Quinto Dia da Novena de Nossa Senhora do Carmo

5º Dia: O fruto da misericórdia é a paz (11 de Julho)

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A meio da novena de Nossa Senhora do Carmo celebramos a festa de S. Bento, Padroeiro da Europa (c. 480-547), o grande impulsionador do monaquismo ocidental. O lema da Ordem por ele fundada, Paz, e a súmula da sua Regra, ora et labora (reza e trabalha), sintetizam bem o anúncio evangélico que nós, cristãos, somos chamados a levar a cada pessoa e o modo como, através da nossa atividade, pondo ao serviço uns dos outros os dons que recebemos de Deus, podermos construir, como pessoas e comuni­dades, no meio onde nos encontrarmos, o reino de Deus, “reino de verdade e de vida; de santidade e de graça; de justiça, de amor e de paz”.

Foi este mesmo anseio que levou S. Bento a escrever para a Ordem por ele fundada uma Regra de vida, admirável pelo seu equilíbrio, humanidade e espírito cristão. “Bendito pela graça e pelo nome, desejando agradar só a Deus, Bento pôs-se à escuta do Senhor e deixando tudo, fazendo-se douta­mente ignorante e sabiamente insensato, enveredou pelo caminho estreito que conduz à vida, inaugurando um nova forma de vida em comunidade, concebida como escola do serviço divino, onde todos aprendessem e mutuamente se ajudassem a viver segundo o Evangelho, de modo a formar como que pequenas Igrejas onde reinassem o amor, o desapego das coisas do mundo, a arte de delas usar retamente, o primado do Espírito e a paz (cf. Regra Beneditina = RB, S. Gregório Magno, S. João Paulo II).

Para isso, S. Bento recomenda antes de mais o amor a Deus, a escuta e a caridade fraterna, fomentando a comunhão através da mútua obediência. Diz ele: “com ardentíssimo amor antecipem-se uns aos outros em honrar o outro; tolerem com toda a paciência as fraquezas do próximo, quer do corpo quer de caráter; rivali­zem entre si em prestar mútua obediência; ninguém procure aquilo que julga útil para si, mas, principalmente, o que o é para o outro; pratiquem a caridade fraterna; temam a Deus com amor; amem-se uns aos outros com sincera e humilde caridade; e nada absolutamente anteponham a Cristo (RB 72).

Fundamento da paz e garante da comunhão fraterna é a prática da misericórdia, que recomenda: “orar, no amor de Cristo, pelos inimigos; voltar à paz, antes do dia chegar ao fim, com aqueles com quem se teve alguma desavença; nunca desesperar da misericórdia de Deus” (RB 4).

Para nelas crescer, é preciso cultivar a humildade, convertendo-se cada dia, aceitando a correção fraterna, não escondendo os maus pensamentos que vêm ao próprio coração, nem o mal cometido às ocultas, mas confessando-os humildemente, para assim se ser curado pela graça divina, como diz o Salmo: “Dai graças (lit. confessai) ao Senhor, porque Ele é bom, porque é eterna a sua misericórdia” (Sl 118,1; RB 7).

A misericórdia, nascida da humildade, leva à partilha fraterna, pondo tudo em comum, repartindo os bens por cada um, segundo a sua necessidade, tendo em consideração a sua idade e fraquezas (cf. At 2,44s, RB 34.37).

O mesmo afirma S. Maria Madalena de’ Pazzi: “A alma, sendo humilde, também é pródiga para com o próximo e cheia de misericórdia, quer no âmbito da vida temporal, quer na vida espiritual. Livre de todo o apego terreno e de si mesma, com agilidade e presteza, voa com o seu espírito sempre para Deus, sem qualquer impedimento” (I, 217).

É assim que nascem o homem e a comunidade novos, reconhecíveis, sobre­tudo, no acolhimento e na hospitalidade para com os que chegam, em especial para com os pobres e os doentes, a quem devem receber como o próprio Cristo (cf. Mt 25) e a quem todos devem lavar os pés, neles reconhecendo Deus que os visita com a sua misericórdia: “Recebemos, ó Deus, a vossa misericórdia no meio do vosso Templo” (Sl 48,10; RB 53).

Porque foi humilde e se esqueceu de si própria, Maria caminhou na paz, tornando-se Mãe de misericórdia, que a todos acolhe prodigamente, sem a ninguém rejeitar, com o seu olhar compassivo e coração aberto, rasgado pelo dom e pela entrega do seu Filho na cruz, por nosso amor e para nossa salvação, para a todos dela nos tornar participantes e dela nos fazer portadores no meio deste mundo, em especial junto dos mais necessitados e  daqueles que ainda O não conhecem.

Assim realizar-se-á entre nós o Salmo: “Mostrai-nos, Senhor, a vossa mise­ricórdia e dai-nos a vossa salvação. Vou escutar o que diz o Senhor: Deus fala de paz ao seu povo e aos seus fiéis e a quantos de coração a Ele se con­vertem. A sua salvação está perto dos que o temem e a sua glória habitará na nossa terra. Encontraram-se a misericórdia e a fidelidade, abraçaram-se a paz e a justiça. A fidelidade vai germinar da terra e a justiça descerá do Céu. O Senhor dará ainda o que é bom e a nossa terra produzirá os seus fru­tos. A justiça caminhará à sua frente e a paz seguirá os seus passos” (Sl 85,8-12). E tornar-nos-emos, como Maria, um hino de louvor à glória da graça de Deus, proclamando a santidade do seu nome, engrandecendo a sua misericórdia e difundindo a sua paz cá na terra, entre os homens.

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