Jesus na Cruz

JESUS NA CRUZ

 Jesus foi condenado à morte de cruz, suplício reservado aos escravos e aos criminosos de direito comum. Suplício infamante e atroz ao mesmo tempo. Na cruz, segundo Mateus 27, 46 e Mc 15, 34,  Jesus pronuncia estas palavras: “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?”. Este grito, que a tradição judaica aplica ao Justo sofredor, é a expressão do abismo a que pode descer o homem que se sente abandonado por Deus, mas é também uma oração confiante, na medida em que Jesus retoma aqui a primeira frase do salmo 21, cuja segunda parte é uma proclamação de esperança saída do mais profundo abatimento, um abandono filial. Algumas experiências dos místicos ajudam-nos a intuir, por analogia, quão tremenda foi para Jesus a experiência do abandono por parte do Pai: “Não há sofrimento maior para a pessoa do que o pensamento de ter sido abandonado por Deus... A alma experimenta vivamente a sombra da morte, o lamento da morte e os sofrimentos do inferno” (São João da Cruz).

 São Lucas e São João dão à morte de Jesus uma luz complementar. Em Lucas, Jesus perdoa aos seus algozes (cf. Lc 23, 34), promete o paraíso, “hoje mesmo”, ao malfeitor arrependido (Lc 23, 43) e a sua última palavra é uma palavra de abandono confiante nas mãos do Pai: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito” (Lc 23, 46). João, por seu lado, refere a palavra comovente de Jesus a sua Mãe e ao discípulo que ele amava: “Mulher, eis o teu filho. (…) Eis a tua Mãe” (Jo 19, 26-27).

Jesus manifestou na cruz uma confiança filial absoluta para com o Pai, assim como um amor infinito para com todos – para com os inimigos como para os seres mais queridos – no meio de um sofrimento e de um abandono que temos dificuldade em imaginar.

A cruz foi, é e será sempre um escândalo e uma loucura. É necessário realizar a conversão para reconhecer o Salvador num homem crucificado. E todavia “o que é loucura de Deus é mais sábio do que os homens, e o que é fraqueza de Deus é mais forte do que os homens” (1Cor 1, 25). Para permanecer ao pé da cruz será sempre necessário uma conversão de olhar: “Hão-de olhar para Aquele que trespassaram” (Jo 19, 37). A morte de Jesus, assumida por amor e obediência à missão recebida do Pai, é revelação da glória de Deus. É o testemunho último e inesgotável de que “Deus amou de tal maneira o mundo que entregou o seu Filho único, para que todo o homem que acredita n'Ele não se perca” (Jo 3, 16).

Se levares alegre a tua cruz, ela te levará.
(Tomás de Kempis)

Liturgia do dia

  • Terça-feira da semana X
    S. Efrém, diácono e doutor da Igreja – MF Verde ou br. – Ofício da féria ou da memória. Missa à escolha. L 1: 1Rs 17, 7-16; Sl 4, 2-3. 4-5. 7-8 Ev: Mt 5, 13-16 * Na Companhia de Jesus – S. José de Anchieta, presbítero – MF

Notícias do Vaticano

  • O Papa: abramo-nos ao Senhor e deixemos-nos agitar pelo vento do seu Espírito

    Abramo-nos ao dom do Espírito, buscando o Senhor e acolhendo a luz do seu Evangelho, com a certeza de que experimentaremos em nós uma vida nova, uma presença que abençoa, um amor gratuito que nos ajudará a passar da noite para a luz. Porque Deus não quer que nada se perca e desde já deseja dar-nos a vida eterna, para nos conduzir à felicidade que não tem fim: foi a exortação de Leão XIV na Vigília de Oração na noite desta terça-feira no Estádio Olímpico “Lluís Companys”, em Barcelona, na Espanha

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  • À espera do Papa na prisão de Brians, o capelão: que a Igreja siga caminho da misericórdia

    Entre as etapas de Leão na Catalunha, está a visita ao centro de detenção cautelar, onde duas detentas darão um breve testemunho. O padre mercedário Jesús Bel, há 40 anos empenhado na pastoral carcerária em diversas instituições penitenciárias, destaca o valor da visita: “Certa vez, enquanto celebrava em uma prisão na Venezuela, houve um tiroteio e foram justamente dois detentos que me salvaram. Se não se recupera o homem, é muito difícil que a pessoa consiga seguir em frente”

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  • Visita da Ir. Simona Brambilla e da Ir. Tiziana Merletti à Terra Santa

    Irmã Simona Brambilla, Prefeita do Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica e da Irmã Tiziana Merletti, secretária do mesmo Dicastério, visitaram a Terra Santa no início de junho: foram muitos os encontros.

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Santos Carmelitas