos Carmelitas