Uma carta escrita com o Espírito de Deus Vivo: Maria e o Espírito Santo - Catequese do Papa Francisco


Estimados irmãos e irmãs, bom dia!

Entre os vários meios através dos quais o Espírito Santo realiza a sua obra de santificação na Igreja - Palavra de Deus, Sacramentos, oração - há um em particular, que é apiedade mariana. Na tradição católica existe este lema, este ditado: “Ad Iesum per Mariam”, isto é, “a Jesus por meio de Maria”. Nossa Senhora mostra-nos Jesus. Ela abre-nos as portas, sempre! Nossa Senhora é a mãe que nos conduz pela mão até Jesus. Nossa Senhora nunca se indica a si mesma, Nossa Senhora indica Jesus. E esta é a piedade mariana: a Jesus pelas mãos de Nossa Senhora.

São Paulo define a comunidade cristã como «uma carta de Cristo, redigida por nós, escrita não com tinta, mas com o Espírito de Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de corações humanos» (2 Cor 3, 3). Como primeira discípula e figura da Igreja, Maria é também uma carta escrita com o Espírito de Deus vivo. Precisamente por isso, ela pode ser «conhecida e lida por todos os homens» (2 Cor 3, 2), até por quem não sabe ler livros de teologia, por aqueles “pequeninos” aos quais Jesus diz que são revelados os mistérios do Reino, escondidos aos sábios (cf. Mt 11, 25).

Dizendo o seu “sim” - quando Maria aceita e diz ao anjo: “Sim, que se faça a vontade do Senhor” e aceita ser mãe de Jesus - é como se Maria dissesse a Deus: “Eis-me, sou uma tábua onde escrever: que o Escritor escreva o que quiser, que o Senhor de tudo faça de mim o que quiser” (Cf. Orígenes, Comentário ao Evangelho de Lucas, framm. 18 (GCS 49, p. 227).

Naquele tempo, costumava-se escrever em tábuas de cera; hoje diríamos que Maria se oferece como uma página branca na qual o Senhor pode escrever o que quiser. O “sim” de Maria ao anjo - escreveu um conhecido exegeta - representa «o ápice de todo o comportamento religioso diante de Deus, pois exprime, da maneira mais elevada, a disponibilidade passiva unida à prontidão ativa, o vazio mais profundo acompanhado da maior plenitude» H. Schürmann, Das Lukasevangelium, Freiburg in Br. 1968: trad. ital. Brescia 1983, 154).

Eis, pois, como a Mãe de Deus é instrumento do Espírito Santo na sua obra de santificação. No meio da profusão interminável de palavras ditas e escritas sobre Deus, sobre a Igreja e sobre a santidade (que pouquíssimos, ou ninguém consegue ler e compreender na íntegra), ela sugere-nos apenas duas palavras que todos, até os mais simples, podem pronunciar em qualquer ocasião: “Eis-me” e “fiat”. Maria é aquela que disse “sim” ao Senhor e, com o seu exemplo e a sua intercessão, nos impele a dizer também o nosso “sim” a Ele, todas as vezes que nos encontramos diante de uma obediência a cumprir ou uma provação a superar.

Em cada época da sua história, mas em particular neste momento, a Igreja encontra-se na situação em que estava a comunidade cristã depois da Ascensão de Jesus ao céu. Deve pregar o Evangelho a todas as nações, mas está à espera da “força do alto” para o poder fazer. E não esqueçamos que, naquele momento, como lemos nos Atos dos Apóstolos, os discípulos estavam reunidos em volta de «Maria, mãe de Jesus» (At 1, 14).

É verdade que havia também outras mulheres com ela no cenáculo, mas a sua presença é diferente e única entre todas. Entre ela e o Espírito Santo existe um vínculo singular e eternamente indestrutível, que é a própria pessoa de Cristo, “concebido pelo Espírito Santo e nascido da Virgem Maria”, como recitamos no Credo. O evangelista Lucas realça deliberadamente a correspondência entre a vinda do Espírito Santo sobre Maria na Anunciação e a sua vinda sobre os discípulos no Pentecostes, usando algumas expressões idênticas em ambos os casos.

Numa das suas orações, São Francisco de Assis saúda a Virgem como «filha e serva do Rei altíssimo, o Pai celeste, mãe do santíssimo Senhor Jesus Cristo, esposa do Espírito Santo». (Fontes Franciscanas, Assis 1986, n. 281).Filha do Pai, Mãe do Filho, Esposa do Espírito Santo! Não se poderia explicar com palavras mais simples a relação singular de Maria com a Trindade.

Como todas as imagens, nem sequer esta de “esposa do Espírito Santo” deve ser absolutizada, mas tomada pela medida de verdade que contém, e é uma verdade muito bela! Ela é a esposa, mas antes ainda é a discípula do Espírito Santo. Esposa e discípula. Aprendamos com ela a ser dóceis às inspirações do Espírito, sobretudo quando Ele sugere que nos “levantemos apressadamente” para ir ajudar alguém que precisa de nós, como ela fez imediatamente depois que o anjo a deixou (cf. Lc 1, 39). Obrigado!

Papa Francisco, Audiência Geral, 13 de Novembro, 2024

Liturgia do dia

  • DOMINGO IX DO TEMPO COMUM
    SANTÍSSIMA TRINDADE – SOLENIDADE Branco – Ofício da solenidade. Te Deum. †Missa própria, Glória, Credo, pf. próprio. L 1: Ex 34, 4b-6. 8-9; Sl Dn 3, 52.53-54.55acd-56 L 2: 2Cor 13, 11-13 Ev: Jo 3, 16-18 * Proibidas todas as Missas de defuntos, mesmo a exequial. * Na Diocese de Coimbra – Ofertório para a Igreja Diocesana. * Aniversário da Ordenação episcopal de D. José Francisco Sanches Alves, Bispo Emérito de Évora (1998). * II Vésp. da solenidade – Compl. dep. II Vésp. dom. Em Portugal – Na próxima quinta-feira ocorre a Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo. É dia santificado e feriado nacional.

Notícias do Vaticano

  • Hebdomada Papae, o boletim em latim do Vatican News

    Os destaques de hoje incluem: a apresentação da encíclica "Magnifica humanitas"; respostas a jornalistas em Castel Gandolfo; e a Audiência Geral da última quarta-feira. O programa semanal de notícias — em colaboração com o Escritório das Letras Latinas da Secretaria de Estado — também está disponível como podcast no Vatican News.

    Leia tudo

     

  • Rosário com o Papa: a paz é sempre possível pois é um dom de Deus

    "Cada vez que retornamos ao Senhor, a Sua paz torna-se nossa responsabilidade....Nossa oração torna-se missão e profecia: não deverá mais existir o pranto dos inocentes nas nossas cidades; ninguém deve ter que fugir de sua própria casa por causa da ameaça de bombas; o desejo de poder e a violência das palavras darão lugar à sede de justiça e de verdade".

    Leia tudo

     

  • Leão XIV à comunidade de Villa Nazareth: sejam um berçário de pensamento cristão

    O Papa recebe no Vaticano a realidade educacional fundada há 80 anos por Domenico Tardini, como sinal e instrumento de educação e paz. O Pontífice encorajou os membros a perseverarem no apoio intelectual, moral e financeiro aos jovens que "precisam de esclarecimento e orientação, especialmente para fomentar a unidade entre mente e espírito, entre fé, estudo, profissão e vida". O atual presidente, cardeal Parolin, na Miissa de aniversário, expressou: viver uma comunhão cada vez mais verdadeira

    Leia tudo

     

Santos Carmelitas